A esperança não apenas já morreu, como começa a cheirar mal

A esperança não apenas já morreu, como começa a cheirar mal

Os extremistas vão fazendo escola. A coisa toda da crueldade começa bem cedo. Lembro-me, por exemplo, de uma história indigesta da minha meninice, quando um bando de pirralhos substituiu com esperma o catupiry de uma empadinha, e obrigou que um garoto do colégio degustasse a iguaria adulterada sob a sua mira implacável. Pura traquinagem de criança, deu pra notar? A sofisticação em brutalizar só toma corpo com o tempo.

99 aforismos clássicos de Oscar Wilde

99 aforismos clássicos de Oscar Wilde

Publicado no Brasil pela editora Sextante, “Oscar Wilde Para Inquietos” é um pequeno manual que reúne 99 aforismos do dramaturgo, escritor e poeta irlandês. No livro, cada capítulo é iniciado por um aforismo de Oscar Wilde discorrendo sobre assuntos variados, como amor, dinheiro, amizade e convívio social, seguido de uma interpretação atual feita por Allan Percy, autor da compilação.

Se você vem amanhã, desde hoje começarei a ser feliz

Se você vem amanhã, desde hoje começarei a ser feliz

Um dia a vida sempre nos separa. É quando sentiremos falta das brincadeiras no final de tarde depois de feita a tarefa do colégio, das conversas à toa em volta do lago da faculdade e dos “happy hours” depois do expediente do trabalho. Muitas pessoas passarão por nossas vidas, e, dessas, algumas nos deixarão suas trilhas sinceras de amizade e carinho, com a esperança do reencontro, nem que ele aconteça somente nas saudades dos nossos sonhos dormidos.

Depois de você, nada, nunca mais, será como antes

Depois de você, nada, nunca mais, será como antes

Que curiosa é essa vida… Procuramos o amor feito cachorro farejando cheiro de comida, e muitas vezes ele está bem ali, na nossa cara, aonde sempre esteve. Não importa quantas trombadas se dá, quantos amores a gente inventa e finge que acredita. De nada serve a entrega com um pé atrás, nem a ilusão de colecionar corpos para substituir o amor verdadeiro. Uma vez colado, pregado, rejuntado e soldado na alma, nada nem ninguém é capaz de arrancar o grande amor de dentro da gente.

Dresden, fevereiro de 1945: o inferno somos nós

Dresden, fevereiro de 1945: o inferno somos nós

No dia 13 de fevereiro de 1945, 70 anos atrás, às 22h09, teve início o teste sobre a capacidade letal do método convencional de assassinato em massa. Ao longo de doze horas e vinte e dois minutos, esquadrilhas em três ondas formadas por cerca de 3.600 aviões bombardearam Dresden. O escritor americano Kurt Vonnegut Jr. estava lá como prisioneiro de guerra e afirma que havia tendas da Cruz Vermelha espalhadas pela cidade, que não se via um tanque ou tropas nas ruas. Não era um ataque, era um massacre. No romance “Matadouro nº 5” (Slaughterhouse Five), ele recriou de forma dantesca e surreal aquele 13 de fevereiro e o horror dos dias seguintes.

Deus não existe!…

Deus não existe!…

Admitindo que Deus esteve por trás do big-bang que supostamente deu origem ao mundo, com sua alquimia explosiva, Ele esperou com paciência por mais de 14 bilhões de anos para inserir o homem em sua arena. Se fôssemos tão importantes como supomos ser, talvez Deus tivesse nos preparado mesmo antes da construção do cenário e nos conservado no formol divino e nos inserido em cena desde o primeiro ato. Já o Homo sapiens, ao contrário de Deus, é um bicho extremamente ansioso. Queremos alcançar resultados, atingir objetivos desde as primeiras ações.

Quanto mais amor a gente tem, mais medo a gente sente

Quanto mais amor a gente tem, mais medo a gente sente

Quem tem amor tem medo. Eu tenho. Todo mundo tem. É assim mesmo, sempre foi. Uns têm mais. Outros, menos. Outros tantos, quase nada. Tem ainda os que morrem de pavor mas vivem negando. De qualquer jeito, toda criatura que sente amor, toda alma que já amou alguém na vida também já sentiu medo. Você pode discordar. Pode ser daquela gente especial, pessoa dotada do superpoder de não ter medo de nada. Eu acredito, invejo. Adoraria ser assim, mas eu não sou, não. Eu sofro de amores e pavores.