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POR EM 27/10/2008 ÀS 12:01 PM

Vá lamber sabão

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Quem nunca mandou alguém lamber sabão atire a primeira barra ou a primeira bola, neste caso do sabão de decoada. Ninguém sabe ou soube até hoje porque Limírio de Donta desde rapaz se encontrou com a mania de viver lambendo sabão e não havia o que se pudesse fazer, visto que nunca ninguém encontrou solução adequada para um caso desse, pois sabão se encontra em todo lugar.

Por aviso dos germes e outros entes micróbios, todos usamos sabão várias vezes ao dia, apesar de a gente saber e ver que tem muitas pessoas que vão ao banheiro e nem as mãos lavam. Muita gente já lambeu sabão na falta de um creme dental, é ou não é? No caso de Limírio, não, ele adorava viver literalmente lambendo sabão, tendo essa mania passado da fase de hábito para vício, porque dava prazer, da mesma forma que alguém se bota pro lado do cigarro ou da bebida alcoólica.

Para não ficar anti-social e nem causar espécie, Límirio levava para os botecos onde fazia farra com os amigos o seu inseparável sabãozinho, adrede bem guardado no bolso, porque era fisicamente impossível lamber, por exemplo, o sabão líquido dos banheiros. Aí não seria mais lamber, e,  sim,  sorver. No entanto, farreava numa boa, sem chamar a atenção, porque os amigos já sabiam e os outros nem percebiam. Às vezes, uma ou outra brincadeira, como o "já vai lamber sabão, né?", quando ele se dirigia ao banheiro.

Pensar o ato de lamber sabão era um dos seus favoritos. Quem manda lamber sabão não escolhe marca e isso é o pior dos mundos. Mas lamber sabão pode ser também uma arte para o auspício dos mais criativos  e a veneranda vida dos que se prestam a isso, mesmo sem a aquiescência dos detratores. Certa feita, preparei um ritual para lamber sabão, que incluía um jogo de fazer bolinhas com a boca. Aprovei e recomendo, principalmente levando-se em conta seu aspecto lúdico.

O ato de lamber sabão traz intrínseco uma analogia de limpeza e é algo justamente assim que nossa sociedade estar a carecer nos dias de hoje, sodomizada no purgatório, no limbo e no inferno de corrupção, da poluição, das guerras, da desigualdade e injustiças sociais e da má educação. Esse ato poderia iniciar um processo de desinfecção humana, para um mundo mais cidadão e solidário.

O diferente em Limírio me faz vê-lo como uma pessoa que inconscientemente trilha um caminho nesse sentido, mesmo porque essa analogia apareceu em função disso que eu percebo nele, sendo um exemplo próximo,  e que me levou a partilhar aqui.  Percebo que,  para ele,  lamber sabão é um ato poético e primordial para a limpeza, uma limpeza que traz em si tudo de bom, a essência da remissão.

É isso que está me fazendo cada vez mais adepto do ato de lamber sabão, onde procuro purgar minhas mazelas e minimizar as merdas que eu expilo nas mazelas e monturos desse mundo. Por isso que, com orgulho, recomendo a você, caro leitor: vá lamber sabão.

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