Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Eu encarei o propósito da listagem como um tipo de brincadeira, não levei á sério. Listar top 10, 20, 30 e agora 40 é uma coisa muito pessoal. O que é bonito, bom e gostoso ao meu ver pode ser uma mer ...

    8 horas atrás por Linkowski sobre 40 livros PARA MORRER antes de ler
  • Uma grande piada que soa como verdade? Ou uma pequena fração da realidade que serve como paródia? Por um ou por outro, ainda é mais divertido do que desventuras no Congresso ou nos Carandirus da vida. ...

    8 horas atrás por Luiz André sobre A pior coisa que já escrevi na vida
  • "Os nomes das personagens deste texto são fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência. " Aforismo de primeira...

    Cara! Parabéns! Seus textos são divertidíssimos, adoro esta revista, é um oásis ...

    8 horas atrás por Linkowski sobre A pior coisa que já escrevi na vida
  • Adorei o texto e destaco as transformações criativas e fonéticas de estrangeirismos para a língua portuguesa. Nem tão velada crítica de costumes. Parabéns! ...

    10 horas atrás por João Baptista de Alencastro sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • ?Alzheimer: conhecer novas pessoas todos os dias.? E outros 29 microcontos aqui: http://t.co/42Zfymmm
    1 hora atrás
  • @ah_isis Obrigado, vou corrigir.
    1 hora atrás
  • Envie seu poema inédito, até 140 caracteres c/ espaços, até às 13h de segunda-feira. Para , 50 melhores serão publicados.
    6 horas atrás
  • 30 microcontos (de até 100 caracteres): http://t.co/42Zfymmm
    10 horas atrás
  • O escritor que influenciou Dostoiévski e Kafka: http://t.co/237ViD4Z
    10 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 08/02/2010 ÀS 05:05 PM

À espera do milagre

publicado em

Somos um povo sonhador. Estamos sempre sonhando com algum milagre, com algum “meu tio da América”, como no filme de Alain Resnais. E isso vem de muito longe, de muito antes de 1385, quando cada português pensou que merecia pelo menos um marquesado.  

Meu compadre Adamastor, o gigante mais bem informado a respeito de sonhos, afirmou outro dia ser herança do cristianismo. Desde cedo, dizia ele, estamos ouvindo frases feitas e bonitas, muito feitas e ainda mais bonitas, histórias exemplares, hagiografias, enfim, toda sorte de textos de nossa formação cristã e ocidental, que nos induzem a estar sempre à espera de um milagre. Ah, os milagres! Que mal fizeram a esta humanidade portuguesa e brasileira! Quem espera sempre alcança, a esperança é a última que morre e outras frases reforçando nossa crença de que algo além de nossa força e de nosso esforço vai acontecer dando solução a nossos problemas. Quantas e quantas vezes “quem espera” não alcança nada, pois esperando não sai do lugar! E a esperança pode ser verde, mas murcha e seca e morre, contrariando o ditado popular. 

Não duvido de meu compadre, mas me lembro daquele rei D. João I, de Portugal, o Mestre de Avis, que, depois de 1385, levantado o cerco de Lisboa, danou-se a conceder títulos de marquês, conde, visconde a antigos mesteirais (barbeiros, tanoeiros, celeiros e tantos outros eiros). Desde então, nós, mais ou menos portugueses, e plebeus, estamos sempre à espera de algum rei que nos conceda um feudo, com castelo, gado, plantações e servos. Em suma, esperamos um milagre.

Não age diferente o pai que paga um ano inteiro a escola de seu filho e que, no fim do ano, fica sabendo que o rebento levou bomba. Inconformado, procura a direção da escola e troveja que pagou uma fortuna, que o filho nunca faltou, como é que pode uma coisa dessas? Ele queria o milagre do corpo presente. Tem-se visto cenas dessas às pencas todo final de ano. O milagre do dinheiro investido que se transforma em conhecimento. Sem nenhum esforço.

Até para emagrecer nós contamos com milagres. Um comprimido por dia não demanda esforço algum. Mudar hábitos alimentares, ralar o corpo em exercícios físicos, isso é cansativo. O que nós queremos, em verdade, é vencer sem fazer força. O sucesso é nosso direito incontestável, pois somos seres excepcionais. Acabei de ver a propaganda de uma escola dizendo que ela, a escola, é única para mim, que sou um ser único. Ora, se sou um ser único, quero que a vida me forneça o que tem de melhor. Sem que seja necessário fazer força. Um dia, aparece meu tio da América e estou feito na vida.  

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio