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Brasigois Felício

POR EM 01/12/2009 ÀS 09:47 AM

Cidades da solidão

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Edifício Master“Há cidades que a gente jamais visita, exceto em momentos de desespero”. (Henry Miller). Toda janela é indiscreta, e olha para a vizinha com secreta inveja, mórbida ou lasciva curiosidade. Que sofrimento abrigará a outra, metida a besta, que ela não conheça? Toda cidade é frenética, para quem entra feito sonâmbulo na vertigem de seu ritmo intenso. Os prédios da selva de pedra olham-se uns aos outros com remorso e compaixão. Todo prédio, milionário, remediado ou paupérrimo, é monstruoso, quando visto pelos olhos do medo.  Os que são habitados pelos tristes e infelizes das cidades sofrem de secreta solidão, e são vistos com desprezo pelos prédios elegantes. Prédios como o Master e o Irajá, no Rio de Janeiro, têm vergonha de si mesmos, e guardam, em torturado silêncio, palavras de compaixão, que jamais dirão uns aos outros.
           
No Edifício Master mora um ator cuja carreira foi encerrada por uma cena desastrada. Ao fazer uma cena em que morria depois de levar um tiro a queima roupa, na cabeça, por excesso de estampido, ficou surdo, na hora. Acabou ali sua carreira de 69 filmes feitos. Hoje só tem recordações de glória extinta e esquecida. Lá tem um senhor solitário que cantou com Frank Sinatra, e há 60 anos, todos os sábados, às 10 da manhã, coloca em último volume “my way”, e conta com o grande astro, sendo coberto de aplausos pelos vizinhos de plantão.


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POR EM 24/11/2009 ÀS 04:15 PM

A hora dos bárbaros

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A hora dos bárbarosA hora das hordas começa quando a barbárie avança, a afogar a inocência, e a assassinar toda a esperança. Parece ser este mundo em que vivemos – um mundo selvagem e sem freios, alucinado e hostil à amorosidade  presente na energia da vida. É a conclusão fatídica a que se pode chegar, quando vemos o crime organizado, dentro e fora dos presídios, a cometer assassinatos covardes de policiais, civis e militares, ordenando que se incendeiem ônibus lotados de pessoas inocentes.

O fato nos faz lembrar o poema atribuído a Maiakóvski: “No primeiro dia, eles invadem nosso jardim, e destroem nossas flores. E não dizemos nada. No segundo dia, eles invadem nossa sala, e matam nosso cão. E não dizemos nada. E como não dissemos nada, arrancam nosso coração pela boca. E como não dissemos nada, já não podemos dizer nada”. O avanço da audácia e monstruosidade das hordas de bárbaros, nascidas do seio varonil de nosso amável e jeitoso povo brasileiro, parece indicar que estamos em face da banalidade do mal. Como nos trágicos tempos do Holocausto nazista. “E como não dissemos nada, já não podemos dizer nada”.


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POR EM 26/09/2009 ÀS 09:46 AM

Tesoureiros de Deus

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“Pequenas igrejas, grandes negócios”. Mais verdadeiro do que este brocardo, no alvoroçar da safra de empresas que vendem a peso de ouro a promessa de salvação, só inventando outro. As empresas da fé começam com pequenas portinholas — e de tanto vender prosperidade líquida e certa, em fogueiras que se dizem santas, logo estão bombando, obrando em dinheiros sem conta, a espalhar filiais por toda parte, inclusive nas estranjas, tais como oligopólios ou multinacionais, presentes onde hajam consumidores para seus produtos. No caso, o produto mais procurado, que não tem prazo de validade, nem necessita ser licenciado pela vigilância sanitária, é a salvação eterna. 
 
Nada a espantar se o milionário negócio da fé ampliar-se e repartir-se em nichos de mercado, chamados de filés, por garantirem lucro em cascatas, visto ser cativa a freguesia, constituída de inquilinos com cadeiras cativas no céu. E neste nicho empresarial a educação vem na ponta, visto ser necessidade essencial, sem a qual a sociedade entra em estagnação de pântano.

Caminhava por uma avenida nas imediações do Parque Vaca Brava, em Goiânia, em priscas eras espessa mata nativa, constituindo-se em paradisíaca da verdolenga Goiânia. No lugar onde se erguiam grandes e frondosas árvores, até com pequizeiros, remanescentes do bioma campo, um dos braços do cerrado, só desolação de grandes raízes arrancadas, voltadas para o sol. Onde só o verde havia, só aridez ficou.

Por lá, nos idos da minha infância, deambulei, com meus espantos, nirvanado bucolismo, mais parecendo a paisagem um paraíso terrestre. Da Campininha das flores até o alto Macambira (hoje chamado de Setor Pedro Ludovico, pelos esnobes, que rejeitam a denominação que lembra a pobreza a população pobre, a que chegou em tempos de vacas magras, tendo que andar léguas, para acessar um manancial, ou furar poços, para acessar o bem essencial da água. 

Nisto vi um homem, ao lado de uma dessas camionetes que falam línguas estrangeiras, e proferem sermões. Era um biliardário tesoureiro de Deus. Sua igreja tem filiais até nos States. Anda cercado de seguranças, anda em Mercedes blindada, e tem votos e dinheiro grosso para eleger parentes e aderentes a qualquer posto de mando. E nisto já em mandando bala, com gosto de pré-sal antecipado. Engomado e engravatado, falava ao celular, cercado de placas de propaganda da nova instituição de ensino que ali será erguida, sob os auspícios da próspera empresa religiosa que preside, em fausto de executivo do Banco Lehman Brothers antes de trabalhar contra si próprio, em bamburro ao contrário.

Mais à frente, em toda a avenida, só o que vi foram empreendimentos educacionais milionários, todos dizendo-se detentores da chave capaz de abrir as portas do céu. Tanto assim que em letreiros faustosos garganteiam deter o sistema pedagógico que educa para a salvação eterna — e o sucesso financeiro aqui na terra. Pois não há nada mais rentável do que o negócio da fé: seus tentáculos estendem-se a quase todos os setores da economia — desde o filão das confecções de vestuário adequado aos modelitos, até a milionária indústria de shows e gravações de discos qualificados como pertencentes ao rico filão dos Gospel.


Pensei então, com meus comigos: que tipo de cidadão ou ser humano pode ser formado a partir da concepção e ensino de que, a partir das crenças que professam, pessoas podem ser chamadas de irmãos e irmãs, e as outras, que não falam pelos mesmos dogmas da cartilha bíblica são tidas como inimigas, ou ímpias?

Vendo aquela engomada figura, de terno mais preto do que as asas da graúna, mais parecido com um corretor da Bolsa de Valores de Nova York do que com a despojada figura de Jesus de Nazaré, em cujo nome investe e lucra, sem ser flagelado pelas tropas de fiscais do governo, (sendo o seu próspero negócio livre de taxas e impostos) fui andando, tristonho, vendo as últimas chácaras sendo derrubadas para o erguimento de prédios de apartamentos, de alto luxo, paraísos de vidro, aço e granito.

Mais à frente, onde se via vetusto sobrado colonial, destes que ostentam uma história, e um rosto arquitetônico, só chão batido. Onde frondosas árvores se erguiam, só guindastes e bate-estacas batendo, a abrir buracos na terra: logo ali se erguerá mais uma caixa de morar. Ocorreu-me então este pensamentar: Mesmo seres da insustentabilidade: vivendo em desinteligência com a realidade, e ainda queremos ser donos da verdade!  
 


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POR EM 19/09/2009 ÀS 08:52 AM

Seres da insustentabilidade

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O ser humano nasce para a felicidade, mas tudo faz para mantê-la longe de si. Em desarvoro constante, vive à cata do que o alvoroce em sua compulsiva ansiedade. Nada lhe traz contentamento, pois que está sempre a fugir de estar em si, e de bastar-se com o presente. Assim vive a consumir-se em emoções vazias, a acumular coisas de que não precisa, e a gastar sem cuidado os dias que lhe são dados. E quando chega o tempo de escutar o assovio das Parcas, olha das paisagens do passado, e constata: tudo fez para distrair-se do que importe, em idolatria do inútil. E pouco fez para realizar-se como humano, tentando simplesmente ser feliz.           

Fernando Pessoa-poeta, por quem falaram tantas almas ardentes, confessou, em seu desassossego de viver: “Não sei quantas almas tenho/Cada momento mudei/continuamente me estranho/nunca me vi nem me acabei/”. E, mais adiante: “Quem não tem alma não se acalma”. De fato, parecem criaturas do desassossego, as que são acometidas de uma espécie de doença de São Guido do espírito. Pois estão sempre a distrair-se, como se o viver tenha que ser uma eterna diversão e um permanente divergir do que na vida importa.
 
Tais criaturas nunca estão no endereço de alma em que estão. Tudo fazem para não se lembrarem de si mesmas, permanecendo nas rasuras do nada, pois têm medo de se reconhecerem em suas profundezas. Enquanto a vida – ou a moça - passa, “fazendo pirraça/fingindo inocente/tirando o sossego da gente/”. Daí a lucidez das palavras de Miguel de Unamuno: “Eu sou humano, e nada humano me é estranho”. “Nós sabemos quem somos ou o que somos, mas desconhecemos quem podemos vir a ser”, escreveu o bardo William Shakespeare.
 
