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EBERTH VÊNCIO
EM 11/05/2012 ÀS 04:07 PM
Quando se tem de cara a morte, o ser humano é capaz de comportamentos os mais extremos, como esmagar a garganta de um agressor potencial, rir em sinal de desespero, desfalecer, ou tentar parar as balas com as próprias mãos.
Acostumados ao serviço digno e sujo de verificar carniças humanas, os peritos criminais bem sabem como são corriqueiras as mãos destrocadas por projéteis nas vítimas de execução, à queima roupa, por arma de fogo. Quanta miséria... É muita ingenuidade da vítima crer na compaixão extemporânea de um facínora ou na eficácia de um escudo tão vulnerável quanto as próprias mãos, feitas de pele e ossículos.
Dizer o que se oferece dizível, repetir apenas o repetível, propalar comentários insensatos parece ser uma das normas àquelas pessoas tomadas pelo trauma psíquico e pela profunda crise existencial. No jornal que leio há uma entrevista emocionada de um detetive que escapara por pouco de morrer na queda de um helicóptero. O acidente, contudo, ceifou a vida de sete dos seus desafortunados companheiros de trabalho.
“Deus me tirou daquela aeronave na noite de ontem”, ele comemorou com os repórteres, ao justificar que não embarcara com os demais por conta de “incidentes de última hora”, alguma coisa do tipo “terminar minha declaração de imposto de renda” ou “deixar o carro da esposa na revisão na manhã seguinte“. Baseado nesta assertiva de quem acaba de escapulir de um mergulho na imensidão do nada, deduz-se que o Mentor do Universo selecionara, colocara outras tantas pessoas desavisadas no interior daquela máquina mortífera, por puro capricho, por simples merecimento das vítimas escolhidas a dedo, ou por meio de um planejamento morticida-ressuscitatório absolutamente incompreensível à mente humana, para não dizer inaceitável. Ora, declarações como aquelas são só coisas impensadas que dizemos a esmo, como “eu te amarei para sempre, até que a morte nos separe”, por exemplo.
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ARNALDO BASTOS SANTOS NETO
EM 10/05/2012 ÀS 11:45 PM
Em “Missa Negra”, o filósofo inglês John Gray ataca os fundamentos filosóficos e culturais das grandes correntes políticas da modernidade. Para o pensador, o conflito é uma característica universal da vida social
O valor de um intelectual deveria ser medido pela quantidade de gente a quem consegue desagradar. Neste item, ninguém melhor, nos dias que correm, que o filósofo inglês John Gray. Com uma argumentação coerente e límpida, Gray ataca, em “Missa Negra — Religião Apocalíptica e o Fim das Utopias”, (Record, 352 páginas, tradutor Clóvis Marques), os fundamentos filosóficos e culturais das grandes correntes políticas da modernidade, dedicando um número equitativo de páginas para espinafrar jacobinos, marxistas, nazistas, liberais, integralistas islâmicos, trabalhistas ingleses e neoconservadores norte-americanos. Pouca gente escapa das agulhadas de Gray, preocupado em demonstrar que o regime teocrático iraniano fundado pelo Aiatolá Khomeini, os totalitarismos do século XX e as políticas agressivas e imperialistas de George W. Bush, nada mais são que manifestações de uma leitura apocalíptica da história, cuja teleologia foi descoberta e explicitada sob a forma de doutrinas políticas preocupadas em alterar a própria natureza humana. Na origem de tudo encontram-se mitos fundadores do próprio Ocidente cristão, comunicados também a outras culturas pela difusão do Iluminismo.
Vistos pelo pano de fundo de tais mitologias apocalípticas, os modernos movimentos revolucionários constituem uma continuidade das religiões por outros meios, o que Max Weber denominou de religião laicizada. Para demonstrar tal proposição, Gray remonta às visões milenaristas que periodicamente manifestam-se na história, dos tempos bíblicos aos atuais, pregando alguma variante escatológica de fim do mundo (ou da própria história), com o advento de uma era de ouro marcada pela prosperidade e pelo progresso infinito. Tais crenças messiânicas, que estão na base do cristianismo, foram mitigadas por pensadores como Santo Agostinho (354-430 d.C.) que duvidou da capacidade humana de eliminar o mal do mundo. Baseando-se numa antropologia negativa, que acreditava que os seres humanos são irremediavelmente imperfeitos, Agostinho reforçou nesta tradição do cristianismo um forte conteúdo realista, propondo que o fim dos tempos fosse percebido em termos puramente espirituais. Com base em tais premissas, argumenta Gray, esta doutrina “conferiu ao cristianismo uma disposição antiutópica que ele nunca perdeu completamente, sendo os cristãos poupados da desilusão que se abate sobre todo aquele que espera mudanças muito profundas nas questões humanas”.
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CARLOS WILLIAN LEITE
EM 09/05/2012 ÀS 09:47 PM
Publicado no livro “Dublinenses”, usando a técnica conhecida como fluxo de consciência, o conto “Eveline” é considerado uma das obras-primas de James Joyce

James Joyce
Ela sentou-se à janela para ver a noite invadir a avenida. Encostou a cabeça na cortina e o odor de cretone empoeirado encheu-lhe as narinas. Sentia-se cansada.
Poucas pessoas por ali passavam. O sujeito que morava no fim da rua passou a caminho de casa; ela ouviu seus passos estalando na calçada de concreto e em seguida rangendo sobre o caminho coberto com cascalho em frente às casas vermelhas. Tempos atrás havia ali um terreno baldio onde eles brincavam toda noite com os filhos dos vizinhos. Mais tarde um indivíduo de Belfast comprara o terreno e construíra casas — mas não eram casas pequenas e escuras como aquelas em que eles moravam; eram casas vistosas de tijolo e com telhados luzidios. As crianças que moravam na avenida costumavam reunir-se para brincar naquele terreno — crianças das famílias Devine, Water, Dunns, o pequeno Keogh, que era manco, ela e seus irmãos e irmãs. Ernest, no entanto, nunca brincava: já estava crescido. O pai dela muitas vezes enxotava-os do terreno com sua bengala de madeira preta; mas geralmente o pequeno Keogh montava guarda e dava o alarme quando avistava o homem se aproximando. Apesar de tudo consideravam-se bastante felizes naquela época. Seu pai ainda não estava tão mal e, além disso, a mãe ainda estava viva. Isso tudo acontecera há muito tempo; ela, seus irmãos e irmãs tinham crescido; a mãe estava morta. Tizzie Dunn também morrera e a família Water havia retornado à Inglaterra. Tudo se modifica. Agora era a vez dela ir embora, como os outros, ia sair de casa.
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CARLOS WILLIAN LEITE
EM 09/05/2012 ÀS 09:30 PM

Liderado pelas Editoras da Fio cruz (Fundação Oswaldo Cruz), UFBA (Universidade Federal da Bahia), Unesp (Universidade Estadual Paulista), e Fapesp (Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo) o projeto “SciELO Livros”, lançado no mês de março, disponibilizou aproximadamente 300 livros, científicos e técnicos, para download. O projeto visa à publicação on-line de coleções de livros de caráter científico, editados, prioritariamente, por instituições acadêmicas. A previsão para 2012 é que o acervo ultrapasse 500 títulos. Os livros, que estão disponíveis nos formatos ePUB e PDF, são formatados de acordo com padrões internacionais e podem ser lidos no próprio site ou baixados integralmente sem nenhum custo.
Para integrar o projeto SciELO Livros, editoras e obras são selecionadas de acordo com padrões de controle de qualidade aplicados por um comitê científico. “Uma porcentagem significativa de citações que os periódicos SciELO fazem, principalmente na área de humanas, está em livros. E como um dos objetivos da coleção SciELO é interligar as citações entre periódicos, a ideia é também fazer isso com livros”, disse Abel Packer, membro da coordenação do programa SciELO, à Agência Fapesp “A ideia é contribuir para desenvolver infraestrutura e capacidade nacional na produção de livros em formato digital e on-line”, acrescenta.
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MENALTON BRAFF
EM 07/05/2012 ÀS 09:50 PM
Que me perdoem os leitores se exulto, quase sozinho, com a chegada do frio. Meu amigo Adamastor, que veio do Cabo da Boa Esperança, no sul da África, fica escandalizado com minhas preferências. É que o Sol, este astro rei (caramba! quando é que vamos deixar de ser monarquistas?) torna-se menos agressivo, seus raios nos acariciam em lugar de arranhar-nos. As tardes, menores e mais encolhidas, parecem convidar para conversas menos estridentes, para aquele tipo de prosa em que não se tem pressa de chegar ao fim. Duas cadeiras na varanda, um bom vinho em taças pequenas, e a conversa esticada apenas pelo gosto da troca.
O clima frio exige recolhimento e conduz à reflexão. As longas noites são invadidas pelo estudo, pela leitura, porque o silêncio é companheiro do frio assim como o barulho o é do calor. O mundo exterior mais reduzido estimula o exercício da imaginação. Portas e janelas fechas forçam-nos o olhar para o interior.
