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POR EM 30/08/2010 ÀS 09:55 PM

A vingança de Moby Dick

publicado em

No Coração do MarPublicado em 1851, “Moby Dick”, de Herman Melville, é um clássico. O romance é produto da imaginação do escritor americano — discípulo que rivaliza com Shakespeare — e, ao mesmo tempo, baseado em fatos reais. Muitos leitores certamente avaliam que o espírito vingativo de Moby Dick, um cachalote gigantesco, é uma invenção literária de Melville. A baleia do livro parece ter sentimentos, como a capacidade de ser vingativa, de perseguir o seu perseguidor, o obcecado capitão Ahab, que parece mais selvagem do que seu oponente marítimo. A história é baseada num acontecimento real, de 1820, que, sem a cobertura da recriação poderosa da literatura, teria se tornado um rodapé na história náutica. Baleias atacam barcos de curiosos que aparentemente as agridem, talvez pela proximidade excessiva e ameaçadora. Na edição de 22 de julho do jornal espanhol “El País”, Lali Cambra relatou, na matéria “O ataque da baleia”, como um mamífero de 40 toneladas atingiu e destruiu parcialmente o barco Intrepid, na costa atlântica da Cidade do Cabo.

O jornal publicou duas fotografias, da Agência EFE (o nome do fotógrafo não é mencionado), impressionantes. A primeira exibe a baleia jogando-se sobre o Intrepid. A segunda mostra o barco de 10 metros destroçado. A reportagem afirma que é “inusual” baleias se jogarem em cima de barcos. Autoridades marítimas sul-africanas concluíram que a baleia pode ter sido “acossada e perseguida” por pessoas que ocupavam pelo menos dois barcos — um deles o que quase foi afundado. Paloma Werner e Ralph Mothes, proprietários do barco, contaram que, assim que avistaram a baleia, desligaram o motor. O casal observou-a por cerca de uma hora, a uma distância de 120 metros. Eles “asseguram que a baleia, sem que fizessem qualquer coisa, aproximou-se e jogou-se em cima da embarcação”. Nenhum deles se machucou.


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POR EM 22/08/2010 ÀS 12:09 PM

Hitler não foi herói na primeira guerra

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Adolf HitlerSerá lançado na Inglaterra, em setembro, o livro “A Primeira Guerra de Hitler”, do historiador Thomas Weber, da Universidade de Aberdeen (Escócia). Weber sustenta que mais de 70% de seu livro é baseado em fontes ainda não utilizadas por outros pesquisadores. Parte de suas revelações foi retirada dos arquivos do 16º Regimento de Reserva da Infantaria Bávara (RIR 16). Os arquivos não haviam sido catalogados nem utilizados pelos especialistas.

Weber diz que os historiadores compraram a tese, elaborada pelos nazistas, que reescreveram depoimentos, de que Hitler esteve na “vanguarda” da Primeira Guerra Mundial, como soldado e, depois, cabo. Como “estafeta”, o militar austríaco, a serviço do exército alemão, levava mensagens àqueles que estavam no front. É a tese tradicional. O historiador contesta e afirma que Hitler era mesmo portador de mensagens, mas para militares que atuavam na retaguarda. Segundo reportagem do jornal espanhol “ABC”, “Adolf Hitler não foi um herói na Primeira Guerra Mundial”, com material da agência EFE, o pesquisador encontrou dados que indicam que o “mensageiro estava sempre a mais de cinco quilômetros da linha de frente” da batalha. Em 1918, Hitler ganhou a cruz de ferro, proposta pelo tenente judeu Hugo Gutmann. A reportagem do jornal, mera transcrição de um texto de agência, não cita “Hitler”, do inglês Ian Kershaw, embora a alentada biografia tenha sido publicada na Espanha em dois volumes.


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POR EM 16/08/2010 ÀS 08:43 AM

Fidel é o retrato da decadência cubana

publicado em

Fidel CastroA imprensa brasileira é cínica ou mal informada. Não se cansa de mostrar a “volta” de Fidel “Bela Lugosi” Castro ao cenário político, mas não explica o motivo do ressuscitamento do encanecido ditador.

Marqueteiro, Fidel acredita que, como Rául Castro é insosso, está se contrapondo àquilo que os dissidentes estão revelando à imprensa internacional. Exilados na Espanha, estão falando horrores sobre o regime e as prisões da dinastia Castro. Fidel, que ainda despertava alguma paixão, agora passou a ser apontado como ditadorzinho. Vários países europeus (não são os Estados Unidos) estão cobrando mudanças em Cuba. O dirigente da República Tcheca é preciso ao sustentar que a liberação de presos, gesto humanitário (apenas político, para os comunistas), não significou nenhuma abertura.

Ao reaparecer, Fidel acredita que ocupa, por se avaliar como “gigante”, o espaço das denúncias e esvazia a pressão pela redemocratização de Cuba. Mas não é o Fidel de há 20 anos. Sempre que ressurge, aparentando ter saído do sarcófago, se torna o retrato de Cuba. É a imagem precisa da decadência sem nenhuma elegância de uma ditadura. A intelectual cubana Yoani Sánchez (que não é apenas uma blogueira, como diz Nádia Guerra) publicou um texto adequado, no “Estadão”, sobre a “volta” do dinossauro. O mundo pode ter dado destaque à aparição (palavra apropriada), mas os cubanos não se importaram. Fidel não morde mais. Os dentes caíram. Felizmente.


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POR EM 12/08/2010 ÀS 05:37 PM

Uma história cruenta da imprensa brasileira

publicado em

José Carlos Bardawil tenta demolir o mito de Midas de Mino Carta, ataca os jornalistas-assessores e aponta as razões do fracasso inicial da revista "Veja" e do fracasso total do "Jornal da República" 

O Repórter e o PoderLivro de jornalista sobre jornalismo e jornalistas invariavelmente é desinteressante. Ficamos sabendo, em geral, da parte rósea da profissão, que estimula tantos garotos a prestarem vestibular para o curso de Jornalismo. Nas obras cor-de-rosa, os jornalistas contam que falaram com as eminências de seu tempo, contam maravilhas sobre suas viagens e, para atrair mais leitores, uma pitada de sexo é inescapável. Experiências próprias e de gente famosa. Não é o ocorre com o livro “O Repórter e o Poder” (Editora Alegro, 271 páginas), as memórias de José Carlos Bardawil. Trata-se, na verdade, de uma longa entrevista, não muito bem editada (e com vários erros), feita por Luciano Suassuna (diretor de Jornalismo do portal iG). O livro não tem nada de chato e pode ser lido de uma sentada. Conta uma história, digamos, quase cruenta de parte da imprensa brasileira. Bardawil morreu ainda novo, aos 54 anos, vítima de câncer. Suas memórias têm um tom de mágoa, de ajuste de contas. Percebe-se, também, que o jornalista transforma fatos irrelevantes em fatos decisivos. Como obra de maledicências, não deixa de ser muito interessante, lembrando, quem sabe, Humberto de Campos. 

O Brasil, talvez até o mundo — para José Carlos Bardawil —, devia ser bardowilcêntrico. O jornalismo político dependia dele, ou deveria depender. Bardawil teve, em toda a sua vida de profissional, duas obsessões: ser chefe de uma redação e ser o melhor jornalista político do país. Conseguiu, na sua opinião. E aqui reside uma falha do livro: seu organizador, Luciano Suassuna, não faz sequer uma introdução ou posfácio para nuançar as opiniões do jornalista. No posfácio, escrito pelo senador e escritor José Sarney, uma informação é  corrigida, ou pelo menos se apresenta outra versão, plausível até. Sarney nega que tenha sido lobista, ao lado do ex-governador paulista Abreu Sodré, em São Paulo. “Nunca tivemos escritório nenhum”, garante Sarney. Inimigo de Vitorino Freire, Sarney passou pelo crivo de sua língua faca só lâmina. “Era a política do vale-tudo. A tal fórmula da República Velha: ‘Se teu inimigo não tem rabo de palha, ponha um de fogo’”, acrescenta Sarney. A “denúncia” foi passada a Bardawil por Petrônio Portela, uma das figuras mais interessantes (e quase nada analisadas) da República civil-militar nos governos de Geisel-Figueiredo.  


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POR EM 07/08/2010 ÀS 02:59 PM

Tony Judt desanca Eric Hobsbawm

publicado em

O Século XX Esquecido — Lugares e MemóriasO humor inglês às vezes é tão refinado que não parece humor. Os historiadores ingleses, quando decidem surrar um “companheiro”, o fazem com a elegância de alguns humoristas. Parece que estão elogiando, quando, na verdade, estão demolindo. Porque falta, pelo menos entre os melhores intelectuais, o achincalhe (o linchamento). Não se usa a palavra “néscio” para arrolar os equívocos de um pesquisador. Mostram, detalhadamente, os supostos equívocos. 

“Eric Hobsbawm e o romance do comunismo” é uma resenha-ensaio de 13 páginas publicada no excelente “O Século XX Esquecido — Lugares e Memórias” (Edições 70, 462 páginas, tradução de Marcelo Felix), do historiador inglês Tony Judt. Trata-se de uma crítica elegante, polêmica, cáustica e contundente.
 
Judt começa elogiando: “Hobsbawm é o historiador mais conhecido do mundo” e “escreve melhor” do que seus pares. “É um mestre da prosa inglês. Escreve história inteligível para um público que sabe ler. As primeiras páginas de sua autobiografia ["Tempos Interessantes”, 472 páginas, Companhia das Letras] são talvez as mais belas que Hobsbawm escreveu.” O livro “Tempos Interessantes” foi resenhado de forma laudatória no Brasil. Por isso o texto de Judt é uma lição de crítica e, mesmo, coragem, porque está criticando um ícone, e com certa aspereza, apesar do respeito. “Falta alguma coisa. Hobsbawm não era só um comunista. Ele ‘continuou’ comunista durante sessenta anos. Não demonstra qualquer arrependimento. Ele insiste desassombrado que ‘o sonho da Revolução de Outubro ainda está algures dentro de mim’.” Judt não diz, nem precisa, que Hobsbawm é um dinossauro, ou pior do que um dinossauro, porque, embora fossilizado, é brilhante.
 

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POR EM 06/07/2010 ÀS 05:37 PM

Rebelde que Stálin matou renasce como poeta

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Isolado por Stálin no campo de Versonej, Ossip Mandelstam morreu, de fome, aos 47 anos

Ossip Mandelstam Durante anos, na União Soviética, dizer o nome de Óssip Mandelstam (1891-1938) publicamente era uma ofensa grave ao “guia genial dos povos”, Stálin. Aquele que o citasse podia ser preso ou, mesmo, assassinado. A polícia política fez uma varredura cultural e limpou o nome do escritor russo Mandelstam (nascido em Varsóvia) — que o político Nicolai Ivânovitch Bukhárin amava e, enquanto pôde, protegia — dos livros de história de literatura russa ou qualquer outra. Na União Soviética, “ninguém” sabia, ou podia saber, sobre o escritor Mandelstam. Era terminantemente proibido. Seus livros, como os de Boris Pasternak, não eram editados. 

Mandelstam era um poeta de formação clássica, não engajado politicamente. Num dos melhores estudos da Revolução Russa de 1917, “A Tragédia de um Povo: A Revolução Russa — 1891-1924” (Record, 1106 páginas), o historiador inglês Orlando Figes diz que Maksimilian Voloshin, Mandelstam e Andréi Biéli (ou Belyi) “mostravam-se ambivalentes quanto à violência revolucionária; entendiam-na como uma força justa e primitiva, mas revelavam horror diante de tamanha crueza selvagem” (página 503). Figes conta, na página 746, que Máximo Górki ajudou Mandelstam.  Há um belo livro no mercado, que poderia ter sido chamado de “O Livro Negro do Comunismo — Cultura”, mas o autor Boris Schnaiderman (um dos mais qualificados tradutores do russo), ucraniano nascido em 1917 e que mora no Brasil desde os 8 anos, não o permitiria. Por isso, o título é outro: “Os Escombros e o Mito — A Cultura e o Fim da Soviética” (Companhia das Letras, 306 páginas). 


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POR EM 04/07/2010 ÀS 03:40 PM

Revista “mata” Roberto Saviano para chamar atenção do público

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Fotomontagem de Roberto Saviano A revista italiana “Max” decidiu publicar uma fotomontagem de Roberto Saviano (chamada de “O assassinato de Saviano”), autor do romance de não-ficção “Gomorra”, na qual o escritor aparece morto numa maca de uma espécie de Instituto Médico Legal — pronto para ser necropsiado. Teria sido “assassinado” pela Camorra, a violenta máfia napolitana. A fotografia vazou e, publicada no jornal “La Sampa”, de Turim, gerou debate entre jornalistas e intelectuais sobre os limites do jornalismo. Para uns, é um incentivo à morte do jovem prosador. Para outros, não é ético dizer que uma pessoa morreu se está viva. Há os que defendem a liberdade de expressão.

Saviano diz que a “Max” fez um trabalho de “mau gosto, profundamente insultuoso”. A revista “usa” a montagem “para especular cinicamente” sobre sua condição de “protegido” da polícia e sobre aqueles que arriscam a vida para denunciar coisas que atrapalham a vida dos indivíduos.

O diretor da revista, Andrea Rossi, disse ao diário “La Stampa” que não informou Saviano antes da publicação da foto e que o objetivo é mostrar que as críticas ao escritor são injustas, ou seja, que corre mesmo perigo de ser morto. Sua intenção seria menos escandalizar e mais chamar a atenção das pessoas para um fato grave. A mídia italiana avalia que a publicação pode prejudicar a vida e o trabalho do escritor e jornalista Saviano. “La Repubblica” sugere que a montagem prejudica Saviano e todos aqueles que fazem um trabalho perigoso, como denunciar a máfia e suas conexões supostamente legais. A mensagem: denuncie a máfia e será assassinado. O diário “Il Giornale”, de Silvio Berlusconi, ataca o escritor: “É uma operação para santificar um heroi que não precisa sê-lo”.


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POR EM 03/07/2010 ÀS 03:03 PM

José Saramago é o Dunga da literatura

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José Saramago A melhor crítica literária da obra do escritor português José Saramago, recentemente falecido, foi escrita por alguém do Vaticano. Os padres disseram que sua literatura é populista. Acertaram na mosca.

Saramago é o Pablo Neruda da prosa, um escritor cuja fama foi pacientemente construída com o apoio das patotas comunistas que ainda infestam os cadernos culturais dos jornais, dos grandes, dos médios e dos pequenos. Os comunas cumpriram a tarefa, fizeram críticas majestosas deste escritor do terceiro time, o Dunga da literatura, e contribuíram, diretamente, para que ganhasse o Prêmio Nobel da Literatura. Agora, sendo bom ou ruim, está consagrado. O Nobel, para a maioria dos leitores, é consagrador. Jorge Amado, um bom escritor do quarto time, quase ganhou o Nobel de Literatura, graças ao apoio da máquina de propaganda dos comunistas.

Li, no “Estadão”, que Harold Bloom disse que Saramago é um grande escritor, uma espécie de Shakespeare de Portugal ou da língua portuguesa. Há muito, diante de algumas abobrinhas ditas por Bloom, comecei a avaliar que o crítico literário norte-americano havia enlouquecido. Agora, tenho certeza que o sujeito pirou o cabeção. Bloom é um grande crítico porque examina os livros de perto, sem firulas linguísticas e invencionices acadêmicas, e, o que é ótimo, sem perder tempo discutindo teorias literárias. Seus livros contêm citações dos próprios livros analisados e muito raramente referências bibliográficas. No Brasil, nas faculdades de letras, ensina-se teoria literária mas incentiva-se muito pouco a leitura de obras literárias. Muitos alunos sabem quase tudo a respeito do que disseram alguns críticos, mas pouco sabem do que disseram os grandes escritores. Fazem uma leitura de segunda mão, empobrecedora. Limitadora. Perguntei para um estudante de letras: “O que acha da prosa de Graciliano Ramos?” Ele respondeu, sem ficar corado: “Bem, o que terá dito Antonio Candido?” O sociólogo é um crítico literário fascinante, dos melhores, mas temos a obrigação, antes de conhecer sua análise, de ler as obras por ele examinadas. Por mais que Candido seja um crítico brilhante, a obra de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa é muito mais importante.


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POR EM 29/06/2010 ÀS 04:14 PM

Ian McEwan diz que terrorismo tem a ver com falta de imaginação

publicado em

Ian McEwanComo definir Ian McEwan, possivelmente o maior escritor inglês vivo? Julian Barnes e Martins Amis são muito bons, mas nenhum de seus livros pode ser comparado ao esplêndido romance “Reparação” (Companhia das Letras, 448 páginas, tradução de Paulo Henriques Britto). Se levasse espiritismo a sério, diria que McEwan é a reencarnação de Henry James. “Reparação”, com sua ambiguidade literalmente à flor da pele, é um romance de James parido por McEwan. Como o americano, o britânico não diz as coisas às claras, conta-as aos poucos, às migalhas, e mesmo assim o quadro nunca parece completo, à semelhança da prosa do autor de “As Asas da Pomba”. Não que a literatura de McEwan seja complicada, mas exige um leitor minimamente instruído, que queira participar do jogo literário e que tenha interesse em formar seus próprios quadros mentais e estéticos, sem excluir os postulados pelo autor. O prosador às vezes se torna crítico especialíssimo, admirador de, entre outros, John Updike. Nos seus romances saborosos, em que o sexo é dominante, como pedaço da vida e não apenas escândalo, Updike reconstruiu meticulosamente a mentalidade da classe média americana. Ele tinha um quê de sociólogo e psicólogo, potencializado por sua imaginação literária. No livro “Conversas Entre Escritores — As Entrevistas da Believer” (Arte & Letra, 315 páginas, tradução de Irinêo Netto, Miguel Nicolau Abib Neto e Ernesto Klüpel), McEwan é entrevistado pela escritora Zadie Smith. “Believer” é uma revista literária norte-americana. 


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POR EM 17/06/2010 ÀS 09:15 PM

Cubana lança livro-vingança

publicado em

Nunca Fui Primeira-DamaO Brasil tem Fernanda Young, reserva de Paulo Coelho. Cuba tem Wendy Guerra, igualmente performática, mas talentosa. “Nunca Fui Primeira-Dama” é um romance-vingador. A Involução de Fidel Castro destruiu a família da autora e, por isso, Wendy ataca a ditadura castradora. Batalha estética corrosiva.

A surpreendente Wendy, de 40 anos, é uma mulher mignon, mas de muita coragem. Seus livros não podem ser lidos pelos cubanos, pois a dinastia Castro os pôs no índex (e depois a esquerda fala mal da Inquisição). “Nunca Fui Primeira-Dama” (Benvirá, 255 páginas, tradução de Josely Vianna Baptista) é muito bem escrito, uma delícia, mas conta uma história tristíssima. A história é verdadeira, mas o recurso à imaginação literária é que a torna mais interessante e poderosa.

Wendy conta o drama de Nadia Guerra, alter ego da autora, e Albis Torres. Albis, a mãe de Wendy, reuniu material para escrever um romance biográfico de Celia Sánchez, a ex-mulher não-oficial de Fidel Castrador (opa, Castro). Não deu pé. Albis perdeu o emprego e teve de sair do país. Mais: chegou-se a divulgar que teria disputado Celia Sánchez com o próprio garanhão-mor do país. A quase-primeira-dama seria bissexual. Como Albis não pôde escrever o romance, ou biografia, sobre a supostamente injustiçada Celia Sánchez, Wendy decidiu escrevê-lo, e o fez muito bem. Com talento e muito tutano.


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