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POR EM 20/01/2010 ÀS 10:06 AM

Historiador denuncia a indústria do Holocausto

publicado em

Tachado de opositor ideológico de Israel, Norman Finkelstein sustenta que o Holocausto nazista foi “recriado” para defender Estado judeu e enriquecer instituições judaicas

 Norman G. Finkelstein

Antes de apresentar os argumentos do polêmico livro “A Indústria do Holocausto — Reflexões Sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus” (Editora Record, 156 páginas), de Norman G. Finkelstein, professor da Universidade de Nova York e doutor por Princeton, algumas palavras sobre o autor. Em duas resenhas para a “Folha de S. Paulo”, o jornalista Marcos Guterman busca desqualificar Finkelstein como historiador. No primeiro texto, diz que Finkelstein é “crítico histérico e raso da instrumentalização do Holocausto pelos judeus”. O segundo texto é uma resenha, publicada em fevereiro de 2001.

Nesse texto, Guterman ataca, quase no estilo de cruzado de Finkelstein: “A ausência quase completa de documentos específicos do genocídio, grande parte deles destruída pelos nazistas para tentar apagar o episódio da historia, é a base da negação do Holocausto e um dos trunfos de ‘A Indústria do Holocausto’, de Norman Finkelstein”. Guterman escreve que o polemista é visto como “anti-sionista de poucos recursos acadêmicos”. 

A questão-chave pouco ou nada tem a ver com os “parcos” recursos acadêmicos de Finkelstein, e sim com ideologias diferentes. Finkelstein é um intelectual de esquerda, muito próximo do séquito de Noam Chomsky. O leitor do livro ‘A Indústria do Holocausto’, se consultá-lo com rigor, certamente substituirá a palavra “histérico” por “exagerado” ou extremado. Nem tudo que é radical é histérico, assim como nem tudo que é moderado não é histérico. 

Mesmo que não se concorde com as idéias de Finkelstein — e esclareço, desde já, que tenho respeito pela causa judaica —, é interessante passear por sua exposição, não raro apressada e excessiva, sobre o que considera “a indústria do Holocausto”. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, as organizações judaicas dos Estados Unidos, as mais poderosas do mundo — sempre com o apoio de publicações como “New York Times” e “Washinton Post”, os dois jornais mais conhecidos do país, além de revistas, como “Time” e “Newsweek” —, deixaram, por assim dizer, o Holocausto no armário. A tese de Finkelstein: “Elas ‘esqueceram’ o holocausto nazista porque a Alemanha — Alemanha Ocidental, em 1949 — tornou-se um aliado crucial do pós-guerra americano no confronto dos EUA com a União Soviética. Vasculhar o passado não seria útil; na verdade, era um complicador. (...) Lembrar o Holocausto nazista era etiquetado como causa comunista”. As associações judaicas chegaram a fazer vistas grossas à entrada de nazistas nos Estados Unidos. 

A partir de junho de 1967, com a guerra árabe-israelense, na versão de Finkelstein, “o Holocausto tornou-se uma fixação na vida dos judeus americanos. De sua fundação em 1948 até a guerra de junho de 1967, Israel não figurou como foco no planejamento estratégico americano. (...) Para assegurar seus interesses no Oriente Médio, o governo Eisenhower apoiou tanto Israel quanto as nações árabes, contudo favorecendo os árabes”. Finkelstein acrescenta: “A indústria do Holocausto só se difundiu depois da dominação militar esmagadora e do florescente e exagerado triunfalismo entre os israelenses”.


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POR EM 18/01/2010 ÀS 08:02 PM

O flerte de Luis Buñuel com o stalinismo

publicado em

Los Anos Rojos de Luis Buñuel“Los Anos Rojos de Luis Buñuel”(Cátedra, 420 páginas), de Román Gubern e P. Hammond, provoca polêmica na Espanha. O livro prova que, ao contrário do que sempre disse, o cineasta filiou-se ao Partido Comunista Espanhol (PCE) em 1931. Não só. Buñuel se pôs, durante algum tempo, a serviço do brutal stalinismo soviético.

O jornal “El Mundo” fez uma pequena entrevista com Román Gubern, que traduzo a seguir.

Como surgiu a ideia de narrar “os anos vermelhos” de Buñuel?

A origem está no surgimento da carta de Buñuel a [André] Breton, de 6 de maio de 1932, na qual informava de sua filiação ao PCE — informação que sempre havia negado.


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POR EM 18/01/2010 ÀS 09:17 AM

Cultura de massa vira “cult” em prosa de cubano

publicado em

Cabrera InfanteO que sabemos da Irlanda tem a ver com seus escritores notáveis, como Jonathan Swift, Wilde, Yeats, Shaw, Joyce e, recentemente, John Banville. Os políticos são lembrados, se são, apenas por especialistas em política internacional.

Em Cuba, com o tempo, não vai ser diferente. Daqui a 50 anos, ou menos, Fidel Castro certamente vai figurar no rodapé da história cristalizado como o ditador sanguinário que tornou seu país um dos mais esfomeados do mundo (esfomeados de tudo: comida, bens de consumo e, sobretudo, liberdade). O Stálin cubano conseguiu a proeza de socializar a fome e excluir a liberdade de todos os cantos da ilha. Impunemente.

Se Fidel será esquecido, exceto por seus crimes e pela fortuna que guardou nos bancos europeus (calculada em 1 bilhão de dólares), imitando os ditadores africanos e outros, a literatura de Cuba será eternamente lembrada por conta de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Guillermo Cabrera Infante. Em 1992, Cabrera Infante, entrevistado por “O Globo”, disse que os mais importantes escritores cubanos do século 20 são Lezama Lima, Virgílio Piñera e Alejo Carpentier. “Mas quem mais teve influência sobre mim foi um escritor pouco conhecido, Lino Novas Calvo, um extraordinário contista, que descobri quando começava a escrever, em 1947. Calvo não é o escritor mais importante de Cuba, mas certamente foi a minha maior influência.” (Note-se que João de Minas influenciou escritores importantes do Brasil, embora não tenha sido autor do primeiro time.) Na mesma entrevista, Cabrera Infante diz que Machado de Assis é “o grande escritor de ficção ibero-americana do século 19. ‘Macunaíma’, de Mário de Andrade, é um livro realmente divertidíssimo”.


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POR EM 13/01/2010 ÀS 10:08 AM

Clarice Lispector descartou influência de Virginia Woolf e Sartre

publicado em

Clarice,“Clarice,” (Cosacnaify, 648 páginas), de Benjamin Moser, é uma biografia do balacobaco. Clarice Lispector, a mulher e a escritora, sai maior. Ou com a estatura devida. Apesar da simpatia confessa do pesquisador americano, não se trata de hagiografia. Uma das vantagens da biografia é que Moser recolhe as melhores interpretações (esquecendo algumas) da obra da autora e oferece ao leitor as próprias leituras, quase sempre pertinentes e originais. Ele escarafuncha a vida e, paralelamente, a obra. Muitas vezes, o envolvimento com a obra é muito superior à apreensão da vida de Clarice.

Em 1919, quando tentava escapar das perseguições dos comunistas na Ucrânia, a mãe de Clarice, a judia Mania Lispector, foi estuprada e contraiu sífilis. Aparentemente para tentar se curar, ficou grávida e, na fuga pelo território ucraniano, nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, em 10 de dezembro de 1920 (na época, pensava-se que uma mulher doente, com certas doenças, poderia se curar se ficasse grávida. Recentemente, em busca de informações sobre a família Lispector, Moser visitou a Ucrânia e descobriu que a crença persiste entre as mulheres do povo). Chaya significa “vida” em hebraico. No Brasil, o nome foi trocado para Clarice. Os pais, Pinkhas (mudou o nome para Pedro) e Mania (virou Marieta), chegaram ao Brasil, em 1922, com as três filhas, Elisa (o nome era Leah), Tânia e Clarice. Moraram em Maceió, Recife (paixão de Clarice) e Rio de Janeiro.


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POR EM 08/01/2010 ÀS 05:24 PM

O tempo em que Brizola foi o homem de Fidel no Brasil

publicado em

O dirigente cubano parece ter acreditado que Brizola era o Fidel do Brasil e enviou 1 milhão de dólares para sua guerrilha, que não ocorreu

Leonel Brizola, Fidel Castro, João Goulart e Darcy Ribeiro

Se a história do Egito é inesgotável — daí a permanência de uma indústria editorial que inventa e reinventa romancistas-historiadores-arqueólogos —, imagine a história recente brasileira, sobretudo a pós-64. Em 1987, José Wilson da Silva lançou um livro, “O Tenente Vermelho”, que conta, entre outras histórias, que “Fidel Castro entregou 1 milhão de dólares para os exilados brasileiros no Uruguai (Brizola, Jango e Darcy Ribeiro) financiarem movimentos de guerrilha no Brasil”. O livro de José Wilson é muito interessante, mas pessimamente editado pela Tchê!, o que certamente reduziu a sua repercussão. Treze 13 anos depois, a doutora em história pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg amplia o que José Wilson antecipou. No livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro” (Editora Mauad, 2001), de apenas 94 páginas, Denise produz um documento de grande valia, ainda que lacunar, pois Brizola e José Dirceu, por exemplo, não quiseram falar sobre suas relações com Cuba. Denise também não conseguiu fazer entrevistas em Cuba, porque a bolsa do CNPq “exclui qualquer possibilidade de viagem ao exterior”. De resto, o livro de Denise parece sugerir, mais do que um texto definitivo, uma obra em andamento. O leitor especializado certamente achará estranha a ausência, na bibliografia, dos livros “O Tenente Vermelho”, de José Wilson, e “A Revolução Impossível”, de Luís Mir.


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POR EM 05/01/2010 ÀS 07:13 PM

Cuba era ‘dona’ da revolução brasileira

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O Apoio de Cuba À Luta Armada no Brasil No terceiro capítulo de “O Apoio de Cuba À Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro”, a historiadora Denise Rollemberg discute o apoio financeiro e logístico de Cuba à Ação Libertadora Nacional (ALN), ao Grupo da Ilha, à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ao Movimento Revolucionário — 8 de Outubro (MR-8). O incentivo se dá a partir de 1967, após o “fracasso” das Ligas Camponesas e do Fidel brasileiro, Leonel “El Ratón” Brizola. O ano de 1967, aponta Denise, “foi marcado tanto pela Conferência das OLAS, em julho e agosto, grito de guerra do projeto de exportação da revolução, quanto pela derrota do projeto de Che Guevara na Bolívia, em outubro”. O Fidel brasileiro passa a ser Carlos Marighella (“Vai, Carlos, vai ser Marighella na vida”, como dizia o poeta).

“A ALN foi a organização que mais enviou militantes para o treinamento. Em setembro de 1967, foi formada a primeira turma, chamada de I Exército da ALN, que treinou 16 militantes até julho de 1968, e, em seguida, formaram-se o II Exército (30 militantes treinados entre julho de 1968 e meados de 1969), o III (33 militantes treinados entre maio e dezembro de 1970) e o IV (13 militantes treinados entre fins de 1970 e julho de 1971)”, conta Denise. Outras organizações participaram dos treinamentos em Cuba.


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POR EM 03/01/2010 ÀS 05:54 PM

Carol Shields: o gigante literário canadense

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Carol ShieldsOs brasileiros leem mais a literatura dos Estados Unidos — Faulkner, Fitzgerald, Hemingway, Saul Bellow (nascido no Canadá) e Philip Roth — do que a canadense. Mas devemos ao Canadá alguns escritores do primeiro time, como Mordecai Richler (“A Versão de Barney”), Elizabeth Smart (“Junto à Central Station Sentei-me e Chorei”), Alice Munro (“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento”), Margaret Atwood (prosadora e crítica brilhante), Nancy Huston (“Marcas de Nascença”, romance muito bom sobre crianças que foram raptadas pelos nazistas e adotadas por famílias alemãs. O livro de Huston é baseado num fato histórico, mas é literatura de primeira. Se o leitor quiser mais informação documentada, o livro adequado, em português, é "O Trauma Alemão", da brilhante jornalista e historiadora Gitta Sereny), Carol Shields (nascida nos Estados Unidos, naturalizada canadense) e o crítico literário Northrop Frye (“Anatomia da Crítica”).

Carol Shields, ganhadora do Pulitzer e morta (câncer) em 2003, aos 68 anos, é autora de histórias sofisticadas, mas de aparência simples, como “Os Diários de Pedra”, “A Festa de Larry” (a celebração do homem comum), “Bondade” (o discreto charme da burguesia?) e “Swann”. Todos publicados (bem traduzidos) no Brasil. “Bondade” (Bertrand Brasil, 271 páginas, tradução de Beatriz Horta) é um romance construído de modo simples e, ao mesmo tempo, compexo. Parece estranho dizer assim, e é. O livro conta algumas histórias — uma delas a da escritora Reta Winters, bem casada com um médico, três filhas, uma sensata vida burguesa. Enquanto conta sua história pessoal, Reta fala da dificuldade de escrever seus romances e de seu trabalho de tradutora.


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POR EM 02/01/2010 ÀS 03:18 PM

O coveiro inconsciente do socialismo soviético

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Pós-Guerra — Uma História da Europa Desde 1945Um político como Mikhail Gorbachev sabia que, como presidente da União Soviética, estava fazendo (a grande) história. Por isso a pergunta correta a fazer é: qual o grau de consciência tem o líder político quando está fazendo história? Porque, contando com o planejamento, está tentando levar a história para um rumo, mas, não poucas vezes, ele e a história acabam sendo levados para outro lado. No magnífico livro “Pós-Guerra — Uma História da Europa Desde 1945” (Objetiva, 847 páginas, tradução de José Roberto O’Shea), o historiador inglês Tony Judt diz que, ao adotar a perestroika e a glasnost, “é incontestável que ele [Gorbachev] não sabia o que estava fazendo e ficaria horrorizado se soubesse”. “As novas reformas, inevitavelmente, conduziriam o País de volta ao capitalismo”, escreve Judt. Mas Gorbachev não queria a instalação do capitalismo, pelo contrário. O líder soviético, que se considerava estadista europeu, apostava que poderia reformar o sistema. “Gorbachev acreditava piamente que o único caminho para o progresso passava pelo retorno aos ‘princípios’ leninistas. A ideia de que o próprio projeto leninista estivesse equivocado permanecia alheio ao líder soviético até bem tarde. Somente em 1990 ele, finalmente, permitiu a publicação interna de escritores abertamente antileninistas como, por exemplo, Aleksandr Soljenitsin.” Como líder, que pretendia levar a União Soviética para uma economia produtiva, mas não capitalista, Gorbachev equivocou-se. “Gorbachev e sua revolução controlada foram, em última instância, engolidos pela escala das contradições por eles mesmos gerados. (...) O líder falhou totalmente. Mesmo assim, o que ele fez foi notável. O sistema soviético só poderia ser desmantelado de dentro para fora, por alguma iniciativa vinda de cima. (...) Ele [Gorbachev] desentranhou a ditadura do próprio partido. Somente um comunista poderia fazê-lo [derrubar o sistema]. E foi um comunista que o fez. Somente o partido poderia limpar a sujeira por ele próprio espalhada.”


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POR EM 29/12/2009 ÀS 11:01 PM

Paris Após a Libertação

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Paris Após a Libertação“Paris Após a Libertação — 1944-1949” (Bertrand Editora, 517 páginas, tradução de José Espadeiro Martins), de Antony Beevor e Artemis Cooper, merece tradução no Brasil, pela qualidade da interpretação e da escrita dos autores. Um dos temas de Beevor e Cooper é o ódio dos franceses pelos americanos.

“Ninguém ama o seu libertador”, dizem os historiadores. A raiva dos franceses é recente, pós Segunda Guerra Mundial: “A juventude, em especial, adorava tudo o que era americano — jazz, cinema, vestuário e a descontração dos DI’s [nome dado ao soldado raso norte-americano]. Mas, dentro em pouco, quer os intelectuais de esquerda quer os tradicionalistas de direita começaram a recear e a ressentir-se da cultura potencialmente dominante dos Estados Unidos”.

Com a França invadida pelos nazistas alemães, o marechal Philippe Pétain, de 84 anos, e o general Charles de Gaulle, de 49 anos, se encontram. O relato de Beevor e Cooper: “‘O senhor já é general’, observou Pétain, sem dúvida apercebendo-se das duas novas estrelas na sua manga. Como marechal de França, ele tinha sete. ‘No entanto, não vejo motivo para felicitar. De que servem os galões numa derrota?’ ‘Mas, marechal’, replicou De Gaulle, ‘foi na derrota de 1914 que o sr. ganhou as suas primeiras estrelas’. ‘Não há comparação possível’, foi sua resposta”. Beevor e Cooper revelam que o brado “Não passarão!” não é originalmente da espanhola Dolores Ibárruri, La Pasionária, e sim de Pétain. Foi dito na Primeira Guerra Mundial e só depois na Espanha socialista. Estranho é que, na capa, apareça apenas o nome de Beevor, possivelmente por ser um grife. Cooper é sua mulher.


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POR EM 26/12/2009 ÀS 09:57 PM

Borges diz que Yeats é mais admirável do que Joyce

publicado em

Jorge Luis BorgesTrês livralhos estão nas estantes das livrarias: “Sobre a Amizade e Outros Diálogos”, “Sobre os Sonhos e Outros Diálogos” e “Sobre a Filosofia e Outros Diálogos” (Editora Hedra, tradução de John O´Kuinghttons), as célebres entrevistas de Jorge Luis Borges concedidas a Osvaldo Ferrari, numa rádio argentina. Embora revisados, os textos são fragmentários, não revelando o pensamento integral de Borges a respeito de escritores, filósofos e outros assuntos, como a ida do homem à Lua e a cultura celta. Ao ler “Crime e Castigo”, Borges passou a avaliar que Dostoiévski era “o primeiro romancista” (o entrevistado cita uma frase de Hegel, “o castigo é o direito do criminoso”, que “parece uma frase cruel, mas não é”). Mas ficou decepcionado com outras obras, como “A Casa dos Mortos”. O poeta leu e releu “Guerra e Paz”, de Tolstói, e continuou achando “admirável”. “Tolstói é superior.”

A falar sobre a literatura irlandesa, Borges resgata o monge João Escoto Erígena, “cujo nome significa ‘irlandês nascido na Escócia’”, e diz que os irlandeses “salvaram” o grego. Escoto Erígena criou uma filosofia panteísta que, talvez indiretamente, influenciou Victor Hugo e Bernard Shaw. Borges diz que Jonathan Swift é um “escritor incrível”, frisa que Berkeley “é o primeiro que raciocina sobre o idealismo”, sustenta que Yeats é “o maior poeta da língua inglesa de nosso tempo”, revaloriza George Moore, ressalta a genialidade de Bernard Shaw (a tese de “Volta de Matusalém” é que “no Ocidente não há adultos”) e enaltece James Joyce, o de “Ulisses” e “Finnegans Wake”. Mas faz uma ressalva: “O que Yeats fez com o idioma inglês é mais admirável do que o que Joyce fez, já que as composições de Joyce são um pouco peças de museu da literatura”.


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