Desenho de  Wendy MacNaughton
revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Chega ser desonesto articular a situação ambiental degradante atual à religião, como se doutrinas religiosas fossem reponsáveis pelo buraco na camada de ozônio, por exemplo ou quem sabe pelas tonelada ...

    7 horas atrás por Carlos Rio sobre Pode detonar que Deus recupera
  • Compartilho da mesma angústia. ...

    12 horas atrás por Elizabeth sobre Garrafa ao mar
  • Euler e Elder, obrigado pelos comentários. ...

    13 horas atrás por eberth vencio
  • Caro, lei sempre seus textos. Gosto sempre. Entretanto, quando exagera na conversão de estrangeirismos para a língua portuguesa, fica bobo. Uma sugestão: não deixe de fazê-lo, mas faça com cautela, d ...

    13 horas atrás por Elder sobre A pior coisa que já escrevi na vida

últimas no twitter

  • Respire: 'Summertime' (George Benson e Jill Scott): http://t.co/CFRBWEat
    4 horas atrás
  • Numa carta escrita um ano antes de sua morte, Marilyn Monroe já se despedia: http://t.co/aQGLv7T0
    4 horas atrás
  • Busque um lugar para se hospedar, diretamente com os proprietários, em 19 mil cidades de 192 países: http://t.co/E28pOJhQ
    4 horas atrás
  • Navegue pelo corpo humano em 3D (é mais detalhado do que o aplicativo do Google): http://t.co/vHI5k5gi
    4 horas atrás
  • @myriamkazue Normalmente, não?
    7 horas atrás

parceiros

  • twitter rank


sugestões de livros

  • e eventualmente nojentas de casais escatológicos

sugestões de filmes

Antônio Carlos

POR EM 29/09/2008 ÀS 03:09 PM

Quando meia palavra basta

publicado em


Quando nos deparamos com a ignorância fora da escola já estão colocadas as condições para a plena indignação, aquela mais aguda e revoltante. Porque a ignorância é a mãe da brutalidade, da estultice, da insanidade intelectual. Além de embrutecer as pessoas, corrói as forças da sociedade, as emergias do país.

Já é grave assim quando se manifesta nas ruas. Mas quando a ignorância finca raízes no interior das escolas - configurando claramente os equívocos e distorções das políticas públicas levadas a efeito na área educacional - então o sentimento tangencia a perplexidade e a hedionda repulsa.     

A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE traz à luz uma realidade perversa, terrífica: temos no Brasil 2,1 milhões de alunos entre 7 e 14 anos analfabetos. E o mais grave é que, deste universo, quase 88% freqüentavam a escola no ano passado. .

Um outro dado de levantar defunto: 29% das crianças com 7 anos de idade não sabiam ler e escrever, em que pese 90,8% delas estarem presentes em sala de aula, freqüentando a escola.

Geograficamente, a região nordeste é o quadrante do país onde o problema mais se evidencia, se manifestando de maneira avassaladora. Nada menos que 44% das crianças nordestinas com 7 anos encontram-se na situação de iletrados. É quase a metade dos brasileirinhos que lá residem. 

Na região Norte, este indicador chega a 39,6%.

Já na faixa que se inicia nos 8 e se estende até os 14 anos de idade, o índice de analfabetismo bate a casa dos 5,4%, segundo o IBGE. E o mais curioso e inaceitável: a esmagadora maioria desses brasileirinhos - vítimas da desídia governamental - são estudantes, estão nas escolas, e se não aprendem não é em razão do abandono, da perambulação pelas ruas, becos e esquinas. Não, freqüentam as aulas, prestam com habitual regularidade as provas e exames de avaliação, registram diligentemente a freqüência. Para se ter uma idéia do quão acintosa é esta realidade, do universo de 1,3 milhão de analfabetos no extrato, 84,5% estão estudando, ou seja, 1,1 milhão.

E aqui, importa abrir um parêntese: a eloqüência dos dados apresentados na Síntese de Indicadores Sociais do IBGE pode esconder uma situação ainda mais absurda. Na faixa contemplada pelo estudo, dos 8 aos 14 anos, o analfabetismo seguramente é muito maior em virtude de desconsiderar a população de 7 anos, que, pelo menos em tese, deveria cursar a 1 série do ensino fundamental, ainda em fase de alfabetização.

São números que deveriam falar por si, indicadores que deveriam ser suficientes para alterar as políticas públicas estabelecidas pelo MEC. Ensina o ditado popular que, para os que têm vergonha na cara, meia palavra basta. Já para os que não têm, uma locomotiva é insuficiente.


leia mais...
POR EM 23/09/2008 ÀS 05:05 PM

Professor - profissão maldita ?

publicado em


Nas últimas décadas, a questão salarial dos professores foi se agravando a tal ponto que, hoje, se constitui num dos principais gargalos da educação.

Houve épocas em que os professores gozavam não somente do respeito da comunidade, como também do reconhecimento das autoridades governamentais. Faziam jus a uma remuneração condizente com as responsabilidades do profissional que modela cidadãos, e recebiam salários similares aos que, contemporaneamente, recebem os juízes de direito, por exemplo. Mas é um tempo que já vai longe. E que poucos se recordam.

Com o objetivo de universalizar o acesso ao ensino, o governo encontrou no achatamento salarial uma estratégia – simplista e perversa - para financiar seus investimentos na educação. E perseguiu de forma tão obstinada esse objetivo que a parca remuneração acabou se tornando o motivo mais salientado pelos profissionais para justificar a evasão dos educadores para outros setores da economia.

Todas as pesquisas recentes evidenciam que os professores formados evitam o magistério. Os profissionais mais experientes abandonam o setor mal se deparam com a primeira oportunidade, enquanto os recém-formados sequer ingressam na carreira. Conduziria o magistério a uma profissão maldita?

A mais recente pesquisa sobre o assunto vem do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais – Inep - do Ministério da Educação. E se ainda pairasse no ar qualquer sombra de dúvida, lançou para escanteio: os formados em Licenciatura sequer se aproximam das salas de aula, guardam da lousa a mesma distância que o diabo mantém da cruz. Os dados são reveladores e pela expressividade, chegam a chocar os mais desavisados. Na média, 71,2% deles não atuam no magistério. Estamos falando em média, conceito que - de alguma forma - ajuda a escamotear o problema, porque esconde a fuga que, em algumas áreas, beira a casa dos 90%.

O resultado da pesquisa mostra que não ocorre déficit de professores. Nos ensinos Fundamental (da 5ª a 8ª série) e médio atuam 1.049.099 mestres. A necessidade real, contudo, é de 725.991 profissionais para atender aos 15 milhões de alunos matriculados.

Quando se analisa a evasão dos profissionais da educação por disciplina, o quadro fica ainda mais desolador. Para se ter idéia, nos últimos cinco anos, dos 33.361 formados em Química, só 8.466 estão em sala de aula, apenas 25% não abandonaram o barco. Em Física, dos 18.158 diplomados, restaram 6.196 para lecionar.

As razões desse quadro caótico, de penúria e insustentabilidade? O próprio estudo do MEC sugere: os professores foram em busca de empregos com maiores salários.

É óbvio ululante que a crise que acomete a educação brasileira não se resolve num passe de mágica, simplesmente com o Estado atuando sobre a oxigenação da massa salarial do setor. Como é óbvio evidente que sem esta providência o setor jamais conseguirá responder às demandas da sociedade.

Resolver a questão da remuneração insuficiente dos professores deve ser prioridade das autoridades do setor. Conjugada com políticas eficazes de gestão que contemplem sistemas de cobrança por resultados, sem dúvidas, conduziria ao ambiente e ao cenário propícios, necessários para a qualificação da educação brasileira.


leia mais...
POR EM 15/09/2008 ÀS 06:43 PM

A política do o resto é que se dane!

publicado em


Estados Unidos e Inglaterra são duas potências que construíram a pujança de suas economias e do progresso social que usufruem investindo de maneira determinada e continuada em educação.

De lá vem a experiência colhida pelo governo do Estado de São Paulo para promover um salto de qualidade, uma guinada no modelo educacional paulista.

Um dos pontos mais destacados do modelo é a adoção de uma política de compromissos.
 
Ensina o planejamento que a conquista de metas e objetivos deriva da qualidade dos compromissos assumidos. Se algo não vai bem ou encontra-se fora de controle, é bastante provável que a carta de compromissos encontra-se eivada de vícios, equívocos ou pura má fé.

O planejamento como a educação, no Brasil, são historicamente tratados a pão e água. Onipresentes nos discursos, na verve e no proselitismo político, foram lançados à categoria do “bonito de falar para jamais aplicar”.

Ao se estabelecer compromissos e pactuar responsabilidades o que se busca é a construção coletiva, o fazer solidário. Nada que lembre o “fiz minha parte, o resto é que se dane!” o “cada um por si de Deus por todos” ou o “não tenho nada a ver com isso!”. Construção coletiva implica em ser reconhecido quando metas são cumpridas e, na ponta oposta, ser chamado à responsabilidade quando se deixa de alcança-las.

Como o pacto de compromissos encontra-se no centro estratégico do novo modelo, professores, coordenadores, direção e servidores da unidade escolar deverão planejar suas atividades especificando claramente o que, quando, onde e de que modo fazer. Implica dizer que a equipe pedagógica será submetida a periódicas avaliações, respondendo pelos resultados. Quando positivos, a contrapartida do Estado se materializará por bonificações por merecimento e incremento do orçamento para a escola. Mas quando negativos, a resposta se materializará com um corolário de punições como a redução orçamentária podendo chegar, no limite, ao fechamento da escola.

Outro aspecto relevante do novo modelo paulista é a implantação do currículo unificado. Isso no Brasil sempre funcionou de mentirinha, sempre existiu de forma muito precária. Como os problemas de gestão são crônicos, raramente os professores se orientam e cumprem os planos de aula e de curso. Com freqüência, o que geralmente ocorre é que os próprios professores acabam definindo, unilateralmente, que capítulo do livro ministrar, qual adaptar, qual fatiar, que seções simplesmente desconsiderar,... A partir da nova sistemática, os conteúdos pedagógicos serão repassados integralmente, se necessário com a reposição e a readequação da carga horária.

Um terceiro ponto compõe o tripé desse novo arranjo organizacional: é a aplicação de avaliações regulares ao término de cada etapa ou ciclo.

Felizmente, nos últimos anos, o Ministério da Educação tem submetido o setor a um virtuoso processo de avaliação. Da educação básica ao nível superior, a cultura da avaliação já se encontra internalizada dentre nós.

Na batalha para resgatar o papel da educação brasileira, colocando-a como ponta de lança do processo de desenvolvimento econômico e social, os fatos evidenciam que o Estado de São Paulo está no caminho certo. Estou plenamente convencido que o sucesso logo se mostrará intenso, avassalador. A ponto de retirar da leniência as demais unidades da federação.


leia mais...
POR EM 08/09/2008 ÀS 08:58 PM

A porcaria que custa ouro

publicado em


Preocupada com as questões ambientais, a sociedade civil se organiza, se mobiliza, faz das tripas coração para assegurar um planeta mais limpo e saudável para as futuras gerações. Movimenta mundos e fundos, mas quando chega o instante da aferição, os resultados que emergem da ponta do lápis enfatizam contas que nunca fecham, sempre distantes dos números positivos.

E se assim ocorre, a responsabilidade é quase sempre dos governos e das grandes empresas e corporações. É que os objetivos destes muito dificilmente convergem para os da sociedade, a não ser na propaganda e no proselitismo fácil e enganador. 

Tomemos o caso da Petrobrás como exemplo.
 
Empresa governamental, deveria ser a primeira a dar exemplo de sustentabilidade ambiental, e de fato o faz... nas peças publicitárias; setor onde gasta jazidas e mais jazidas de dinheiro vivo... ou – melhor dizendo – de dinheiro imantado pelo viscoso óleo negro. 
 
Utilizando modelos matemáticos sobre dados obtidos com farto material colhido na atmosfera de São Paulo, a pesquisadora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, professora Leila Martins, chegou à conclusão que a gasolina nacional gera muito mais ozônio do que o necessário, pior, do que o fartamente propagado. 
 
Quando compara o combustível produzido pela Petrobrás com a gasolina fabricada na Califórnia, nos Estados Unidos, a pesquisadora conclui que a produção do poluente em São Paulo cairia 43% se os automóveis utilizassem combustível com padrão californiano de refino.
 
Ou seja, falando francamente e sem rodeios: os brasileiros pagam muito mais caro que os californianos para encher o tanque de seus veículos, mas, em contrapartida, são obrigados a receber um produto de muito pior qualidade. Não bastasse a gasolina suja e batizada com água, benzeno, e ‘otras cositas mas’ que polui o ambiente e funde o motor dos nossos carros, temos ainda que pagar pela porcaria, preço de gasolina de primeiro mundo.  
 
Enquanto o meio ambiente padece e o povo lamenta o prejuízo no bolso e na qualidade de vida, a Petrobrás (com ‘p’ minúsculo, mesmo!) exulta. 

leia mais...
POR EM 28/08/2008 ÀS 05:44 PM

Mais verbas ou mais gestão?

publicado em

Deveríamos desconfiar sempre que a bandeira do “mais verbas para isso” ou “mais verbas para aquilo” fosse solenemente hasteada.
 
Não há setor na administração pública que, diuturnamente, não seja sacudido por movimentos, ONG’s, servidores, lobbies que, com estardalhaço e em uníssono, clamam por mais, mais e mais recursos públicos.
 
Enquanto todos se deixam embalar e embair pelos protestos, pela ‘lógica politicamente correta’ de irrigar com recursos estatais os setores sucateados, a verdadeira causa dos problemas continua – deliberadamente – encoberta: a questão da gestão, o modo como ela é ensinada e aplicada no país.
 
Tomemos como exemplo a saúde pública.
 
O setor sempre amargou problemas dos mais graves, com a população sendo aviltada pelos serviços que recebe, invariavelmente de péssima qualidade.
 
As pessoas morrem nas filas dos hospitais?, então tome como solução “mais verbas para a saúde”. Faltam medicamentos?, “mais verbas para a saúde”, protestam os de sempre. A Dengue recrudesceu? “mais verbas para a saúde”, é a saída definitiva; e daí segue...
 
Repetida à exaustão, a “falta de verbas para a saúde” virou unanimidade nacional. A ponto de facilitar o propósito do governo federal de sangrar as forças vivas da nação com sua prole infindável de tributos, como é o caso da CPMF e CSS.
 
Quem não se lembra das ameaças, o governo propagando que o fim da Contribuição implicaria na hecatombe, no caos absoluto, inclusive com o fechamento de hospitais e postos de saúde. A CPMF caiu no Congresso Nacional, e tudo continuou como dantes.   
 
Os que não se deixam embalar pelo canto da sereia já perceberam que o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo. A realidade é que os recursos existem – e em abundância. O que falta, está claro, é boa gestão e vergonha na cara.
 
Mais precisamente no campo da saúde, envergonha saber que, dos R$ 1,6 bilhão destinados à área, nada menos que R$ 426,5 milhões evaporaram, sumiram, desapareceram, foram tragados pela péssima gestão, fada-madrinha de todos os tipos de corrupção.
 
Os dados foram extraídos dos relatórios de fiscalização da CGU, a Controladoria-Geral da União. Custa acreditar, mas o levantamento do governo federal mostra que dos R$ 1,5 bilhão transferidos pelo Ministério da Saúde - nos últimos quatro anos - para 1.341 municípios, ¼ ou 25% se destinaram aos ratos que se locupletam na corrupção.
 
É pouco? Então tome “mais verbas para a saúde”.
 
O desvio de recursos públicos já alcançou tal grau de gravidade, que os gestores públicos sequer se constrangem em avançar sobre orçamentos estratégicos, fundamentais para a população carente, como o Programa de Atenção Básica. E dinheiro que deveria atender aos mais necessitados é canalizado para confeccionar abadas de carnaval temporão, adquirir eletrodomésticos e promover festas e confraternizações.
 
Outro setor onde esta realidade afronta a vista é o dos esportes. Em quatro anos, a União investiu na área desportiva R$ 692 milhões. E onde foram parar esses recursos? Só a Confederação de Judô recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro R$ 10,86 milhões. Mas o judoca Eduardo Santos foi lutar em Pequim sem dispor dos R$ 1,5 mil para trocar de faixa. 
 
A realidade é que jamais, em toda a história do país, houve tanto dinheiro para a preparação dos atletas, considerando o ciclo olímpico.

Em que pese o expressivo incremento dos recursos, a olimpíada em que o Brasil obteve o melhor aproveitamento foi a de Atenas, em 2.004, que rendeu cinco medalhas de ouro. No ciclo da Grécia foram gastos R$ 250 milhões.  
 
Se o Brasil desejava, na Olimpíada de Pequim, realizar o negócio da China, deu com os burros n’água. Cada medalha nos custou R$ 53 milhões, excluída, naturalmente, as obtidas com o futebol, considerando que a CBF não conta com dinheiro público.  
 
E o ultimo escândalo estampado em todas as páginas dos jornais confirmam que “o mais verbas para isso” e “o mais verbas para aquilo” é o grande jargão que acoberta a nefasta prática de corrupção, já cristalizada no imaginário coletivo.  
 
Quinze anos atrás, a política brasileira foi sacudida com a divulgação do escândalo protagonizado pela máfia dos “anões do orçamento”. As apurações efetuadas à época resultaram na formalização de acusação contra 15 parlamentares, seis cassados e quatro que optaram pela renuncia. As investigações que desnudaram os anões do orçamento apuraram um desvio de R$ 101 milhões.  
 
No escândalo que acaba de sair do formo, o secretário nacional do Partido dos Trabalhadores está no centro de um gigantesco processo de corrupção que, pelos dados do Ministério Público, desviou mais de R$ 700 milhões. O esquema criminoso envolve 23 construtoras e 119 prefeituras nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins. O achaque ocorreu contra as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estruturando uma rede de informações privilegiadas, com participação de funcionários do Ministério das Cidades, Integração Nacional, Saúde e até do Tesouro Nacional. 
 
Portanto, caro leitor, quando se deparar com o tal de “mais verbas para isto” e “mais verbas para aquilo”, coloque todos os fios da barba de molho.  
 
Ao invés de “mais verba” o correto seria “mais gestão”. Mas esta é uma palavra de ordem sem rima, pelo menos no Brasil da corrupção. 

leia mais...
POR EM 19/08/2008 ÀS 12:15 PM

Observação - a luz que ilumina o caminho

publicado em

O ator é uma das referências do teatro. Para que um espetáculo chegue a bom termo, pelo menos sob o ponto de vista técnico, há que se ter no mínimo dois sujeitos: de um lado o ator, e do outro, o espectador.
  
Para transmitir sua mensagem, o ator se municia de diversos instrumentos e técnicas, como a linguagem gestual e a presença de palco; a impostação da voz e o aperfeiçoamento da dicção; a re-elaboração do texto, do contexto e de suas diferentes nuances; a interpretação cênica e um conjunto de outras ferramentas que tornam sua ação dramática mais eficaz.
 
É este conjunto de técnicas que faz do teatro - enquanto instrumento de transmissão de conteúdos - a manifestação artística mais ampla, abrangente e adequada de todos os tempos.
  
Foi por esta razão que originalmente no Egito, e depois na Grécia e no restante do mundo, os sacerdotes e as elites religiosas utilizaram o teatro para reverenciar suas principais divindades.
  
Foi este conjunto de técnicas que levou Padre Anchieta a utilizar o teatro como instrumento de catequese, de conversão dos índios à causa cristã.
  
O teatro consegue - de forma presencial - aglutinar as demais atividades artísticas como a dança, a música e a oratória, tornando-se, além de ponto de convergência, o mais ameno, agradável e eficaz veículo de comunicação.
  
Não foi outro o motivo que levou o clero, na idade média, a conduzir o teatro para o interior das igrejas, promovendo autos que realçavam o conflito entre bem e o mal, massificando os valores da moral cristã.
  
Por suas exclusivas características e poder de mobilização, o teatro também tem servido aos propósitos dos sistemas autoritários de direita e de esquerda. Na Itália e na Alemanha nazi-fascista; nos países comunistas da então cortina de ferro; em Cuba, China e na Coréia comunista, é utilizado como caixa de ressonância da ideologia vigente.
  
Assim como um bisturi pode ser manuseado para o bem e para o mal, também o teatro é um instrumento apto para ser utilizado conforme a conveniência e interesses de plantão.
 
O teatro - e a arte de uma forma geral - atuam sobre os cidadãos, que tencionam a sociedade e a realidade, transformando-as para o progresso que expande e liberta, mas também para a inércia que limita e comprime.
 
No contexto de uma educação que atue sobre os indivíduos habilitando-os para compreender, interpretar e modificar a realidade; e no contexto do exercício de um tipo de liderança que mobilize a equipe – do setor público ou privado - para a superação dos desafios, o teatro tem lugar de destaque.
  
Por isto deve ser utilizado em profusão tanto no ensino regular como no informal, tanto nas linhas de produção quanto nas reuniões de planejamento estratégico. Das creches e pré-escola, passando pelos ensinos fundamental, médio e superior, o teatro pode se constituir num grande canal de condução dos conteúdos pedagógicos. Da base da pirâmide produtiva, onde se operacionalizam as tarefas, ao vértice superior, onde se instala a alta direção, o teatro pode se constituir num grande canal de condução dos conteúdos de qualidade, de difusão do empreendedorismo.
  
Nas relações que se estabelecem nos centros de ensino, unidades de produção e instituições públicas, perpassam mensagens e valores que muitas vezes se desviam do destino, ou chegam de forma distorcida, truncada e alterada. O domínio das técnicas dramáticas por todos que vivenciam o espaço educacional pode contribuir para a desobstrução dos canais, para a limpeza do lixo que congestiona nossas vias de integração.
  
Nos locais em que o teatro é utilizado como ferramenta de internalização de valores e princípios, os compromissos se intensificam, as responsabilidades se aprofundam resultando em conquistas mais expressivas, com as metas sendo sucessivamente superadas.
  
