Desenho de  Wendy MacNaughton
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Edival Lourenço

POR EM 13/09/2010 ÀS 08:32 AM

Deus não nos salvará; mas morrerá conosco

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Segundo a hipótese mais aceita nos meios científicos, a vida teria surgido há cerca de 3,5 bilhões de anos, possivelmente em algum lugar da Terra. Ou mesmo em algum planeta de um sistema próximo (em termos cosmológicos) e pode ter vindo parar aqui na garupa de estilhaços retirados de algum corpo celeste por cataclismos de dimensões interestelares. Deduz-se que a vida começou em um ambiente singular, cujas características o Homo sapiens ainda não logrou reconstituir e entabular uns serezinhos animados para concorrer aos já existentes.

Aquele foi um momento mágico de nossa ancestralidade, quando por confluência de condições especialíssimas, por mero acaso dos dados atirados pela Natureza cega e sem propósitos, pequenas porções de matéria, inertes e insensíveis, recebem uma chama, uma faísca interior e ganharam autonomia. Essa possibilidade, por exemplo, que tem um pássaro de, uma vez libertado da gaiola, pousar no fio de luz, num filete de antena, no galho de uma árvore próxima ou mesmo se embrenhar no mato num voo aparentemente descontrolado. Não só autonomia, mas também outros importantes atributos tais como: metabolismo, reprodução, nutrição, complexidade, organização, crescimento e desenvolvimento, conteúdo de informação,emaranhamento de software com hardware, além de permanência com mudança. Ufa!  No poema OVNI, do livro “Na Vertigem do Dia”, Ferreira Gullar intui que “sou possivelmente/uma coisa onde o tempo/deu defeito”. E, também por mero acaso, esses seres microbianos dos primeiros dias, em demorados processos de tentativas e erros, acabaram por desenvolver as espécies, até chegar nos bípedes implumes dotados de inteligência e arrogância de hoje.


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POR EM 20/08/2010 ÀS 11:36 AM

Deus inútil e ciência ineficaz

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É no mínimo temerário continuar subjugando a Natureza a nossos desejos e caprichos e acreditar que possamos, ao final de tudo, sair imunes de tal empreendimento. Cedo ou tarde a Natureza vai nos cobrar a fatura. E o preço dessa conta poderá ser muito acima da capacidade de solvência do Homo sapiens. Daí, como soe acontecer com os inadimplentes do tráfico de drogas bem como aos da Natureza, teremos que dar quitação com a própria vida. Não a vida individual, porque esta vem sendo cobrada ordinariamente pelo processo de gestão biológica, mas sim a morte coletiva, geral, irrestrita da espécie como um cataclismo irremediável.

Apesar de que não estaremos aqui para curtir a morbidez desse luto, supor que um dia nenhum descendente nosso habitará este planeta, que suportou por certo tempo o desenrolar de nossa saga maluca, é sem sombra de dúvidas um dos sentimentos mais nostálgicos e desolador que o ser humano possa ter. Mais que desolador, é revoltante mesmo, por saber que estamos na corda bamba da existência, mais por estupidez de hábitos que adotamos do que mesmo por determinismos transcendentais. É que a inteligência, que de forma unânime se constitui no distintivo da condição humana, traz em sua gênese o dom de se iludir, de se equivocar. A humanidade, ao contrário do que muitos acreditam, é semelhante às pessoas: quanto mais velha fica, mais equivocada se torna. O avanço de alguns aspectos tem o vínculo de causa e efeito com o atraso de outros. Exemplo: o desenvolvimento tecnológico de intervenção ao meio ambiente se desenvolve numa velocidade maior do que tem o meio ambiente de se recompor, arrastando a humanidade, mais as espécies adjacentes e aderentes a perigos de extinção cada vez mais aterradores.  O progresso humano é como a corrida de um cavalo que, ao impulsionar-se para frente, no galope, acaba por arremeter argila para trás.


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POR EM 03/08/2010 ÀS 01:35 PM

De bomba atômica e cegueira da ambição

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O Homo sapiens sempre se sentiu ameaçado e ao mesmo tempo atraído por profecias escatológicas. Desde as religiões arcaicas até as cientológicas de hoje em dia, todas, invariavelmente, têm um viés apocalíptico segundo o qual a redenção da espécie há de passar por uma mortandade espetacular e coletiva, seguida de uma prestação de contas da vida terrena e um processo de classificação final: os bacanas serão expostos em regozijo nas vitrines celestiais e os malas lançados nos autofornos do inferno, numa tribulação radical e eterna, sob o olhar vermelho e os adornos cornoicos do capeta. A história que nos contam do dilúvio, seja o de Noé, seja o de Gilgamesh, foi apenas um ensaio, um teste da maquinaria sinistra, uma prévia do que poderá ser um apocalipse em condições pra valer.

O pensamento mágico e exacerbado sempre foi a base dessas profecias catastróficas. Um certo alopramento tem orientado todos os profetas e videntes. São Malaquias, um padre irlandês que viveu no século XI, atrela o fim do mundo com o fim dos papas. Segundo seus intérpretes mais afinados, esse Bento XVI, com seus gestos sestrosos e olhar demoníaco, seria o penúltimo da série papal. Quando este for sucedido, amigos, entraremos na esteira que leva à boca do matadouro. Várias interpretações das centúrias de Nostradamus davam o ano de 2000 como um alvo para a realização de suas previsões macabras. Um dito lapidar de origem incerta e controversa assombrou muito a minha geração de ascendência rural e religiosidade ingênua: o mundo de um mil passará, mas dois não interará. A primeira vez que entendi o que isto queria dizer, foi da boca de minha avó, que já um tanto cansada da vida bradava em tom de alívio e vingança contra todos que supostamente lhe queriam mal. Confesso que perdi o apetite e por algum tempo curti uma depressão lascada.


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POR EM 12/07/2010 ÀS 09:52 PM

O homo sapiens, a erva daninha e o fim da espécie

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Por mais industrioso e criativo que seja o Homo sapiens, esse animau çinixtro que se irrompeu agora por último do ramo evolutivo da vida, ele não consegue criar coisa alguma sem que desmanche outra. E o que é mais grave: quase sempre lançando mão de um desperdício extraordinário. Qualquer criação humana implica sempre num desmanche de riquezas naturais. Do tipo assim: para se obter uma posta que seja de picanha é preciso derrubar um sem número de metros cúbicos de árvores, consumir não sei quantos carros-pipas de água potável, assorear quilômetros de rio, espalhar pelo céu toneladas nuvens de gás de efeito estufa e assim por diante.

E é neste contexto que caminhamos inexoravelmente rumo ao limiar da singularidade; aquele ponto fatídico a partir do qual as leis naturais demudam de forma radical, não podendo mais haver uma ação eficiente para evitar uma situação de desastre. Ocorre que a população humana, além de se achar desastrosamente grande, vem adotando hábitos de produção e consumo potencialmente letais para que nós próprios continuemos tocando a vida, tal qual a conhecemos. Especialmente neste intervalo geológico que a natureza nos concede um clima propício no planetinha azul, neste recanto ínfimo de universo enorme e ainda em expansão. É um oximoro: quanto maior a multidão de indivíduos humanos, menor a nossa racionalidade. Quanto mais razões somadas, maior a nossa ação por instintos.  É o efeito manada, tão ao gosto dos manipuladores de massas. O antropólogo, estatístico e matemático inglês Francis Galton  (1822-1911), primo de Charles Darwin (1809-1882), afirmou ser isto “a lei da suprema desrazão”. Ele constatou que a racionalidade de um grupo tende a buscar a média.


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POR EM 03/07/2010 ÀS 02:32 PM

Serventias da Literatura

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Quem milita com Literatura neste mundo de coisas utilitárias, às vezes se vê instigado a responder de pronto: Para que serve mesmo a Literatura?  A resposta parece óbvia, mas na hora de responder assim de chofre e de forma objetiva, acaba-se caindo em apuros.

Em primeiro lugar, para se dar uma resposta que convença minimamente, será preciso admitir que há certos fatores que entram na composição das forças do mundo que são, digamos, imateriais. Como a força do Papa, por exemplo, que não tem nenhuma divisão de brigada, mas conseguiu interferir em muitas guerras ao longo da História.  São forças não passíveis de avaliação imediatamente em peso, medida ou valor monetário. São coisas que não entram no cálculo do PIB, mas são primordiais. Como o ar , que ninguém calcula o seu preço, mas sem ele não existiríamos para dar preços às outras coisas. Com uma diferença significativa: o ar é natural; a Literatura é invenção da cultura humana.

Seja como for, valendo-me de um ensaio de Umberto Eco, aí vão alguns exemplos de utilidade da Literatura que consegui elencar:

1º — A Literatura contribui para a formação, estabilização e desenvolvimento de uma língua, como patrimônio coletivo. O que seria da língua portuguesa sem Luiz de Camões? O que seria do Italiano sem Dante Alighieri? O que seria do Espanhol sem Cervantes? O que seria do Inglês sem Shakespeare? O que seria da Civilização e da língua grega sem Homero? O que seria da língua russa sem Puchkin? É bom lembrar que línguas que não tiveram uma Literatura que sobressaísse entraram em decadência sem alcançar o apogeu.


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POR EM 23/06/2010 ÀS 10:15 AM

Deus não existe!...

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Se Deus existe, Ele passou muito tempo na moita até que pudesse ser percebido por alguém. O universo, como existência física, é estimado em 14,5 bilhões de anos pelo calendário terreno, quando surgiu de um ovo pré-universal, numa explosão espetacular, cujos estilhaços formam os monumentais corpos celestes. Em um desses estilhaços, dos bem pequenos, é verdade, o Homo sapiens, a nossa espécie primordial, surgiu há cerca de  145 mil anos, ou seja: a nossa existência no universo ocupa o percentual infinitamente miúdo de 0,001% da existência do mundo.

Astronomicamente falando é um tempo tão ínfimo quanto aquele gasto no piscar de uma lagartixa no contexto de um ano. Em algum momento de nossa curtíssima trajetória, desenvolvemos alguns atributos que nos foram diferenciando da bicharada, tais como consciência, o raciocínio lógico, o desenvolvimento de ferramentas, a interferência conduzida no meio ambiente, a cultura e a intuição da existência do sobrenatural.  Só então Deus começou a dar as caras. Ou seja, a existência de Deus como ideia e conceito começa de fato com a evolução racional do ser humano, dentro de um processo da evolução natural das espécies. Daí não ser um disparate afirmar que a natureza criou o homem e o homem criou Deus. A existência de Deus, se fosse pão, ainda estava quentinho de derreter a manteiga. Nenhuma das linhagens que nos antecederam, como as bactérias, as formigas, as baratas, os crocodilos, os dinossauros, supõe-se, não chegaram a aventar, ou mesmo intuir a existência de Deus. Pela simples razão de que eram ou são seres irracionais. A existência der Deus teve início com a nossa espécie.


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POR EM 14/06/2010 ÀS 10:49 AM

O dia que o Brasil perdeu a Copa de 2010

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Contistas dão suas versões para o dia que abalou o futebol mundial: o fracasso do selecionado canarinho na Copa do Mundo da África

Depois que paguei a última prestação da geladeira eu pensei: agora vou fazer economia para comprar a TV de plasma, para assistir à Copa do Mundo da África do Sul. Afinal, Copa é Copa, uma emoção que só dá de quatro em quatro anos e pra quem já ta ficando assim mais pra lá do que pra cá como eu, pode até ser a última.

A geladeira na verdade eu só comprei porque eu vi o presidente Lula dizendo que quem comprasse geladeira nova tava ajudando o país sair da presepada dos homens dos States, para garantir que a tsunami lá deles chegasse aqui só a marolinha. Mas se entendi bem, eu estava ajudando também o governo economizar energia, pois segundo o presidente geladeira nova tem o canudinho bem mais fino na hora de beber energia.

E se entendi essa parte também, se a gente economiza energia, o governo não precisa cuidar logo de construir usinas novas nem reformar as velhas e sobra dinheiro pra dar uma engordada nas bolsas disso nas bolsas daquilo, essas coisas que fazem pobre rir à toa, do jeito de rico. Sem contar que com uma geladeira que gasta a metade da energia, com o mesmo desempenho, em um ano ou dois tenho a geladeira de graça, considerando o favorecimento na conta de luz.

Viu só que beleza! Em um ano ou dois, segundo a orientação do iluminado presidente Lula, eu tenho uma geladeira com um ou dois anos de uso, de grátis, e me livro daquele trambolho velho, que agora confesso, já tava produzindo gelo por fora que até levou meu primo, que é gozador e gosta de filar uma cervejinha em minha casa, a me cornetar. Ele me falou: Essa geladeira sua é marca GE? Eu disse: Não. É daquela que é das melhores de boa. Eu pensei que era GE, ele insistiu. Por que GE, eu quis saber. Porque ela tem Gelo Externo, rarará!


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POR EM 27/05/2010 ÀS 05:21 PM

A síndrome do Homo sapiens cozido

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Talvez uma das noções mais nostálgicas, pesarosas e tristes que possamos ter é admitir que um dia o nosso planeta seguirá o curso de seu destino sem a nossa presença, sem a presença do Homo sapiens e seus feitos extraordinários. Sem nossas máquinas, sem nossas catedrais, sem nossos túneis, sem nossos poemas, sem nossas paixões, sem nossas crenças, sem nossa semelhança com Deus, sem nosso orgulho de espécie, sem nossos sonhos, sem nossos descendentes reproduzindo tudo isso em maior ou menor grau, mas com pretensões de originalidade.