E não nos esqueçamos da elegância. Tenho visto, mesmo nos dias mais frios, muita gente com as pernas nuas despejadas para fora dessas bermudas coloridamente ridículas que se usam hoje em dia em qualquer estação, em todos os lugares. As pessoas reclamam do frio, se queixam, mas não abandonam o padrão da roupa sumária, do corpo exposto como se o sol substituísse nossas proteções. O Oswald de Andrade queria que o índio desvestisse o português, estão lembrados? Mas o Oswald de Andrade era primitivista, por isso queria ver-nos sem roupa, esse traço de nossa herança europeia. Claro que sua metáfora referia-se à cultura, entretanto serve muito bem para outro sentido, que são os dias de calor. Elegância, meu caro, para os dias de frio, é o sobretudo, o cachecol, a echarpe de seda por dentro da camisa. O sapato em lugar do chinelinho de dedo.
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EULER DE FRANÇA BELÉM
EM 06/05/2012 ÀS 01:00 PM

As editoras brasileiras são criativas ao traduzir títulos e ao inventar subtítulos que não existem nas edições originais. A Record publicou este ano o esplêndido “A Tempestade da Guerra — Uma Nova História da Segunda Guerra Mundial” (811 páginas, tradução de Joubert de Oliveira Brízida), do britânico Andrew Roberts. O título em inglês, “The Storm of War”, de fato autoriza a versão patropi. Mas cadê, na língua do historiador, o subtítulo? Não há, é claro. Trata-se de uma invenção da editora para atrair a atenção dos leitores. De qualquer modo, apesar da enganação, o livro contém análises surpreendentes, ainda que não se possa caracterizá-las de “uma nova história”. O leitor não especialista ganhará muito se ler, antes do exaustivo trabalho de Roberts, “Europa na Guerra — 1939-1945” (Record, 602 páginas, tradução de Vitor Paolozzi), do historiador britânico Norman Davies. Há, neste trabalho, um balanço crítico competente da bibliografia histórica, da literatura e do cinema sobre a Segunda Guerra Mundial. O tradutor Brízida, sempre competente, comete um erro básico, criticado por Davies a respeito de alguns autores: chama os “soviéticos” de “russos”. Ora, na Segunda Guerra Mundial não lutaram apenas russos, os nascidos na Rússia, e sim integrantes de todas as repúblicas soviéticas. Ucranianos, bielorrussos, georgianos, lituanos, letãos, estonianos, entre outros povos, lutaram bravamente e milhões pereceram no campo de batalha. Eles nunca se aceitaram como “russos” ou “soviéticos”, mesmo sob o tacão de Stálin. Com a queda do comunismo, há a tendência de transformar em “russos” todos os ex-integrantes da União Soviética. Como se sabe, os russos são detestados pela maioria dos outros povos que foram subjugados pelos bolcheviques de Lênin a Gorbachev.
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ANA CAROLINA MORENO
EM 06/05/2012 ÀS 12:41 PM
A juventude imprime nas pessoas a arrogância de se acharem capazes de fazer um discurso sobre alguém que já viveu 90 anos. Esse é um exemplo: Entre o dia em que nasceu e a tarde desde domingo especial em família, o sol já se levantou para acordar Zenaide 32.875 vezes. Ela superou em vários anos a longevidade de seus avós, seus pais, seus dez irmãos e seu marido.
Zenaide nasceu dois meses depois da Semana de Arte Moderna de 1922, antes de as casas terem telefone e televisão. Jamais aprendeu a nadar ou a dirigir pelo simples fato de ser mulher, mas não fugiu das aventuras que suas netas repetem até hoje, como as corridas de cavalo pelas fazendas de Minas Gerais. Ela apostava com o irmão Zezé, a caminho da casa das amigas dela que ele queria cortejar.
Quem vê essa senhora de fala mansa talvez não saiba quantas cestas ela já fez na quadra de basquete do colégio em que estudou em Franca. Depois do ginásio, Zenaide foi estudar em São Sebastião do Paraíso, na escola normal, e nessa idade aprendeu em aula particular algumas das habilidades que a fizeram equipar tantas casas com bordados e crochês dos bazares da igreja.
A idade avançada faz com que ela mesma não se lembre dos detalhes, mas a sensação geral é de satisfação. "Enquanto pude, fiz tudo o que quis" é a conclusão desta matriarca que iniciou a construção da própria família ainda na adolescência, em partidas de batalha naval com um certo Joaquim, que tinha família em Patrocínio Paulista e Ibiraci.
