Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Euler Belém, como sempre, afinadíssimo. ...

    54 minutos atrás por Carlos Augusto Silva sobre Paulo Francis vive
  • o sentimento não tem explicação e nem utilidade prática, está acima da razão prática do dia-a-dia. Sentir é melhor do que racionalizar ou buscar explicação prática os sentimentos. Eu gosto de jazz, es ...

    1 dia atrás por Linkowski sobre Uma coisa inútil
  • Gosto do cinismo do Vêncio, se der pra ser considerado assim. E como ele, "[...] eu tenho convicção que a humanidade nunca esteve tão boazinha." ...

    1 dia atrás por Chiyoko Gonçalves sobre MMA: bate que eu gosto
  • Respeito o comentário, mas discordo do Rodrigo Molina. Procurar alguém que entenda, é apenas ratificar o "esporte". Penso que o autor entende(embora não seja especialista). E é, justamente aí, que est ...

    1 dia atrás por MAURILHO TEIXEIRA sobre MMA: bate que eu gosto

últimas no twitter

  • @magopaco Haha. Boa.
    51 minutos atrás
  • @bqeg Valeu. Estou treinando para aquele confronto. Rs.
    51 minutos atrás
  • @bqeg Qual id da PSN?
    1 hora atrás
  • @neiduclos DM...
    1 hora atrás
  • Os 80 maiores clássicos do blues para ouvir on-line | Revista Bula http://t.co/Jp77X4Bh
    2 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

sugestões de filmes

  • O Homem de La Mancha, com Sophia Loren

POR EM 28/02/2012 ÀS 06:02 PM

Guardados do sótão

publicado em

Saí do teatro emocionado e pensando em escrever alguma coisa sobre a execução da nona de Beethoven. Sou assim: se me emociono as palavras começam a circular nas veias aquecidas. Cheguei a estudar piano até certa fase da adolescência, mas não me sinto competente para emitir juízos a respeito do desempenho de uma orquestra sinfônica. Era impossível resistir ao apelo das palavras que se amontoavam dentro da cabeça e pediam passagem. Por isso, quer dizer, pela opção que fiz pelo outro teclado, este aqui, não passo daqueles conceitos bem genéricos que qualquer amante da música erudita consegue emitir. 

Carregado por esses pensamentos fui parar ao lado do Aldo Obino. Não, você não deve conhecer o Aldo Obino. Mesmo em sua terra ele, como pessoa, não deve ter muitas memórias onde se abrigue. Hoje ele é nome de centro cultural, é nome de sala de jornal, mas no meu tempo de jovem, em Porto Alegre, Aldo Obino era o crítico de música erudita mais badalado da cidade. Era nossa referência. E escrevia no “Correio do Povo”, naquela época o principal jornal do Estado. Dizem que entendia muito e escrevia bem. E nós não perdíamos nada do que ele escrevesse. 

Certa ocasião, venderam-se ingressos para o concerto de Yara Bernetti, pianista de São Paulo e uma das melhores executantes de J. S. Bach a que tenho assistido. Nunca assisti à execução de uma fuga como a dela. Nosso grupo de fanáticos por Bach, que não era pequeno, aguardou a noite de sábado com ansiedade. Os jornais deram a biografia da pianista, a opinião de críticos nacionais e estrangeiros sobre ela, enfim, seu concerto era o que se podia chamar de imperdível. 

O Aldo Obino estava com viagem marcada para o interior do Estado, cumprindo compromisso familiar, e não seria por causa de um concerto que ele deixaria de cumprir com seus compromissos. Mas não podia permitir, por outro lado, que o evento passasse sem sua crítica. Posições são mantidas é assim, sem deixar espaços vazios. Conhecedor da Yara, como ele era, e, além disso, do programa, preparou o texto até com detalhes sobre a “memorável noitada de arte que tivemos” e “o brilho da execução”, deixou-o com um parente. O jornal já deixara o espaço medido e reservado. 

Na sexta-feira à tarde, o crítico viajou, para voltar apenas no meio da semana seguinte. No domingo de manhã, entretanto, lá estava, no Correio do Povo, o texto do Obino. E foi uma gargalhada monumental: meia hora antes do concerto, com o saguão lotado de ternos e longos, havia sido anunciada a hospitalização da pianista ou estava desabando um temporal sobre a cidade ou a energia elétrica tinha sofrido uma pane, não me lembro mais. Alguma coisa, entretanto, que provocara o cancelamento do concerto.   

E como a vida é um aprendizado que nunca termina, principalmente as falhas nos ensinam, sobretudo quando são dos outros, me pus a pensar: quantas vezes já não devo ter publicado opinião sobre concerto cancelado!

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2012 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br


renovatio