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BRUNA GALVÃO
EM 12/07/2010 ÀS 09:27 PM
No último dia 6 de julho, aniversário da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954), fiquei a pensar em sua maneira tão particular de pintar (e aí, cabe o verbo nos dois sentidos) a si própria perante os outros. Trazer a tona tudo aquilo que se esconde atrás de nossa carne, dar formato aos nossos traços visíveis, unir tudo o que somos em um instante é um exercício diário que fazemos para nos mostrar. Frida, como ser humano, se fez conhecer em seu cotidiano, porém, não da maneira como esperamos. Além de se mostrar aos outros, ela se apresentou a si mesma.
Não falo das características de toda a sua obra surrealista — apesar de haver um pouco de nós em tudo aquilo que construímos —, mas sim, da força de seus auto-retratos; uma força surpreendente, que bate e que afaga o olhar do observador. Que pensamentos passavam pela mente de Frida enquanto os pintava? Vítima de poliomielite, de acidente de trânsito e de inúmeras conturbações na vítima pessoal, seus quadros eram um retrato de tudo aquilo que a rodeava. Chegou a declarar uma vez: “Pensavam que eu fosse surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade.” E dessa realidade saíram auto-retratos em que a pintora aparece duplicada com o coração a mostra (“As Duas Fridas” - 1939), ou nua em uma cama de hospital ligada aos fetos que havia perdido (“Hospital Henry Ford ” - 1932).
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BRUNA GALVÃO
EM 25/02/2010 ÀS 02:56 PM
Há 50 anos morria em um acidente de carro na França o genial ensaísta, escritor e filósofo franco-argelino Albert Camus (1913 — 1960). Com diversas obras consagradas, como “O Estrangeiro”, “O Mito de Sísifo”, “A Peste” e “O Homem Revoltado”, o Nobel em Literatura do ano de 1957 vivenciou experiências extremas em sua vida, como a infância pobre na Argélia, onde nasceu e a melhora de posição social e econômica na França, quando adulto. Miséria, guerras, estudos, viagens, Comunismo... Sem dúvida são muitos os fatores que ajudaram a moldar a personalidade do autor, que veio ao Brasil em 1949 e que em um diário relata suas impressões, suas ansiedades e suas decepções desta viagem. Como todo ser humano, Camus agrada, finge, interpreta, impõe-se, rende-se às pessoas e às situações. Como estrangeiro, comete erros de pronúncia, de grafia, além de incompreensões culturais. Como detentor de uma extrema inteligência e sensibilidade, ele conta, observa, confessa-se e surpreende nessa narrativa tão particular. Seu caderno pessoal foi publicado pela primeira vez em 1978, na França, pela Éditions Gallimard (“Journaux de Voyage”). No Brasil, foi lançado pela Editora Record com o título “Diário de Viagem — A Visita de Camus ao Brasil*”, e a sua terceira edição traz notas de justificativa à grafia errônea de certas palavras e esclarecimentos a alguns comentários. Devido à quantidade insuficiente de anotações para se originar um livro, a publicação também aborda uma estada nos Estados Unidos, além de uma brevíssima permanência no Uruguai, Argentina e Chile. Como os comentários sobre o Brasil ocupam um maior número de páginas, ao mesmo tempo em que o leitor irá se deparar com observações singulares de um estrangeiro em uma terra estranha, também terá a possibilidade de se encontrar com um Camus “ele-mesmo”, e não somente com o intelectual de conferências, entrevistas e palestras.
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BRUNA GALVÃO
EM 29/01/2010 ÀS 03:21 PM
Inicialmente publicado em capítulos na revista americana “Rolling Stone” em 1996, o livro narra uma história ficcional de fortes manipulações de imagem por um programa de televisão, que investigava um “escândalo” no exército dos Estados Unidos. O enredo até pode ter sido inventado, mas suas características de detalhes são tão imensas que o leitor consegue visualizar-se sentado em seu sofá assistindo o programa “Dia & Noite”. Não foi à toa que Wolfe tornou-se o “pai” do New Journalism ou o criador do Jornalismo Literário (estilo de jornalismo que utiliza técnicas narrativas da literatura para abordar fatos informativos). Ele não apenas conta uma história, mas relata-a. Faz isto com uma imensidade de detalhes e com tanta naturalidade que aquele que lê torna-se envolvido na trama e passa a olhar os fatos do ponto de vista dos personagens.
A começar pelo título, a história é realmente uma verdadeira “emboscada”. Três jovens soldados americanos (‘Jimmy’ Lowe, ‘Ziggy’ Ziggefoos e Flory) pertencentes ao posto militar situado no Forte Bragg (estado da Carolina do Norte, sul dos Estados Unidos) são acusados de terem assassinado um rapaz (Randy Valentine), companheiro de batalhão, pelo fato de este ser homossexual. Mas a emboscada a que se refere o autor não é com relação ao garoto morto, mas sim, aos três vivos: estes são monitorados por semanas por câmeras escondidas no bar aonde costumavam ir. Os produtores do programa “Dia & Noite” assistiam tudo ao vivo da sala de emissora. Esperavam a hora em que eles comentassem o “assunto”. Wolfe demonstra que não há limites para uma grande emissora quando a pauta pode render “explosões” futuras na sociedade. Para conseguir um resultado promissor, um canal de tv não é só capaz de grampear lugares e fazer escutas, mas também de utilizar “iscas” para a sua “armadilha”. No livro, após terem captado falas expressivas (e incriminativas, a princípio), até uma streaper é contratada para “ajudar” os soldados em suas “confissões”. A famosa apresentadora do programa, Mary Cary Brokenboroug, também surpreende os rapazes com a sua presença no trailer, para onde eles foram atraídos.
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