O bicho homem vê a si mesmo como dono e senhor da natureza, com direito a explorar suas fontes de vida até o esgotamento. Sendo o único animal terrestre a ter consciência de si mesmo, é o único a, de maneira selvagem e covarde, ferir de morte a natureza de que é parte. Sendo um recente passageiro na paisagem do planeta, se faz profano em sua insustentabilidade, cego para a beleza e a verdade de seu pertencimento a tudo o que vive e passa – como ele próprio é um efêmero passante neste mundo. Assim vive em predatória insanidade. E não sabendo que é um todo em meio a outros bilhões de outros todos, que são as coisas, os entes, viventes e gentes, põe-se de parte da totalidade.
 
“A vida é mais do que uma noite?”, pergunta a escritora Rosiska Darcy Oliveira, em seu livro “Reengenharia do Tempo”: “Na vertigem ou no afã de ganhar a vida, as pessoas vivem correndo para a morte. O retorno (ou o encontro) essencial é tentar fazer com que a vida volte a ser viva. Afinal, vivemos e morremos correndo atrás de que, mesmo? Afinal, somos apenas sonhos uns dos outros, duramos o tempo de uma noite, e muitas vezes nossos sonhos são pesadelos dos quais não conseguimos acordar, pois que os sustentamos e os criamos com a realidade absurda em que escolhemos existir”.
 
Argumenta a escritora, que trabalhou com Darcy Ribeiro, e partilhou de seus sonhos e de seu trabalho para inventar um Brasil diferente, por meio da educação. Não esta que aí está, a enganar a todos que dela participam (governo, professores e estudantes), e a construir, em campo minado, as fundações de um que, possuindo todas as condições para fazer de si mesmo uma obra prima, escolheu sucumbir à lei da inércia e à preguiça do gigante, na vala comum da mediocridade que se vê como vitoriosa.

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POR EM 06/09/2009 ÀS 10:44 AM

Moendas do globalitarismo

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“O homem deixou de ser o centro do mundo. O centro do mundo hoje é o dinheiro”. (Milton Santos). Assim a água vem para o lucro uma vez que, sendo conhecida por sua marca, passa a ser um produto. Pelo qual se irá cobrar mais caro, a cada dia que passa — e boa parte do mundo de hoje não pode mais pode ter acesso a água que não seja paga.

Tal inversão de caminhos, com o Homo Sapiens transformando-se no carrasco da sua casa planetária, a única, em todo sistema solar, onde pode existir vida tal como a conhecemos, resulta do triunfo do “globalitarismo”, uma forma globalizada de totalitarismo que segundo o famoso geógrafo baiano, acima citado, incentiva a formação de novas formas de totalitarismo social. O consumismo compulsivo, tornado uma pandemia emocional, é uma delas, chegando a constituir-se em um novo totalitarismo, que pode também ser chamado de neodarwinismo social. 

Com o triunfo deste avassalador modelo de fundamentalismo invisível aos olhos desatentos, grandes interesses financeiros propagam o conceito de que o povo nada pode fazer por si mesmo — assim os oligopólios multinacionais podem continuar a explorá-lo e a dominá-lo, com as armas massivas da ciência da criação de desejos, a que se costumou chamar, eufemisticamente, de marketing — uma ciência que não tem ethos nem saber que lhe seja próprio, apenas vampiriza, manipula e apropria-se de conhecimentos de áreas ligadas aos labirintos da mente, reelaborando-as e manipulando-as, para alcançar seu objetivo maior, que é o lucro maximizado, não importando o seu custo humano, os danos que provoca aos ecossistemas da natureza.

Permanecemos em atmosfera de sonhos enquanto acreditamos que um futuro é possível. Como reação ao domínio da máquina de gastar gente, no dizer de Darcy Ribeiro — na verdade a máquina agora tem mais pressa, e se destina a matar, literalmente. Uma reação silenciosa, mas poderosa, eclode, como incêndio criador, de atores invisíveis, e que jamais foram levados em consideração.

Tal globaritarismo, imposto aos povos de todo o mundo, por uma decisão maquiavélica das corporações e esquemas de domínio financeiro e político, é imposto aos pobres como um paraíso ao contrário: os de baixo ficam cada vez mais abaixo, e os que se colocam no topo da pirâmide elevam-se cada vez mais. De tal modo isto se globalizou que, segundo Josué de Castro, a humanidade hoje está dividida entre dois grupos: o grupo dos que não comem, e o grupo dos que não dormem. O primeiro não dorme porque tem fome, e o segundo não pode dormir, com medo dos que não comem.

