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Euler de França Belém

POR EM 10/06/2011 ÀS 02:48 PM

Mao Tsé-tung não é o autor de "O Livro Vermelho"

publicado em

Mao Tsé-tungOs mitos do socialismo estão ruindo um a um. Agora, cai mais um. O jornal espanhol “El Mundo” noticiou na terça-feira, 7, que o best seller comunista “O Livro Vermelho”, de Mao Tsé-tung, é assinado pelo falecido líder político chinês, mas foi elaborado, integralmente, por um ghost-writer. “O ‘grande timoneiro’ teve um escritor encarregado de redigir ou criar suas inspirações. As fontes dessas dúvidas, procedentes do Partido Comunista Chinês, indicam que seu secretário-geral durante os anos 90, Jiang Zemin, recebeu três informes (dois em 1993 e um em 1995) sobre a autoria do livro mais lido da história do comunismo”, conta “El Mundo”. O livro, para se ter uma ideia, é mais vendido do qualquer outra obra de Lênin, Stálin e Fidel Castro.

O jornal “China Daily”, porta-voz em inglês do governo chinês, tentou desmentir as informações, mas sem credibilidade. Mas ao menos admitiu que a história do “escritor fantasma” existe. Sabe-se que Hu Qiaomu (1912-1992), um intelectual comunista, é o verdadeiro autor de “O Livro Vermelho”. Mesmo assim, o governo chinês, no contra-ataque, alega que Mao é quem ajudou Hu a escrever seus poemas e seus discursos. Na verdade, ocorreu o oposto. Hu Qiaomu, nome esquecido até por historiadores, “foi um personagem capital na China de Mao”, diz “El Mundo”. “Hu foi secretário-particular do líder do Partido Comunista Chinês durante 25 anos e seu homem de confiança em assuntos de ciência e cultura.” Depois da morte de Mao, Hu “se converteu em grande opositor das reformas econômicas de Deng Xiaoping” e se tornou “o último defensor da Revolução Cultural e da ortodoxia maoísta”.


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POR EM 08/06/2011 ÀS 02:28 PM

Morre o escritor espanhol Jorge Semprún

publicado em

Jorge Semprún O escritor Jorge Semprún morreu em Paris na terça-feira, 7, aos 87 anos. Grande prosador, Semprún sempre usou a memória para escrever sua literatura. Fez, por assim dizer, uma literatura testemunhal, por exemplo, sobre sua ligação com o mundo comunista e sobre sua prisão no campo de concentração alemão de Buchenwald. Sua literatura foi construída com o objetivo de iluminar a história, talvez de dizer aquilo que a história, com seus rigores acadêmicos, não tinha como dizer.

Numa entrevista publicada em 2000, segundo reporta Javier Rodríguez Marcos, do “El País”, Semprún disse: “Estão desaparecendo as testemunhas do extermínio [as vítimas do nazismo]. Bem, cada geração tem um crepúsculo dessas características. As testemunhas [e os testemunhos] desaparecem. Mas agora vai acontecer comigo. Há pessoas mais velhas que passaram pela experiência dos campos [de concentração e extermínio]. Porém nem todos são escritores, é claro. No crepúsculo a memória se torna mais tensa, mas também está mais sujeita a deformações. Logo, há algo... Você sabe o que é mais importante para alguém que passou por um campo? Você sabe o que é exatamente? Você sabe que isso, o que é mais importante e mais terrível, é a única coisa que não se pode explicar? É o odor de carne queimada. O que fazer com o cheiro de carne de queimada? Para registrar a circunstância existe a literatura. Mas como falar sobre isso? Comparando? A obscenidade da comparação? Dizer, por exemplo, que é como frango grelhado? [ou queimado] Ou intenta-se uma reconstrução minuciosa das circunstâncias gerais da memória, dando voltas em torno ao odor, voltas e mais voltas, sem encará-lo? Eu tenho dentro de minha cabeça, vivo, o cheiro mais importante de um campo de concentração. E não posso explica-lo. E esse odor vai embora comigo como foi com outros”.


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POR EM 02/06/2011 ÀS 08:34 PM

Livro diz que Bergman foi trocado na maternidade

publicado em

Ingmar Bergman O jornal espanhol “El Mundo” revelou, na semana passada, que “o cineasta sueco Ingmar Bergman não é filho biológico de sua mãe, Karin Bergman”. Ele “foi trocado ao nascer por outro bebê”. A informação está num livro recém-publicado de Veronica Ralstron, sobrinha do falecido diretor.

