Diretor do Estadão diz que até Jesus Cristo seria “corrupto” no Judiciário
O jornalista Fernão Lara Mesquista, do Conselho de Administração de “O Estado de S. Paulo”, concedeu entrevista à revista “Imprensa” na qual analisa a censura judicial ao jornal no caso da Operação Boi Barrica (ou Faktor). Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney, foi investigado pela Polícia Federal, o jornal tem informações de interesse público, mas não pode publicá-las. Fernando Sarney recorreu à Justiça e um desembargador de Brasília, amigo de sua família, decidiu censurar a publicação. O “Estadão” recorreu ao Supremo Tribunal Federal e Fernando Sarney fez o mesmo, para evitar a divulgação das denúncias.
Sobre a “intervenção legalizada”, quando o magistrado faz o papel de censor, Mesquita diz: “Antes você tinha um estranho [o censor] que, por uma série de acasos, entrava no sistema e todo o resto do sistema resistia a ele. Agora eles são todos iguais e atacam em bando. O Judiciário sempre é, mesmo nas democracias mais maduras, a peça que consolida o grupo que está no poder e cria regras para dificultar a mudança. Se você pusesse Jesus Cristo como juiz aqui, ele estava corrompido em seis meses. Um cara que tem esse poder é impossível que não se corrompa. Impossível. E se você tem um sistema judicial corrupto, o resto é insegurável. A única instituição que pode operar um milagre é a imprensa”. Se a imprensa, é lógico, quiser.
Mesquita diz “os jornais crescem de circulação e ganham importância quando assumem bandeiras de reformas. E todas as reformas importantes nas democracias modernas foram feitas pela pressão da imprensa”. Sobre a internet e jornalismo: “A internet é um instrumento de conveniência, é um telefone com imagem, com possibilidade de trocar pacotes de conteúdo, mas isso não tem nada a ver com jornalismo. Você pode praticar jornalismo na internet, mas não vamos misturar as bolas. Facebook é uma coisa, Twitter é outra, sites de jornalismo são outra. Jornal é jornal. Os jornais sempre foram consumidos por um público específico que não é a massa, que consome entretenimento”.





