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POR EM 18/01/2010 ÀS 08:02 PM

O flerte de Luis Buñuel com o stalinismo

publicado em

Los Anos Rojos de Luis Buñuel“Los Anos Rojos de Luis Buñuel”(Cátedra, 420 páginas), de Román Gubern e P. Hammond, provoca polêmica na Espanha. O livro prova que, ao contrário do que sempre disse, o cineasta filiou-se ao Partido Comunista Espanhol (PCE) em 1931. Não só. Buñuel se pôs, durante algum tempo, a serviço do brutal stalinismo soviético.

O jornal “El Mundo” fez uma pequena entrevista com Román Gubern, que traduzo a seguir.

Como surgiu a ideia de narrar “os anos vermelhos” de Buñuel?

A origem está no surgimento da carta de Buñuel a [André] Breton, de 6 de maio de 1932, na qual informava de sua filiação ao PCE — informação que sempre havia negado.


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POR EM 18/01/2010 ÀS 09:17 AM

Cultura de massa vira “cult” em prosa de cubano

publicado em

Cabrera InfanteO que sabemos da Irlanda tem a ver com seus escritores notáveis, como Jonathan Swift, Wilde, Yeats, Shaw, Joyce e, recentemente, John Banville. Os políticos são lembrados, se são, apenas por especialistas em política internacional.

Em Cuba, com o tempo, não vai ser diferente. Daqui a 50 anos, ou menos, Fidel Castro certamente vai figurar no rodapé da história cristalizado como o ditador sanguinário que tornou seu país um dos mais esfomeados do mundo (esfomeados de tudo: comida, bens de consumo e, sobretudo, liberdade). O Stálin cubano conseguiu a proeza de socializar a fome e excluir a liberdade de todos os cantos da ilha. Impunemente.

Se Fidel será esquecido, exceto por seus crimes e pela fortuna que guardou nos bancos europeus (calculada em 1 bilhão de dólares), imitando os ditadores africanos e outros, a literatura de Cuba será eternamente lembrada por conta de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Guillermo Cabrera Infante. Em 1992, Cabrera Infante, entrevistado por “O Globo”, disse que os mais importantes escritores cubanos do século 20 são Lezama Lima, Virgílio Piñera e Alejo Carpentier. “Mas quem mais teve influência sobre mim foi um escritor pouco conhecido, Lino Novas Calvo, um extraordinário contista, que descobri quando começava a escrever, em 1947. Calvo não é o escritor mais importante de Cuba, mas certamente foi a minha maior influência.” (Note-se que João de Minas influenciou escritores importantes do Brasil, embora não tenha sido autor do primeiro time.) Na mesma entrevista, Cabrera Infante diz que Machado de Assis é “o grande escritor de ficção ibero-americana do século 19. ‘Macunaíma’, de Mário de Andrade, é um livro realmente divertidíssimo”.


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POR EM 14/01/2010 ÀS 10:59 AM

Traumas argentinos

publicado em

Duas Vezes JunhoUm recruta do exército argentino encontra um caderno anotações aberto em seu local de trabalho, uma prisão. As primeiras palavras do diário dão o tom do ambiente: “A partir de que idade se pode comesar a torturar uma criança?”. A frase com o erro de ortografia (começar com “s”) chama a atenção do narrador e joga luz naquele universo em que não só as palavras estão deformadas. O tempo da narrativa é a Argentina de junho de 1978, em plena euforia da Copa do Mundo, que foi capitalizada por uma das ditaduras mais carniceiras e neoliberais da História da América Latina.

O início do romance “Duas vezes junho” (2002), de Martín Kohan, coloca o leitor dentro do universo de brutalidade e de silêncios. Não se trata de saber apenas como se tortura uma criança, mas como é possível contar uma história dessas. O autor adota o ponto de vista do torturador dos porões, sem no entanto buscar o revisionismo histórico para justificar ideologias de direita e criminalizar quem foi torturado. A escrita de Kohan mergulha na escuridão de quem usa a violência para supostamente controlar a “desordem” e acaba recorrendo às mais bárbaras violações. Os capítulos são todos bem curtos e construídos na forma de contraponto, intercalando, por exemplo, uma conversa entre os soldados e as precauções que devem ser tomadas para não matar a prisioneira que acabou de dar a luz a uma criança. Este bebê é o motivo da pergunta inicial, sobre a idade em que se pode começar a violar uma pessoa. O estado de saúde da torturada leva o narrador a procurar por Buenos Aires seu superior para saber os próximos procedimentos: deveriam matá-la ou mantê-la viva. O dia dessa bsuca é o de um jogo da Copa do Mundo de Futebol de 1978.


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POR EM 13/01/2010 ÀS 10:08 AM

Clarice Lispector descartou influência de Virginia Woolf e Sartre

publicado em

Clarice,“Clarice,” (Cosacnaify, 648 páginas), de Benjamin Moser, é uma biografia do balacobaco. Clarice Lispector, a mulher e a escritora, sai maior. Ou com a estatura devida. Apesar da simpatia confessa do pesquisador americano, não se trata de hagiografia. Uma das vantagens da biografia é que Moser recolhe as melhores interpretações (esquecendo algumas) da obra da autora e oferece ao leitor as próprias leituras, quase sempre pertinentes e originais. Ele escarafuncha a vida e, paralelamente, a obra. Muitas vezes, o envolvimento com a obra é muito superior à apreensão da vida de Clarice.

Em 1919, quando tentava escapar das perseguições dos comunistas na Ucrânia, a mãe de Clarice, a judia Mania Lispector, foi estuprada e contraiu sífilis. Aparentemente para tentar se curar, ficou grávida e, na fuga pelo território ucraniano, nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, em 10 de dezembro de 1920 (na época, pensava-se que uma mulher doente, com certas doenças, poderia se curar se ficasse grávida. Recentemente, em busca de informações sobre a família Lispector, Moser visitou a Ucrânia e descobriu que a crença persiste entre as mulheres do povo). Chaya significa “vida” em hebraico. No Brasil, o nome foi trocado para Clarice. Os pais, Pinkhas (mudou o nome para Pedro) e Mania (virou Marieta), chegaram ao Brasil, em 1922, com as três filhas, Elisa (o nome era Leah), Tânia e Clarice. Moraram em Maceió, Recife (paixão de Clarice) e Rio de Janeiro.


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POR EM 08/01/2010 ÀS 05:24 PM

O tempo em que Brizola foi o homem de Fidel no Brasil

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O dirigente cubano parece ter acreditado que Brizola era o Fidel do Brasil e enviou 1 milhão de dólares para sua guerrilha, que não ocorreu

Leonel Brizola, Fidel Castro, João Goulart e Darcy Ribeiro

Se a história do Egito é inesgotável — daí a permanência de uma indústria editorial que inventa e reinventa romancistas-historiadores-arqueólogos —, imagine a história recente brasileira, sobretudo a pós-64. Em 1987, José Wilson da Silva lançou um livro, “O Tenente Vermelho”, que conta, entre outras histórias, que “Fidel Castro entregou 1 milhão de dólares para os exilados brasileiros no Uruguai (Brizola, Jango e Darcy Ribeiro) financiarem movimentos de guerrilha no Brasil”. O livro de José Wilson é muito interessante, mas pessimamente editado pela Tchê!, o que certamente reduziu a sua repercussão. Treze 13 anos depois, a doutora em história pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg amplia o que José Wilson antecipou. No livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro” (Editora Mauad, 2001), de apenas 94 páginas, Denise produz um documento de grande valia, ainda que lacunar, pois Brizola e José Dirceu, por exemplo, não quiseram falar sobre suas relações com Cuba. Denise também não conseguiu fazer entrevistas em Cuba, porque a bolsa do CNPq “exclui qualquer possibilidade de viagem ao exterior”. De resto, o livro de Denise parece sugerir, mais do que um texto definitivo, uma obra em andamento. O leitor especializado certamente achará estranha a ausência, na bibliografia, dos livros “O Tenente Vermelho”, de José Wilson, e “A Revolução Impossível”, de Luís Mir.


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POR EM 08/01/2010 ÀS 09:55 AM

Amuleto, de Roberto Bolaño

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Amuleto, de Roberto Bolaño Não é de espantar que o Brasil tenha descoberto Roberto Bolaño com quase dez anos de atraso em relação ao resto do mundo. Espantoso é que tenha descoberto.

Ao menos dessa vez, o mercado editorial tupiniquim acompanhou o prestígio crescente do escritor chileno — especialmente o entusiasmo europeu e norte-americano —, providenciando traduções de quase todas suas obras disponíveis. O trabalho, muito bem feito, está todo a cargo de Eduardo Brandão, que tem se revelado competente na tarefa. Lançado recentemente no país, “Amuleto” é um desdobramento de uma história presente em “Os Detetives Selvagens”, prêmio Rômulo Galegos de 1998 e uma das pedras basilares da complexa e multifacetada obra de Roberto Bolaño.