Um dos grandes segredos do teatro é a observação. O autor da peça teatral, o diretor e os atores do espetáculo exercitam-na à exaustão, pois disto depende a performance dramática de cada um. A caracterização de qualquer personagem será tanto mais profunda quanto mais detalhados forem os estudos originados das observações, efetuadas com rigorosa acuidade. É comum, por exemplo, atores que interpretarão personagens mais marcantes como doentes mentais ou presidiários, internarem-se em sanatórios e centros de detenção para, observando em profundidade a realidade em foco, levar ao palco uma representação mais qualificada. Quando se verifica um teatro medíocre feito por atores medíocres, no fundo o que ocorre é a absoluta carência da habilidade da observação. Sem uma primorosa capacidade de observação, o teatro perde substância e qualidade.
  
Também na ciência é assim. Grandes descobertas se devem não às intenções dos cientistas, mas às suas capacidades de observar fatores que ocorrem ao largo do planejamento e da lógica traçada para o projeto de pesquisa.
 
Alexander Fleming, o pai da penicilina, deve esta esplendorosa descoberta à observação. No ano de 1928, enquanto concentrava todo o seu esforço e atenção numa pesquisa sobre a gripe, observou que sobre uma lâmina de culturas de estafilococos originou-se, acidentalmente, um mofo com um círculo em torno de si. Dando continuidade às experiências, comprovou que uma cultura líquida do mofo - que denominou penicilina - impedia o crescimento das bactérias mesmo quando diluída centenas de vezes. Por conta do experimento, fruto de observação, Fleming ganhou o Prêmio Nobel de Medicina e a penicilina desde então tem ajudado a salvar milhões e milhões de vidas humanas.
  
O fato do exercício teatral exigir de seus integrantes exaustivas investigações alicerçadas na observação metódica, é mais uma forte razão para que esta manifestação artística seja apropriada pelos educadores, pelos gestores, pelos dirigentes, pelos líderes, pelos empreendedores.
  
Um professor que não tenha desenvolvido um tino apurado para a observação, será quando muito um catequizador, jamais um educador. Formará alunos incapazes de enxergar a si, em conseqüência incapazes de enxergar o outro e o mundo.
 
Um gestor que não domine com profundidade as técnicas de observação jamais estará em condições de sistematizar alternativas e oportunidades, jamais estará apto a identificar as ameaças, jamais conseguirá o respeito de sua equipe.
 
O mesmo ocorrerá com o empreendedor que estará atuando num ambiente hostil na condição de um perneta cego.
 
Em decorrência deste tipo de deficiência, caso ignore as relações de causa e efeito, caso não consiga desvendar a realidade a sua volta, o cidadão dificilmente saberá organizar, sistematizar e extrair do pensamento o componente capaz de lhe dar materialidade e eficácia.

leia mais...
POR EM 12/08/2008 ÀS 03:14 PM

O fundamento imprescindível

publicado em

Os paradigmas - quando devidamente incorporados ao imaginário popular - atuam como um buraco negro, sugando e fazendo desaparecer tudo o que se encontra no caminho.
 
No caso da escola pública, por exemplo, sem que se admitam exceções, a avaliação que caiu na vala comum implica em caos e péssima qualidade de ensino.
 
Outro paradigma convenientemente sacralizado é a panacéia criada em torno da escola de tempo integral. Manter as crianças na escola durante todo o dia passou a ser o sonho acalentado por pais que anseiam um futuro melhor para os filhos.  
 
Devemos a Einstein uma importante comprovação científica: de que tudo é relativo. De modo que, nem todo o ensino público é de péssima qualidade e nem a escola de tempo integral faz as vezes da varinha mágica capaz de transformar o quadro caótico e nefasto em que foi mergulhada a educação brasileira.
 
Não faz muito tempo o Fundo das Nações Unidas para a Infância comprovou a existência de educação de qualidade na escola pública. A conclusão do Unicef resultou de uma ampla pesquisa, efetuada em todo o território nacional, e que teve como parceiros o Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
 
A pesquisa resultou na publicação do documento "Redes de Aprendizagem" que, surpreendendo o pensamento dominante, demonstrou que boas práticas de redes municipais de ensino não são tão escassas como se acreditava, e não se concentram nas unidades mais ricas da federação. Ao contrário, estão presentes e dispersas por todo o território nacional.
 
A pesquisa tomou como universo 37 redes municipais de ensino. O ponto de convergência é que essas redes superaram a média nacional do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, sobretudo nos quesitos em que a vulnerabilidade social atuava como obstáculo para a aprendizagem do aluno.
 
As redes municipais de ensino que conseguiram se qualificar - apesar do lamaçal que asfixia o ensino nacional - priorizaram em seus processos o Planejamento, os Sistemas de Avaliação, e a Leitura. Neste tripé encontraram as portas para os bons resultados.
 
Todos sabemos que o Planejamento não pode tudo, mas pode muito. Se executado com critério e perseverança é capaz de transformar fraquezas e ameaças em forças e oportunidades. Traduzindo em miúdos, gestão continua sendo um fundamento imprescindível.  
 
O outro paradigma também cai por terra. E a comprovação vem de São Paulo, a unidade mais rica da federação.
 
Os dados do Saresp - exame aplicado pelo governo do Estado de São Paulo - do ano de 2007, evidenciam que, das 60 escolas com período integral na capital, tão somente quatro tiveram notas mais altas que as médias das demais unidades de suas regiões. Menos de 7%, portanto. Mais tempo na escola não implicou em melhores notas dos estudantes.
 
Esses resultados referem-se à avaliação dos alunos de 4ª e 8ª séries que se submeteram às provas de matemática e língua portuguesa. 
 
