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POR EM 13/08/2011 ÀS 11:57 AM

Pequeno guia de museus em Nova York e Boston

publicado em

Sei bem que só a ideia de um leigo se propor a fornecer um guia de museus, particularmente de arte, ainda que pequeno, já soa pretensiosa para alguns, os, digamos, profissionais. Pois isso faz tanto sentido quanto dizer que apenas escritores podem opinar sobre livrarias. Então dá licença que eu quero passar com minhas opiniões.       

Há basicamente quatro tipos de frequentadores de museus de arte. Os turistóides, que não dão a mínima pra arte e acham até muito chato, mas fazem questão de “carimbar o passaporte”. Esses são uma praga que infesta museus de todo mundo com suas máquinas fotográficas e conversas altas, sua preferência pelo que é famoso. Há o turista curioso, que não é tão ligado assim em arte, mas gosta de sempre dar chance e acaba se surpreendendo. Há o amante da arte, estudioso diletante, que prefere mil vezes repetir uma visita a um bom museu do que fazer city tour ou coisa parecida. Finalmente, há os profissionais, entendidos aqui tanto como os artistas, quanto os críticos e/ou formados academicamente no assunto. Esse guia dirige-se para as duas categorias do meio.

Antes de falarmos dos museus de arte, algumas palavras sobre os outros. O “The American Museum of Natural History” fica na Central Park West, em frente ao Central Park, bem no rumo do “Metropolitan Museum of Art”, do outro lado do parque, na quinta avenida, o que é ideal para os turistóides, pois carimbam o passaporte duas vezes num mesmo dia, ou menos. Eu já fui mais ligado em zoologia, arqueologia, essas coisas, mas não sou mais. Meu interesse nesse tipo de museu, portanto, é do tipo “turista curioso”. Há exposições temporárias boas para crianças, como a sobre o funcionamento do cérebro, por exemplo. Desaconselho ver o filme do planetário. Não porque seja ruim, pelo contrário, é bem bacana. Mas você ouvirá o tempo todo falar em milhões e bilhões de anos, morte de planetas, enfim, sairá de lá com uma depressão ozymandíaca. No mínimo, estragará seu almoço. Uma diversão à parte é achar os pontos que aparecem no filme “Uma Noite no Museu”.


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POR EM 26/07/2011 ÀS 09:18 PM

Ao volante do chevrolet pela estrada de Sintra

publicado em

Foto: Carmen González Picardo Eu e R., cansados de tanto subir e descer ladeiras em Lisboa, pedimos um táxi para irmos ao Castelo de São Jorge. O motorista, com vastos bigodes portugueses, chama-se — é claro, pá! — Manuel.  Manuel nos leva vagarosamente ao alto da colina, mais preocupado em mostrar pontos turísticos sem nada de muito especial do que com o fluxo do trânsito. Sua forma de falar é difícil de entender; para mim, o homem até merece ser estudado por causa dessa sua prosódia portuguesa mais acentuada, assim me parece, do que a dos seus conterrâneos: vogais sempre engolidas e plurais muito puxados. Em certo momento, ele atende ao telefone celular e percebemos que alguém lhe conta uma briga com outra pessoa; com certeza ouvindo o que seu interlocutor teria dito durante a discussão, ele comenta: “Finura de resposta”. Para meu deleite, repete a frase várias vezes, “Finura de resposta! Finura de resposta!”, tudo muito rápido e soando “fin’ra di rissposst’”. Seu jeito todo o torna caricatural, um tipo de português de piada. Tenho vontade de perguntar-lhe se conhece “Francisco Carlos Guedes Santos” só para ouvi-lo repetir, em dúvida e cofiando os bigodes, “Francisssco Carlusss Guedisss Santussss?”. Não é um sotaque, é uma máquina de lavar louças. Fascinado, eu percebo que o conheço desde menino: ele é o Manuel da padaria, o amigo do Joaquim e marido da Maria. Sabe aquela do assalto ao banco? Era ele. A do policial rodoviário? Também ele. Pois lá vamos nós, Manuel se alternando entre o telefone e o que considera interessante para nos apontar. Estou gostando cada vez mais da coisa. Reconheço os sinais de perigo, mas, ainda assim, sou incapaz de me conter: percebo que estou atacado por aquela doença que atinge a nós turistas e nos faz achar tudo agradável e pitoresco, tornando-nos generosos ao extremo.


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