Nesse romance, dois jovens poetas saem à caça de Cesárea Tinarejo, uma escritora desaparecida no deserto mexicano de Sonora. O livro é composto pelo diário de Garcia Madero, além de dezenas de depoimentos de coadjuvantes, dando vazão à criatividade e à originalidade de Bolaño no que se refere à sua capacidade prodigiosa de juntar imaginação e realidade em um relato qualificado por ele como uma carta de amor à sua geração. Um dos episódios se refere a Auxilio Lacouture, que estava no banheiro da Universidade Nacional Autônoma do México durante a invasão militar em setembro de 1968. Se em “Os Detetives”, a história já revela sua tensão, é em “Amuleto” que ela atinge a carga máxima.


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POR EM 05/01/2010 ÀS 07:13 PM

Cuba era ‘dona’ da revolução brasileira

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O Apoio de Cuba À Luta Armada no Brasil No terceiro capítulo de “O Apoio de Cuba À Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro”, a historiadora Denise Rollemberg discute o apoio financeiro e logístico de Cuba à Ação Libertadora Nacional (ALN), ao Grupo da Ilha, à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ao Movimento Revolucionário — 8 de Outubro (MR-8). O incentivo se dá a partir de 1967, após o “fracasso” das Ligas Camponesas e do Fidel brasileiro, Leonel “El Ratón” Brizola. O ano de 1967, aponta Denise, “foi marcado tanto pela Conferência das OLAS, em julho e agosto, grito de guerra do projeto de exportação da revolução, quanto pela derrota do projeto de Che Guevara na Bolívia, em outubro”. O Fidel brasileiro passa a ser Carlos Marighella (“Vai, Carlos, vai ser Marighella na vida”, como dizia o poeta).

“A ALN foi a organização que mais enviou militantes para o treinamento. Em setembro de 1967, foi formada a primeira turma, chamada de I Exército da ALN, que treinou 16 militantes até julho de 1968, e, em seguida, formaram-se o II Exército (30 militantes treinados entre julho de 1968 e meados de 1969), o III (33 militantes treinados entre maio e dezembro de 1970) e o IV (13 militantes treinados entre fins de 1970 e julho de 1971)”, conta Denise. Outras organizações participaram dos treinamentos em Cuba.


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POR EM 04/01/2010 ÀS 01:17 PM

Guerra e Paz: história além da história

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TolstóiRecentemente a “Revista Bula” publicou uma lista dos cem livros mais importantes de todos os tempos. Chamou de “A lista das listas”. Dentre injustiças ou polêmicas para uns ou outros, ninguém achou loucura que “Guerra e Paz”, de Tolstói, encabeçasse essa classificação. Quem leu o livro de Tolstói pode ter outro predileto. Tenho o meu, e não é o referido volume, mas não há como negar a plausibilidade do posto. À frente de Homero? Sim. De Dante? Sim. Proust? Ok. “Guerra e Paz” é incontestável.

Depois de percorrer as duas traduções brasileiras (Oscar Mendes e João Gaspar Simões), em um intervalo de mais de dez anos entre uma leitura e outra, rendo-me — mais do que quando da primeira visita na tradução de Oscar Mendes — ao encanto dessa obra-prima. Ernest Hemingway, em brincadeira inofensiva, disse: “Comecei devagar e derrotei o Sr. Turguêniev. Treinei e derrotei o Sr. De Maupassant. Lutei dois rounds difíceis com o Sr. Stendhal e fui ligeiramente melhor do que ele. Mas ninguém nunca vai me pôr num ringue com o Sr. Tolstói, a não ser que eu enlouqueça.” Essa obra recupera nos leitores atividade hoje em dia cada vez menos executada: a de acompanhar uma história, de vermos desenvolver ante nós enredo admirável, bem executado em linguagem intensa e viva. Sim, lê-se “Guerra e Paz” por diversos motivos, mas antes de tudo, queremos ler sua história e trama que se apresentam: saber do destino de Pedro, André, da própria Rússia. Mesmo conhecendo o final, os grandes feitos, queremos assistir a como eles serão contados, em que situação se encontrarão Maria e Natasha quando o exército francês sofrer com o inverno e suas tropas estiverem desordenadas na estrada para Smolensk, como reagirá Nicolau Rostov ao incêndio de Moscou, qual reação terá Napoleão ao tomar a capital deserta, abandonada pelo seu povo. Tolstói é um grande fabulador, e encanta tanto pelo que conta, como pelo modo através do qual o faz.