As escolas de tempo integral foram implantadas, no Estado de São Paulo, no início de 2.006, acrescentando mais quatro horas à jornada diária de estudos, que passou de cinco para nove horas. De imediato, a nova sistemática foi como que ovacionada pela comunidade; mas logo se verificou que a falta de planejamento para as atividades extras e a inadequação da estrutura física das escolas estavam comprometendo a performance do novo modelo.
 
Portanto, abandonemos as análises superficiais e os paradigmas sacralizados. Mesmo quando tudo parece perdido, é possível regatar a qualidade no ensino público. Planejamento, Avaliação e Gestão eficaz fazem diferença. Quanto às panacéias, deixemos para os herbolários. Não basta ficar mais tempo na escola. É necessário assegurar que este tempo seja bem aproveitado, que as atividades sejam devidamente planejadas, articuladas com as disciplinas, que as bibliotecas apresentem condições apropriadas, que os recursos humanos sejam capacitados para assumir o novo modelo...

leia mais...
POR EM 05/08/2008 ÀS 12:18 PM

A fartura do lixo

publicado em

O desperdício é um mal que grassa entre nós. E nas dimensões que vem ocorrendo, reflete o nível e a qualidade de nosso desenvolvimento: sofrível, perdulário, indigente.
 
Para onde se mira o olhar, qualquer que seja a direção, o horizonte se apresenta sempre fosco e nublado, tomado por uma fuligem densa que impede a claridade e o sopro do ar. A paisagem é emoldurada por um deserto inóspito e o que se vê na tela é desperdício, puro desperdício, nada que escape à noção de desperdício.
 
Na indústria, no comércio, na prestação de serviços, não há setor da economia que consiga se manter ao largo dos gigantescos e avassaladores tentáculos do desperdício.
 
E não se trata de coisa pequena ou figura de retórica. Os índices são alarmantes, vergonhosos, indecorosos para dizer o mínimo.
 
Na construção civil, por exemplo, a conta chega a um patamar incestuoso: 30% de desperdício. Seria como se, de cada dez edifícios construídos, três fossem escolhidos para serem implodidos, destinados aos containers de lixo, computados como custo desperdício. Mas em alguns setores específicos da engenharia civil, os índices deixam de ser alarmantes para cair na vala do “acredite se quiser”. É o caso de alguns materiais como argamassa, cujas perdas, com freqüência, chegam à casa dos 90%. Isso mesmo, 90%! E não há aqui o mínimo de exagero. Esses dados foram obtidos com rigor científico. Resultam de pesquisa realizada pela UFMG em conjunto com 15 outras universidades brasileiras, levantamento amplo, largo, realizado em 12 unidades da federação.
 
Na agricultura, o IBGE retirou um véu que escondia a realidade medonha do calvário. O Brasil jogou na lata do lixo 81,5 milhões de toneladas de grãos de arroz, feijão, milho, soja e trigo nas fases de pré e pós-colheita das safras agrícolas entre 1996 a 2003.
 
Com um problema tão candente como a fome e a subnutrição, o país consegue a proeza de jogar fora mais alimentos do que consome. Quando se trata de hortaliças, por exemplo, a soma anual de desperdício chega a 37 quilos por habitante, enquanto o consumo por cidadão é de dois quilos a menos, 35 quilos de alimentos por ano. Só na Central de Abastecimento do Rio de Janeiro o desperdício diário é de 40 toneladas de alimentos. Não custa enfatizar, desperdício que ocorre em um único dia e que se repete invariavelmente.
 
Um outro setor estratégico também apresenta diagnóstico de absoluta gravidade. O desperdício chega a ser um escândalo para qualquer um dotado de uma mente medianamente sã. Nada menos que 45% da água tratada para abastecimento das 27 capitais brasileiras é desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor. Traduzindo para o bom português, quase metade da água potável produzida no país não chega, sequer, às torneiras do consumidor. São 6,14 milhões de litros do líquido precioso perdidos dia sim e o outro também, volume suficiente para abastecer 38 milhões de brasileiros diariamente.
 
Tanto desperdício decorre, naturalmente, de um sem número de problemas, a maioria deles, de uma forma ou de outra, relacionada a questões de logística e infra-estrutura física, mas, fundamentalmente relacionados à educação e a cultura. Sim, porque um certo grau de desperdício é administrável e ocorre mesmo nos países desenvolvidos. Mas no volume e na dimensão que o problema se verifica por aqui, só mesmo nos países periféricos.
 
Muito do desperdício resulta de um caldo cultural direcionado para o consumismo, o esbanjamento, a completa ignorância sobre o que seja reduzir, reutilizar, reciclar. A educação não é a panacéia capaz de per si resolver – qual uma varinha mágica – todos os nossos problemas. Mas não resta dúvidas que sem ela, o destino sempre nos parecerá ingrato. E o desperdício sempre será maior. 

leia mais...
POR EM 29/07/2008 ÀS 08:34 AM

A ponte para o futuro

publicado em

Inovação é a palavra chave quando se trata de romper a letargia, promover mudanças, criar movimento e emular uma cultura desenvolvimentista. Manter uma postura de intensa afinidade com as inovações é questão de sobrevivência num primeiro instante, e de sustentabilidade no decorrer do processo de vida, seja individual, coletivo ou institucional.
 
Países que se destacam no cenário mundial e que continuam avançando, apesar da desmedida concorrência imposta pela globalização, adotam uma cultura em que as inovações ocupam lugar de destaque, são estimuladas, desejadas, conquistadas ainda que implique amargar sacrifícios fora do normal.
 