Milton Santos enfatiza que tais agentes coletivos de transformação atuam de baixo para cima, por meio de formas solidárias de ação, em movimento que vai na contracorrente das mídias do capital financeiro, que cronifica a reprodução das formas de violência e alienação do ser humano, fazendo com que viva e atue como inimigo de sua própria espécie, além de se tornar algoz de nossa casa planetária.

Não por acaso a água é vendida como produto, a quem possa pagar pelo melhor preço, e não um recurso não renovável da natureza, acessível a todos os que dela precisam para trabalhar e viver. A água é vista e colocada como um ativo econômico, por parte de empresas públicas ou privadas, que a têm como ouro azul. Tudo é feito em nome da lógica financeira, sem que sejam levados em conta fatores essenciais à sobrevivência da espécie, como a cooperação e a solidariedade, princípios da lei natural, que rege o funcionamento de toda a natureza. 

“Um mundo assim já não está por conta de Deus — já está funcionando por conta do Diabo”, já o disse o coronel Ponciano de Azeredo Furtado, truculento e atrabiliário personagem do romance “O Coronel e o Lobisomen”, de Carlos Cândido de Carvalho. Deve haver um mundo onde o medo, a violência e a exploração do homem pelo homem não sejam o prato do dia, imposto aos povos do mundo como o salário da desumanização. Um mundo sonhado pelos poetas visionários, nas utopias do paraíso perdido, como nos diz o poeta português Eugênio de Andrade: “Deve haver um lugar onde um braço e outro braço/sem mais que dois abraços/ no ardor de folhas mordidas pela chuva/as manhãs perto/nem que seja de rastos/”.   
 


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POR EM 22/08/2009 ÀS 11:42 AM

A glória de Cora Coralina

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A glória de Cora Coralina, à medida em que o tempo passa, cada vez aumenta mais. Turistas visitam a cidade de Goiás, agora reconhecida como patrimônio cultural da humanidade, motivados pelo retrato que a poetisa faz de seus becos, de seu casario colonial. Seu rosto poético se confunde com a fisionomia da cidade. É um caso de amor coletivo gerado pela criação poética. Sua estrela, que já brilha intensamente, tende a brilhar mais fortemente ainda, depois que o patrimônio histórico da antiga capital foi afetado pela enchente da virada do ano. De outros países, de vários continentes, chegam ou pedem notícias sobre ela. Um amigo, o Antonio Hipólito, tem um irmão que não via há 30 anos.

Corrido da ditadura militar, pelo crime de alfabetizar pelo método Paulo Freire, deu com os costados em um país do continente africano. Intelectual e tradutor, viu por lá um poema de Cora, e se interessou em conhecer mais, de sua obra.  Em visita aos pais, em Corinto, (MG) pediu livros da poetisa. Acionado pelo Hipólito, peregrinei, em sebos e livrarias, a fim de atender o pedido. Aproveitei para mandar outras obras, da lavra de outros poetas e escritores goianos. Outro amigo dá-me notícias de ter visto livros de Cora em Miami. E acrescenta: de escritores de Goiás, lá só dá Cora, Bernardo Elis e José J. Veiga. Neste último, impressiona a todos a denúncia da brutalidade, na invasão de cães e bois, a uma cidade. E estes três, quanto mais passar o tempo, mais terão a força de sua arte reconhecida.
 
Como esquecer que a gloria de Cora Coralina foi detonada pelo cronista Carlos Drummond de Andrade? Em sua crônica, no “Jornal do Brasil” (o mesmo jornal que, bem há pouco, a ela dedicou todo o seu “Caderno Letras”) o anjo gauche itabirano escreveu sobre a vida simples e cintilante de Cora: “Vejo em Cora Coralina uma estrada cheia de sol, em que passam o Brasil antigo e o Brasil atual, sem as crianças e os miseráveis de hoje. Sua poesia é extremamente simples. Tem o ritmo do andar e abrange a realidade do país. Em seus mais belos poemas conta que dentro dela vive uma cabocla velha, que vive à beira do fogão, e uma doce lavadeira do Rio Vermelho, com cheiro de sabão e água; vivem também uma cozinheira, cheirando a pimenta e cebola, e uma mulher proletária, linguaruda, sem preconceitos, e uma irmãzinha, a que ela chama de mulher da vida”.

Daí o interesse profundo em com a poesia e a poesia simples dessa mulher goiana extraordinária, única entre as poetisas de seu tempo, que ousa assumir tais identidades. Cora celebra todas as vidas com o mesmo sentimento de quem agradece a Deus por estar no mundo. E defende, exalta, proclama os humildes; tira poesia de tudo. Como no poema “Ode às muletas”, símbolo de resignação ao sofrimento; como a oração ao milho, em que imagina o que o que o milho está dizendo ao vento. E o canto festivo dos galos, na glória do dia amanhecendo: “Eu sou o milho no cocho do curral, onde o gado vai buscar sua comida”. Eu sou a pobreza vegetal, agradecendo a Deus”. Cora não esquece o menor delinquente, o menor abandonado. Dedica-lhes poemas sem demagogia, ou falsa piedade.

Cora é um instrumento extremamente sensível às dores da sociedade, porém não prega nenhuma reforma social, por meio da violência. Sua intenção, seu destino, é derramar sobre toda gente o óleo de um amor universal. Um dia chamei-a de diamante goiano, cintilando na solidão de sua casa pobre à beira da ponte, em Goiás. Mas agora a vejo inserida na eternidade, luzindo como uma estrela. Que a estrela de Cora estava predestinada a luzir sempre, e cada vez mais, já o anunciou, profeticamente, mestre Drummond. Sim, ela tinha razão: “Não morre quem passou cantando pela vida a música de seus versos”. 
 


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POR EM 15/08/2009 ÀS 10:08 AM

Existencialismo e angústia

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A angústia do romance existencialista é uma presença forte na literatura brasileira. Em muitos casos fundiu-se com o realismo fantástico, casos de Murilo Rubião, José J. Veiga, Clarice Lispector,  Campos de Carvalho, e até mesmo na estética da crueldade, em Bernardo Élis, ou na ficção e no teatro de Miguel Jorge, e nos contos de Delermando Vieira ou de Antonio José de Moura.  
 
É uma literatura forte, feita de luz e sombra. Sua atmosfera é a de quem se deixa levar pelo desvario da imaginação e de seus desejos, que focam os personagens em situações-limite, em que são capazes de cometer atos hediondos ou sublimes. Por ser capaz de simbolizar, o Homem também pode individuar-se. Segundo Octávio Paz, “O homem é a imagem na qual ele mesmo se encarna”. Na liberdade da arte, o Ser regata o contra-depressor lúcido, que o salva de seu instinto de morte.
 
O que poderia oferecer Raskolnikov, atormentado personagem de “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, à empregada da estalagem. O que poderia ele fazer, a não ser mostrar o milagre indigente de sua Presença? Ele estava ali, faminto e febril, prestes a ser despejado pela polícia. Em sua pobreza visionária, tinha sonhos de salvar o mundo, e no entanto estava prestes a cometer um crime hediondo. Que fronteira separa o idealista do assassino? Que lógica absurda sustenta as ações do terrorista, que em nome de Deus, ou da pátria, mata milhares de inocentes, só para chamar a atenção para sua causa?

Para Jean Paul Sartre, “A palavra arranca o prosador de si mesmo, e o lança no meio do mundo, e devolve ao poeta, como um espelho, a sua imagem”. Onde começa a psicologia do Ser, aí começa a poesia da existência humana. Onde o Homem, interrompendo seu existir mecânico, indaga ao universo: Quem eu Sou? De onde vim? Para Onde vou? Qual o sentido de tudo isto? Cresce, e se agiganta, não mais a besta saciada que procria, mas a criatura auto-consciente, que se apropria da parte de si mesma que é grande.
 
Se Freud tivesse talento poético seria vasto, como o foi William Shakespeare. Como não dispunha de talento criador, mas possuía imenso poder sintetizador, como ensaísta, recorreu aos mitos, e ao vertiginoso, e abissal Dostoiévski, com seus sublimes parricídios. Assim fazendo, com seu fedorento charuto freudiano, Mr. Sigmund fez um gol de letra, ao inventar a psicanálise.
 
Talvez por ter concebido o crime perfeito de escrever a “Crônica da Casa Assassinada”, em que houve um crime sem castigo, Lúcio Cardoso, filho de tradicional família mineira, escreveu o desabafo: “Meu movimento de luta, aquilo que viso destruir e incendiar, pela visão de uma paisagem apocalíptica e sem remissão, é Minas Gerais. Meu inimigo é Minas Gerais. O punhal que levanto, sem pedir a aprovação de quem quer que seja, é contra Minas Gerais. Que me entendam bem: contra o jesuitismo mineiro. Contra a família mineira. Contra a fábula mineira. Contra o espírito judaico-cristão que assola Minas Gerais. Enfim, contra Minas, sua carne e seu espírito”.

P.S. O mesmo que levantou e afirmou Lúcio Cardoso, contra o mofo, a hipocrisia e a podridão de Minas Gerais, levanto e afirmo com relação ao Goyaz provinciano dos cambalachos e conchavos, os de alcova e os de fino trato, cometidos entre as cortinas e tapetes das etiquetas.  
 


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POR EM 08/08/2009 ÀS 01:53 PM

O sexo de que se fala

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O sexo de que e fala não é o sexo que se pratica. Assim como a família de que se fala não é aquela que afligimos, e que nos faz sofrer. Nelson Rodrigues foi mais cortante do que navalha afiada, ao dizer: “Se as pessoas conhecessem a vida sexual uma das outras ninguém se cumprimentaria na rua”.
 
O sexo difere de outras necessidades básicas do corpo, como o alimento e o sono, pelo menos em dois sentidos. Em primeiro lugar, em termos ideais, requer a participação de outros seres humanos. Essa participação aumenta a possibilidade de prazer, assim aumenta a perspectiva de confusão emocional, que poucos conseguem evitar diretamente.

Em segundo lugar, embora não seja absolutamente essencial à sobrevivência, muitas são as pessoas que declaram não poder passar sem “aquilo”. Outros, que por motivos de opção religiosa conseguem se manter celibatários, ou refratários ao natural, passam a cultivar perversões terríveis, decorrentes da repressão a um instinto natural

O sexo não seria motivo de opressão, sedução, servidão ou mendicância, fosse um gesto ou ato solitário, como o é, na “contravenção” a que chamamos de masturbação. Desde a bíblia até os livros de sexologia mais antigos, esta prática, pela qual a pessoa dá satisfação ou prazer a si mesma é tida, havida e defenestrada como infame, hedionda, capaz de levar uma alma aos infernos dantescos.
 
No mais das vezes, porém, o sexo é cumprido e exercido a dois, exigindo, portanto, participação de outra pessoa, do sexo oposto, ou do mesmo, como vem se tornando moda — havendo casos em que a participação de mais de uma pessoa é requerida, levando a supor que um parceiro ou parceira não é suficiente para se alcançar o “alumbramento” a que os sexólogos chamam de orgasmo.

Este, no mais das vezes, quando comparece, dá o ar da graça de modo ridico e esporádico, emboramente existam os felizardos (oh!Insana inveja —  as felizardas) que o têm no modo múltiplo e incontido, parecendo serem habitados por explosões sucessivas de paraíso. Repito: se fosse um ato solitário, como o é na masturbação, o sexo não seria motivador de tanta dor e confusão.

Os que buscam satisfação como criaturas pervertidas, possuídas por estranhas pulsões antinaturais, que implicam em violação do direito de outros não desejarem fazê-lo, apelam para a sedução ou a sevícia. Outros violentam ou aliciam, com armas feridoras, ou argumentos econômicos. Mas felizmente há também, em maioria, o encontro amoroso que se faz com carinho e ternura, e não com violência e força bruta.

Se em alguns casos o caso é de amor de cochambração, resultante de apego à satisfação, em outros o sexo é perpetrado como violência bruta, podendo ser feito ao modo de incesto, no seio da sagrada família, tendo como vítimas criaturas inocentes e indefesas, como no caso da menina de 9 anos, que o padrasto engravidou — vindo sua família a ser excomungada pela igreja, que não viu com escândalo e reprovação o ato criminoso daquele que violentou e abusou, em vez de dar guarida e proteção.

No sexo como na vida cotidiana de nobres e plebeus, milionários e descamisados, “o que dá pra rir dá pra chorar”, como diz a canção popular. Onde se inicia o som da vida a morte também tem seu lugar. Assim, é possível conhecer o grau de sanidade física, psíquica ou mental de uma pessoa pelo modo como ela fala (ou se cala) sobre o sexo que faz, ou que renega.

Ou, em outros termos: pela sanidade ou verdade do sexo que a pessoa faz, nega, (ou do qual vive a falar) sabe-se o que a pessoa é. Assim como for a qualidade dos desejos de uma pessoa, assim será sua qualidade de Ser. Jean-Ives Leloup o disse: “Basta que nasça um desejo em nós, para que as coisas comecem a existir”. 

 


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POR EM 01/08/2009 ÀS 11:58 AM

Diário de bardo

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Vinícius de Moraes foi um incêndio na noite  — espaço de ternura e esperança, enquanto durou. Sabendo que a vida é um risco, um relâmpago na noite interminável, no atemporal, para além da provisoriedade, viveu no limite da entrega e do afeto. Achando “melhor viver do que ser feliz”, não quis para sai eterna dor de cabeça de João Cabral  — nem o seu medo da vida, no jeito quadradinho de se fazer matemático do verso, quando o que lhe faltou foi pulsão de Eros.
           
