Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Chega ser desonesto articular a situação ambiental degradante atual à religião, como se doutrinas religiosas fossem reponsáveis pelo buraco na camada de ozônio, por exemplo ou quem sabe pelas tonelada ...

    11 horas atrás por Carlos Rio sobre Pode detonar que Deus recupera
  • Compartilho da mesma angústia. ...

    15 horas atrás por Elizabeth sobre Garrafa ao mar
  • Euler e Elder, obrigado pelos comentários. ...

    16 horas atrás por eberth vencio
  • Caro, lei sempre seus textos. Gosto sempre. Entretanto, quando exagera na conversão de estrangeirismos para a língua portuguesa, fica bobo. Uma sugestão: não deixe de fazê-lo, mas faça com cautela, d ...

    17 horas atrás por Elder sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • Respire: 'Summertime' (George Benson e Jill Scott): http://t.co/CFRBWEat
    7 horas atrás
  • Numa carta escrita um ano antes de sua morte, Marilyn Monroe já se despedia: http://t.co/aQGLv7T0
    7 horas atrás
  • Busque um lugar para se hospedar, diretamente com os proprietários, em 19 mil cidades de 192 países: http://t.co/E28pOJhQ
    7 horas atrás
  • Navegue pelo corpo humano em 3D (é mais detalhado do que o aplicativo do Google): http://t.co/vHI5k5gi
    7 horas atrás
  • @myriamkazue Normalmente, não?
    10 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 30/08/2010 ÀS 09:11 PM

A segunda chance

publicado em

Li outro dia num site sobre animais uma coisa que me deixou perplexo de susto e descoberta: li que a águia é uma ave capaz de viver 70 anos. São muitos anos para uma ave, nenhuma vive tanto tempo. Mas por volta dos 40 anos a águia tem que tomar uma difícil e fundamental decisão, porque nessa idade suas unhas cresceram tanto e estão tão compridas e flexíveis que ela já não consegue mais caçar suas presas e sabe que vai acabar morrendo de fome antes de chegar aos 70 anos que poderia completar.

E mais: seu bico que já é alongado e pontiagudo cresce tanto que fica curvo e as penas das asas se tornam tão grossas e pesadas que ela já nem consegue mais voar com a leveza de sempre. Então só lhe sobram duas alternativas: uma é deixar-se morrer pouco a pouco, conformada em ir perdendo a majestade sem voar direito e sem poder caçar. A outra é enfrentar um dolorido processo de renovação que as águias conhecem muito bem e que pode durar mais de 5 meses.  As águias envelhecidas voam até o paredão de uma montanha bem alta, se recolhem e se ajeitam num ninho de onde elas não precisarão voar. Quando encontram esse lugar elas começam a bater o bico com extrema força sobre as pedras da rocha até conseguirem arrancá-lo dolorosamente. Daí então ficam quietas pra não gastar energia porque vão ficar sem comer um bom tempo esperando um bico novo crescer. Ele cresce, fica novamente forte e com o novo bico elas começam a arrancar suas próprias unhas pra que caiam e cresçam também novas. Da mesma maneira, com o bico novo elas começam a arrancar as velhas e grossas penas que tornaram seu voo pesado, espera que cresçam e aguarda o grande momento em que, finalmente, vão poder se atirar do alto da montanha pro seu voo de renovação.  Aí, sim, elas sabem que poderão viver mais 30 anos. Claro que algumas águias preferem morrer que enfrentar esses meses todos de recolhimento, fome e dor.

Conosco, homens, tudo acontece da mesma maneira. Temos de nos desprender de velhos hábitos, lembranças e outras tradições que vão nos causando dor pela vida afora. Pra nós o bico, as unhas, as penas grossas são o peso do passado que vai nos mantendo meio vivos meio mortos e precisamos nos livrar dele pra recomeçar nosso voo de renovação. Dói muito. Há que ter coragem. E nessa renovação temos de nos fazer perguntas terríveis como as que faz o poeta popular Osvaldo Montenegro numa de suas canções que reproduzo aqui:

“Faça uma lista de grandes amigos. Quem você mais via há dez anos atrás? Quantos você ainda vê todo dia? Quantos você já não encontra mais? Faça uma lista dos sonhos que tinha: quantos você desistiu de sonhar! Quantos amores jurados pra sempre? Quantos você conseguiu preservar? Onde você ainda se reconhece? Na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria? Quantos amigos você jogou fora? Quantos mistérios que você sondava? Quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava? Hoje são bobos ninguém quer saber. Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantos defeitos sanados com o tempo? Eram o melhor que havia em você. Quantas canções que você não cantava? Hoje assobia pra sobreviver. Quantas pessoas que você amava? Hoje acredita que amam você?”

Parece que dói mais as respostas a tantas perguntas que a dor física da águia. E todo mundo prefere fugir delas e levar-a-vida-na-flauta como se nada estivesse acontecendo. Esta semana me confirmei não apenas uma águia, mas um dinossauro: prefiro abraços a e-mails, valorizo o afeto, sou amoroso, aprecio a solidariedade e a lealdade, choro, me compadeço, gosto de ajudar, alimento amizades queridas...todas essas coisas fora de moda que revelam os dinossauros vivendo em pleno século XXI que não está nem aí pra essas bobagens.

O artigo é apenas isto: meio bobinho, nada inteligente, sem intelectualismos, simplório mesmo. Apenas uma bela história que andei lendo num site sobre animais e uns versos que propõem reflexão. Em tempos tão áridos de ideias e sensibilidade fica como um presente desta águia teimosa.

Bookmark and Share

Comentários (3)

  • Que singeleza. As mudanças são tragédias e inevitáveis sofrimentos.

    1 ano atrás por Girlane
  • Essa história sobre a auto-mutilação das águias não existe, segundo as fontes que pesquisei, como esta: (http://bit.ly/3vsgSx) A mensagem que o autor do texto da revista bula quer passar é até bacana, mas ele deveria dizer que essa historia da águia é uma lenda. Ele a coloca no texto como sendo verdade.

    1 ano atrás por lygia maria
  • Cara, desculpa estragar tua inspiração, mas essa história já é bem velha e circula há bastante tempo pela net. Isso da águia é mentira. Nenhuma espécie de águia vive 70 anos, segundo a The American Bald Eagle Information. (http://bit.ly/16Gc1g e http://bit.ly/bYZMXk)
    Mal aí.


    1 ano atrás por Eduardo Marques


*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio