Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Razões do Existir

    Quando nos deparamos com um mistério, um obstáculo intransponível à nossa lógica e entendimento, nossa insaciável necessidade pela compreensão nos compele a recorrer às divindades e ...

    8 horas atrás por João Carlos Figueiredo sobre Sim. Deus existe
  • É comovente o esforço que os ateus fazem para justificarem seu ateísmo...Mas não dá! O ônus da prova é de quem nega... ...

    13 horas atrás por Pedro Pinto de Arruda sobre O odor deletério de Dostoiévski
  • Teistas e ateistas, pouco me importam. Vale mesmo o indivíduo, dono do seu eu, senhor de si. Pronto para acreditar no que melhor lhe convir, pronto para servir-se da crença que lhe for favorável, apto ...

    1 dia atrás por Marcelo Pasqualin Batschauer sobre Sim. Deus existe
  • Gostei do texto, Denise. Parabéns.
    Face às definições sobre ateísmo que surgiram nos comentários, postarei a minha:
    Ateu: uma pessoa, um animal racional, que não conseguiu, depois de adulto, encontrar ...

    2 dias atrás por Frankly Andrade sobre Sim. Deus existe

últimas no twitter

  • @Alelex88 DM...
    4 horas atrás
  • Um gigantesco acervo da televisão europeia disponível on-line (conteúdo a partir de 1900): http://t.co/hT9URTMp
    23 horas atrás
  • Muhammad Ali x Ryu: http://t.co/fcF38dh7
    24 horas atrás
  • Google Insights: mapeie comportamentos e tendências de pesquisas feitas na internet: http://t.co/7JY7qT7a
    1 dia atrás
  • @DeniseRossi Pensando em algo audaz...
    1 dia atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 29/07/2008 ÀS 08:23 AM

Torcidas

publicado em

Não tenho certeza de que o fenômeno da depuração ocorra com outras pessoas como ocorre comigo. Depois de ter observado por longuíssimos anos que não sou diferente da maioria dos seres humanos, estou inclinado a crer que ocorre. Desde o penta que venho pensando em minha condição de brasileiro, um contínuo processo de autoconhecimento, verdadeira depuração.

Ser brasileiro, sem torcer por futebol, de repente me pareceu o mesmo que ser alemão e falar apenas o francês, morar em Paris e odiar chucrute. Nunca fui muito do futebol, já devo ter dito isso em tudo que é lugar, mas não abro mão de minha brasilidade. É a razão por que desde o penta não perco jogo pela televisão.

Entre as constatações que tenho tido ocasião de fazer, existe uma que em certo sentido me entristece. Ou enternece. As pessoas em geral, os assim chamados torcedores, orgulham-se de coisas negativas. Melhor exemplo é o fanatismo. Desde quando fanatismo é virtude? Fanatismo é estreiteza, cegueira, para não dizer coisas piores e menos abonadoras. Mas ser tachado de fanático só enche de orgulho um torcedor. Tudo o que o time dele faz é certo; tudo o que fazem os outros é errado. Se o juiz apita contra seu time está roubando, se apita a favor, é o roubo mais honesto do mundo. Sentido crítico nenhum, muito menos autocrítico. Uma pena.

Outra característica geral do ser chamado de torcedor é a incapacidade de um amor maior, mais diverso, abrangente. O torcedor de um time é incapaz de amar seus semelhantes que se declarem torcedores de outros times. Sua capacidade de ódio é infinitamente maior do que sua capacidade de amor, pois ama apenas um enquanto deve odiar todos os outros.

Foi refletindo sobre assuntos assim transcendentais que cheguei a uma postura neo-platônica, que hora proponho como o protótipo do torcedor do futuro. Todo ele estruturado em qualidades positivas. Primeira qualidade: altruísmo. O torcedor ama o futebol, não apenas uma pequena parcela do futebol (seu time), além disso, detesta ver a infelicidade alheia. É o futebol como virtualidade, potência, ou seja, o futebol como idéia pura que pode ser perfeito, portanto passível de ser amado.

O torcedor que tenho a honra de ser o primeiro humano a propor, vai a todos os jogos que pode. E torce. Não comparece ao estádio apenas quando um dos times (o seu) joga. E torce pelo futebol. Não pelo Inho, Zinho, Rinho, Vinho, esses diminutivos todos que andam por aí na moda. Ele torce para que ninguém se machuque, para que todos sejam cavalheiros de verdade, para que o futebol seja um espetáculo belo e civilizado. Quando deixa o estádio, vem abraçado com seus companheiros de torcida, todos felizes, todos sorridentes, sem necessidade nenhuma de agressão.

Alguém, como sempre, há de objetar que isso tira o interesse do jogo, cuja essência é a disputa. Não considero o argumento inteligente muito menos civilizado. Futebol é espetáculo e ninguém deixa de ir, por exemplo, assistir a um espetáculo de balé porque bailarinos e bailarinas não se engalfinham aos tapas sobre o palco. Ninguém vence, nesse caso, portanto todos vencem.

Agora, se para você, que teve a curiosidade de ver aonde chegariam as elucubrações de um demente e me acompanhou até aqui, se para você o amor tornou-se uma coisa ridícula, então, meu amigo, não temos base mínima comum para uma discussão. O melhor é um ponto final.
Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio