Moça com Chapéu de Palha
“Moça com Chapéu de Palha” (2009) é uma narrativa original, sem a necessidade, o compromisso com a originalidade. O novo, inclusive, presente no senso de originalidade, não é o que move o sentimento de pertença que integra a prática textual dos ficcionistas contemporaníssimos brasileiros; tal prática mostra-se por demais nuançada, sem nos transmitir, por isso, ideias do seu conjunto, na medida das suas gerações.
O último romance de Menalton Braff lembra-nos, se quisermos compará-lo para melhor compreendê-lo na sua estrutura narrativa, “Um Sopro de Vida, Pulsações” (1978), último romance de Clarice Lispector. No romance de Braff pulsa a vitalidade, erotizada; no de Clarice, no romance informe de Clarice, pulsa a morte. O comparável, o homólogo entre as duas narrativas em questão, está no modo como ambas espelham o seu processo criativo, ficcional: no estabelecimento da forma literária das obras, da sua invenção, por meio da autoconsciência da sua enunciação, enunciada em meio à construção da figura de seu narrrador-personagem/autor. Metaficções puras. Acontece que Menalton, diferentemente de Clarice (de quem me distancio agora), mostrou-se sempre atento para a representação do que é socialmente sensível, quer do ponto de vista da vida no interior de um homem ou de uma mulher, ou de uma família, quer do interior da vida em sociedade. Seus romances, acredito, parecem-me mais afeitos aos dramas sociais, do homem e da mulher em sociedade; os seus contos prendem-se mais à vida da mulher e do homem nas suas vidas familiares e mostram-se bem comportados a partir do seu foco narrativo, com histórias, para mim inigualáveis, como “Adeus, meu pai”, em “À Sombra do Cipreste” (1999) e “Os sapatos de meu pai”, de “A Coleira no Pescoço” (2007).
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