Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Chega ser desonesto articular a situação ambiental degradante atual à religião, como se doutrinas religiosas fossem reponsáveis pelo buraco na camada de ozônio, por exemplo ou quem sabe pelas tonelada ...

    8 horas atrás por Carlos Rio sobre Pode detonar que Deus recupera
  • Compartilho da mesma angústia. ...

    13 horas atrás por Elizabeth sobre Garrafa ao mar
  • Euler e Elder, obrigado pelos comentários. ...

    14 horas atrás por eberth vencio
  • Caro, lei sempre seus textos. Gosto sempre. Entretanto, quando exagera na conversão de estrangeirismos para a língua portuguesa, fica bobo. Uma sugestão: não deixe de fazê-lo, mas faça com cautela, d ...

    14 horas atrás por Elder sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • Respire: 'Summertime' (George Benson e Jill Scott): http://t.co/CFRBWEat
    4 horas atrás
  • Numa carta escrita um ano antes de sua morte, Marilyn Monroe já se despedia: http://t.co/aQGLv7T0
    4 horas atrás
  • Busque um lugar para se hospedar, diretamente com os proprietários, em 19 mil cidades de 192 países: http://t.co/E28pOJhQ
    4 horas atrás
  • Navegue pelo corpo humano em 3D (é mais detalhado do que o aplicativo do Google): http://t.co/vHI5k5gi
    5 horas atrás
  • @myriamkazue Normalmente, não?
    7 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 13/10/2008 ÀS 05:30 PM

Mais, do mesmo

publicado em


Dezesseis dos trinta e cinco vereadores de Goiânia foram reeleitos nessas eleições. Dentre eles, os principais articuladores e votantes às escondidas do 14º e 15º salários, um privilégio, sem dúvida.

Trabalhador não sabe o que é isso. Sem hipocrisia, não acho que vereador ganha rios de dinheiro em função do que, em tese, representa: a coletividade. Acharia justo se ganhasse até mais do que hoje ganha, para cuidar da cidade. Quanto ganha, por exemplo, um atacante do Goiás? Ora, não acho que um atacante do Goiás seja mais importante do que um vereador. A riqueza de alguns parlamentares não deriva obviamente do que percebem de forma regular: é fruto de tudo aquilo que lucram por fora, através da corrupção – valores muitíssimo superiores ao vencimento em folha. Se, além disso, acumula privilégios – como o 14º e 15º mínimos -, então de fato enriquecem-se, tornando o cargo uma via de ascensão social.

No fundo, a maioria quer apenas isso mesmo: ganhar uma eleição para ficar rico e obter reconhecimento. É essa a mentalidade dos mentirosos.

Parece que o mal-caratismo é invisível aos olhos da mesma população que tanto diz odiar a política.

Insiste que odeia porque essa classe não presta!, porém, eterna contradição, a cada pleito os acusadores legitimam a bandalheira que condenam, votando nos mesmos que emporcalham a imagem do parlamento. Prova de que o povo está perdido. O povo não rebela-se, conforma-se: nunca vai ser uma ameaça aos que o exploram. Sua ignorância dispersa não pode com a inteligência dos bem articulados. Quem perde, todas as vezes, são os justos colocados na vala comum e o própria população, incapaz de fazer uma leitura minimamente crítica da realidade. Conclusão?, “é tudo igual!” É mais fácil reduzir tudo a uma sentença inócua do que defender os próprios interesses. Este ponto, aliás, não é tão simples.

Desde que se tenha dinheiro e disposição para comprar pessoas, pode um mandatário aprontar à vontade. Até porque, mesmo com as seguidas restrições impostas pela Justiça Eleitoral – que promete equalizar a disputa através de financiamento público – não se conseguiu debelar duas artimanhas de difícil correção: o favor político e a compra de votos. Destaque-se a primeira: o que a princípio parece correto – trocar o voto por benefícios – revela-se na verdade uma fonte de deturpação. Não se alterou a prática: o que mudou (ou acentuou-se) foi abdicar dos benefícios comuns em troca de favores estritamente particulares. E ai não importa o caráter do candidato, desde que resolva algum problema alheio. Um voto vale um monte de terra, um emprego para o filho, um estágio para si mesmo, uma quebra de multa, e por ai vai. A lista de interesses pessoais é generosa, não tem limite.

Porque o eleitor faz isso? Talvez porque, tendo perdido as esperanças, resolveu tirar proveito ao menos pra si. Toma lá dá cá, esquecendo-se de que seu erro implica prejuízo para todos. Corrompeu-se também: o voto não é uma arma, é uma moeda de troca. A vereança não existe para a cidade, nisso concordam certos eleitores e certos parlamentares: existe para, de um lado, ajudar fulano ou cicrano, de outro para ajudar o eleito, pelo roubo e pela fraude. A sociedade, de forma geral, é tão pragmática quanto seus representantes, tão suja quanto seus políticos. Salvo as exceções, ela também quer que se dane o interesse comum, desde que preserve o de certos membros seus. Ela é o eleitor ideal para o tipo de parlamentar que temos. Se não concordo que a sociedade tem o governo que merece, é porque me considero parte daquela exceção.

A parcela da sociedade na qual me incluo não merece a Câmara que elegemos, merece coisa melhor.

É uma parcela descontente, frustrada e perdedora. Perde todas as vezes, porque a ignorância do povo é terrível e avassaladora. Frustra-se porque tem a ilusão de que os interesses da sociedade se superpõem aos do indivíduo, quando os indivíduos levam sempre a melhor. Acha sinceramente que o eleitor, e não a política, é que não presta: faltou-lhe educação, ou sei lá o quê, para fazer escolhas conseqüentes.

Absurdo que ainda seja obrigatório o voto de tanta gente despreparada, quando o que uma eleição mais requer é responsabilidade!

Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio