Fidel é o retrato da decadência cubana
A imprensa brasileira é cínica ou mal informada. Não se cansa de mostrar a “volta” de Fidel “Bela Lugosi” Castro ao cenário político, mas não explica o motivo do ressuscitamento do encanecido ditador.
Marqueteiro, Fidel acredita que, como Rául Castro é insosso, está se contrapondo àquilo que os dissidentes estão revelando à imprensa internacional. Exilados na Espanha, estão falando horrores sobre o regime e as prisões da dinastia Castro. Fidel, que ainda despertava alguma paixão, agora passou a ser apontado como ditadorzinho. Vários países europeus (não são os Estados Unidos) estão cobrando mudanças em Cuba. O dirigente da República Tcheca é preciso ao sustentar que a liberação de presos, gesto humanitário (apenas político, para os comunistas), não significou nenhuma abertura.
Ao reaparecer, Fidel acredita que ocupa, por se avaliar como “gigante”, o espaço das denúncias e esvazia a pressão pela redemocratização de Cuba. Mas não é o Fidel de há 20 anos. Sempre que ressurge, aparentando ter saído do sarcófago, se torna o retrato de Cuba. É a imagem precisa da decadência sem nenhuma elegância de uma ditadura. A intelectual cubana Yoani Sánchez (que não é apenas uma blogueira, como diz Nádia Guerra) publicou um texto adequado, no “Estadão”, sobre a “volta” do dinossauro. O mundo pode ter dado destaque à aparição (palavra apropriada), mas os cubanos não se importaram. Fidel não morde mais. Os dentes caíram. Felizmente.





