A guerra é o dos homens
Leitores querem saber onde encontrar o romance “Duas Mulheres, Quatro Amores e uma Guerra Civil” (Cânone Editorial, 273 páginas), de Jailton Batista. Em Goiânia, vi na Livraria Saraiva, no shopping Flamboyant.
O romance conta histórias da guerra civil em Angola, país africano que fala português, e sobretudo histórias de indivíduos, como as bonitas Esperança e Fatu, que tiveram suas vidas devastadas pelo conflito que pôs irmãos contra irmãos.
Como em Henry James, as personagens femininas são mais bem-construídas do que as masculinas. Parece que é intencional, pois o autor faz questão de criar modelos caricatos como o general que pode e vê tudo, mas não tem nome. A guerra é um “instrumento” muito mais do mundo masculino do que do mundo feminino. A guerra é fálica, por assim dizer. Representa poder, potência. A impotência fica por conta dos seres frágeis, como mulheres, crianças e mesmo alguns homens.
No romance, nem todos os homens são cruéis, nem mesmo o capitão Kassinda, que atirou em António Sapolo, o Sapó, e depois casou-se com sua mulher, Fatu (a história é surpreendente e não convém revelá-la). As mulheres são mais generosas, mas há aquelas que fazem intrigas.
Sobre as razões da guerra, o narrador faz uma síntese política o mais imparcial possível (página 142): “São irmãos que lutam em posições tão opostas por causas ideologicamente tão distintas, como a implantação do marxismo materialista numa sociedade marcada por profundas raízes tribais e fortes diferenças étnicas, ou a instalação do capitalismo refinado numa nação que ainda pratica o escambo. Reis, sobas e feiticeiros conduzem o destino de muita gente, e a posse da terra se faz de acordo com a necessidade dos pastores”.
A impressão que tenho é que o livro vai fazer mais sucesso em Portugal e África de Língua Portuguesa do que no Brasil. Razão: Angola deveria dizer muito aos brasileiros, mas, em termos de informação, diz pouco, quase nada.
Detalhe: o livro de Jailton Batista é um romance, mas contém informações sobre a guerra entre o grupo marxista de Agostinho Neto e a, por exemplo, Unita de Jonas Savimbi. Não substitui uma obra histórica, e não é sua pretensão, especialmente porque atribui uma força vital ao indivíduo, mas é esclarecedor, mesmo quando sutil e irônico (diria que é mais compreensivo do que irônico, apesar do humor), a respeito das motivações da guerra.

Morte como presente de aniversário
Há um livro estupendo nas livrarias, mas que não mereceu o registro devido na imprensa — “A Era dos Assassinos — A Nova KGB e o Fenômeno Vladímir Putin” (Editora Record, 391 páginas, tradução de Marcelo Schild).
No dia 7 de outubro de 2006, a jornalista Anna Politkovskaia foi assassinada, na Rússia. No mesmo dia do aniversário do então presidente Vladímir Putin. A morte da polêmica e correta repórter, avaliam os autores do livro, foi seu presente de aniversário. Do túmulo, Stálin deve ter “pensado”: “Como não pensei nisso?”















