Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

últimas no twitter

  • O Evangelho Segundo Lennon e McCartney | Revista Bula http://t.co/H7JjAESE
    6 horas atrás
  • @fpulcineli Número cabalístico: 5.000
    7 horas atrás
  • Casos de divã, se resolvem no divã...
    8 horas atrás
  • RT @screamyell Esse twitter novo é genial, mas ao contrario
    8 horas atrás
  • RT @revistaabsurda Para comemorar o #CorruPTosDay, o PT manda prender 150 PMs grevistas.
    9 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

POR EM 22/07/2008 ÀS 01:14 PM

Dois poemas de Augusto Monterroso

publicado em


Na direção contrária ao ¿Por qué no te callas?, o guatemalteco Augusto Monterroso escreveu: Cuando tengas algo que decir, dilo; cuando no, también. Escribe siempre.
 
Li a respeito dele, falecido em 2003, que era um autor de minicontos. Na minha opinião, são minipoemas, como este “epitáfio”, carregado de humor, que traduzo a seguir:
 
 
Epitáfio achado no cemitério
Monte Parnaso de San Blas, S.B
 
Escreveu um drama: disseram que se julgava Shakespeare;
 
Escreveu uma novela: disseram que se julgava Proust;
 
Escreveu um conto: disseram que se julgava Tchekhov;
 
Escreveu uma carta: disseram que se julgava Lord Chesterfield;
 
Escreveu um diário: disseram que se julgava Pavese;
 
Escreveu uma despedida: disseram que se julgava Cervantes;
 
Deixou de escrever: disseram que se julgava Rimbaud;
 
Escreveu um epitáfio: disseram que se julgava morto.
 
 
Lendo os seus poemas -chamemo-os assim, talvez não mais de “mini”, pois o poema é sempre maior que a forma que ele contém- lembrei-me de René Char, E.E. Cummings, Samuel Menashes, Giuseppe Ungaretti e D.H. Lawrence. O texto traduzido a seguir poderia ser colocado lado a lado de um pansie (pronuncia-se como o francês pensée, “pansê”, título de um livro de poemas-pensamentos de D.H. Lawrence):
 
 
Cavalo imaginando Deus
 
“Apesar do que dizem, a idéia de um céu habitado por Cavalos e presidido por um Deus com figura eqüina repugna ao bom gosto e à lógica mais elementar, raciocinava dias destes o cavalo.
 
Todo mundo sabe -prosseguia em seu raciocínio- que se os Cavalos fôssemos capazes de imaginar Deus, o imaginaríamos na forma de Ginete.”
Bookmark and Share

Comentários (0)



*Obs — todos os comentários são moderados.
Não é aceito nenhum tipo de script ou formatação, caso queira adicionar um link apenas cole o endereço normalmente.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio