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POR EM 12/01/2012 ÀS 08:02 PM

Um coração simples, de Gustave Flaubert

publicado em

Em dezembro de 2011, completaram-se 190 anos de nascimento do escritor francês Gustave Flaubert. Autor de clássicos como “Madame Bovary” e “A Educação Sentimental”, Flaubert é considerado um dos maiores escritores franceses de todos os tempos. Em 1877, aos 55 anos, Gustave Flaubert escreveu o livro “Trois Contes” (“Três Contos”), entre eles um que é considerado sua obra-prima e que ocupa um lugar de destaque na história da ficção universal: “Un Cœur Simple” (“Um Coração Simples”). O conto foi uma ideia da escritora George Sand, que sugeriu a Flaubert que escrevesse “uma história de homem sensível, em que, sem pregar a bondade, sem anunciar a bondade com frases de autor, fizesse com que ela aparecesse nos gestos inconscientes da criatura mais humilde e obscura”. Em comemoração a seu aniversário, publicaremos o conto, dividido em três partes. A tradução é de Clotilde Mariano Vaz, Daniel Vaz e Simia Katarina Rickmann e foi publicada em 1996 pela editora Paz e Terra. (Carlos Willian Leite).


Gustave Flaubert

Durante meio século, os burgueses de Pont-l’Évêque invejaram a Sra. Aubain por sua criada Felicidade. Por cem francos ao ano, ela cozinhava e limpava a casa, costurava, lavava, passava, sabia arrear cavalos, engordar aves, bater a manteiga; permaneceu fiel à sua patroa, que, no entanto, não era uma pessoa agradável. Ela esposara um belo rapaz sem fortuna, que falecera no começo de 1809, deixando-lhe duas crianças pequenas e uma quantidade considerável de dívidas. Então, vendeu seus imóveis, exceto as terras arrendadas de Toucques e de Geffosses, cujos rendimentos atingiam, no máximo, 5 mil francos, e deixou sua casa de Saint-Melaine para morar em outra menos dispendiosa que pertencera a seus ancestrais, localizada atrás do mercado. 


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POR EM 08/11/2011 ÀS 11:21 PM

Os 10 melhores começos de livros

publicado em

Perguntei a 35 convidados, de díspares perfis, quais eram os melhores inícios de livros que haviam lido. Cada participante poderia indicar até três começos inesquecíveis, de autores brasileiros ou estrangeiros de todas as épocas. 37 livros foram citados, mas apenas 23 obtiveram mais de uma citação. São eles “Crônica de Uma Morte Anunciada”, “Cem Anos de Solidão” e “Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez; “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse; “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens; “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “1984”, de George Orwell; “Lolita”, de Vladimir Nabokov; “O Estrangeiro”, de Albert Camus; “Um Amor de Swann”, de Marcel Proust;  “Trainspotting”, de Irvine Welsh; “Viagem ao Fim da Noite”, de Louis-Ferdinand Céline; “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger; “Notas do Subsolo”,  de Dostoiévski; “O Amanuense Belmiro”, de Cyro dos Anjos; “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa; “Moby Dick”, de Herman Melville; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; “O Ventre”, de Carlos Heitor Cony, e “Pergunte ao Pó”, de John Fante. Abaixo, em ordem aleatória, a lista com os dez livros que obtiveram o maior número de citações.


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POR EM 05/10/2011 ÀS 02:28 PM

Dica da Rosana Hermann

publicado em

Publicado originalmente no Querido Leitor (portal R7). Obrigado Rosana Hermann (@rosana).


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POR EM 15/09/2011 ÀS 08:11 PM

James Joyce lendo Finnegans Wake

publicado em

Clique para ouvir:

"A grande queda desdeo altomuro arrastou em curtolance a pftjqueda de Finnegan, varão outrora mais q'estável, que a vaziamontesta lá dele prumptamente desvestiga quem lhe diga no Ocidente o acidente da perda dos dedos dos pés: e seu parcoespaçoepouso é na porta do parque, lugar de arranjos de oranges mofados sobre o verde desde que Diadublim um diamou Livividinha.

Que choques cá de querências contra carência, ostragodos versus piscigodos! Brékkek Kékkek Kékkek! Kóax Kóax Kóax! Ualu Ualu Ualu! Quaouauh! Onde bandos de botocudos inda avançam para arrasamassacrar linguarudos e verduns catapultarremessam contra kanibalísticos para fora da irlandalvosboycia de Montecaveira".


(Trecho de Finnegans Wake, tradução de Donaldo Schüler).


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POR EM 08/03/2011 ÀS 11:57 AM

A mulher que quero

publicado em

Pio Vargas


Eu quero uma mulher de aço
que seja leve como a pena,
cujo sorriso seja um laço
a me prender como um poema.

Eu quero uma mulher madura
a me guiar durante o dia,
quando for noite ser vadia
a me domar sem armadura
e a me tomar como num sonho,
uma mulher que seja a lua
dentro do sol em que me ponho.


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POR EM 15/02/2011 ÀS 07:05 PM

O adeus de um Fenômeno

publicado em

Não me esqueço, até hoje, do “Programa Hebe” de 16 de março de 1998: Já, semanas antes, Hebe Camargo havia acertado com Tim Maia a participação do cantor no programa daquele dia. Tim não compareceu: havia falecido, no dia anterior, após passar dias internado. A apresentadora deu emocionado depoimento, dizendo que “estava muito chateada com o Tim, pois esperava que ele viesse”. Hebe falou: “você nunca negou um convite que eu lhe tenha feito, mas hoje você não veio”. 

Longe de comparar minha parca escrita à oratória de Hebe, ou a aposentadoria de Ronaldo à morte de Tim Maia, também estou muito chateado com o Fenômeno. 

Quando o Corinthians foi eliminado da Libertadores, duas semanas atrás, previa-se que surgiriam tremendas cobranças, a maioria delas injusta, sobre Ronaldo – muito mais que a todos os jogadores e integrantes do clube. Escrevi um texto, intitulado “Sobre Ronaldo”, apostando que ele ainda nos surpreenderia mais uma vez. Falei que “dar mais essa volta por cima não seria nada difícil diante de tudo que ele já superou, no futebol e na vida”. Não deu. Essa nova volta por cima não houve. Mas não porque Ronaldo não fosse capaz. Ironicamente, essa nova volta por cima não aconteceu porque... outras já tinham ocorrido!


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POR EM 25/01/2011 ÀS 12:14 PM

Réplica: Senna não é Pelé (Ainda bem!)

publicado em

 Ayrton Senna Todos os mitos — sejam eles religiosos, culturais, esportivos, históricos ou de outra ordem — podem e devem ser questionados. É preciso esmiuçá-los, investigá-los, analisá-los, para que se chegue à razão da mitificação. Porém, ao mesmo tempo em que se fazem questionamentos ao objeto mitificado, não se pode negá-lo: fazer isso seria como negar o próprio ser humano e suas evoluções. 

Guardadas as devidas proporções (tanto de alcance quanto de permanência), no Brasil existem poucas personalidades que merecem essa alcunha: Pelé, Roberto Carlos, Ayrton Senna, Silvio Santos e Lula compõe o grupo daqueles que foram além dos seus limites e se tornaram uma espécie de inconsciente coletivo. 

E o que fez mitificar todos esses nomes? Uma conjunção de pelo menos três fatores: 1) o carisma natural, o dom de comunicação e expressão de cada um; 2) a boa imagem pública cultivada — até mesmo Lula, nos grandes escândalos, sempre escapou 'ileso' —, obviamente impulsionada pela televisão; 3) os êxitos e as capacidades em suas áreas profissionais. É possível afirmar que os dois primeiros tópicos não teriam qualquer efeito, e talvez nem existissem, não fosse o último: pessoas públicas só alcançam tão elevado patamar de popularidade e admiração se realmente forem além daquilo que se espera (e se pode esperar) delas. O que não, necessariamente, os torna seres acima de qualquer suspeita, inquestionavelmente superiores a todos os outros que tenham se aventurado na mesma área. 

