Quem ama de verdade não vive de mentira!

Quem ama de verdade não vive de mentira!

Nessas coisas de amor, você há de concordar comigo que quantidade e qualidade nunca se deram lá muito bem. Aliás, é bem certo que tudo aquilo que é demais cansa. Não sei você, mas eu não aguento essa história de que o amor “só é bom se for muito e transbordar e isso e aquilo!” Não é possível! Será influência da tecnologia? A gente compra um celular com a tela enorme, logo exige um amor maior que seja páreo para o gigantismo da nossa sanha de posse. Ou tanto se orgulha do computador com a maior memória do mundo que obriga a criatura humana ao nosso lado a fazer upgrades impossíveis em suas qualidades amorosas. Aonde é que isso vai dar?

Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com o meu trator

Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com o meu trator

Não se dizia outra coisa em Shitland: o prefeito surtou. Sob seu ponto de vista e dos baba-ovos, ele fazia uma gestão supimpa, histórica, revolucionária, a melhor de toda a vida. Nem a sua mãe concordava. A velhota ficou nervosa quando o pimpolho — por medidas de contenção de gastos e também porque não gostava da poesia de Manuel Bandeira — ordenou a demissão sumária de milhares de vagalumes nos postes de luz, deixando a cidade às escuras, numa clara retaliação aos namorados.

Eu quero um amor que seja bom pra mim

Eu quero um amor que seja bom pra mim

Acho que no fim das contas, nas somas e subtrações do coração, todo mundo quer um amor assim. Acontece que, o que é bom pra um, pode não ser bom para o outro, e aí está a mais difícil das equações: A do tipo amorosa. Porque atração é coisa fácil de resolver. Expectativas se multiplicam com doses cavalares de encantamento, e quanto maior é o desejo, mais se inflama a paixão. E gente apaixonada é tudo igual! Quem não gosta das tais borboletas na barriga? Não somos bestas! Somos um tanto cegos, meio surdos, arrogantes, tontos, excessivamente confiantes, e um monte de coisas… Mas bestas, não!

Tim Maia: o herói do mimimi

Tim Maia: o herói do mimimi

O mesmo veneno destilado contra Roberto e a mesma compaixão destinada a Tim Maia acontece no caso de Pelé e Garrincha. O alcance vocal de Tim, inegavelmente maior que o de Roberto, e os imparáveis dribles de Garrincha, mais espetaculares que os de Pelé, parecem suficientes para que seus fãs optem por quem é melhor. Mas é o final melancólico e até certo ponto trágico de Mané e do “Síndico” o que mais os aproxima.

Procura-se alma séria para relacionamento divertido

Procura-se alma séria para relacionamento divertido

“Em um relacionamento sério.” Nada contra. Fico alegre por quem assim esteja. Faço votos de felicidade ao casal e, confesso, tenho até uma certa inveja de quem se encontra e se ajeita a ponto de querer contar ao mundo que vive um caso amoroso e que ele é sério. Não é despeito, não. Juro. Eu admiro e respeito a seriedade do amor de cada um. Mas acho que quem se ajeita “em um relacionamento sério” anda menos para o calor dos romances que para a frieza dos tratos comerciais, a obrigação dos contratos de compra e venda, a burocracia das operações bancárias e a apatia dos casais ranzinzas, circunspectos, fechados para as brincadeiras de um amor sadio em sua graça e sua leveza.

Saiu pra fazer um aborto e nunca mais voltou

Saiu pra fazer um aborto e nunca mais voltou

Era viciado em tabaco. Saiu pra comprar cigarros, mas voltou em tempo de acompanhar o batizado da neta. Achava o fim da picada aquilo tudo, do Congresso Nacional ter proibido as pessoas de fumarem em recintos públicos como aquela igreja, e de judiarem da pobre bebezinha ao imergirem-na numa bacia cheia de vinho, que o padreco com gel nos cabelos insistia era o sangue do cordeiro. O caldo vermelho e rutilante escorrendo na pele alva da menina deu nele uma vontade danada de sorver uma bela taça de Cabernet Sauvignon resfriado.