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Euler de França Belém

POR EM 19/04/2011 ÀS 06:58 PM

As Entrevistas da Paris Review

publicado em

As Entrevistas da Paris ReviewO volume 1 da série “As Entrevistas da Paris Review” (Companhia das Letras, 459 páginas) contém ótimas e razoáveis entrevistas. Algumas são divertidas, inteligentes e instrutivas e poucas exatamente o oposto. São entrevistados Jorge Luis Borges, Hemingway, Faulkner, Truman Capote, Billy Wilder (diretor de cinema), Primo Levi, Louis-Ferdinand Céline, Doris Lessing, Manuel Puig, Amós (na capa, saiu sem acento) Oz, Javier Marías, Ian McEwan e Paul Auster. Fiquemos com três entrevistas — do americano Capote, do inglês McEwan e do espanhol Javier Marías. Não são conversas ortodoxas, frias.

Capote revela que, mesmo escrevendo muito, lia em média cinco livros por semana. “Um romance de tamanho normal me toma cerca de duas horas.” Sobre autores que tornaram sua literatura possível, afirma: “... nunca notei nenhuma influência literária direta, embora vários críticos tenham me informado de que meus primeiros trabalhos são tributários de Faulkner, [Eudora] Welty e [Carson] McCullers. É possível. Sou um grande admirador dos três; e também de Katherine Anne Porter”. Poe, Dickens e Stevenson são considerados “ilegíveis”. Entusiasmos constantes: Flaubert, Turguêniev, Tchekhov, Jane Austen, [Henry] James, E. M. Forster, Maupassant, Rilke, Proust, Shaw, Willa Cather. Inclui, depois, James Agee. O entrevistador quer saber se, quando começa a escrever, o “livro já está inteiramente organizado” na mente de Truman Capote (autor de “A Sangue Frio” e “Bonequinha de Luxo”), ou se vai descobrir os eixos da história ao escrever. Capote responde: “Ambas as coisas. Tenho invariavelmente a impressão de que todo o arco de uma história, seu começo, seu meio e seu fim, ocorre à minha mente de maneira simultânea — que vejo tudo num relance. Mas, ao longo da elaboração, da escrita, acontecem mil surpresas. Graças a Deus, porque a surpresa, a virada, a frase que surge do nada, no momento certo, é o dividendo inesperado, aquele empurrãozinho que faz um escritor seguir em frente”.


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POR EM 09/04/2011 ÀS 02:33 PM

O escritor que fez a cabeça de Kafka

publicado em

Robert WalserO corrosivo escritor austríaco Thomas Bernhard certamente “preferia” ser herdeiro de filósofos como Schopenhauer e, quem sabe, Nietzsche. Embora sua prosa seja esmagadora, sem concessões, é possível que um de seus pais — inconfesso — seja o suíço Robert Walser. A ironia indireta do romance “Jakob von Gunten — Um Diário” (Relógio D’Água, 161 páginas, tradução de Isabel Castro Silva) é mais, digamos, “sutil” do que os petardos virulentos de Bernhard. Mesmo assim, há certo parentesco, sobretudo na distância que ambos guardam da vida e do pensamento tradicionais. A diferença é que um é indireto e o outro é direto. Walser morreu, “louco” (há quem duvide disto, incluindo o próprio autor, que, perguntado porque não continuava escrevendo no hospício, redarguiu: ‘Eu estou aqui para ser louco, não para escrever”), aos 78 anos, em 1956. Ele era o autor preferido do tcheco Franz Kafka, que, como o suíço e o búlgaro Elias Canetti, escrevia em alemão.

No Brasil, Walser é pouco conhecido e, como somos surrealistas, a fortuna crítica chegou primeiro, com textos de Walter Benjamin, Zé Pedro Antunes, Marcelo Backes, J. M. Coetzee e Elias Canetti. Em 2003, o romance “O Ajudante” saiu pela Editora Arx, com tradução e apresentação de Zé Pedro Antunes. Portugal saiu na frente e publicou outros livros de Walser, como “Jacob von Gunten”, de 1909, seu principal romance. A obra sai agora no Brasil, sob chancela da Companhia das Letras (152 páginas), com tradução de Sergio Tellaroli.

O ensaio “Robert Walser” (inserto no livro “Magia e Técnica, Arte e Política”, Brasiliense, 253 páginas, tradução de Sergio Paulo Rouanet), escrito em 1929, de Walter Benjamin, tem apenas quatro páginas, mas certamente é o ponto de partida das críticas posteriores. “Walser nos confronta com uma selva linguística aparentemente desprovida de toda intenção e, no entanto, atraente e até fascinante, uma obra displicente que contém todas as formas, da graciosa à amarga”, escreveu Benjamin.


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POR EM 04/04/2011 ÀS 07:09 PM

Bolsonaro não é Hitler

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O deputado federal atacou gays e negros. A sociedade brasileira, ao criticá-lo, mostrou que é madura. Melhor do que cassar a voz do parlamentar é perceber que o país é tolerante

Jair Bolsonaro Stálin e Hitler foram tão terríveis que homens cruéis como o cubano Fidel Castro e o líbio Muammar Kadafi parecem apenas porteiros do Hades. Deixemos Stálin, o homem que autorizou a morte de 30 milhões de soviéticos, e fiquemos com Hitler, o líder do nazismo alemão. Na Primeira Guerra Mundial, na década de 1910, o austríaco lutou pela Alemanha, como soldado e, depois, cabo. Era totalmente anódino. Em dez anos, entre 1920 e 1930, tornou-se alguém. No início da década de 1920, depois de uma arruaça travestida de tentativa de golpe, em Munique, foi preso. Na prisão, com o auxílio de Rudolf Hess, escreveu o livro “Minha Luta” — um repositório de ideias mal costuradas e furtadas aqui e ali. Mas nessa obra, em que pesem as deficiências intelectuais flagrantes do autor, há sinais do que seria o nazismo. O “filósofo” mambembe, discípulo tardio de Gobineau, associa, equivocada mas propositadamente, judeus e bolchevismo soviético, sugere a tese do “espaço vital” (para a Alemanha crescer, militar e economicamente, precisava incorporar territórios de outros países, até chegar às férteis terras da Ucrânia). Se não tivesse chegado ao poder, sem a chance de colocar suas ideias em prática, Hitler não obteria, talvez, nem mesmo uma nota no rodapé dos livros de história. Entretanto, ao ser subestimado pelos intelectuais, que o consideravam tão-somente um canastrão político, e ao elaborar um discurso que aplacou o ressentimento do povão e das classes médias, atraindo aos poucos o interesse dos ricos, Hitler tornou-se o homem mais forte da Alemanha. Não chegou ao poder por meio de golpe. Foi convocado pelos líderes alemães.


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POR EM 23/03/2011 ÀS 10:12 AM

Katherine Mansfield preferia Proust a Joyce

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Katherine MansfieldO Estante Virtual, que reúne os principais sebos do país, permite-nos acesso a obras raras, ou quase raras, por preços quase sempre acessíveis. Adquiri há pouco um livro encantador, “Cartas de Katherine Mansfield” (Portugália, 550 páginas, tradução de Manuela Porto e introdução de João Gaspar Simões), de 1944. Julieta Cupertino, uma de suas melhores tradutoras brasileiras, pôs em português “Diário e Cartas” (Revan). A Cosacnaify lançou “Contos”, numa edição muito bem cuidada e traduzida. Erico Verissimo está entre seus tradutores. Clarice Lispector foi devidamente influenciada pela amiga de Virginia Woolf. As cartas resultam da cabeça de um ser humano raríssimo e extremamente perceptivo. Nascida na Nova Zelândia, em 1889, Katherine Mansfield morreu em 1923, na França, com apenas 34 anos. Pioneiramente, fala de “angústia da influência” (conceito ampliado por Harold Bloom), ao examinar a literatura de um amigo e notar que “repetia” Tchekhov, uma de suas paixões. 

Katherine Mansfield leu “Ulisses”, de James Joyce, na época de seu lançamento (morreu um ano depois). Apesar de sua resistência à linguagem inventiva e desbocada do escritor irlandês, sente que se trata de uma obra grandiosa, difícil, e não esconde seu preconceito (ou estranhamento), ressaltando que é uma falha de leitora. Proust e Tchekhov eram duas de suas maiores paixões. 


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POR EM 15/03/2011 ÀS 09:58 AM

Gay é pai das denúncias do WikiLeaks

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Bradley ManningTodo mundo sabe quem é o australiano Julian Assange, o criador do WikiLeaks, mas poucos sabem quem é o americano Bradley Manning. Aos 22 anos, Manning foi enviado para o Iraque como soldado especializado em informática. Era atípico: tem 1,57m e pesava 47 quilos. Gay assumido, foi expulso de casa pelo pai e, para sobreviver, decidiu entrar para o Exército. “Ele estava lá por seu talento para manipular computadores. Na função de analista de inteligência, Manning passava longos dias na sala de informática da base [militar], examinando cuidadosamente informações confidenciais”, contam os repórteres David Leigh e Luke Harding, do The Guardian. “Ele ficara impressionado com a falta de segurança. A porta era trancada com uma fechadura de código de cinco dígitos, mas bastava dar um empurrão e era possível entrar.”

Na base militar, as coisas não funcionavam como tradicionalmente se pensa sobre o establishment americano. Manning escreveu: “Servidores ruins, registros ruins, segurança física ruim, contrainteligência ruim, análise de sinal negligente... Uma perfeita tempestade”. A negligência “alimentava oportunidades”. Para o soldado, “essas oportunidades se apresentaram sob forma de dois laptops militares, cada um deles com acesso privilegiado a segredos de Estado norte-americanos. (...) Espanta o fato de que um soldado raso pudesse ter acesso aparentemente irrestrito a essa enorme fonte de material confidencial. E que pudesse fazê-lo praticamente sem supervisão ou salvaguardas, no interior da base, é mais impressionante ainda. Ele passava horas examinando documentos e vídeos altamente confidenciais, usando fones de ouvido e fingindo cantar Lady Gaga. Quanto mais lia, mais alarmado e perturbado ficava, chocado com o que considerava duplicidade e corrupção oficiais do próprio país. Tratava-se de vídeos que mostravam o ataque aéreo de um helicóptero equipado com metralhadoras a civis desarmados no Iraque, relatos de mortes de civis e acidentes causados por ‘fogo amigo’ no Afeganistão. E havia uma quantidade gigantesca de telegramas diplomáticos revelando segredos de todo o mundo, do Vaticano ao Paquistão”.


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POR EM 03/03/2011 ÀS 01:26 PM

Escritor francês afirma que Oscar Niemeyer é um imbecil

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A Companhia das Letras vai publicar “A Lebre da Patagônia”, memórias do francês Claude Lanzmann, de 85 anos, em junho. Na quinta-feira, 24, a “Folha de S. Paulo”, por intermédio da “colaboradora” Leneide Duarte-Plon, entrevistou o jornalista, escritor e diretor de filmes. A entrevista contém opiniões contundentes e heterodoxas sobre Oscar Niemeyer e discutíveis sobre Simone de Beauvoir (1908-1986). Sobretudo, é polêmica e, às vezes, divertida. 
 
Simone de Beauvoir e Lanzmann se tornaram amantes quando ela, escritora reconhecida, citada até como filósofa por alguns apressados, tinha 44 anos e ele, 27 anos. Uma diferença de 17 anos. “Fui o único homem com quem ela teve uma vida conjugal, marital, durante quase oito anos. Quando a conheci ela não tinha mais relações sexuais com Sartre, Muitas pessoas dizem que fazíamos sexo coletivo. Não é verdade”, sustenta Lanzmann. O problema é que a “Folha” e Lanzmann esquecem, não se sabe por quê, de citar o escritor americano Nelson Algren, uma das paixões mais flamantes da escritora. Para dizer pouco, com Algren ela teve seu primeiro orgasmo (porque Sartre, rápido como coelho, amava a si próprio, e saltava rápido de uma cama para a outra. Ela tinha 39 anos ao ter o primeiro orgasmo). Tudo bem que o relacionamento com Lanzmann seja um fato, mas ignorar a paixão explosiva de Simone de Beauvoir por Algren é deixar de informar o leitor. (Leia abaixo duas cartas da escritora para o americano intranquilo. Algren era casado e não gostou de ser citado, de forma crua, num dos livros da autora. Na sua literatura, de matiz memorialista, nada escondia sobre si e os outros. Algren pôs fim ao relacionamento — o que a deixou muito abatida. Noutro livro, “Cartas a Nelson Algren — Um Amor Transatlântico”, publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, escancarou o relacionamento.)


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POR EM 22/02/2011 ÀS 06:36 PM

A paixão flamante de Elizabeth Smart e George Barker

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Elizabeth Smart A canadense Elizabeth Smart (1913-1986) é autora de um romance esplêndido, “By Grand Central Station I Sat Down and Wept” (“En Grand Central Station me Senté e Lloré”, na versão em espanhol). Neste livro, sofrido e prazeroso, conta a história de sua paixão pelo poeta inglês George Barker (1913-1991) — um protegido do vate americano T. S. Eliot. A história, extraordinária e muito bem contada, merece tradução brasileira. Quando penso em Elizabeth Smart lembro-me do britânico D. H. Lawrence, pela relação livre com a sexualidade, ainda que angustiada, e com a natureza. O livro é cult, no estilo (não no conteúdo) de “Werther”, do alemão Goethe. Elizabeth seguia à risca o preceito “penso que um homem põe todo o seu ser em um livro”, de Lawrence. Desconhecida no Brasil, a autora ganhou uma bela biografia, de autoria de Rosemary Sullivan. “Elizabeth Smart” (Circe, 396 páginas, tradução de Laura Freixas) mapeia, com acuidade, a vida, a obra e o tempo da autora. Leio (traduzindo trechos e poemas) a versão em espanhol, editada em Barcelona.

A história da bela e irrequieta Elizabeth daria um livro. Daria, não; deu — é o romance “By Grand Central Station I Sat Down and Wept”. Só que conta apenas parte de sua vida e é, claro, um romance. Por isso a biografia escrita por Rosemary é um empreendimento louvável. Comento, neste texto, tão-somente parte da relação de Elizabeth com Barker. Em 1937, aos 24 anos, a autora entrou na Livraria Bester Book e começou a ler um livro de poesia de Barker. “As palavras ardiam. Ali mesmo decorou as poesias, pois não lia livros — devorava-os”, revela Rosemary. “Tenho que me casar com um poeta. É a única solução”, escreveu a poeta e prosadora. “Este é o homem que estava buscando.”


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POR EM 20/02/2011 ÀS 10:48 AM

Folha de S. Paulo esconde sua história de amor com ditabranda

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A “Folha de S. Paulo”, um dos melhores jornais brasileiros, comemora 90 anos com uma iniciativa popular. O leitor é convidado a comentar, criticar e oferecer sugestões à redação. “É o momento de lembrar uma manchete de impacto, uma cobertura marcante, um colunista de sua predileção, uma caderno que mais lhe agrade ou uma foto que o tenha impressionado. Deixe um comentário, uma crítica ou uma sugestão.”
 
O leitor pode enviar texto, vídeo e áudio para o e-mail folha90anos@grupofolha.com.br. Uma equipe de jornalistas vai selecionar material para ser publicado num caderno especial.
 
Se a “Folha” aceitar, sugiro um debate: por que a cúpula do jornal aprecia falar de um passado longínquo, quando o jornal foi criado, do período das Diretas Já e do impeachment do presidente Fernando Collor, mas não discute o período do regime civil-militar? A resposta é óbvia: a “Folha” apoiou o golpe e, mesmo, teria atuado como base de apoio de setores militares (principalmente a extinta “Folha da Tarde”). O apoio ao golpe de 1964 e à ditadura não a diminui. O que torna sua história menor, com cheiro de falsificação, é ignorar uma parte dela. Em várias reportagens e publicidades, a “Folha” cita seu apoio pioneiro às Diretas Já, como se seu empenho em defesa da redemocratização fosse uma tentativa de “limpar” sua imagem, porém, nem mesmo en passant, a história da aliança com a ditabranda é mencionada. 


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POR EM 20/02/2011 ÀS 10:32 AM

A revista Veja vai aderir ao governo Dilma?

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Nos oito anos de governo Lula, a “Veja” fez jornalismo de primeira — crítico e cáustico. Marqueteira hábil, a esquerda passou a dizer que a revista fazia parte do Partido Golpista da Imprensa (PIG). Pouco acostumados à imprensa crítica, independente do poder público, muitos brasileiros aderiram à cantilena habilmente articulada em blogs e em pelo menos uma revista de qualidade, a “CartaCapital”. A falta de isenção dos outros veículos é que fazia (e faz) a “Veja”, a “Folha de S. Paulo” e o “Estadão” parecerem “golpistas” e “radicais”, ou, como dizem esquerdistas que posam de honestos mas não o são (em geral são ricos-parasitas posando de socialistas), “de direita”. Esses esquerdistas sequer discutem a veracidade das denúncias publicadas pelas três publicações mais críticas. No afã de atacar a direita, que no país é fraca ideologicamente, ficam cegos à verdade.
 
Não resta dúvida, porém, que a tática de “Veja”, de concentrar sua crítica em denúncia de corrupção não funcionou muito bem. Porque, como notou tardiamente o PSDB, o PT trocou, com rara felicidade, a tese de “partido da ética” pela tese de “partido do social”. O fato de “ajudar” os pobres de algum modo limpou a esquerda petista e seu aliados “modernos”, como José Sarney e Fernando Collor. Com correção, “Veja”, “Folha” e “Estadão” insistiram e denunciaram que, no poder, o petismo repetia governos anteriores, especialmente na questão da corrupção e, também, na perseguição ao jornalismo autônomo. A falha, se se pode dizer assim, foi ter se concentrado quase que exclusivamente no ataque direto à corrupção. As publicações talvez tenham uma explicação convincente: a equipe de Lula, pegando uma onda mundial favorável e gastando à farta recursos públicos, recriou o Milagre Econômico do presidente Emilio Garrastazú Medici. É como se nós tivéssemos deixado de ser brasileiros para nos tornar consumidores.


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POR EM 14/02/2011 ÀS 01:51 PM

Autor de livro sobre Rubens Paiva contesta comentário

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Segredo de Estado — O Desaparecimento de Rubens PaivaPrezado Euler de França Belém, sou o autor do livro sobre Rubens Paiva. Agradeço os elogios e quero rebater as críticas.

Você diz que Rubens era "Político sem muitas luzes", mas na verdade ele era uma das lideranças nacionais emergentes: vice-líder do PTB, fazia parte do grupo de maior projeção do partido, foi vice-presidente de uma CPI de grande repercussão e participava regularmente de reuniões com Jango, tudo isso num primeiro mandato e que durou pouco mais de um ano.

Você diz "No lugar de apresentar os nomes dos sequestradores e torturadores, Jason Tércio cita os “codinomes” Leão, Girafa, Morcego". No epílogo do livro eu cito os nomes dos cinco acusados pela tortura e morte de Rubens.

Você cita um trecho do livro de Elio Gaspari no qual este diz que quando Rubens morreu "Comandava o DOI o major José Antonio Nogueira Belham”. Está errado. Quem comandava o DOI, como eu digo no meu livro, era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso, tenho documento comprovando.

Você diz "Citando fontes, Elio Gaspari esclarece o caso." Ele não esclareceu nada, apenas resumiu a história, com outros erros que ocupariam muitas linhas aqui se eu fosse citar e rebater, e não é Gaspari que está em questão, eu o respeito muito. Eu não cito fontes em função da linguagem literária adotada, que não é jornalística nem acadêmica, embora eu domine também a linguagem acadêmica, inclusive fiz mestrado.

Você diz "Tudo indica que o corpo foi esquartejado, na Casa da Morte”. Esta é a versão de um ex-agente da repressão, na qual não acredito, por vários motivos. Há sete versões sobre o destino do corpo de Rubens, todas relatadas no final do livro. Por fim, talvez lhe tenha passado despercebido, mas meu livro revela claramente, pela primeira vez, como a cúpula do Exército, o Ministério da Justiça, o STM, o partido do governo na época e até o presidente Médici contribuíram para ocultar a morte de Rubens e impedir as investigações.


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