Pensando no esporte, é indiscutível que Pelé e Senna foram e são os dois maiores nomes brasileiros, por mais que se considere o peso de Garrincha, Piquet, Ronaldo ou Emerson, ou que se faça louvor a gente do porte de Gustavo Kuerten, Adhemar Ferreira da Silva e Oscar Schmidt. Senna e Pelé se tornaram ícones do esporte brasileiro e verdadeiras referências mundiais do país.  Por isso, é normal que aconteçam exageros em torno de ambos, não somente com relação aos profissionais mas também para com os seres humanos. 


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POR EM 14/12/2010 ÀS 11:11 AM

Marco Antonini: o show do ano que não aconteceu

publicado em

Já faz algum tempo que recebo e-mails afirmando que o "cantor" Marco Antonini copiava críticas e elogios feitos para outros cantores, como se tivessem sido feitos para ele. Resolvi checar. Quando acessei o endereço marcoantonini.blogspot.com, agora deletado, havia um texto publicado com o título “Marco Antonini: o demolidor de almas, show do ano”. Numa rápida pesquisa no Google, constatei que o texto era uma cópia idêntica, com trechos acrescidos, de uma crítica sobre o cantor  londrino Seal, publicada no blog “Uma Pitada a Mais” (http://tiny.cc/dqz0l)  em fevereiro de 2010, com o título  “Seal, o demolidor”. A cópia publicada pelo semi-desconhecido Marco Antonini em seu blog teria sido assinada pelo crítico de música e jornalista Tom Leão, já este bastante conhecido no meio. Quando constatei que o texto era uma cópia, entrei em contato com Tom Leão, o jornalista negou a autoria do texto e disse não conhecer Marco Antonini. Postei a história no Twitter, mas fiz um print screen antes, pois já supunha que quando fosse revelado a farsa Marco Antonini deletaria o blog. Dito e feito. Algumas horas depois Antonini apagou o blog. 

Compare a crítica original (http://tiny.cc/dqz0l) e o print que fiz do blog deletado ontem (http://bit.ly/fqkmcP). As conclusões ficam por sua conta, caro leitor.


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POR EM 23/11/2010 ÀS 10:29 AM

Esquerda ou Direita?

publicado em

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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POR EM 09/11/2010 ÀS 01:33 PM

A inteligência de Lobato versus a patrulha do PC

publicado em

Monteiro LobatoNa minha infância, nada deleitava-me tanto quanto jogar futebol, durante o dia, e ler, durante a noite, iluminado pela luz tênue e bruxuleante da lamparina, que guardava, contra as orientações de minha mãe, a professora normalista Zinha Fagundes, debaixo da cama. De manhã, muitas vezes meus cabelos estavam sapecados, como se dizia, e cheirando querosene. Lia qualquer coisa: literatura, fotonovela (algumas traduzidas pelo poeta concretista Décio Pignatari), livros de faroeste (Marcial Lafuente Estefânia era um espetáculo), livretos de cordel (deliciava-me com as artimanhas de Cancão de Fogo e Pedro Malazartes), revistas (como “Placar”, “Demolidor”, “Tio Patinhas”, “Homem-Aranha”. Como o lutador Anderson Silva, tenho a coleção do “Homem-Aranha”, incompleta, pois deixei de ampliá-la). Mesmo pequeno, andava quilômetros à caça de livros. Ruins ou bons, lia com sofreguidão e, como havia poucas obras, lia-as repetidas vezes. Curiosamente, havia um grande intercâmbio de livros entre garotos e adultos. Porque livros, no interior, eram escassos, sobretudo histórias de boa qualidade.

Fiz o primário na Escola Dona Gercina Borges Teixeira, em Porangatu, na região Norte de Goiás. Sua biblioteca era pequena e só as professoras podiam tomar livros emprestados. Assim, fazia o possível para agradar minha mãe, ajudando-a em alguma coisa, com o objetivo de conseguir alguns livros. Li as histórias de Rapunzel, do Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho, dos Três Porquinhos, de Cinderela, da Gata Borralheira, do Rei Arthur (pelo qual tinha uma admiração mágica), Peter Pan (achava as histórias encantadoras), “As Aventuras de Huckleberry Finn” (o primeiro livro que me fez gargalhar, talvez porque a personagem tinha a ver comigo e com os garotos de minha geração), “Mowgli, o Menino Lobo” (não sabia que era uma história de Rudyard Kipling).


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