revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Ótimo texto, Bruna. É uma pena que nosso país tenha deixado tamanha insatisfação num dos meus autores favoritos, mas, principalmente naquela época, nosso país causaria mesmo grande estranhesa a um olh ...

    6 horas atrás por William Lial sobre As outras linhas de Camus
  • Fernanda Rodrigues, obrigado pela citação. ...

    1 dia atrás por Edival sobre Nada de novo debaixo do sol
  • Alexandre Franco, obrigado pelo recado. ...

    1 dia atrás por Edival sobre Nada de novo debaixo do sol
  • Hugo, obrigado pela observação. ...

    1 dia atrás por Edival sobre Nada de novo debaixo do sol

últimas no twitter

  • @ranulfoborges Não muito. Meu Google Reader que é bom...
    22 minutos atrás
  • @ranulfoborges Muito bom vê-lo por aqui. Não sabia. Fiquei sabendo hoje pelo @hmorgantini
    23 minutos atrás
  • RT @johnchaker Coiote finalmente pega o Papa-léguas (uma paródia do Family Guy) http://bit.ly/4lj5dt
    25 minutos atrás
  • @hmorgantini Vou atrás...
    28 minutos atrás
  • @AnonimoFamoso Faça sua lista e compartilhe com a gente...
    33 minutos atrás

parceiros

  • Tawitter

  • twitter rank

  • Marconi Leal

sugestões de livros

  • Centopeia de Neon

sugestões de filmes

  • http://bit.ly/bE40kL

  • Lola Montes

  • Europa 51

  • No Limiar da Vida

POR EM 22/06/2009 ÀS 10:20 AM

A inutilidade da literatura

publicado em

A palestra era para um público heterogêneo e o assunto era a linguagem literária. A certa altura, querendo exemplificar (o que sempre dá uma melhorada nos conceitos mais abstratos), parodiei um poema:

“Certa mulher declara que nem se deu conta do envelhecimento e está perplexa por não se reconhecer, como conseqüência das mudanças causadas pela passagem do tempo.”

Em seguida li, da Cecília Meireles,

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Surpreso, ao perguntar qual dos dois textos o público preferia, ouvi uma senhora dizer que preferia o primeiro, porque era mais direto, mais claro e ela o entendia melhor.

Confesso que passei alguns segundos na angústia de não ter o que responder, atordoado com a surpresa. O inesperado sempre nos desmonta um pouco.

Duas considerações: A mulher, do primeiro texto, não existe, era uma invenção minha. Portanto, a informação não informa nada. Não é isso que se busca na literatura. O primeiro texto está escrito em linguagem de domínio social, comum a todos, sem nada de original, sem marca nenhuma de autoria. O segundo texto explora toda a virtualidade das palavras: a sonoridade, as combinações inusitadas, a interação entre elas que as potencializa. O segundo texto, por seus arranjos e combinações, pelo eco, pela delicadeza no modo de falar de sentimentos mais concretos, por tudo isso, é um texto que não serve para informar, mas para encantar.

Quem busca informação na literatura, ainda não busca a literatura. Ela até pode eventualmente informar, mas não é sua especificidade. Como explicar aquele homem voando, no conto do Gabo, a quem pensa que literatura é instrumento de informação?

Enterrados em sua circunstância material, nem todos se encantam com a beleza.

 

Bookmark and Share

Comentários (0)


*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio