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POR EM 23/09/2008 ÀS 05:05 PM

Professor - profissão maldita ?

publicado em


Nas últimas décadas, a questão salarial dos professores foi se agravando a tal ponto que, hoje, se constitui num dos principais gargalos da educação.

Houve épocas em que os professores gozavam não somente do respeito da comunidade, como também do reconhecimento das autoridades governamentais. Faziam jus a uma remuneração condizente com as responsabilidades do profissional que modela cidadãos, e recebiam salários similares aos que, contemporaneamente, recebem os juízes de direito, por exemplo. Mas é um tempo que já vai longe. E que poucos se recordam.

Com o objetivo de universalizar o acesso ao ensino, o governo encontrou no achatamento salarial uma estratégia – simplista e perversa - para financiar seus investimentos na educação. E perseguiu de forma tão obstinada esse objetivo que a parca remuneração acabou se tornando o motivo mais salientado pelos profissionais para justificar a evasão dos educadores para outros setores da economia.

Todas as pesquisas recentes evidenciam que os professores formados evitam o magistério. Os profissionais mais experientes abandonam o setor mal se deparam com a primeira oportunidade, enquanto os recém-formados sequer ingressam na carreira. Conduziria o magistério a uma profissão maldita?

A mais recente pesquisa sobre o assunto vem do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais – Inep - do Ministério da Educação. E se ainda pairasse no ar qualquer sombra de dúvida, lançou para escanteio: os formados em Licenciatura sequer se aproximam das salas de aula, guardam da lousa a mesma distância que o diabo mantém da cruz. Os dados são reveladores e pela expressividade, chegam a chocar os mais desavisados. Na média, 71,2% deles não atuam no magistério. Estamos falando em média, conceito que - de alguma forma - ajuda a escamotear o problema, porque esconde a fuga que, em algumas áreas, beira a casa dos 90%.

O resultado da pesquisa mostra que não ocorre déficit de professores. Nos ensinos Fundamental (da 5ª a 8ª série) e médio atuam 1.049.099 mestres. A necessidade real, contudo, é de 725.991 profissionais para atender aos 15 milhões de alunos matriculados.

Quando se analisa a evasão dos profissionais da educação por disciplina, o quadro fica ainda mais desolador. Para se ter idéia, nos últimos cinco anos, dos 33.361 formados em Química, só 8.466 estão em sala de aula, apenas 25% não abandonaram o barco. Em Física, dos 18.158 diplomados, restaram 6.196 para lecionar.

As razões desse quadro caótico, de penúria e insustentabilidade? O próprio estudo do MEC sugere: os professores foram em busca de empregos com maiores salários.

É óbvio ululante que a crise que acomete a educação brasileira não se resolve num passe de mágica, simplesmente com o Estado atuando sobre a oxigenação da massa salarial do setor. Como é óbvio evidente que sem esta providência o setor jamais conseguirá responder às demandas da sociedade.

Resolver a questão da remuneração insuficiente dos professores deve ser prioridade das autoridades do setor. Conjugada com políticas eficazes de gestão que contemplem sistemas de cobrança por resultados, sem dúvidas, conduziria ao ambiente e ao cenário propícios, necessários para a qualificação da educação brasileira.

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Comentários (4)

  • Sou professor de Geografia de estilo show, tanto da rede pública quanto da rede privada na capital Cuiabá - MT, e baseando em um estudo de caso, falo com convicção que a profissão se torna de fato maldita quando os alunos rebeldes prevalecem sobre os professores perante uma problemática levada a coordenação. Não tem nada pior, o professor ser visto ou entendido como o culpado ao buscar silêncio e comprometimento dos alunos com o ensino-aprendizagem. Com medo de perder clientes (escola pública) por motivo do repasse de verba por número de estudantes a gestão sacrifica quantos professores forem necessários, e não importa a qualidade dos mesmos. Perante tal realidade, se o professor tem personalidade, confiança em si próprio e qualidade profissional em outra área, simplesmente ele pula fora do barco, antes que o "estresse de alto mar" lhe deixe psicológicamente instável e comece a chupar giz.


    2 meses atrás por Edmárcio Neres da Silva
  • Bateu uma síndrome de Pangloss aqui. 18º pior salário só é o nono melhor numa lista de 18 salários (meio surreal, não?). E que ótimo nivelar as coisas pela visão "africana". É como o jornalismo brasileiro, que quer para si o nível congolês de qualidade (na exigência de diploma, por exemplo: "Além do Brasil, o diploma é exigido hoje apenas na África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia." Congresso em Foco, 10/10/2008).

    6 meses atrás por Mário Zeidler Filho
  • Caro professor de química de Unaí, o senhor está olhando pela perspectiva errada, a do "copo meio vazio". O 18º pior salário é igual ao 9º melhor, tolo. E ainda, o senhor pode estar morando no melhor dos mundos na visão africana: a situação dos professores de Moçambique é bem pior.

    6 meses atrás por Everaldo Leite
  • Sou professor de química da rede estadual em minas gerais na cidade de unai, o salario pago aos profesores em minas gerais é 18° pior salario, comparando com outros estados do brasil, e o governador aecio neves, se vangloria em dizer que a educação em minas é a melhor do brasil, ridiculo.

    6 meses atrás por Prof. oséias


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