Canção pro Natal durar o ano inteiro

Canção pro Natal durar o ano inteiro

Ao preparar o coração e a árvore de Natal para o fim de ano, penso como 2014 foi difícil. Foram fortes emoções desde a Copa do Mundo até as Eleições para Presidente, entremeadas por intermináveis notícias de violência urbana e escândalos políticos. Abro minha caixa com as peças da miniatura de pinheiro e coloco uma seleção de músicas para tocar. Então é Natal. E o que fizemos até agora?

Tudo tem validade, até mesmo o amor

Tudo tem validade, até mesmo o amor

Fim de ano. Chegou aquela hora de mexer nos armários, desencaixotar saudades, separar o que te cabe e o que já não cabe mais. Aquilo que em uma época te fez bem, feliz, ainda mais bonita, e hoje, te aperta, entristece, pesa mais de uma tonelada. Olha, não se aflija por isso não, pelo que um dia foi luz e acabou se transformando em sombra. Acontece com você, comigo, com todo mundo. É que tudo nessa vida tem um prazo de validade, e não poderia ser diferente com o amor.

Não, tu não te tornas responsável por expectativa alheia nenhuma!

Não, tu não te tornas responsável por expectativa alheia nenhuma!

Escreve aí em teu caderno. “Eu sou livre!”. Só para lembrar. Tu bem sabes, mas não custa repetir. Amar não é ter posse sobre ninguém. Quando te sentires escravizar, manda às favas! Assim, simples, direto e com toda a força. Fecha teus olhos, respira fundo e manda embora todo aquele, aquela e aquilo que te faz mal. Não carece verbalizar, repetir, soletrar em voz alta, gritar e essas coisas tão deliciosas. Diga a ti mesmo, esculhamba o opressor aí dentro primeiro. Aperta o botão vermelho, dá de ombros, dá as costas e vai em frente para longe dessa lama doentia.

É preciso amar as pessoas como se elas fossem sexta-feira

É preciso amar as pessoas como se elas fossem sexta-feira

Imagine a cena. Som histérico de despertador macabro. Você, na cama, ainda de olhos fechados, tenta lembrar aonde guardou o martelo, para esmigalhar esse desmancha prazeres. Afinal levanta, porque não tem mais jeito. Por um instante, deita de novo e pensa em se entupir de barbitúricos pra dormir sem preocupações… Simplesmente porque é Segunda-Feira.

Faça um pequeno milagre hoje. Nele nasce nosso amanhã grandioso

Faça um pequeno milagre hoje. Nele nasce nosso amanhã grandioso

Vai, levanta! Tem uma senhora ali na rua andando sozinha. Viu? Foi, voltou, veio de novo, parou, olhou em volta. Ela está perdida. Está na cara que se perdeu. Vai lá e pergunta se precisa de ajuda. Quem sabe ela diga que não? Quem sabe responda que sim! Vai saber se está só fazendo circular o sangue das pernas e a saudade do peito? Pode ser que ela sofra de uma doença que leva embora a memória e agora esteja ali à espera, à caça de suas lembranças. Vai lá e pergunta. Quem sabe não é sua parente? Uma tia-avó, prima, cunhada, comadre, afilhada perdida nos anos, os traços mudados pelo tempo. Irreconhecível. Quem sabe? Quem sabe é só alguém que espera?

Motivos pra não me mudar do Brasil

Motivos pra não me mudar do Brasil

As aves. As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá. Ora, não me lancem artilharia pesada. Guardem suas pedras para quebrar as asas da imaginação, que esse mundo não passa mesmo disso: pura ilusão. “É plágio”, vão me acusar. Putz! Não estou plagiando Goncalves Dias, estou citando Goncalves Dias. E por falar na luz do dia, as nossas noites são muito mais lindas que as noites deles. Quem nunca mirou o céu estrelado do centro-oeste brasileiro sem se descobrir pequeno, sem se sentir insignificante, um perdedor, não sabe o que está ganhando.

A vida é muito curta pra perder tempo com livro chato

A vida é muito curta pra perder tempo com livro chato

Ler sempre foi uma aventura, uma jornada, uma descoberta, uma busca. Muito antes de Jorge Luis Borges apontar as semelhanças entre Simbad e Odisseu (que li muito cedo, em edições para crianças), eu já havia percebido as notáveis coincidências. De certa forma, tudo o que li depois disso foi uma busca pela mesma vertigem proporcionada pela saga dos dois marinheiros. E é disso que esta coluna vai falar. Da busca de coisas pra ler. Livros, na maioria das vezes. Mas não só. E não vou falar apenas de coisas recém-chegados às livrarias. Não. A ideia aqui é partilhar descobertas e não seguir a agenda de lançamentos. Afinal, não existe livro novo: existe aquele que você leu e aquele que você não leu.