No entanto, o sentido de tal situação de pesar só pode ocorrer por suposição, por hipótese, por meio da antecipação operada pelo pensamento, uma vez que a situação de fato cria uma espécie de paradoxo insolúvel: Como poderemos nos entristecer por não estarmos aqui como espécie se de fato não estaremos aqui como espécie para nos entristecer?  Talvez essa noção arrefeça qualquer tanto a força dessa nostalgia e impeça que ela freie o nosso ímpeto de autodestruição. 

Autodestruição que, aliás, muitas vezes se nos apresenta sob o título alvissareiro e pseudamente amável de progresso, divisas externas, desenvolvimento econômico, capacidade de pagamento, crescimento real, PIB, superávit primário e quejandos. Uma cristalização dessa ideia pode estar nos versos de Fernando Pessoa: Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é. E assim, nós a sociedade de consumo e da informação sem reflexão, a dita sociedade contemporânea ou pós-moderna da qual fazemos parte, liga o foda-se na potência máxima e doidamente antecipa o oco çinixtro.


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POR EM 18/05/2010 ÀS 05:49 PM

A riqueza do mundo e a herança dos otários

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Adam SmithO Homo sapiens, este bípede implume, mamífero por condição e pretensioso de nascença, é um animal encantador, que se diferencia de toda bicharada pelo o uso da razão e pelo porte da moralidade. E é ao mesmo tempo um tanto çinixtro, exatamente  por ser moral e dotado de raciocínio e se negar a usar essas faculdades  praticamente exclusivas para se resguardar como espécie, neste momento da história em que toda a fauna humana passeia perigosamente numa frágil e movediça passarela sobre os horrores de um abismo.

Poderíamos dizer que a moral é uma invenção platônica, engendrada a partir das ideias de Sócrates (469-399 a.C.). Do ponto de vista formal, esta atribuição não é de toda descabida, mas, do ponto de vista intuitivo, algumas noções de moral, ainda que de forma rudimentar, sempre estiveram entranhadas na consciência do homem, desde tempos neanderthais.

Para a moralidade platônica nada pode fazer mal a uma pessoa de bem. Alguém que aja com senso de ética, justiça e equidade sempre estará resguardada dos solavancos do mundo. Essa noção foi migrada inteira, sem supressões nem retoques, para o arcabouço do cristianismo, onde foi totalmente absorvida. Quem é bom sempre terá a seu dispor um caminho ladrilhado de pétalas de rosas e um horizonte azul onde abrigar seus sonhos, sempre realizando de forma crescente. Paz na terra aos homens de boa vontade, diz o aforismo deôntico. A contrário senso, quem é mau pagará o preço de sua maldade, do jeito de quem cospe pra cima.


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POR EM 05/05/2010 ÀS 06:16 PM

O Bigue-bangue e o mundo provisório

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Há pouco tempo narrei em crônica um fato inusitado: Eu estava em minha seção de trabalho e a secretária me avisou que havia alguém que queria falar comigo e não quis adiantar o assunto. A secretária entronizou o moço. À primeira vista, não parecia alguém ligado a livros, como as pessoas que costumam me procurar. Alto e esquelético, pele crespa, cabelos maltratados, com jeito de quem tenha crescido com alto déficit calórico e exercesse alguma atividade ao sol, na poeira. Talvez fosse tratador num confinamento de bois.

Convidei-o a sentar-se. Parecia espantado, olhando ao redor com ansiedade. Mas curiosamente me solicita que fechasse a porta. Queria me dizer algo em segredo. Confesso que fiquei cismado, mas o atendi. Mais à vontade, começou a falar muito rápido, como quem tivesse comido molho de quiabo.

Queria me vender um livro que tinha escrito e segundo ele era muito importante para a humanidade. Mas não queria publicar no próprio nome por lhe faltar temperamento para ser famoso e o livro era garantia de ganhar o Prêmio Nobel. Não de Literatura. Mas de Física. Eu quis saber o que havia de tão importante nesse livro e ele afirmou que revelava a origem do universo. Não só do universo, mas até a origem de Deus. Até hoje a ciência consegue ir só até o Bigue-bangue, ele disse. Mas eu, não. Meu livro vai até milhões de anos antes do Bigue-bangue.


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