A propósito de Roman Polanski
Yasmina Reza é uma dramaturga brilhante. Sua peça "Arte" equivale a um tratado sobre a estupidez humana diante do mercado de arte contemporânea. Uma outra peça sua eu quase assisti (a histeria mundial causada pela gripe suína não deixou) em Nova York certa vez, o que foi uma enorme perda (pra mim), pois acabou ganhando o Tony Award de 2009 — "Deus de carnificina". Dois anos depois, essa peça seria adaptada para o cinema por Roman Polanski, com um elenco estrelado (Jodie Foster, Kate Winslet, John C. Rilley e Cristoph Waltz, esse último revelado ao mundo por Quentin Tarantino, em "Bastardos Inglórios", por cuja participação ganhou Oscar). Pois foi em 2009, pouco depois de ganhar o Tony, que seu amigo Roman Polanski foi preso por conta de um caso antigo de estupro (presumido) ocorrido numa festa na Califórnia. Ela, então, concedeu uma entrevista a Jérôme Garcin, no periódico francês "Le Nouvel Observateur", que traduzo, resumidamente, abaixo.
Le Nouvel Observateur — Quando a senhora viu Roman polanski pela última vez?
Yasmina Reza — Dois dias antes dele ser preso, 26 de setembro. Jantamos juntos para conversar sobre a adaptação de "Deus de carnificina". Ele tinha visto a peça em Paris em 2008. No verão seguinte, na Suíça, onde, por ironia, passamos nossas férias no mesmo lugar, ele me perguntou com delicadeza, pois trata-se de um homem sem qualquer vaidade, se os direitos cinematográficos estavam ainda disponíveis. Eu já tinha recusado outras propostas, mas disse sim pra dele na hora.
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No início dos anos 1930, quando ele escreveu o que se tornaria seu primeiro romance, o superinfluente “Tropico de Câncer”, Henry Miller escreveu uma lista de 11 mandamentos, a serem seguidos por ele mesmo. Ei-los:
"Se Deus não existe, tudo é permitido". Essa deve ser uma das citações preferidas de um dos mais brilhantes filósofos que já existiu.
No último final de semana arranquei-me de casa, finalmente. Já fui muito saideiro, mas tenho ficado cada vez mais neurótico pra isso. Não é só o trânsito infernal de Goiânia, nem o risco de assalto (que, diga-se, nunca me aconteceu aqui ou alhures). Não é só a falta de educação das pessoas na rua, nos shoppings, nas salas de cinema, salas de concertos, teatros. Não é apenas por causa de minha neurastenia progressiva. É preguiça mesmo. Caprichei em meu Home Theater e em minhas coleções de filmes, peças de teatro filmadas, concertos, etc. Daí fico em casa mesmo.
“Quando Williams-Sonoma lançou no mercado uma máquina de fazer pão (por U$ 275,00), a maioria dos consumidores não quis nem saber. O que, diabos, seria uma máquina de fazer pão, afinal de contas? Era boa ou ruim? Alguém precisava mesmo disso? Por que não comprar, em vez disso, uma boa cafeteira na prateleira ao lado? Frustrado pelas baixas vendas, o fabricante contratou uma firma de marketing, que deu a seguinte sugestão: lance outra máquina de fazer pão, só que maior, e cobre 50% a mais por ela. O fabricante acatou a sugestão e as vendas aumentaram significativamente. Por quê? Só porque agora os idiotas (desculpe, consumidores) tinham dois modelos entre os quais escolher. Como agora havia dois modelos, eles não precisavam tomar sua decisão no vácuo, sem referências. E aí maioria escolhia a menor.”
(O pequeno artigo abaixo saiu em 2006 na Bula, mas estou ressuscitando-o por conta de ter visto “Matrix”
Sei bem que só a ideia de um leigo se propor a fornecer um guia de museus, particularmente de arte, ainda que pequeno, já soa pretensiosa para alguns, os, digamos, profissionais. Pois isso faz tanto sentido quanto dizer que apenas escritores podem opinar sobre livrarias. Então dá licença que eu quero passar com minhas opiniões.
No fim de semana passado alugamos um carro e viajamos até a região chamada Berkshires, a duas horas de Boston, oeste do Estado de Massachusetts. É uma região bonita e com alguns pontos turísticos interessantes, para ver uma vez, como a casa de Herman Melville, em Arrowread, ou o Museu de Norman Rockwell.
Fiquei com inveja do
O que é o gosto? É possível gostar de algo “objetivamente”? É possível criar categorias classificatórias e/ou hierarquizantes para o gosto? Por que Machado de Assis é melhor do que Paulo Coelho? Ou Woody Allen do que Steven Spielberg? Ou João Cabral de Melo Neto do que Cora Coralina? A essa altura provavelmente algum leitor percebeu que os primeiros são minha preferência e já discordou de alguma delas. Pode estar se perguntando, estarrecido, “E desde quando Woody Allen é melhor do que Steven Spielberg?!”, por exemplo. Daí eu despejarei sobre esse incauto que ousou discordar de meu gosto que Woody é mais filosófico e Spielberg é mais entretenimento.