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POR EM 08/12/2008 ÀS 02:46 PM

A guer­ra é o dos ho­mens

publicado em

Lei­to­res que­rem sa­ber on­de en­con­trar o ro­man­ce “Du­as Mu­lhe­res, Qua­tro Amo­res e uma Guer­ra Ci­vil” (Câ­no­ne Edi­to­ri­al, 273 pá­gi­nas), de Jail­ton Ba­tis­ta. Em Go­i­â­nia, vi na Li­vra­ria Sa­rai­va, no shop­ping Flam­boyant.
O ro­man­ce con­ta his­tó­ri­as da guer­ra ci­vil em An­go­la, pa­ís afri­ca­no que fa­la por­tu­guês, e so­bre­tu­do his­tó­ri­as de in­di­ví­duos, co­mo as bo­ni­tas Es­pe­ran­ça e Fa­tu, que ti­ve­ram su­as vi­das de­vas­ta­das pe­lo con­fli­to que pôs ir­mãos con­tra ir­mãos.

Co­mo em Henry Ja­mes, as per­so­na­gens fe­mi­ni­nas são mais bem-cons­tru­í­das do que as mas­cu­li­nas. Pa­re­ce que é in­ten­ci­o­nal, pois o au­tor faz ques­tão de cri­ar mo­de­los ca­ri­ca­tos co­mo o ge­ne­ral que po­de e vê tu­do, mas não tem no­me. A guer­ra é um “ins­tru­men­to” mui­to mais do mun­do mas­cu­li­no do que do mun­do fe­mi­ni­no. A guer­ra é fá­li­ca, por as­sim di­zer. Representa poder, potência. A impotência fica por conta dos seres frágeis, como mulheres, crianças e mesmo alguns homens.

No ro­man­ce, nem to­dos os ho­mens são cru­éis, nem mes­mo o ca­pi­tão Kas­sin­da, que ati­rou em An­tó­nio Sa­po­lo, o Sa­pó, e de­pois cas­ou-se com sua mu­lher, Fa­tu (a his­tó­ria é sur­pre­en­den­te e não con­vém re­ve­lá-la). As mu­lhe­res são mais ge­ne­ro­sas, mas há aque­las que fa­zem in­tri­gas.

Sobre as razões da guerra, o narrador faz uma síntese política o mais imparcial possível (página 142): “São irmãos que lutam em posições tão opostas por causas ideologicamente tão distintas, como a implantação do marxismo materialista numa sociedade marcada por profundas raízes tribais e fortes diferenças étnicas, ou a instalação do capitalismo refinado numa nação que ainda pratica o escambo. Reis, sobas e feiticeiros conduzem o destino de muita gente, e a posse da terra se faz de acordo com a necessidade dos pastores”.

A im­pres­são que te­nho é que o li­vro vai fa­zer mais su­ces­so em Por­tu­gal e Áfri­ca de Lín­gua Por­tu­gue­sa do que no Bra­sil. Ra­zão: An­go­la de­ve­ria di­zer mui­to aos bra­si­lei­ros, mas, em ter­mos de in­for­ma­ção, diz pou­co, qua­se na­da.

Detalhe: o livro de Jailton Batista é um romance, mas contém informações sobre a guerra entre o grupo marxista de Agostinho Neto e a, por exemplo, Unita de Jonas Savimbi. Não substitui uma obra histórica, e não é sua pretensão, especialmente porque atribui uma força vital ao indivíduo, mas é esclarecedor, mesmo quando sutil e irônico (diria que é mais compreensivo do que irônico, apesar do humor), a respeito das motivações da guerra.
 

 


Mor­te co­mo pre­sen­te de ani­ver­sá­rio


Há um li­vro es­tu­pen­do nas li­vra­ri­as, mas que não me­re­ceu o re­gis­tro de­vi­do na im­pren­sa — “A Era dos As­sas­si­nos — A No­va KGB e o Fe­nô­me­no Vla­dí­mir Pu­tin” (Edi­to­ra Re­cord, 391 pá­gi­nas, tra­du­ção de Mar­ce­lo Schild).

No dia 7 de ou­tu­bro de 2006, a jor­na­lis­ta An­na Po­litkovskaia foi as­sas­si­na­da, na Rús­sia. No mes­mo dia do ani­ver­sá­rio do en­tão pre­si­den­te Vla­dí­mir Pu­tin. A mor­te da po­lê­mi­ca e cor­re­ta re­pór­ter, ava­li­am os au­to­res do li­vro, foi seu pre­sen­te de ani­ver­sá­rio. Do tú­mu­lo, Stá­lin de­ve ter “pen­sa­do”: “Co­mo não pen­sei nis­so?”
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