revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • AVISO DOS ADMINISTRADORES DO TWITTER RANK:


    Para você aparecer no rank do Brasil é preciso alterar a opção TIME ZONE para "Brasília" nas suas configurações ( settings ) do Twitter. Na próxima atuali ...

    1 dia atrás por Alfredo sobre Os 100 perfis mais influentes do Twitter brasileiro
  • Belo texto. Obrigado. ...

    1 dia atrás por Paula sobre A Billie Holiday dos trópicos
  • Senti nesta lista falta do jornalista @tagilramos . Suas crônicas são fantásticas. Mas nem todo ranking é perfeito e nem toda lista de nomes tem sentido. Espero que acertem da próxima vez.
    @debby_rj ...

    1 dia atrás por Debora Lemos (RJ)
  • Fidel Castro é Play-Boy e filho de latifundiário, um verdadeiro vagabundo global que nunca trabalhou! Alguns dizem que é um pervertido gay metido a "revolucionário" em roupa de "guerrilheiro"! O mais ...

    2 dias atrás por Nicolau da Romênia sobre A Vida Sexual dos Ditadores

últimas no twitter

  • @DuMidia O ranking é dinâmico? as notas de ontem não são as mesmas de hoje...
    2 horas atrás
  • RT @cacildanc Em estado grave, jornalista cubano em greve de fome é internado na UTI http://migre.me/nrHz via @frednavarro
    4 horas atrás
  • Escritórios de alguns autores de ficção científica... http://bit.ly/cfkBhk
    5 horas atrás
  • Brincando com o inimigo: http://bit.ly/cOgVYF
    5 horas atrás
  • Janis Joplin: Cry Baby (1970) http://bit.ly/HnPLl
    6 horas atrás

parceiros

  • Tawitter

  • twitter rank

  • Marconi Leal

sugestões de livros

  • Centopeia de Neon

sugestões de filmes

  • http://bit.ly/bE40kL

  • Lola Montes

  • Europa 51

  • No Limiar da Vida

POR EM 03/11/2008 ÀS 10:33 PM

Minimum res (coisa mínima)

publicado em

AFORISMO SEM NENHUM PRÉ-JUÍZO (para Valdivino Braz)
Em terra de cego quem tem um olho é semi-ótico. 

ARTE É INTERPRETAÇÃO
 
Uma obra de arte é um signo. Como tal já é interpretação, antes mesmo de ser interpretada. Ela representa algo para um intérprete futuro. Esse intérprete futuro é virtual.
 
Signo de quê? Do objeto que “aparece” por meio da mediação que a obra de arte faz entre o objeto -que não é individual, mas múltiplo, o universo “criado” pelo artista, algo que é “dado”, ou seja, “aparece” por meio dela - e um intérprete futuro. O primeiro intérprete desse signo assim “criado” sendo o próprio artista.
 
É interpretação, de algo anterior a ela, desde a origem, seja na forma de pintura, partitura, livro, filme, já é uma interpretação. Como se dá essa interpretação é que vai definir se ela é arte. É olhando para o produto “criado” que podemos emitir algum tipo de julgamento. Claro, há muita subjetividade envolvida nesse julgamento, mas ele não pode ser somente subjetivo.
 
OBJETIVIDADE DA ARTE
 
Há uma objetividade na obra de arte que está na origem desta como um signo (algo que não vive numa esfera à parte, mas está sempre “grávido” de mundo, de um objeto). Uma pintura não deixa de ser arte quando se apagam as luzes do museu e não há ninguém mais para admirá-la. Ela “contém” algo.
 
Assim como uma pintura, uma partitura é um sistema de signos, que vai ser lido, “interpretado” por alguém. Obviamente ninguém “tira” Mozart de qualquer partitura Então há um ponto de partida para a música - uma “ontologia da arte” - que vai ser executada depois, e isso é fixado por quem escreveu a partitura, uma pessoa, mil, não importa. O que importa é o produto.
 
ARTE É PROCESSO
 
A vida dos signos é “comunicar idéias”. Como um signo, uma obra de arte está sempre apta a uma interpretação. Essa interpretação é um signo mais desenvolvido, não no sentido de algo melhor, mas de que foi gerado pelo primeiro. A execução da música é um signo mais desenvolvido de uma partitura. Há arte em ambos, arte é processo. Está sempre em processo. Como tal não é “acabada” nunca.
 
DIGRESSÃO: NEM TUDO É ARTE, MAS TUDO PODE SER INTERPRETADO
 
Mesmo a arte conceitual precisa de objetos. Duchamp é o caso paradigmático. Affonso Romano de Sant'anna disse que não havia o que ver na exposição de Duchamp que está acontecendo aqui em São Paulo. Segundo alguns críticos, os “objetos” de Duchamp não são obras de arte, mas reflexões sobre o fazer artístico.
 
No entanto, essas reflexões não existem apenas na cabeça de Duchamp. Elas ganharam uma forma, que não é - nunca é - destituída de conteúdo. Algumas pessoas confundem as coisas e passam admirar somente as formas do urinol, sua “beleza estética”. Um artista que visitou a exposição confessou ao jornal que ficou emocionado porque fez girar com a mão a roda da bicicleta -uma “cópia” da “original”, que foi jogada no lixo pela irmã de Duchamp, que, obviamente, “não entendia” nada de arte.
 
Dissemos que arte é interpretação. Mas qualquer coisa pode ser interpretada. Um banco de madeira não é simplesmente um banco de madeira. Ele inclui, no próprio processo de fabricação, a forma humana. Tem uma determinada altura, que é a altura que uma pessoa normal poderia se utilizar para sentar. Em alguns casos, pode ter um encosto para os pés. A forma é determinada pela função.
 
Do mesmo modo, uma roda de bicicleta. Nenhuma forma é destituída de conteúdo. As rodas da bicicleta têm uma função, são feitas para cumprir essa função, que é fazer com que a bicicleta se mantenha em pé e se movimente.
 
Duchamp pega esses dois elementos que não coexistem (na verdade são antípodas) e cria, reinterpreta, a partir de um conceito, que é o surrealismo, um novo objeto, que é um “mix” de ambos: um banco de madeira, feito para sentar, que se move! (Ao fazer isso, ele “recria” a bicicleta, devolvendo uma característica de estranhamento ao que é considerado “normal”).
 
O “produto final” é também uma idéia - mais do que nunca um signo, imaterial. Paradoxalmente, essa idéia precisa, como dissemos, de uma forma para se expressar. Não por acaso, os curadores das exposições ganharam destaque. São eles os responsáveis pela organização dessa forma, o que já fazem os museus. Os museus, as exposições, “reinterpretam” as obras, que já são interpretações. A arte morre - é a tese de Hegel - para se tornar “filosofia da arte”. A História, no entanto, continua.
Bookmark and Share

Comentários (1)

  • Caro Lauro Marques, vim aqui para reler, e reli, essa sua substancial e contributiva aula: Minimum res (coisa mínima). E é muito bom o seu ´aforismo sem nenhum pré-juízo´: "Em terra de cego quem tem um olho é semi-ótico". E agoa me diz, recebeu aí uns almanaques meus que lhe enviei? Abraço.

    1 mês atrás por Valdivino Braz

*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio