Na veia de quem você injetaria vaselina líquida?
Pois é. Acontece cada uma... Foi vastamente noticiado nos últimos dias o fatídico acidente (crime?!) ocorrido num hospital paulista, em que uma auxiliar de enfermagem teria injetado, inadvertidamente, vaselina líquida na veia de uma criança. O líquido oleoso mesclado ao sangue criou os trombos (fragmentos microscópicos de gordura) que foram parar dentro de seus pulmões infantis, entupindo os micro-vasos, selando os alvéolos, impedindo a troca gasosa, a captação de oxigênio do ambiente, uma situação conhecida como embolia pulmonar, irreversível e fatal na maioria das vezes. Afoga-se no seco.
Ouvindo-se de primeira, o episódio soa muito bizarro, em especial à maioria de toda a gente leiga, que não faz ideia do que sucede nos bastidores de um hospital. Como é que pode alguém injetar, Meu Deus do Céu, vaselina na veia de um paciente, ao invés de soro fisiológico? Coitado de Deus, sempre testado por seu rebanho, mais questionado que universitários e cartomantes... É o que todos querem saber, indignados, assustados, apavorados, ávidos por explicações plausíveis. Tudo na vida tem que ter uma resposta. E quando não a temos, inventamos. É uma questão de fé, meu irmão. Se realmente o fato se deu conforme noticiado pelos meios de comunicação, configura-se de um desacerto dos mais lastimáveis. Não era pra ser assim, mas os frascos de vaselina líquida e soro fisiológico, de acordo com as imagens cedidas, são muito parecidos, praticamente idênticos, a não ser pelas letrinhas miúdas em seus rótulos. Aliás, os rótulos têm a mesma coloração, detalhe que facilitaria a troca dos produtos. Ou não.
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A frase famosa (hilária, em minha opinião) é do escritor Nelson Rodrigues, um dos maiores provocadores que se tem notícia na literatura brasileira. Porque os meandros da sexualidade humana, quando não cômicos, podem ser trágicos, trágico-cômicos, dramáticos, inconfessáveis, e até mesmo insalubres. Mesmo aos que fazem sexo como quem come chuchu, o chamado coito burocrático, insosso, para se “cumprir tabela”, para se ver logo livre do outro, o ato termina em se tornar maléfico, pois diminui, humilha seus protagonistas.
É muito arriscado escrever, publicar, escancarar aquilo que se pensa. Por exemplo, sempre se corre o risco de cair em desgraça ao flertar com a pilhéria para divertir o leitor. Portanto, vou agora me ater a contar a verdade, nada além da verdade. Juro por Deusa, a diarista que me salva da inanição e do caos doméstico. Quando eu viajo a passeio ou trabalho, só me hospedo em hotéis baratos. Bons e baratos. Bons, limpos e baratos (sem baratas). Mas não é que fui parar num hotel da rede Hyatt?
Se você perguntar a qualquer pessoa o que ela busca na vida, possivelmente, a maior parte vai responder: quero ser feliz. Alguns tantos, com as mentes perturbadas, capturadas pela aflição, dramáticos dirão que preferem até a própria morte que, de certa forma, representando um modo radical e definitivo para se atingir a felicidade (?), o epílogo do sofrimento (?), o marco zero da existência (?), ao saltarem deste barco-planeta e mergulharem na eternidade (a eterna ignorância do nosso papel aqui na Terra). Outros, aproveitando o oportunismo da resposta, dirão da boca pra fora: fazer o bem ao próximo é o que me interessa. Não gastaremos tinta e papel com estes aqui, pois o tema desta crônica não é a hipocrisia.
Joana D’arc achou aquilo um disparate, o cúmulo do absurdo. Quando entrou no banheiro da suíte deparou com o marido encurvado, mordendo a língua, concentrado, despejando o sêmen dentro da pia. Enquanto revirava a camisinha ao avesso e a enxaguava, disse que seria um desperdício jogar fora o preservativo. Excesso de lixo, aquecimento global, derretimento das calotas de gelo, você sabe. Hoje em dia, quem não recicla está na contramão da vida moderna, minha querida. Foi o que ele disse, pendurando o condom usado no toalheiro, e justificando (sem convencer) a avareza.
De acordo com o pesquisador boliviano Oscar Cocacuela, existem documentos irrefutáveis a garantir que Hitler não estourou os próprios miolos, e fugiu, sim, para a América Latina no apagar das luzes das bombas da Segunda Guerra Mundial. Quem fora suicidado à época em seu lugar (e também de Eva Braun) se tratava, na verdade, de Karlitos (um inexpressivo artista circense que imitava Charles Chaplin em Berlim), juntamente com a bela Fran, sua companheira engolidora de facas e cuspidora de suásticas.
Não se compreende a maldade humana. Estudiosos debruçam-se sobre livros e compêndios, derretem as retinas defronte os computadores, testam drogas e dúvidas nos dadivosos ratinhos de laboratório sem, no entanto, concluírem a respeito da natureza humana ruim. Culpar o diabo não soma. É fuga, subterfúgio, enganação. Imagine só: que animal se deita à noite maquinando contra a vida de outro?
A tecnologia é realmente uma ciência fascinante, e quase sempre funciona em prol da humanidade. Serve também às desumanidades — diga-se — ao incrementar, por exemplo, a confecção de armas modernas com alto poder letal. Fazer o quê? Na ficção e na vida real, há sempre o vilão e o mocinho, o eterno embate entre o bem e o mal. Esta medição de forças tem custado muito sofrimento ao ser humano e ao meio ambiente.
Um observador atento da Revista Bula, também colaborador assíduo da mesma, enviou um comentário no qual detectava a minha reincidência em temas envolvendo mendigos, andarilhos sem nome, moradores de rua e outras criaturas marginalizadas que sobrevivem nas grandes cidades.
Nada como uma manchete de sentido dúbio, sensual, pornográfico (ou seria erótico?) para se atrair leitores. A artimanha quase sempre funciona. O sexo parece mesmo ser a mola propulsora da sociedade. Um tanto caduco, enquanto trabalhamos, o velho Múcio repete que a vagina é a causa das guerras. “Por que você acha que os homens almejam fortunas, territórios, o poder, afinal?! Porque eles querem sexo. Preferencialmente, poligâmico.”