O poetinha assumiu o risco de ser o branco mais preto do Brasil, e de cantar em buate, com o que demitiu-se do mundo dos engravatados do Itamaraty, assim reconhecendo os sem gravata aproveitam mais o direito geral, que todos têm à felicidade. Sabendo que já se nasce morrendo, não quis andar morrendo por nonadas, e no limite do risco e da paixão, esteve em todos os encontros, e em todas as despedidas.
           
Não foi tão sacana, como dele se propagou. “Foi só um pouquinho”, como dele disse Chico Buarque. Apenas apaixonava-se à primeira vista pelas mulheres belas, que o devolviam à vida. Em verdade, nem queria sair com a maioria das mulheres que cantava. Como se deu com Tônia Carrero, que ele cantava, sempre que podia. Ela, agastada com isso, disse-o a um cronista, boêmio como ele próprio: “Da próxima vez, aceite. Mas diga que tem que ser pra já”. Dito e feito. Vinícius cantou, Tônia aceitou, mas informou: “Tem que ser agora”. “Também não é assim, não é, formosura da vida!”, desconversou o poetinha.
           
Em seu arrebato de viver, o poeta tinha que estar a mil por hora  — para sentir-se vivo na intensidade proporcional à energia total de Itaipu Binacional. Se viveu no limite do gesto camicase de uma intensidade total, foi por saber que “viver é perigoso”, e só se justifica o milagre de haver nascido se o prodígio for exercido com a intensidade de um incêndio  — e a verdade de amar não venha cobrar recibo de um dom que vem do infinito  — e que se mantém vivo enquanto dure.                                                                      

*

“Enquanto despertava nossas sombras descobriu o significado de si mesma”. Assim escreveu Clarice Lispector, viajante da noite de sua angústia estranha, sobre a vertigem de beirar abismos, em que se compraz certa categoria de artistas. Às vezes é preciso beirar abismos, sobreviver a terríveis perigos, para conhecer o lado vertiginoso da alma. Só então, esquecendo, depois de abandonar os cacos do passado, sem pensar em perdas e danos, tomamos a trilha incerta  — o que é promessa de perigos, mas abertura a possibilidades.
           
No dizer do poeta Vicente Huidobro: “O mundo cambaleia/quando de meu passado recebo/aquilo de que preciso/para viver nas profundezas de mim mesmo/”.
 
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Tão estrategista é o ego, que quando pensamos poder vencê-lo um dia, é ele que pensa isto  — e em sua esperteza nos engana, a sugerir que venha a sabotar a si próprio. O pensamento é seu costumeiro disfarce, que utiliza, para nos fazer enganar a nós mesmos. 
           
Eckart Toole assinala: “Um dia vou me libertar do ego. Quem está falando? O ego. Libertar-se dele é verdadeiramente um grande trabalho. Mas pode ser uma tarefa pequena. Basta estarmos conscientes de nossos pensamentos e de nossas emoções, à medida em que vão surgindo. Não se trata de fazer, e sim de ver com atenção. Neste sentido, é verdade que nada podemos fazer para nos libertar do ego. Quando essa mudança acontece, ou seja, quando passamos do pensamento para a consciência, uma inteligência muito maior do que a esperteza começa a agir em nossa vida”.
 
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Sendo, em sua vaidosura descomunal, um peru grugulejante, metido a poetastro de província, pediu licença para “usar da palavra” roufenha, feito taquara rachada, no quintal do poetariado. Queria grugulejar sozinho, apaixonado que sempre foi por escutar sua própria voz  — tão estrondosamente ruidosa que desmancha roda de bêbados.
 
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No Brasil os artistas e escritores estão mal acostumados a viver e a serem tratados como artistas da fome. Convidados a atuar ou a dar palestrar nos mais distantes lugares, vão para “dar” mesmo, uma vez que jamais lhe perguntam o preço de seu trabalho. É como se só vivessem para almoçar ou jantar, como o comedor de gilette, da sátira de Ary Toledo: “Decente, deixa eu cume uma giletezinha, pra vancê vê! Que euu num cumi nadinha inda hoje!”.
           
Como eternos artistas da fome, não temos direito a dar o preço de nosso trabalho, em um mercado onde tudo se compra, menos o produto dos artífices do verso, como já verberava Brecht. Mas sempre chega o tempo da decadência, em que nem para trabalhar de graça são os bardos do poetariado (membros do lumpenzinato cronificado) são solicitados.
           
