Um coração simples, de Gustave Flaubert
Em dezembro de 2011, completaram-se 190 anos de nascimento do escritor francês Gustave Flaubert. Autor de clássicos como “Madame Bovary” e “A Educação Sentimental”, Flaubert é considerado um dos maiores escritores franceses de todos os tempos. Em 1877, aos 55 anos, Gustave Flaubert escreveu o livro “Trois Contes” (“Três Contos”), entre eles um que é considerado sua obra-prima e que ocupa um lugar de destaque na história da ficção universal: “Un Cœur Simple” (“Um Coração Simples”). O conto foi uma ideia da escritora George Sand, que sugeriu a Flaubert que escrevesse “uma história de homem sensível, em que, sem pregar a bondade, sem anunciar a bondade com frases de autor, fizesse com que ela aparecesse nos gestos inconscientes da criatura mais humilde e obscura”. Em comemoração a seu aniversário, publicaremos o conto, dividido em três partes. A tradução é de Clotilde Mariano Vaz, Daniel Vaz e Simia Katarina Rickmann e foi publicada em 1996 pela editora Paz e Terra. (Carlos Willian Leite).
Gustave Flaubert
Durante meio século, os burgueses de Pont-l’Évêque invejaram a Sra. Aubain por sua criada Felicidade. Por cem francos ao ano, ela cozinhava e limpava a casa, costurava, lavava, passava, sabia arrear cavalos, engordar aves, bater a manteiga; permaneceu fiel à sua patroa, que, no entanto, não era uma pessoa agradável. Ela esposara um belo rapaz sem fortuna, que falecera no começo de 1809, deixando-lhe duas crianças pequenas e uma quantidade considerável de dívidas. Então, vendeu seus imóveis, exceto as terras arrendadas de Toucques e de Geffosses, cujos rendimentos atingiam, no máximo, 5 mil francos, e deixou sua casa de Saint-Melaine para morar em outra menos dispendiosa que pertencera a seus ancestrais, localizada atrás do mercado.
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Perguntei a 35 convidados, de díspares perfis, quais eram os melhores inícios de livros que haviam lido. Cada participante poderia indicar até três começos inesquecíveis, de autores brasileiros ou estrangeiros de todas as épocas. 37 livros foram citados, mas apenas 23 obtiveram mais de uma citação. São eles “Crônica de Uma Morte Anunciada”, “Cem Anos de Solidão” e “Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez; “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse; “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens; “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “1984”, de George Orwell; “Lolita”, de Vladimir Nabokov; “O Estrangeiro”, de Albert Camus; “Um Amor de Swann”, de Marcel Proust; “Trainspotting”, de Irvine Welsh; “Viagem ao Fim da Noite”, de Louis-Ferdinand Céline; “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger; “Notas do Subsolo”, de Dostoiévski; “O Amanuense Belmiro”, de Cyro dos Anjos; “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa; “Moby Dick”, de Herman Melville; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; “O Ventre”, de Carlos Heitor Cony, e “Pergunte ao Pó”, de John Fante. Abaixo, em ordem aleatória, a lista com os dez livros que obtiveram o maior número de citações.
"A grande queda desdeo altomuro arrastou em curtolance a pftjqueda de Finnegan, varão outrora mais q'estável, que a vaziamontesta lá dele prumptamente desvestiga quem lhe diga no Ocidente o acidente da perda dos dedos dos pés: e seu parcoespaçoepouso é na porta do parque, lugar de arranjos de oranges mofados sobre o verde desde que Diadublim um diamou Livividinha.
Não me esqueço, até hoje, do “Programa Hebe” de 16 de março de 1998: Já, semanas antes, Hebe Camargo havia acertado com Tim Maia a participação do cantor no programa daquele dia. Tim não compareceu: havia falecido, no dia anterior, após passar dias internado. A apresentadora deu emocionado depoimento, dizendo que “estava muito chateada com o Tim, pois esperava que ele viesse”. Hebe falou: “você nunca negou um convite que eu lhe tenha feito, mas hoje você não veio”.
Todos os mitos — sejam eles religiosos, culturais, esportivos, históricos ou de outra ordem — podem e devem ser questionados. É preciso esmiuçá-los, investigá-los, analisá-los, para que se chegue à razão da mitificação. Porém, ao mesmo tempo em que se fazem questionamentos ao objeto mitificado, não se pode negá-lo: fazer isso seria como negar o próprio ser humano e suas evoluções.
Já faz algum tempo que recebo e-mails afirmando que o "cantor" Marco Antonini copiava críticas e elogios feitos para outros cantores, como se tivessem sido feitos para ele. Resolvi checar. Quando acessei o endereço marcoantonini.blogspot.com, agora deletado, havia um texto publicado com o título “Marco Antonini: o demolidor de almas, show do ano”. Numa rápida pesquisa no Google, constatei que o texto era uma cópia idêntica, com trechos acrescidos, de uma crítica sobre o cantor londrino Seal, publicada no blog “Uma Pitada a Mais” (
Na minha infância, nada deleitava-me tanto quanto jogar futebol, durante o dia, e ler, durante a noite, iluminado pela luz tênue e bruxuleante da lamparina, que guardava, contra as orientações de minha mãe, a professora normalista Zinha Fagundes, debaixo da cama. De manhã, muitas vezes meus cabelos estavam sapecados, como se dizia, e cheirando querosene. Lia qualquer coisa: literatura, fotonovela (algumas traduzidas pelo poeta concretista Décio Pignatari), livros de faroeste (Marcial Lafuente Estefânia era um espetáculo), livretos de cordel (deliciava-me com as artimanhas de Cancão de Fogo e Pedro Malazartes), revistas (como “Placar”, “Demolidor”, “Tio Patinhas”, “Homem-Aranha”. Como o lutador Anderson Silva, tenho a coleção do “Homem-Aranha”, incompleta, pois deixei de ampliá-la). Mesmo pequeno, andava quilômetros à caça de livros. Ruins ou bons, lia com sofreguidão e, como havia poucas obras, lia-as repetidas vezes. Curiosamente, havia um grande intercâmbio de livros entre garotos e adultos. Porque livros, no interior, eram escassos, sobretudo histórias de boa qualidade.