“Ralston assegura que pediu ao Instituto de Medicina Forense de Estocolmo uma análise comparativa de DNA a partir da saliva dos selos de cartas enviadas pelo diretor a família e da sua própria saliva, e não coincidem, o que demonstraria, segundo ela, que Karin Bergman não era a mãe natural do famoso diretor”, revela “El Mundo”.

“No livro ‘O Filho Natural e a Troca de Bebê’ (‘Kärleksbarnet och Bortbytingen’), Ralston sustenta que a verdadeira mãe do cineasta, falecida em 2007, é Hedvig Sjöberg, com quem Erik Bergman, pai de Ingmar, teve uma relação extraconjungal”, diz o jornal espanhol. “Segundo a teoria de Ralston, o bebê de sua avô pode ter nascido morto e Erik Bergman aproveitou-se da ocasião para trocá-lo por aquele que supostamente havia tido com Sjöberg. A família do diretor de ‘O Sétimo Selo’ e “Persona’ não deu demasiada importância às informações.”

Um dos filhos de Bergman, Daniel Bergman, disse aos jornais suecos: “Não muda nada se minha avó chama-se Hedvig em vez de Karin”. Ele destaca a relação afetuosa do cineasta com Karin Bergman, o que transparece “em vários de seus filmes”. “Por sua parte”, assinala “El Mundo”, “o famoso escritor sueco Henning Mankell, casado com uma filha de Ingmar Bergman, mostrou-se cético”. Ele defende que a história precisa ser mais bem explicada.


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POR EM 30/05/2011 ÀS 05:34 PM

John Gray diz que ateus se tornaram evangélicos radicais

publicado em

Anatomia de John Gray Sou ateu. Ateu católico. Porque, embora ímpio, delicio-me com música de igreja (desde que de qualidade) e com os sermões (Antônio Vieira, afinal, era padre) — em geral, um mix do secular, a moralidade dos homens, com o religioso, a espetacularização de Deus, mas também o mistério da vida e da, digamos, alma. Agrada-me a pregação de um mundo melhor, por meio da paz, da harmonia (talvez impossível) entre os homens, contra a violência pregada pelos herdeiros do Iluminismo. Por isso sou contrário ao ateísmo militante, contra a pregação de que é possível mudar a “natureza” dos homens pela força, pela planificação, pela ciência. Como escreveu o bardo britânico, há mais entre o Céu e a Terra do que imagina a nossa vã filosofia. A religião, o místico, permite-nos navegar pelo incognoscível. As religiões seculares, como o marxismo, não têm dúvidas — só certezas. Em nome do “certo” (o paraíso) fizeram o errado: mataram milhões de seres humanos. Ióssif Stálin mandou assassinar cerca de 30 milhões. Mao Tsé-tung teria mandado matar 70 milhões. Historiadores dizem que a estatística pode estar subestimada. Hitler matou milhões — só judeus foram 6 milhões. O ateísmo está na moda, especialmente por conta de um vulgarizador científico, o zoólogo inglês Richard Dawkins, com o livro “Deus — Um Delírio”, e de um vulgarizador popular, o jornalista inglês Christopher Hitchens, com a obra “Deus Não É Grande”. Ultimamente, a demonização dos religiosos e da religião tem sido criticada, em geral de forma satírica, sobretudo nas entrevistas, pelo filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Antes dele, o filósofo britânico John Gray, talvez com mais precisão mas sem perder o matiz sardônico dos ingleses, examinou as ideias de Dawkins, Hitchens (ex-trotskista), Daniel Dennet, Martin Amis, Michel Onfray e Philip Pullman (“A Bússola de Ouro”). O livro “Anatomia de John Gray — Melhores Ensaios” (Record, 515 páginas, tradução de José Gradel) contém um de seus melhores textos, “Ateísmo evangélico, cristianismo secular” (até o título é expressivo).


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POR EM 20/05/2011 ÀS 08:38 PM

O paraíso fiscal da igreja católica

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O jornalista italiano Gianluigi Nuzzi escreveu um livro, “Vaticano S.A” (Larousse, 303 páginas, tradução de Ciro Mioranza), que tende a provocar polêmica. No Brasil, ganhou um subtítulo chamativo: “O arquivo secreto que revela escândalos políticos e financeiros da maior instituição religiosa do mundo”. Trata-se, digamos assim, de “O Livro Negro do Vaticano”? Mais ou menos. O leitor desavisado pode pensar, à primeira vista, que se trata de um trabalho que tem o objetivo de demolir a Igreja Católica, em geral, ou, em particular, o (Banco do) Vaticano. Nada disso. A história é baseada no arquivo do monsenhor Renato Dardozzi, um dos homens de confiança do papa João Paulo 2º. Morto em 2003, Dardozzi deixou escrito: “Tornem públicos todos esses documentos para que todos saibam o que aconteceu”. As revelações, baseadas em mais de 4 mil documentos (alguns deles são arrolados no livro), baseia-se em elementos reunidos pela própria Santa Sé. É como se as principais autoridades do supremo poder religioso católico estivessem nos dizendo: a corrupção é dos homens, de poucos homens, mas não do Vaticano, do sistema católico. Conclui-se, pois, que Nuzzi, longe de manchar a reputação dos principais dirigentes da Igreja, contribui para limpar (parcialmente) sua imagem. Sugiro que se leia a investigação do notável repórter a partir deste comentário, e acrescento que, apesar da ressalva, a pesquisa é sensacional e mostra que o maior grupo religioso do Ocidente joga, em termos financeiros, pelas regras do mercado capitalista-liberal. A Igreja Católica é uma grande empresa religiosa e, ao mesmo tempo, econômico-financeira. Não pode ser dirigida sem dinheiro, daí o bispo americano Paul Marcinkus, secretário do Instituto Para as Obras Religiosas (IOR), mais conhecido como Banco do Vaticano, ter dito, de modo apropriado: “Pode-se viver neste mundo sem se preocupar com o dinheiro? Não se pode dirigir a Igreja com ave-marias”. Um de seus críticos poderia ressalvar: não se pode viver pregando uma coisa e fazendo outra. Apoiado pelo papa Paulo 6º, Marcinkus desenvolve uma política financeira agressiva. Em 1960, “a Igreja controla de 2% a 5% do mercado de ações”.


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POR EM 13/05/2011 ÀS 12:09 PM

Livro prova que filme O Poderoso Chefão não é ficção

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Don Michael Corleone O dinheiro da Máfia italiana pode ter origem ilegal — como propina e extorsão e o tráfico de cocaína e heroína. Mas parte do capital é lavado por empresas tidas como idôneas. Pode-se dizer que os negócios lícitos são alimentados pelos negócios ilícitos e vice-versa. Uns irrigam os outros. O filme “O Poderoso Chefão 3” (de Francis Ford Coppola) — inferior aos anteriores, mas, ainda assim, muito bom — retrata a história de Michael Corleone tentando limpar o capital e o nome de sua família. O mafioso tenta se tornar um empresário, poderoso e rico, aceito social e legalmente. Para “purificar” os negócios, cria a Fundação Vito Corleone, doa 100 milhões para obras de caridade da Igreja Católica e tenta comprar a Immobiliare. Um diretor do Banco do Vaticano diz que tem de cobrir um rombo de 700 milhões de dólares e Michael Corleone oferece 500 milhões, desde que a Immobiliare passe para seu controle. O religioso exige 600 milhões. O filho de don Vito Corleone paga, mas acaba por descobrir que foi ludibriado pelos homens do Santo Padre e que, como afirma, “a política e o crime são a mesma coisa”. A “máfia” não está apenas na máfia. Racionalista ao extremo, ao ser enganado por religiosos sagazes do mundo das finanças, o tio de Vincent Corleone (filho de Sonny Corleone), diz: “Quando pensei que estava fora eles me arrastam de volta”. Uma das figuras emblemáticas do filme é Luchesi, “um homem de dois mundos” — uma sugestão a Michael de que não há como sair dos dois mundos na área das grandes jogadas financeiras, ao contrário do que ele pensava. Pois o que parecia ficção literária e cinematográfica tem correspondência precisa na realidade. A Igreja Católica, por intermédio do Banco do Vaticano, lavou dinheiro da Máfia, pelo menos da Cosa Nostra — a milionária, violenta e vingativa organização siciliana comandada pelos chefões Salvatore Riina (mandou matar cerca de mil pessoas) e Bernardo Provenzano.


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POR EM 22/04/2011 ÀS 04:50 PM

O Poderoso Chefão 4

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Marlon Brando em O Poderoso Chefão Nunca houve uma mulher como Gilda (do filme “Gilda”, com Rita Hayworth). Assim como nunca houve um filme com uma legião de admiradores tão intensa quanto “O Poderoso Chefão”, a trilogia de Francis Ford Coppola que melhorou, à larga, o romance do americano Mario Puzo. A história, como a Máfia, parece inesgotável. Tanto que a revista “Gentlemen’s Quarterly” (“GQ”) dedica oito páginas, escritas por Andy Morris, à possibilidade de Coppola, ou outro diretor, continuar a saga, com “O Poderoso Chefão 4”. Críticos severos avaliam que as partes 1 e 2 são o que de melhor o cinema americano produziu em toda a sua história e, em geral, torcem o nariz e os olhos para a parte 3. O diretor teria errado a mão, na história e na escolha de pelo menos uma atriz, Sofia Coppola. Os cinéfilos, ou “poderófilos” (ou “poderéfilos”), não dão a mínima importância aos anatomistas das telas e amam os três “filhos” como “perfeitos” e interdependentes. Mas é possível fazer o quarto “Chefão”? Claro que é — se os produtores e financistas perceberem que poderá render muito dinheiro. Poderófilos, como o poeta Carlos Willian Leite, são contrários. Por quê? Porque avaliam, ao modo de Anton Tchekhov e Henry James, que as histórias não precisam ter fechos totalizantes. As continuidades poderão tão-somente reforçar ou ampliar possíveis pequenas falhas do filme, mas não servirão para iluminar, ainda mais, a grande história da família Corleone, que, originária da Sicília, “tomou” conta dos Estados Unidos, física ou imaginariamente. Andy Morris recolhe de Coppola: “Nunca pensei em ‘O Poderoso Chefão’ como uma série. O livro era bem completo. Só houve pressão para continuar fazendo porque rendeu muito dinheiro. Essa é a fórmula do negócio dos filmes de hoje em dia, em que as continuações rendem mais que o original. Eu não queria mais nenhum ‘O Poderoso Chefão’ depois do primeiro. E, certamente, eu não queria filmar nem o terceiro nem o quarto”. O leitor pode pensar: Coppola foi claríssimo — não veremos nenhum “O Poderoso Chefão 4”. Mas o mundo real, o das finanças, é outro. As palavras-chaves são: se render muito dinheiro, o filme sai, independentemente de quaisquer interpretações de críticos ou poderófilos.


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POR EM 19/04/2011 ÀS 06:58 PM

As Entrevistas da Paris Review

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As Entrevistas da Paris ReviewO volume 1 da série “As Entrevistas da Paris Review” (Companhia das Letras, 459 páginas) contém ótimas e razoáveis entrevistas. Algumas são divertidas, inteligentes e instrutivas e poucas exatamente o oposto. São entrevistados Jorge Luis Borges, Hemingway, Faulkner, Truman Capote, Billy Wilder (diretor de cinema), Primo Levi, Louis-Ferdinand Céline, Doris Lessing, Manuel Puig, Amós (na capa, saiu sem acento) Oz, Javier Marías, Ian McEwan e Paul Auster. Fiquemos com três entrevistas — do americano Capote, do inglês McEwan e do espanhol Javier Marías. Não são conversas ortodoxas, frias.

Capote revela que, mesmo escrevendo muito, lia em média cinco livros por semana. “Um romance de tamanho normal me toma cerca de duas horas.” Sobre autores que tornaram sua literatura possível, afirma: “... nunca notei nenhuma influência literária direta, embora vários críticos tenham me informado de que meus primeiros trabalhos são tributários de Faulkner, [Eudora] Welty e [Carson] McCullers. É possível. Sou um grande admirador dos três; e também de Katherine Anne Porter”. Poe, Dickens e Stevenson são considerados “ilegíveis”. Entusiasmos constantes: Flaubert, Turguêniev, Tchekhov, Jane Austen, [Henry] James, E. M. Forster, Maupassant, Rilke, Proust, Shaw, Willa Cather. Inclui, depois, James Agee. O entrevistador quer saber se, quando começa a escrever, o “livro já está inteiramente organizado” na mente de Truman Capote (autor de “A Sangue Frio” e “Bonequinha de Luxo”), ou se vai descobrir os eixos da história ao escrever. Capote responde: “Ambas as coisas. Tenho invariavelmente a impressão de que todo o arco de uma história, seu começo, seu meio e seu fim, ocorre à minha mente de maneira simultânea — que vejo tudo num relance. Mas, ao longo da elaboração, da escrita, acontecem mil surpresas. Graças a Deus, porque a surpresa, a virada, a frase que surge do nada, no momento certo, é o dividendo inesperado, aquele empurrãozinho que faz um escritor seguir em frente”.