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POR EM 03/01/2010 ÀS 05:54 PM

Carol Shields: o gigante literário canadense

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Carol ShieldsOs brasileiros leem mais a literatura dos Estados Unidos — Faulkner, Fitzgerald, Hemingway, Saul Bellow (nascido no Canadá) e Philip Roth — do que a canadense. Mas devemos ao Canadá alguns escritores do primeiro time, como Mordecai Richler (“A Versão de Barney”), Elizabeth Smart (“Junto à Central Station Sentei-me e Chorei”), Alice Munro (“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento”), Margaret Atwood (prosadora e crítica brilhante), Nancy Huston (“Marcas de Nascença”, romance muito bom sobre crianças que foram raptadas pelos nazistas e adotadas por famílias alemãs. O livro de Huston é baseado num fato histórico, mas é literatura de primeira. Se o leitor quiser mais informação documentada, o livro adequado, em português, é "O Trauma Alemão", da brilhante jornalista e historiadora Gitta Sereny), Carol Shields (nascida nos Estados Unidos, naturalizada canadense) e o crítico literário Northrop Frye (“Anatomia da Crítica”).

Carol Shields, ganhadora do Pulitzer e morta (câncer) em 2003, aos 68 anos, é autora de histórias sofisticadas, mas de aparência simples, como “Os Diários de Pedra”, “A Festa de Larry” (a celebração do homem comum), “Bondade” (o discreto charme da burguesia?) e “Swann”. Todos publicados (bem traduzidos) no Brasil. “Bondade” (Bertrand Brasil, 271 páginas, tradução de Beatriz Horta) é um romance construído de modo simples e, ao mesmo tempo, compexo. Parece estranho dizer assim, e é. O livro conta algumas histórias — uma delas a da escritora Reta Winters, bem casada com um médico, três filhas, uma sensata vida burguesa. Enquanto conta sua história pessoal, Reta fala da dificuldade de escrever seus romances e de seu trabalho de tradutora.


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POR EM 02/01/2010 ÀS 03:18 PM

O coveiro inconsciente do socialismo soviético

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Pós-Guerra — Uma História da Europa Desde 1945Um político como Mikhail Gorbachev sabia que, como presidente da União Soviética, estava fazendo (a grande) história. Por isso a pergunta correta a fazer é: qual o grau de consciência tem o líder político quando está fazendo história? Porque, contando com o planejamento, está tentando levar a história para um rumo, mas, não poucas vezes, ele e a história acabam sendo levados para outro lado. No magnífico livro “Pós-Guerra — Uma História da Europa Desde 1945” (Objetiva, 847 páginas, tradução de José Roberto O’Shea), o historiador inglês Tony Judt diz que, ao adotar a perestroika e a glasnost, “é incontestável que ele [Gorbachev] não sabia o que estava fazendo e ficaria horrorizado se soubesse”. “As novas reformas, inevitavelmente, conduziriam o País de volta ao capitalismo”, escreve Judt. Mas Gorbachev não queria a instalação do capitalismo, pelo contrário. O líder soviético, que se considerava estadista europeu, apostava que poderia reformar o sistema. “Gorbachev acreditava piamente que o único caminho para o progresso passava pelo retorno aos ‘princípios’ leninistas. A ideia de que o próprio projeto leninista estivesse equivocado permanecia alheio ao líder soviético até bem tarde. Somente em 1990 ele, finalmente, permitiu a publicação interna de escritores abertamente antileninistas como, por exemplo, Aleksandr Soljenitsin.” Como líder, que pretendia levar a União Soviética para uma economia produtiva, mas não capitalista, Gorbachev equivocou-se. “Gorbachev e sua revolução controlada foram, em última instância, engolidos pela escala das contradições por eles mesmos gerados. (...) O líder falhou totalmente. Mesmo assim, o que ele fez foi notável. O sistema soviético só poderia ser desmantelado de dentro para fora, por alguma iniciativa vinda de cima. (...) Ele [Gorbachev] desentranhou a ditadura do próprio partido. Somente um comunista poderia fazê-lo [derrubar o sistema]. E foi um comunista que o fez. Somente o partido poderia limpar a sujeira por ele próprio espalhada.”


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