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Carlos Willian Leite

POR EM 15/05/2012 ÀS 07:58 PM

Os mandamentos do escritor, segundo Machado de Assis, Proust, Flaubert, Henry Miller e Borges

publicado em
Os mandamentos do escritor, segundo Machado de Assis, Proust, Flaubert, Henry Miller e Jorge Luis Borges
 


Dando sequência à série de conselhos literários (ou mandamentos literários), publico nesta edição os ensinamentos de outros cinco escritores seminais: Machado de Assis, Marcel Proust, Gustave Flaubert, Henry Miller e Jorge Luis Borges. A compilação reúne excertos de textos publicados nos livros “Pensamentos e Reflexões de Machado de Assis”, “Contra Sainte-Beuve: Notas Sobre Crítica e Literatura”, de Marcel Proust, “Cartas Exemplares”, de Gustave Flaubert, “Henry Miller on Writing”. Os conselhos de Jorge Luis Borges foram publicados numa edição especial da revista L’Herne. A primeira parte dos mandamentos literários pode ser visto aqui


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POR EM 13/05/2012 ÀS 06:18 PM

A última entrevista de Nelson Rodrigues

publicado em

Entrevista de Nelson Rodrigues, concedida em outubro de 1980, ao jornalista Tom Murphy, do jornal “Latin American Daily Post”. O dramaturgo morreria dois meses depois

 Nel­son Rodrigues

Tom Murphy

Fui recebido por um homem pálido, até mais alto do que eu imaginava, de calça azul mal ajustada pelos largos e famosos suspensórios; um homem lento no andar e na fala. Lento de dar pena. Anos depois conheci Alfredo Machado, dono e cabeça da Editora Record, a quem relatei a experiência daquele dia: “Entrevistei o Nel­son Rodrigues dois meses antes da morte dele; ele já estava doente, muito mal mesmo”. O grande mentor de tantos escritores brasileiros riu: “Nelson estava muito mal sempre”. Naquele ensolarado outubro de 1980, tive o privilégio de conversar durante uma hora e pouco — sentado, como tantos de seus personagens, diante da simples mesa de cozinha — com Nelson Rodrigues. O cenário era bem Nelson: um apartamento escuro e assombroso na beira da alegre praia carioca do Leme, um cheiro leve, não do mar, mas de desinfetante. Na época eu trabalhava para o “Latin American Daily Post”, jornal de língua inglesa, que publicou a entrevista dias depois. Foi só em dezembro que eu soube da real dimensão da doença de Nelson, quando ele deu entrada num hospital. No mesmo mês, dia 21, ele morreu, aos 68 anos. 


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POR EM 09/05/2012 ÀS 09:47 PM

Eveline, de James Joyce

publicado em

Publicado no livro “Dublinenses”, usando a técnica conhecida como fluxo de consciência, o conto “Eveline” é considerado uma das obras-primas de James Joyce

James Joyce

Ela sentou-se à janela para ver a noite invadir a avenida. Encostou a cabeça na cortina e o odor de cretone empoeirado encheu-lhe as narinas. Sentia-se cansada.

Poucas pessoas por ali passavam. O sujeito que morava no fim da rua passou a caminho de casa; ela ouviu seus passos estalando na calçada de concreto e em seguida rangendo sobre o caminho coberto com cascalho em frente às casas vermelhas. Tempos atrás havia ali um terreno baldio onde eles brincavam toda noite com os filhos dos vizinhos. Mais tarde um indivíduo de Belfast comprara o terreno e construíra casas — mas não eram casas pequenas e escuras como aquelas em que eles moravam; eram casas vistosas de tijolo e com telhados luzidios. As crianças que moravam na avenida costumavam reunir-se para brincar naquele terreno — crianças das famílias Devine, Water, Dunns, o pequeno Keogh, que era manco, ela e seus irmãos e irmãs. Ernest, no entanto, nunca brincava: já estava crescido. O pai dela muitas vezes enxotava-os do terreno com sua bengala de madeira preta; mas geralmente o pequeno Keogh montava guarda e dava o alarme quando avistava o homem se aproximando. Apesar de tudo consideravam-se bastante felizes naquela época. Seu pai ainda não estava tão mal e, além disso, a mãe ainda estava viva. Isso tudo acontecera há muito tempo; ela, seus irmãos e irmãs tinham crescido; a mãe estava morta. Tizzie Dunn também morrera e a família Water havia retornado à Inglaterra. Tudo se modifica. Agora era a vez dela ir embora, como os outros, ia sair de casa.


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POR EM 09/05/2012 ÀS 09:30 PM

300 livros de ciências humanas para download legal

publicado em

Liderado pelas Editoras da Fio cruz (Fundação Oswaldo Cruz), UFBA (Uni­versidade Federal da Bahia), Unesp (Universidade Es­tadual Paulista), e Fapesp (Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo) o projeto “SciELO Livros”, lançado no mês de março, disponibilizou aproximadamente 300 livros, científicos e técnicos, para download. O projeto visa à publicação on-line de coleções de livros de caráter científico, editados, prioritariamente, por instituições acadêmicas. A previsão para 2012 é que o acervo ultrapasse 500 títulos. Os livros, que estão disponíveis nos formatos ePUB e PDF, são formatados de acordo com padrões internacionais e podem ser lidos no próprio site ou baixados integralmente sem nenhum custo.

Para integrar o projeto SciELO Livros, editoras e obras são selecionadas de acordo com padrões de controle de qualidade aplicados por um comitê científico. “Uma porcentagem significativa de citações que os periódicos SciELO fazem, principalmente na área de humanas, está em livros. E como um dos objetivos da coleção SciELO é interligar as citações entre periódicos, a ideia é também fazer isso com livros”, disse Abel Packer, membro da coordenação do programa SciELO, à Agência Fapesp “A ideia é contribuir para desenvolver infraestrutura e capacidade nacional na produção de livros em formato digital e on-line”, acrescenta.


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POR EM 03/05/2012 ÀS 09:08 PM

As 10 fotografias mais famosas da história

publicado em

Para se chegar ao resultado fiz uma compilação de listas publicadas por sites especializados em fotografia, cultura pop e história. O objetivo de minha pesquisa era identificar quais eram as 10 fotografias mais famosas de todos os tempos. Participaram do levantamento as publicações: Photographium, World's Famous Photos, Life, Digital History, Listverse, Al Fotto, Tripwire Magazine, Photo Net, Photography Schools Online, The Pulitzer Prizes e World Press Photo. Abaixo, em ordem classificatória, as 10 fotografias selecionadas baseadas no número de citações das publicações pesquisadas.


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POR EM 26/04/2012 ÀS 10:33 PM

40 livros para ler antes de morrer

publicado em

Depois da polêmica sobre os Livros Para Morrer Antes de Ler, convidei leitores, amigos do Fa­cebook, e seguidores do Twitter — escritores, jornalistas e professores — à responder a pergunta inversa. Se aqueles eram os piores livros (Para Morrer Antes de Ler), quais seriam os melhores (Para Ler Antes de Morrer)? Cada participante poderia indicar entre um e dez livros de autores, de todas as épocas, brasileiros ou estrangeiros, tendo como critério principal o gosto pessoal, não importando se um determinado livro era canonizado ou desconhecido, descartável ou duradouro. Discutível como todas as listas de melhores, esta também não pretende ser abrangente e provavelmente se tivesse sido, ou for feita em outra ocasião,  o resultado seria diferente. Ela apenas reflete a opinião, do momento, dos participantes convidados. E os livros citados por eles, bons ou ruins, trazem em comum o fato de tê-los inspirado. E como escreveu Harold Bloom: “Todo mundo tem ou deveria ter uma lista de obras que lhe serviriam de companhia numa ilha deserta.” Abaixo, em ordem de aleatória, os 40 livros escolhidos, sem repetir autores.


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POR EM 23/04/2012 ÀS 10:01 PM

Por que é que os revolucionários foram reacionários

publicado em

Anthony Burgess

As revoluções levam a açoites de aço, trabalhos forçados e ao encarceramento de grandes escritores. No entanto, o termo “re­vo­lucionário” continua a gozar das mais nobres conotações, enquanto que o termo “reacionário” detém, tanto na arte quanto na política, o monopólio do mau. Já se disse que os revolucionários na literatura foram em geral reacionários em matéria de política. Minhas recentes reflexões sobre o centenário de T.S. Eliot me levam a perguntar a mim mesmo se esta afirmação é valida, e se for, se ela deva afetar nossa atitude diante de sua obra como poeta.

Por trás da revolução literária iniciada em Londres por T.S. Eliot e Ezra Pound, encontra-se uma eminência parda cuja carreira filosófica e poética foi cortada por uma bala em Flandres, durante a Primeira Guerra Mun­dial. Esta eminência parda era T.E. Hulme, que nos ensinou que “a crença humanista na perfeição do homem é falsa... e a razão da falsidade é o erro de não se reconhecer o pecado original. A vida é essencialmente trágica e fútil...”. Certamente existiram outros pessimistas mais antigos e mais ilustres que Hulme — Santo Agostinho e Scho­penhauer, por exemplo — mas o mentor dos humanistas foi Hulme. Na Inglaterra, a grande visão progressista havia sido difundida por H.G. Wells e Bernard Shaw e pelos socialistas, mas Eliot e Pound, assim como W.B. Yeats, rechaçaram-na. Ao rechaça-la, pareciam dispostos a abraçar doutrinas tão vis como o fascismo, e a aceitar práticas tão vis como o genocídio. T.S. Eliot, que como o generalíssimo Franco, foi um cavalheiro cristão, esteve do lado errado na Guerra Civil Es­panhola. Ezra Pound, que adorava Mus­solini, esteve do lado errado na guerra mundial que se seguiu àquela e este foi um crime muito mais grave. 


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POR EM 23/04/2012 ÀS 10:41 AM

A última entrevista de Clarice Lispector

publicado em
Uma rara entrevista de Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura. Depois de gravada, Clarice pediu que a entrevista só fosse divulgada após sua morte. Foi ao ar dez meses depois. Clarice morreu em dezembro de 1977, aos 57 anos

 
Júlio Lerner
 

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”... Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”... Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la. São quatro e quinze da tarde e disponho de apenas meia hora. Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio. Estou correndo e antes mesmo de vê-la a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista. Eu odeio a TV brasileira! Só meia hora para ouvir Clarice. O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha. Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio. Estou desconcertado, atinjo o saguão dos estúdios e a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio do vaivém dos cenários desmontados, de diversos equipamentos e de técnicos que falam alto, no meio de um grande alvoroço.


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POR EM 20/04/2012 ÀS 06:10 PM

50 frases célebres de escritores clássicos

publicado em
Seguindo a ideia de um ensaio com frases de personalidades históricas, publicado pelo jornal inglês “The Observer”, do grupo The Guardian, reuni para esta edição 50 frases célebres de escritores de díspares perfis, nacionalidades e épocas — de Shakespeare a Guimarães Rosa.  Chequei a autenticidade de cada uma delas para não incorrer nos risco das falsas atribuições, já que a profusão de textos apócrifos e equívocos relativos à autoria faz da internet uma fonte pouco segura. Diferentemente da lista publicada pelo “The Observer”, não selecionei apenas frases ditas textualmente, mas também aquelas fictícias, que foram emprestadas às personagens e obras por intermédio de seus criadores, como os casos de “O horror! O horror!”, últimas palavras do capitão Kurtz antes de morrer, do livro “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad; ou “Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, trecho inicial de “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói; ou ainda, “Viver é negócio muito perigoso”, dita por Riobaldo, narrador-protagonista do romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Além de frases fictícias, há também frases retiradas de entrevistas, textos ensaísticos e biografias, como a célebre “Luz, mais luz” que teria sido as últimas palavras do poeta alemão Johann Wolfgang Goethe. 
 

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POR EM 18/04/2012 ÀS 10:55 PM

30 contos de até 100 caracteres

publicado em

Embora não seja reconhecido como um gênero literário — sendo associado às tendências de vanguarda e ao minimalismo —, os “microcontos” ganharam um grande número de adeptos nas duas últimas décadas. A partir do início dos anos 1990, estudos e antologias começaram a abordar o tema de forma enfática, resultando em centenas de publicações em todo o mundo.

Ainda que pareça, as micronarrativas de ficção não são algo recente. Grandes nomes da literatura mundial como Tolstói, Jorge Luis Borges, Bioy Casares, Julio Cortázar e Ernest Hemingway já incursionaram pelo tema. O escritor guatemalteco Augusto Monterroso, que morreu em 2003, é tido como um dos fundadores do “gênero” com o conto “O Dinossauro”, escrito com apenas trinta e sete letras e considerado o menor da literatura mundial, na época: “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.” O norte-americano Ernest Hemingway também é o autor de outro famoso microconto, com apenas vinte e seis letras: “Vende-se: sapatinhos de bebê nunca usados.” No Brasil, o pioneiro foi o escritor Dalton Trevisan, com o livro “Ah, é?”, de 1994. Mesmo não havendo nenhuma regra clara, uma das definições para o microconto seria o limite de 150 caracteres, incluindo espaços.

Reuni 30 microntos de autores brasileiros e estrangeiros, extraídos dos livros “Not Quite What I Was Planning”, “It All Changed in an Instant” e “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”, além do jornal “Observer”, e do suplemento literário “Babelia”, do jornal “El País”. 


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