O contrário acontece na outra extremidade. Países que mantém certo desdém para com as inovações, invariavelmente amargam a mediocridade, permanecem aprisionados ao atraso, não conseguem romper com o subdesenvolvimento, acabam ocupando as últimas posições sempre que algum tipo de comparação entre as nações é estabelecido.
 
Parte considerável dos problemas brasileiros decorre da inexistência de uma ambientação e de uma cultura favorável às inovações. Resulta, sobretudo, da fragilidade dos canais de comunicação e do número irrisório de parcerias entre as universidades e a iniciativa privada.
 
É que no Brasil, os setores continuam estanques, falando línguas diferentes e enxergando nos objetivos tão somente o que afasta e conflita: a universidade investindo em pesquisa e gerando conhecimento, e as empresas produzindo e comercializando produtos e serviços. Neste diálogo de surdos-mudos vigora muito de preconceito. O mercado acreditaria que a universidade só prioriza pesquisa pura, sendo incapaz de correlacioná-la com as necessidades imediatas do mundo dos negócios. E a academia – acreditariam os empresários - manteria um olhar enviesado sobre a economia visto que menospreza e demoniza o capitalismo e o lucro.
 
O resultado desta equação?
 
Enquanto nos Estados Unidos e na Coréia do Sul 80% dos cientistas trabalham em empresas, por aqui não ultrapassam 16%.
 
Com as empresas empregando um nível tão limitado de cientistas, como esperar resultados diferentes, como ambicionar uma cultura inovadora e o desenvolvimento tecnológico? De que vale investir tão somente em pesquisa e produção de conhecimento que não se materializam em produtos e serviços baratos e de qualidade para a população? Por outro lado, num cenário baseado na concorrência globalizada, de que vale produzir de forma perdulária, obsoleta, mantendo-se ao largo das inovações que amortecem a competitividade?
 
Temos que juntar as duas pontas deste novelo. Para o bem do país. Este é o desafio para reverter a baixa inovação no setor produtivo nacional: estabelecer sólidas parcerias entre as universidades, institutos de pesquisa e iniciativa privada.
 
Uma das conseqüências mais imediatas da distorção que aqui se verifica é que as atividades de pesquisa e desenvolvimento têm ficado restritas ao setor público. Uma outra, esta positiva, é que cresce o número de empresas que instituem, na alta direção, o cargo de Diretor Científico.
 
Também a legislação tem sido aperfeiçoada, o que deve ajudar na sedimentação de um ambiente favorável à Pesquisa & Desenvolvimento.
 
Considerando nossa participação em publicações especializadas, o Brasil ocupa a 17ª posição dentre os maiores produtores de ciência no mundo (dados de 2.005), o que não é pouco considerando os problemas e gargalos existentes.
 
Resgatando a interação universidade/empresa e aprimorando o marco regulatório, estaremos oxigenando o setor para que, no Brasil, Desenvolvimento jamais deixe de rimar com Pesquisa e criação científica.
 

leia mais...
POR EM 14/07/2008 ÀS 06:53 PM

Enquanto a carruagem passa...

publicado em

Em algumas áreas o Ministério da Educação tem se renovado com uma velocidade que impressiona, dada a histórica letargia das instituições governamentais.
 
A alvissareira modernidade do MEC está ligada à decisão política de incorporar aos processos de ensino as novas tecnologias, fazendo frente aos preconceitos, ao interesses e às más línguas, reações oriundas em grande parte das corporações acadêmicas.
 
Neste contexto, o Ministério planejou e acaba de anunciar a abertura de mais de cem cursos técnicos à distância. É uma notícia e tanto, uma boa nova, dessas que só ocorrem de tempos em tempos, dada a importância de que se revestem. 
 
O novo programa divulgado apresenta números nada modestos. Denominado e-Tec, Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil, encerra como meta a abertura de 143 cursos técnicos à distância, disponibilizando nada menos que 50 mil vagas gratuitas para estudantes de todos os rincões do país.
 
Agrupados em 14 diferentes áreas, os cursos versarão sobre informática, enfermagem, metalurgia, meio ambiente, agropecuária, turismo, construção civil, gestão, indústria, recursos pesqueiros, saúde, comércio, artes, química e telecomunicações.
 
Os cursos técnicos possibilitam um ensino mais consentâneo com as necessidades do país e dos estudantes, focando de maneira singular o emprego e o mercado de trabalho. Por muito tempo foi desdenhado, criticado e boicotado pela academia e setores atrasados da intelectualidade, mas como assegura o antigo ditado popular “... não se consegue enganar as gentes por todo o tempo...”.
 
O planejamento pedagógico prevê cursos com duração média de um a dois anos e, a exemplo do que já ocorre com os cursos de graduação a distância, a metodologia proposta prevê tutoria presencial e a distância, disponibilizada através da implantação de pólos de apoio descentralizados.
 
A outra boa novidade é que, já em agosto, ocorrerão os processos seletivos, sendo que os pólos presenciais já estão definidos.
 
Preliminarmente, o projeto piloto definiu 193 pólos, sendo 16 em Goiás, localizados nas cidades de Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Uruaçu, Ceres, Posse, Rio Verde, Catalão, Formosa, Goianésia, Iporá, Jataí, Luziânia, Morrinhos, Pirenópolis e Porangatu. A previsão orçamentária prevê a aplicação, neste ano, de R$ 75 milhões em cursos profissionalizantes na modalidade a distância.
 
Não faz muito tempo escrevi um artigo sobre a importância dos Cursos à Distância. Ei-lo aqui:
 
 
Como uma onda - EAD
 
O órgão do Ministério da Educação – o INEP - que cuida de avaliar a educação no país divulgou recentemente um dado surpreendente. O número de cursos de educação a distância (EAD) cresceu nada menos que 571%.
 
