POR RONALDO ANGELINI
EM 15/05/2009 ÀS 10:21 PM
Eles já foram embora
publicado em colunistas
Quem acompanha esta coluna sabe que desconfio muito das previsões sobre aquecimento global feitas pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), em especial do alarmismo feita sobre elas. Aliás, tenho um carro bi-combustível mas nunca uso álcool, pois afinal prefiro destruir o planeta daqui a 100 anos, queimando petróleo, do que inviabilizar (hoje) o manancial de água que fica a 10 km de casa, financiando a plantação de cana que está crescendo por lá. Eu e minhas causas perdidas...
Mas os relatórios do IPCC (de vez em quando sou obrigado a lê-los) não falam apenas dos problemas causados pela queima de combustíveis fósseis, mas também do uso da terra, isto é, da diminuição de áreas de vegetação natural, substituindo-as por pastagens ou plantações, que passam a refletir mais calor já que absorvem menos luz solar e isto obviamente também colabora com o aumento da temperatura, ao menos localmente.
De qualquer forma, uma das piores conseqüências da diminuição de áreas naturais é a extinção de espécies que por perderem seu habitat não conseguem mais se reproduzir e completar o “ciclo da vida”, como é o caso, por exemplo, do tecopa pupfish, um peixe da Califórnia, declarado extinto em 1981, pela antropização dos rios em que vivia.
Neste endereço, você ainda pode ver dez outras espécies de animais que foram extintas, nem sempre pela diminuição do habitat, mas que, como o ex-peixe californiano, também foram fotografadas ainda em vida: o tigre da Tasmânia, que não era tigre e apesar de parecido com cachorro, era na verdade um marsupial; o boto cor-de-rosa de Baiji, declarado extinto em 2006, e que vivia no Rio Yangtze na China, em cuja bacia hidrográfica moram em torno de 12% da população mundial (!) e que, além de poluírem o rio, ainda caçavam os indivíduos desta dócil espécie no rio que os chineses consideram ser o símbolo da paz e prosperidade (Ave Maria...); o tigre de Java, extinto nos anos 80, é outra espécie que perdeu seu habitat devido à agricultura e mineração, na ilha mundialmente conhecida pela fúria de seu vulcão.
Um outro caso interessante é a cabra dos Pirineus que, apesar de extinta, tinha material genético preservado e por isto foi tentada a clonagem. Mas o clone, gerado no ventre de uma espécie aparentada, morreu após sete longos minutos de vida. Constatou-se depois uma má formação pulmonar na cabritinha.
Pois é, a extinção é uma via de mão única, que acaba com a variabilidade inerente da evolução biológica que, na tentativa de ajustar as espécies ao habitat, escreve a evolução por linhas tortas.
Pena que o homem sempre pensa que o que faz é certo.





