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POR EM 06/10/2008 ÀS 06:08 PM

Macaquices

publicado em


Não sou nenhum Ariano Suassuna, mas como ele também me sinto irritado com os americanismos que sou obrigado a ler nas fachadas e nos cartazes dos mais diferentes estabelecimentos pelas ruas. Em todas as cidades.

Já fomos chamados com muita propriedade de macacos-de-imitação da América do Norte e nenhuma crítica, nenhum deboche parece ter revertido essa sanha de colocar nomes e trejeitos americanos em lojas, bares e até em ferrros-velhos. O uso americano do apóstrofo é ainda mais que ridículo como o último que vi numa periferia da cidade Álvaro`s Ferro Velho ao lado de um certo salão de beleza da Aline`s Cabeleireira que fica logo depois do Guto`s Bar e tudo isso na mesma rua. Lojas chiques não anunciam mais suas liquidações anuais, mas estampam nas vitrines “Sale” para reforçar seus chiquismos segundo a visão dos proprietários. Music no lugar de música para propagandear eventos já virou lugar comum e ninguém mais chama bicicleta de bicicleta, mas de bike sem vergonha nenhuma. Bandas cover significam cópias mal ajambradas que tentam dar algum significado ao macaquismo sem criatividade. E tome cover dos Beatles, do Pink Floyd e outras sandices repetitivas.

Quase todas as academias de ginástica batizam seus espaços com nomes americanos do tipo Sport Dance Academy ou bobagens como Men`s Health ou Muscle and Fitness pra atrair os tolos que acreditam que o que é estrangeiro é melhor.

Nem se pode dizer, como pensam alguns, que estrangeirismo é coisa de pobre de espírito que deseja impressionar porque empreendedores tidos como inteligentes lançam complexos imobiliários e anunciam resorts e apartamentos com lounge sem nenhum pudor. Claro que empreendedores não são, necessariamente, o oposto de pessoas pobres de espírito, há de concordar o leitor, mas têm mais condições de perceber o ridículo de macaquear. Será? Pelos nomes dos condomínios fechados habitados pela elite pode-se comprovar que não. Colunistas supostamente sociais adoram usar estrangeirismos nas suas notas, hábito colonial usado desde sempre – pensam que isso lhes dá ares cosmopolitas, coitados. Só reforça seu jequismo.

Nomes próprios também são chupados de nomes americanos e fazem as crianças parecerem ridículas quando sabemos que se chamam Stefany, Richardson, Jennifer, John Waine, Elvis Presley, James Din e isso quando não atendem pelo nome que a mãe escolheu pela sonoridade tipo Carolaine, Daiane.

Em Catalão um pobre de espírito quis registrar seu filho como Washington que o burro do cartório teimou em registrar como leu: Vasqueton. Esse seu Vasquetão passou a vida inteira maldizendo o nome e nós, meninos, aproveitando pra tripudiar sobre ele fazendo rimas que combinassem com essa aberração.

Nunca compreendi e acho até que não há o que compreender porque nunca aparecem estrangeirismos surrupiados do francês ou do espanhol, talvez porque os tolos têm mesmo contato com a cultura de massa que é imposta pelos norte-americanos através de filmes ou dessas viagenzinhas em bando que costumam fazer a Nova York. Voltam inebriados do que acham que seja civilização e reproduzem aqui o que viram por lá. E tome de copy systems,
self service, delivery, up-grade, etc...Recentemente vi o banner (eles adoram essa palavra) que anuncia uma futura galery center periférico que vai se chamar nada mais nada menos que Jatobá`s Center – combinação perfeita para atrair jecas-tatús.

Todos os nomes poéticos que herdamos dos índios, as expressões bonitas que incorporamos ao nosso idioma herdadas deles são literalmente jogadas no lixo em detrimento dos tais americanismos pervertidos.

Assim, temos uma loja de tênis chamada footwear, uma boate com o sugestivo nome de midnight, um salão onde o jeca não é mais maquilador, mas beauty stylist, uma loja metida a chique num shopping que anuncia underwear e tie invés de cueca e gravata e até loja de animais chamada pelo originalíssimo nome: dogs and cats.  

É. A vaca já foi mesmo pro brejo.

O que antes era caipira agora é country com todos os seus complementos desavergonhados mamados do Texas e dessa perversão não escapou nem a quadrilha de São João dançada ao som de ritmos alienígenas que combinam mais com os cinturões, chapéus e botas americanas.

Claro que o leitor vai encontrar muito mais do que os nomezinhos infames que expus aqui basta andar pelas ruas prestando atenção nas plaquinhas mal escritas. Mas irritante mesmo foi ler o folder (eles também gostam dessa palavra) que li num man stilist hair (antes era barbeiro) onde se anunciava a inauguração de uma futura casa goiana de festas e eventos cujo nome será Pequi`s Place. Claro que não conheço os proprietários, mas precisa conhecer pra saber quem são eles?

Basta seguir o que diz com muita propriedade e objetividade o ditado popular: “pela bosta se conhece o bicho”

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Comentários (1)

  • Oi Marcos, olha que coincidência... Meu pai, que faleceu em 2004, contava a história do Vasquetão... E você parece que chegou a conhecer essa figura... Vasquetão que se chamaria Washington... A gente sempre ria dessa história... Tadinho do Vasquetão... A gente morou em Araguari e depois mudamos para Uberlândia em 1974 e toda familia continua por aqui.
    Abraços. Teresa Cristina - Uberlândia

    4 semanas atrás por Teresa Cristina Cunha


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