O número de matrículas não ficou para trás, cresceu 315%. Considerando o ano de 2005, os alunos que faziam cursos a distância representavam 2,6% dos estudantes brasileiros. Um ano depois, em 2006 esse contingente já atingia o patamar de 4,4%.
 
Nas demais modalidades de ensino, surpreende também o crescimento do número de matrículas nos cursos tecnológicos, que registrou um aumento expressivo de 34,3%.
 
Os dados foram extraídos do Censo elaborado pelo Inep. O levantamento permite analisar, de forma consistente, a performance da educação nacional. Todos os anos o Censo atualiza as informações da educação superior contemplando número de instituições, cursos, matrículas, vagas, inscritos, ingressos, concluintes, além de docentes e pessoal técnico administrativo. A pesquisa oferece ainda dados discriminados por turno, diurno e noturno, e conforme a localização das instituições, se fixadas no interior ou nas capitais dos Estados.
 
O crescimento do ensino a distância confirma o prognóstico que muitos já faziam, de que esta modalidade de ensino - dada a flexibilidade e adoção de tecnologias mais consentâneas com as demandas dos dias que correm – deve, a médio prazo, assumir, o topo na oferta de vagas no ensino superior.
 
Percebendo a tendência, o próprio Ministério da Educação passou a flexibilizar as exigências para abertura de cursos de especialização a distância no país, modalidade pós-graduação lato sensu.
 
Até então, a legislação em vigor exigia que as instituições estruturassem um pólo presencial, uma edificação com tutor (professor), biblioteca e estrutura de apoio ao estudante na região em que a pós-graduação era oferecida. O Ministério entendeu que esta exigência configurava num dos maiores entraves à expansão da EAD, desacelerando a expansão das matrículas, daí a deliberação de suprimi-la, de modo que, doravante, a obrigatoriedade da estrutura de apoio se restringe aos cursos de graduação, liberando assim as especializações.
 
Mesmo os educadores que faziam restrições ao novo modelo, avaliando-o com reservas, já se dobram às suas vantagens. E passaram a defender algo intermediário, como um modelo misto resultante da interação dos dois sistemas, o convencional e o sistema de educação a distância.
 
Em outubro do ano passado também publiquei um outro texto dobre EAD.
 
A Educação a Distância veio para ficar
 
Ainda observado com desdém e desconfiança pela conservadora corporação acadêmica, o curso à distância vem se impondo, paulatinamente é bem verdade, mas de maneira irreversível.
 
Uma das mais destacadas e instigantes vantagens dessa nova tecnologia é o fato de ignorar fronteiras, fazer pouco caso da distância física, de modo que as pessoas –comungando do mesmo tempo – juntam-se, avizinham-se, tornam-se colegas de classe, ainda que estejam em continentes diferentes. Não é curioso e provocador criar uma sala de aula virtual onde colegas de sala interagem com um estando em Pirenópolis e o outro em Singapura?
 
Esta vantagem exclusiva, específica e inédita é que possibilitou fosse criado o primeiro curso à distância para o Japão. E não é nenhum curso Walita, desses penduricalhos de curtíssima duração que mal justificam um certificado. Não, nada disso. É um curso de graduação, isso mesmo! de graduação em Pedagogia, com 300 vagas, destinado a formar professores que, na Ásia, já estão na lida, no batente, ensinando para brasileiros.
 
A iniciativa resulta de uma parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Ministério da Educação, que já reservou R$ 2,5 milhões para aplicar no projeto nos próximos cinco anos. O Banco do Brasil apóia a iniciativa e está propondo destinar outros R$ 2,5 milhões para turbinar o processo.
 
A vida de um migrante não é nada fácil. Não bastasse o preconceito, onipresente e radicalizado, quase sempre trabalham à exaustão, muito mais que os naturais do país para - ao final da jornada de trabalho – receberem muito menos. No geral tem quase nenhuma assistência médica, jurídica, social, além de amargar dia sim e o outro também, a saudade dolorida dos parentes, dos amigos, da pátria-mãe, saudade só levemente amenizada numa fotografia guardada com esmero no cantinho mais nobre e reservado da carteira.
 
E não é só. Outra questão por demais grave é a dos filhos dos dekasseguis que assistem aulas com professores improvisados, salvo um aqui e outro acolá, invariavelmente sem a habilitação e a formação adequadas.
 
O propósito é alterar este quadro, superar rapidamente esta etapa para enfrentar uma outra, tão carente quanto a da graduação, a especialização. Então se tratará de habilitar professores em disciplinas específicas como Biologia, História e Física, mas agora oferecidas não somente aos educadores brasileiros, como também aos professores japoneses que têm, dentre seus alunos, filhos de brasileiros.
 
Para dar suporte ao projeto será produzido material didático específico e, ao final de cada módulo – algo em torno de 40 dias - um professor brasileiro viajará ao Japão para cumprir a fase presencial do curso, ministrando aulas em caráter intensivo.
 
Estima-se que existam 320 mil dekasseguis no país do sol nascente. Todo esse contingente, no ano que vem, deverá estar mobilizado para comemorar os 100 anos da imigração japonesa no Brasil.
 
Se um projeto dessa dimensão não consegue demover a acidez e ojeriza cética dos críticos da Educação a Distância, o que mais na face da terra poderia sensibilizá-los?
 
A Educação a Distância está demonstrando no dia a dia que veio para ficar. Indiferente e independentemente dos críticos de plantão. Quem não se lembra quando, respondendo ao amargor dos mal humorados, nossos avós proclamavam: “enquanto a carruagem passa, os cães ladram”?

leia mais...
 < 1 2 3 4 > 
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio