POR FLÁVIO PARANHOS
EM 09/07/2008 ÀS 12:00 PM
A TAM vai falir
publicado em colunistas
Isso vai parecer coisa de doido megalomaníaco, mas, acreditem, é verdade. Sou eu o responsável pelas falências de companhias aéreas. Explico. Toda vez que uma delas começa a degringolar seus serviços, eu a amaldiçôo e ela descamba de vez. Foi assim com a Transbrasil, com a Vasp, a Varig e, agora, com a Tam. A Bra, não. Não tive nada a ver com essa.
O caso da Transbrasil já faz tanto tempo que não me lembro direito, só sei que fui eu o responsável. Com a Vasp foi assim: Eu trabalhava, na época, em Goiânia e Itabuna, e fazia uma “ponte aérea” com Ilhéus, conectando em São Paulo. Era uma conexão de algumas horas e eu aproveitava para ir ao Masp e à Cultura da Paulista toda vez. Ou seja, não era um sofrimento, pelo contrário. Além disso, eu corria menos risco de perder o vôo de conexão.
Acontece que havia outro vôo que saía de Goiânia mais tarde e fazia uma conexão apertada em SP. Resultado, como a Vasp vivia cometendo overbooking, vira e mexe, dava problema. Ciente disso, eu sempre chegava bem cedo e matava o tempo no maravilhoso-e-de-nome-lindo aeroporto de Goiânia. Numa dessas, me chamaram pelo alto-falante no guichê da Vasp. Eu fui. Vieram com uma conversa mole, que meu vôo deu problema, coisa e tal, e me botaram no outro vôo, que saía mais tarde. Fizeram isso uma vez. Duas. Na terceira, fiquei esperto. Não atendi ao chamado. Quando fui embarcar, o pessoal da companhia olhou meu bilhete e disse, “Ah. O senhor é o que foi chamado, etc”, ao que eu retrucava, “Pois é, mas não sou besta mais, eu sei que vocês queriam me usar pra resolver seu overbooking”. Pararam de me chamar.
Mas o caldo entornou mesmo quando, por conta de preço, optei por Vasp pra ir a um congresso em Porto Alegre. Tínhamos escala em São Paulo. O vôo demorou a sair de Goiânia. O que eles fizeram? Soltaram outro vôo de SP e, quando chegamos lá, nossa escala se transformou em uma conexão de... 24h. Coitados, não sabiam com quem estavam lidando. Não deveriam ter feito isso comigo. Deu no que deu.
Então passei a usar a Varig. Não só isso. Mudei meus hábitos. De uma pessoa que detestava usar cartão de crédito, virei usador contumaz do dinheiro de plástico. Eu era um cliente sorriso. Entretanto, o tempo foi passando, o sorriso se transformando em carranca, a carranca em máscara de horror. Pra conseguir marcar uma passagem pelo programa de milhagem era preciso uma antecedência de vários meses, e mesmo assim corria-se o risco de viajar na asa ou preso a uma das turbinas. Reuni todos os meus pontos, peguei os caras distraídos, consegui fazer uma viagem em baixa temporada pro Chile, onde fiz um roteiro eno-gastronômico inesquecível (até hoje tento perder os quilos que achei por lá). Quanto a Varig, todo mundo sabe o fim (?) da história.
Por essa época, uns amigos pernambucanos elogiavam bastante o programa de milhagem da Tam. Lá não tinha essa história de passageiro de milhagem ser passageiro de última classe. Tinha-se os pontos, usava-se. Falaram tanto que voltei a acreditar em programa de milhagem. Não só voltei a usar cartão de crédito, como solicitei um maxi-turbo-mega-power-intercooler da própria companhia e passei a comprar até balinha com ele (enfrentando a incompreensão dos caixas de padarias e similares). Eu tinha um plano.
Acalentava a idéia de visitar o laboratório de um pesquisador nos EUA, durante o mês de outubro, mas teria de ser do meu próprio bolso, e ainda por cima teria de levar meus três estorvos (mulher e duas filhas). Pagaria as passagens com milhagens, ou, quem sabe, faria um upgrade na volta. Pra encurtar a conversa, mês passado dei inicio aos preparativos finais. Quatro meses de antecedência, pensei, são mais do que suficientes. Ledo engano. Pra fazer upgrade a tarifa da passagem fica tão cara que não compensa. Pra marcar duas passagens de adulto, ida e volta, não tem vaga. Isso mesmo: quatro meses de antecedência e não tem vaga. Nem no dia desejado, nem nos dias em torno. Nem ida, nem volta. A funcionária ainda teve o desplante de criticar minha imprudência de tentar “só” com quatro meses, já que deveria ter tentado com seis. Desliguei o telefone e fui fazer simulações na internet para outros destinos. Tente voar pra Europa com pontos, pra ver o que acontece: nem com seis meses. E com oito? Eles não aceitam pedidos com antecedência maior do que seis meses (!!!!!).
O tapete vermelho está encardido. E, anotem o que estou dizendo, vai rasgar.





