Livro revela como foi articulado assassinato de Trotski
A biografia clássica e detalhada de Liev Trotski (1879-1940) é a escrita pelo historiador Isaac Deutscher, publicada no Brasil em três volumes. Como parte dos arquivos soviéticos foi aberta, depois da queda do comunismo, a pesquisa está, em alguns pontos, datada, o que animou o general e historiador russo Dmitri Volkogonov a escrever “Trotsky — The Eternal Revolucionário” (Free Press/Simon & Schuster, 524 páginas, 1996). Trata-se de um livro notável, dado o acesso de Volkogonov aos arquivos abertos em 1991 e à sua experiência como militar que participou dos governos comunistas. O caráter autoritário de Trotski é rastreado e explicado com mestria, bem como sua excelente formação intelectual. Mas sobre o assassinato de Trotski o livro mais importante é “Operações Especiais — Memórias de uma Testemunha Indesejada” (Publicações Europa-América, 543 páginas, 1994), de Pavel Sudoplatov, com a colaboração de seu filho, Anatoli Sudoplatov. Como chefe das Operações Especiais (assassinatos e terrorismo), Pavel Sudoplatov foi o homem que coordenou o assassinato do revolucionário ucraniano, no México, em 1940, e o roubo dos segredos atômicos dos Estados Unidos. Com o apoio do filho e dos pesquisadores Jerrold L. Schecter e Leona Schecter, Sudoplatov decidiu contar histórias sobre as quais não há informações precisas nem nos arquivos soviéticos (Stálin tinha o hábito de dar ordens verbais, sobretudo quando se referia a assassinatos e envenenamentos). No prefácio, o historiador inglês Robert Conquest, dos primeiros e mais gabaritados analistas do stalinismo, escreve: “Esta é a mais sensacional, a mais devastadora e a mais informativa autobiografia que alguma vez emergiu do meio stalinista. Um documento único”. O livro de Conquest “O Grande Terror — Os Expurgos de Stálin”, publicado na década de 1960, permanece atualíssimo, em linhas gerais.
leia mais...















A vida tem lá uma certa comicidade também. Especialmente, na visão de brasileiro: “povo fodido, mas feliz...”. E o senso de humor aguçado permeia os ricos e a ralé, os emergentes e os submersos (falidos, quebrados, miseráveis e a tal gente abaixo da linha da pobreza...). Já que a vida neste planeta não se explica, que a levemos na flauta.
MBA é uma sigla inglesa dentre tantas outras (na modernidade, antes de tudo, é preciso resumir, condensar, economizar tempo até mesmo com as palavras; tempo é dinheiro; não temos tempo a perder; etc e tal...). Significa “Master in Business Administration”. Aportuguesando, quer dizer “Mestre em Administração de Negócios”. Por que, então, não se diz MAN, ao invés de MBA? Seria a língua inglesa mais glamorosa? O velho complexo de vira-latas enraizado na alma brasileira?
Um dos fragmentos mais conhecidos do Novo Testamento conta um episódio curioso acerca dos ensinamentos de Jesus Cristo para o povão daquela época (se na atualidade o ser humano esbanja ignorância, imagine só naqueles tempos bicudos).
Pensa numa coisa triste, muito triste. Velório de criança. “Ninguém merece. Jamais presenciei uma situação tão cruel assim na minha vida”. Era o que o povo dizia, com os olhos inchados de tanto chorar. Lágrimas: frutos da saudade, do pavor ou da ignorância? Se é que ela existe, para onde vai a alma, afinal?
Quisera eu pudesse me sentar à mesa de um boteco (poderia também ser uma mesa do Vaticano cravejada com crucifixos de ouro maciço) tendo a companhia do papa e do casal Nardoni. Tomando cerveja popular em copos reciclados de requeijão cremoso (ou vinho tinto italiano em cálices de prata), haveríamos de debater a respeito dos mistérios da existência humana na Terra. Para início de conversa: como se explica tanta violência contra as crianças ao longo da história?
Gerou algum frisson o último texto que escrevi e foi publicado nesta revista eletrônica. Seu título: “Se tomar o Santo Daime, não atire!”. Creio que todo escritor aprecia quando os leitores passeiam os olhos (e a imaginação) nos seus textos. Portanto, gostei demais de saber pelo editor da revista, ao me telefonar apavorado, que dezenas de mensagens chegaram pelo correio eletrônico, a maioria delas execrando a crônica.
Há séculos, a ignorância humana quanto ao seu papel e destino neste e noutros mundos (?!) a arrasta para as mais diversas agremiações religiosas e seitas — muitas delas nefastas (já adoramos o sol e o ornitorrinco!!) —, para a fé cega (fanatismo) ou, contrariamente, para a incredulidade (ateísmo). Impulsionados pela fragilidade de respostas plausíveis nos dogmas e livros sagrados, muitos já amorteceram seus dilemas nas artes, na “porralouquice” das drogas lícitas e ilícitas, e até no autoextermínio (casos extremos incompreensão e vazio existencial).
A camionete avançou o sinal vermelho e derrubou no asfalto o motoqueiro. Eu vinha logo atrás, distraído, enclausurado numa cápsula sobre quatro rodas. Um carro. Apenas mais uma peça da nefasta engrenagem que se tornou o trânsito desta metrópole.
Por causa da carência de homens (homens vivos) e, também, porque é professor de dança gabaritado, Rubens foi contratado como “personal dancer” por um grupo de senis senhoras. Gay assumido — embora ele não alardeie a condição sexual a fim de evitar chateação, chistes e preconceito — cuida do entretenimento de sessenta e tantas “idosas” (mulheres na senectude), em sessões que duram quatro horas, uma vez ao mês.