POR MENALTON BRAFF
EM 09/07/2008 ÀS 06:04 PM
Imperialismo juvenil
publicado em arquivo
Não sei se vocês já se deram conta: vivemos sob o império da juventude.
Que a idéia da beleza tenha estado sempre, ou quase sempre, relacionada ao viço da vida, isto é, à juventude, isso é compreensível. Adônis provocou as paixões de Afrodite e de Perséfone, por ser belo. Ele é a primavera, quando a vida se renova. Todo ser vivo descreve uma curva que se inicia ascendente, fase em que se junta o máximo vigor, e as formas físicas atingem seu clímax.
O mercado, que é muito esperto, há algum tempo descobriu que, além da beleza, a juventude acumulava outro poder: a decisão das compras. Ser ou parecer jovem é a ordem atual. E o mercado especializou-se para poder explorar este filão novo.
Houve um tempo, não muito distante, em que os pais determinavam o que podia ou não podia ser comprado. Isso não acontece mais. O filho escolhe e o pai desembolsa. Tenha ou não saldo na conta do banco. Existem famílias no vermelho, outras pagando empréstimo, algumas privando-se de coisas básicas e necessárias, tudo isso porque não aprenderam a impor limites à sanha consumista dos filhos.
O gosto dos jovens, o direito dos jovens, a vontade dos jovens, seus costumes, é com isso que nos bombardeiam diariamente os mass media.
Começaram seu império nas compras, depois, sentindo que havia espaço para maiores avanços, começaram a impor seus hábitos. Os shows atravessam as noites indiferentes à vizinhança, que pode ser constituída de crianças doentes, convalescentes idosos, trabalhadores com necessidade de repouso. Torna-se consenso que os jovens são livres e alegres, são belos, e ninguém tem o direito de perturbar sua necessidade de diversão. Ah, sim, porque os jovens se divertem.
“Os incomodados que se mudem”, foi a resposta de um jovem a um ancião que o interpelava dizendo-se incomodado pelo barulho exagerado do show.
Mas mudar-se para onde, se eles estão em toda parte?
Me parece que os jovens sempre foram barulhentos. É próprio de sua natureza. Mas houve um tempo em que os pais ensinavam a seus filhos que o respeito pelos direitos alheios era uma das condições da vida em sociedade. E os jovens entendiam. Se não entendiam, pelo menos respeitavam seus pais.