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EBERTH VÊNCIO
EM 04/05/2012 ÀS 08:39 PM
Por ser ofício invulgar, segurar em alça de caixão, conduzir inanimados definitivos para as catacumbas não deveria jamais se prestar ao regozijo de puxa-sacos e dos baba-ovos. Mas acontece. Eu sei que acontece. Dependendo da importância do defunto, seja ela patrimonial, cultural ou política — principalmente, neste último caso — os aproveitadores de acotovelam para conduzir o pobre diabo pra dentro do buraco. Se pudesse, se o coisa-ruim me acenasse o seu tridente da escuridão da terra, eu sim os empurraria todos para o vazio da cova.
Sucedeu que o sujeito apagou aos 93 anos de idade, apesar dos cigarros de palha, da aguardente e carne de lata. Viveu pra dedéu e o povo da região garantia: era, sim, um homem de bem. Nasceu, cresceu, casou e procriou na roça, no mesmo casarão antigo em que seu pai e o pai do seu pai também nasceram, viveram e sumiram. Naquelas bandas, nunca se ouviu um só fato que o desabonasse. Ao contrário, era tido e havido como justo e correto, “apesar de namorador e aficionado pela pinga na sua mocidade”. O povão maledicente sempre cavouca, pesquisa ou inventa algum deslize no qual se arvorar para denegrir, nem que seja um pouquinho, a reputação de quem quer que seja. Maldadezinhas básicas. Coisas de ser humano. Pois bem, acontece que o velho foi pego por uma gripe e terminou adoecendo profundamente. A moléstia evoluiu para uma pneumonia dupla (é assim que se diz vulgarmente quando a infecção atinge ambos os pulmões), que avançou para a tal infecção generalizada. Daí, vocês já sabem: o bicho pega, fica difícil escapulir da senhora da foice.
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CARLOS WILLIAN LEITE
EM 03/05/2012 ÀS 09:08 PM
Para se chegar ao resultado fiz uma compilação de listas publicadas por sites especializados em fotografia, cultura pop e história. O objetivo de minha pesquisa era identificar quais eram as 10 fotografias mais famosas de todos os tempos. Participaram do levantamento as publicações: Photographium, World's Famous Photos, Life, Digital History, Listverse, Al Fotto, Tripwire Magazine, Photo Net, Photography Schools Online, The Pulitzer Prizes e World Press Photo. Abaixo, em ordem classificatória, as 10 fotografias selecionadas baseadas no número de citações das publicações pesquisadas.

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EULER DE FRANÇA BELÉM
EM 03/05/2012 ÀS 08:22 PM
O livro “Brasil: Nunca Mais” não esgota a discussão sobre a tortura no país, apesar do levantamento exaustivo. Há muito a se pesquisar.
Não basta ler livros sobre tortura. Para compreender o golpe de Estado de março/abril de 1964 e os governos militares é preciso ler vários livros, como “1964: A Conquista do Estado” (Vozes, 899 páginas), do uruguaio René Armand Dreifuss. É um trabalho bem documentado. Talvez ajude a “espantar” a tese de que a ditadura instaurada em 1964 foi só militar. Para se obter informações mais gerais, numa exposição didática e simples (às vezes simplista), pode ser consultado “Brasil: De Castelo a Tancredo” (Companhia das Letras, 483 páginas, tradução de Berilo Vargas), do brasilianista Thomas Skidmore.
O jornalista Elio Gaspari escreveu a série Ilusões Armadas, em quatro volumes. “A Ditadura Envergonhada” (417 páginas), “A Ditadura Escancarada” (507 páginas), “A Ditadura Encurralada” (525 páginas) e “A Ditadura Derrotada” são obras fundamentais para compreender do golpe de 64 ao governo de Ernesto Geisel. Os livros são bem-escritos e, sobretudo, contêm uma pesquisa exaustiva em documentos inéditos dos governos militares. Eles superam, com folga, a síntese de Skidmore. Alfred Stepan, um brasilianista competente, escreveu “Os Militares: Da Abertura à Nova República”. Stepan faz o que os estudiosos brasileiros em geral não fazem: estuda os militares sem preconceito, objetivamente. Mostra, por exemplo, que Geisel seguia as teses de Maquiavel de como conservar o poder. Bernardo Kucinski fez um estudo radical em “Abertura — A História de uma Crise”. O jornalista perdeu a irmã, vítima dos militares. A pesquisa mais criteriosa sobre a Abertura é “História Indiscreta da Ditadura e da Abertura — Brasil: 1964-1984” (Record, 517 páginas), tese de doutorado do economista e historiador Ronaldo Costa Couto apresentada na Universidade de Paris.
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