Alguns, caídos nas graças de governos, após anos de conformismo e cumplicidade, em que tiveram que atuar como obedientes serviçais, chegam a receber homenagens “em palácio”. Se tivessem brio na cara, e percebessem a mancada, perguntariam, como sugeriu Bertolt, o dramaturgo poeta: “Onde foi que errei?”. Para alguns “gênios da raça” as glórias, por frias, já chegam tarde. Outros vivem de cavá-las como podem, em todos os Estados da federação, onde detêm e manobram ligadas de serviçais compadres ou comadres.

A maioria, porém, soterrada pelo esquecimento, não deixa a mínima lembrança de haver existido. Nas praças não deixarão nomes, nem serão estátuas onde pássaros farão suas titicadas. Deles se saberá que passaram, como tudo passa. Por efêmeros instantes, como o passageiro deslumbramento de fogos de artifício, refulgirão no oceano da imbecilização  das consciências e em mares de novas e triunfantes mediocridades. 
 

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POR EM 11/07/2009 ÀS 09:04 AM

África negra: a história dos vencidos

publicado em

Em seu livro “História da África Negra” o historiador e professor Jean-Marie Lambert leva-nos à conclusão de que o trágico caminho sofrido pela África negra  tinha como razão fundamental não só a cobiça e a selvageria com que a “civilizada Europa” e, mais tarde, o “democrático” Estados Unidos faziam de sua estabilidade e prosperidade econômica o nefando comércio de pessoas condenadas, à força de brutal violência, ao trabalho servil. É desolador constatar que contribuíam para o sucesso do próspero segmento mercantil a inexistência de um sentimento de unidade africana.

Não existia a sensação de pertencer a uma mesma realidade ou a universo de interesses por oposição ao mundo externo. O pan-africanismo e filosofias afins apareceram em épocas recentes e ainda têm dificuldades para penetrar o espírito popular. “Não é sem razão que, até há pouco, 4 milhões de sul-africanos de origem holandesa conseguiam dominar 25 milhões de negros através do regime do apartheid”. Tendo sido, uma associação internacional de riscos e lucros, como enfatiza o autor deste livro, “o escravismo teve o próprio povo africano como ator voluntário, no processo.

Os negros comprometidos com o tráfico não eram vítimas de um papel que não entendiam. Pelo contrário, o compreendiam tanto quanto seus parceiros europeus. Aceitavam seus desafios e exploravam suas oportunidades”. Tal constatação, aterradora, sem dúvida, lança a visão de quem nem só os brasões assinalados vindos da ocidental praia lusitana saíam a fazer bramuras e malvadezas pelo mundo, aí incluindo a mãe África, onde iam buscar homens livres, tornados escravos, à força de fuzis, pelos próprios africanos.

O nefando comércio do escravismo, que durante muito tempo forneceu mão de obra servil à “máquina de gastar gente”, no dizer de Darcy Ribeiro, teve momentos de heróica resistência, por parte da população negra, como a da luta de libertação nacional, dos Mani Congos, no coração da África negra, em 1665 – fato omitido pela historiografia oficial que, para Jean-Marie Lambert, “ajeita o passado para atender objetivos políticos presentes...) Fuzil, escravo, açúcar... uma ciranda infernal, que fez as fortunas européias. Era normal enriquecer através deste circuito sórdido, porque não havia outra maneira de ficar rico. Os povos da África Ocidental pagaram o mais elevado tributo à formação do capital europeu, mas os historiadores da Sorbonne  se esqueceram de registrar o fato”.

Há muito mais a ler, de modo a que o leitor não se canse de admirar, espantar e se indignar; admiração pelos vastos - e pouco difundidos pela visão eurocêntrica da História Oficial- conhecimentos sobre a África Negra e o selvagem processo de  expropriação da liberdade e da dignidade humana, que se abateu sobre o universo banto. Depois de promover verdadeira faxina nos mitos tradicionalmente utilizados para a apreensão da história africana, o autor debruça-se sobre o contexto geral, focalizando a antiguidade e a idade média; e aí repete-se a estratégia do colonizador branco, jogando africanos contra africanos, e indianos contra indianos, fazendo com que os colonizados se matassem uns aos outros.

Tal lógica absurda dá razão a Jean Paul Sartre, quando afirmou: “Quando os ricos fazem a guerra os pobres é que morrem”.  Fazendo uso de sólida erudição, fundada em sólida pesquisa documental, esta obra, de fascinante e enriquecedora leitura, é uma contribuição de grande valor para o aprofundamento dos conhecimentos sobre  tão vasto e ainda pouco explorado tema.    
 


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