Flávio Paranhos

Flávio ParanhosÊ povinho bunda!
(Algumas impressões de viagem)

Em viagem a São Paulo pra apresentar meu “Dostoiévski vai ao cinema” no Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic), tive oportunidade de constatar alguns fatos e/ou impressões, que seguem.

Procedimento-padrão imbecil
 
O procedimento padrão das companhias aéreas de fazer idosos e pessoas com dificuldade de locomoção na frente é a prova cabal da imbecilidade empresarial humana. Só serve pra aumentar a possibilidade de atraso. O exato oposto deveria ser feito, colocando-os por último (embora sentando na frente), e com ajuda mais ativa dos funcionários da empresa. Do jeito que se faz hoje, quase são atropelados pelos mais afoitos. Isso não é novo, evidentemente, e nem é só agora que me dei conta disso, mas só agora me ocorre escrever a respeito.

Trânsito
 
São Paulo não tem mais “horário bom” para trânsito. É tudo ruim. O tempo todo, pra todo lugar. Goiânia, veja o futuro que te espera!
 
Ê povinho bunda!
 
Leio nos jornais de sexta-feira que o casal Kirshner perdeu a queda-de-braço na questão de aumentar os impostos sobre exportações de produtos agrícolas. De imediato me lembrei da absoluta falta de reação do povo (povinho) brasileiro contra a recriação da CPMF. Precisamos tomar aulas com os argentinos. Urgentemente.
 
Dostoiévski escrevia mal?
 
Esse foi o tema da palestra da professora Maria de Fátima Bianchi, da USP, com quem tive o prazer de dividir espaço na mesma redonda “Dostoiévski – arte”, na Abralic. De acordo com a professora, seu estilo aparentemente apressado e desleixado é proposital, calculado. Tudo bem, mas que ele podia escrever menos “súbitos”, “subitamente”, “num átimo”, “de repente”, isso ele bem que podia.

Woody Allen é superior a Dostoiévski
 
Vingando anos de comparação impertinente entre literatura e cinema, cometi o atrevimento de dizer e mostrar em slide, com todas as vogais e consoantes necessárias, que Crimes e pecados é filosoficamente superior a Crime e castigo. Isso no quartel-general do inimigo – Faculdade de Letras da USP, no meio de eslavistas juramentados. Não fui agredido fisicamente, ninguém tentou me esganar. Ponto pro cinema. Mas o placar continua desigual. Camaradas cinéfilos, a luta continua!

Nankin
 
Havia uma feira de livros animal, com descontos de 30% a 50%. Fiz a festa. Principalmente (e literalmente) no stand da Nankin (a editora que cometeu o desatino de apostar em mim), que tinha bom vinho servido em copos de plástico, com as figuras simpáticas do professor Valentim Facioli, a Margarida e a Viviane (essa última uma doutoranda em Teoria Literária, sempre disposta a ajudar a editora).

Dica

A última Entre-Livros, dedicada ao Machado de Assis, tem um ótimo artigo do professor Valentim Facioli, em que aborda os “olhos de bruxa” de Capitu.



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