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POR EM 09/04/2011 ÀS 02:33 PM

O escritor que fez a cabeça de Kafka

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Robert WalserO corrosivo escritor austríaco Thomas Bernhard certamente “preferia” ser herdeiro de filósofos como Schopenhauer e, quem sabe, Nietzsche. Embora sua prosa seja esmagadora, sem concessões, é possível que um de seus pais — inconfesso — seja o suíço Robert Walser. A ironia indireta do romance “Jakob von Gunten — Um Diário” (Relógio D’Água, 161 páginas, tradução de Isabel Castro Silva) é mais, digamos, “sutil” do que os petardos virulentos de Bernhard. Mesmo assim, há certo parentesco, sobretudo na distância que ambos guardam da vida e do pensamento tradicionais. A diferença é que um é indireto e o outro é direto. Walser morreu, “louco” (há quem duvide disto, incluindo o próprio autor, que, perguntado porque não continuava escrevendo no hospício, redarguiu: ‘Eu estou aqui para ser louco, não para escrever”), aos 78 anos, em 1956. Ele era o autor preferido do tcheco Franz Kafka, que, como o suíço e o búlgaro Elias Canetti, escrevia em alemão.

No Brasil, Walser é pouco conhecido e, como somos surrealistas, a fortuna crítica chegou primeiro, com textos de Walter Benjamin, Zé Pedro Antunes, Marcelo Backes, J. M. Coetzee e Elias Canetti. Em 2003, o romance “O Ajudante” saiu pela Editora Arx, com tradução e apresentação de Zé Pedro Antunes. Portugal saiu na frente e publicou outros livros de Walser, como “Jacob von Gunten”, de 1909, seu principal romance. A obra sai agora no Brasil, sob chancela da Companhia das Letras (152 páginas), com tradução de Sergio Tellaroli.

O ensaio “Robert Walser” (inserto no livro “Magia e Técnica, Arte e Política”, Brasiliense, 253 páginas, tradução de Sergio Paulo Rouanet), escrito em 1929, de Walter Benjamin, tem apenas quatro páginas, mas certamente é o ponto de partida das críticas posteriores. “Walser nos confronta com uma selva linguística aparentemente desprovida de toda intenção e, no entanto, atraente e até fascinante, uma obra displicente que contém todas as formas, da graciosa à amarga”, escreveu Benjamin.


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POR EM 04/04/2011 ÀS 07:09 PM

Bolsonaro não é Hitler

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O deputado federal atacou gays e negros. A sociedade brasileira, ao criticá-lo, mostrou que é madura. Melhor do que cassar a voz do parlamentar é perceber que o país é tolerante

Jair Bolsonaro Stálin e Hitler foram tão terríveis que homens cruéis como o cubano Fidel Castro e o líbio Muammar Kadafi parecem apenas porteiros do Hades. Deixemos Stálin, o homem que autorizou a morte de 30 milhões de soviéticos, e fiquemos com Hitler, o líder do nazismo alemão. Na Primeira Guerra Mundial, na década de 1910, o austríaco lutou pela Alemanha, como soldado e, depois, cabo. Era totalmente anódino. Em dez anos, entre 1920 e 1930, tornou-se alguém. No início da década de 1920, depois de uma arruaça travestida de tentativa de golpe, em Munique, foi preso. Na prisão, com o auxílio de Rudolf Hess, escreveu o livro “Minha Luta” — um repositório de ideias mal costuradas e furtadas aqui e ali. Mas nessa obra, em que pesem as deficiências intelectuais flagrantes do autor, há sinais do que seria o nazismo. O “filósofo” mambembe, discípulo tardio de Gobineau, associa, equivocada mas propositadamente, judeus e bolchevismo soviético, sugere a tese do “espaço vital” (para a Alemanha crescer, militar e economicamente, precisava incorporar territórios de outros países, até chegar às férteis terras da Ucrânia). Se não tivesse chegado ao poder, sem a chance de colocar suas ideias em prática, Hitler não obteria, talvez, nem mesmo uma nota no rodapé dos livros de história. Entretanto, ao ser subestimado pelos intelectuais, que o consideravam tão-somente um canastrão político, e ao elaborar um discurso que aplacou o ressentimento do povão e das classes médias, atraindo aos poucos o interesse dos ricos, Hitler tornou-se o homem mais forte da Alemanha. Não chegou ao poder por meio de golpe. Foi convocado pelos líderes alemães.


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