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POR EM 12/02/2010 ÀS 02:37 PM

Programa de leitura 2010

publicado em

O que intelectuais, escritores, professores e jornalistas lerão em 2010

Demóstenes Torres Ainda não fiz a programação total de livros que espero ler em 2010, até porque alguns previstos para consumo no ano passado continuam num canto da esperança de ser apreciados. Há, também, os lançamentos almejados para os próximos meses e os volumes que tento encontrar, mas continuam no original em outros idiomas e apenas “arranho” em Inglês e Espanhol. Na lista a seguir, que me foi pedida no Twitter, estão apenas os que comprei nesse recesso parlamentar, pois seguramente após a volta dos trabalhos no Senado vai ser difícil visitar demoradamente bibliotecas, livrarias e sebos. Outros aguardam há tempos ainda nas sacolas das lojas.

Fiz uns pequenos comentários sobre as obras que já comecei a ler ou nas quais dei uma folheada mais demorada. Até para não cansar o leitor, evitei citar os livros técnicos, principalmente de Direito, Antropologia e Sociologia. Eles, em geral maioria no rol de qualquer planejamento de congressista dedicado às atividades no Legislativo, são necessários para as argumentações em alguns projetos dos quais sou relator, autor ou de cuja apreciação desejo participar como debatedor. Vamos ver se, com alguma disciplina, será possível cumprir em 2010 o calendário de leitura que apresento. O de 2009, como já disse, ficou incompleto. Vou tentar.


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POR EM 11/02/2010 ÀS 05:13 PM

Lacerda, o cunhado do ator Warren Beatty

publicado em

Carlos Lacerda — A Vida de um Lutador“Perseguido” pela ditadura civil-militar (as aspas tem explicação: fora a cassação, duríssima, óbvio, e uma prisão ligeira, Lacerda praticamente não foi incomodado pelos governos militares. Disse o diabo de Castello Branco, e nada), Lacerda correu mundo. Fez o que mais gostava de fazer: viajar. Numa dessas viagens, em 1968, conheceu a atriz Shirley MacLaine, por quem se apaixonou. “Foi durante a estada de Lacerda em Los Angeles, a serviço de ‘Realidade’, que ele e Shirley MacLaine se apaixonaram”, escreve o biógrafo oficial John Dulles. Alfredo Machado, dono da Editora Record, era muito brincalhão e gostava de irritar Lacerda: “Você reparou no tamanho dos punhos da Shirley? Se ela lhe der um soco, vai ser muito forte”. Lacerda ficou possesso, mas não respondeu. Depois de intensas juras de amor, Lacerda e McLaine se esqueceram. Mas, não fosse o amor pela família, Lacerda poderia ter sido tornado o marido brasileiro da irmã do ator Warren Beatty.

O brasilianista John Dulles, na segunda parte de “Carlos Lacerda — A Vida de um Lutador” (a palavra lutador não substitui a verdadeira — agitador, que a família deve ter vetado), resolve enfrentar os mexericos sobre Lacerda. Com luvas de pelica, claro. Depois de esclarecer a história de Shirley MacLaine — de forma favorável a Lacerda, visto como uma espécie de latin lover —, Dulles cita a atriz brasileira Maria Fernanda Correia Dias — “com quem Carlos compartilhava sentimentos do coração e do espírito desde os anos 50” (Dulles, ou o tradutor, ou a família de Lacerda, que foi dona da editora que publicou o livro, a Nova Fronteira, não usa, nunca, a palavra amante). Adiante, Dulles ousa um pouco mais: “Carlos também compartilhara com ela [Maria Fernanda] um apartamento de hotel em São Paulo (colocando um aviso ‘Não perturbe’ na porta durante quase dois dias), e mandara-lhe muitas rosas. Portanto, diziam os mexericos, seu principal caso extraconjugal foi com Maria Fernanda. No final da vida, Carlos disse que de fato se apaixonara e tivera uma grande e estreita amizade com Maria Fernanda, mas que esse relacionamento não passara disso. No caso de Shirley [MacLaine], revelou que foram além de paixão e amizade”.


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POR EM 08/02/2010 ÀS 06:29 PM

Biografia de Lula “mata” militar que está vivo

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Lula do Brasil — A História Real, do Nordeste ao PlanaltoNa contracapa de “Lula do Brasil — A História Real, do Nordeste ao Planalto” (360 páginas, tradução de Paulo Schmidt e Bernardo Schmidt), o escritor Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, que publicou a obra, escreve: “Os livros de Denise Paraná e o filme de Fábio Barreto contam a história emocionante e épica de Lula. O livro de Richard Bourne faz a mesma coisa — mas também a explica”. Concluída a leitura, constata-se que o livro é uma crônica da vida de Lula, da infância à Presidência da República, mas sem grandes revelações. Pode conter novidades para estrangeiros, mas para o leitor brasileiro minimamente informado é um repeteco do que Denise Paraná publicou na biografia oficial de Lula e do que saiu nos jornais e revistas. Há alguns erros na “pesquisa” de Bourne, que, se não comprometem todo o trabalho, indicam desleixo do professor-doutor da Universidade de Londres e da editora. Há informações interessantes, embora nada novas, como o fato de Lula ter sofrido depressão e ter sugerido que poderia desistir da disputa em 2002. Bourne mostra que Lula já “transferia” voto como metalúrgico. Na década de 1970, Jair Meneghelli não queria disputar a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, mas Lula o impôs. Meneghelli obteve 89% dos votos. Secundando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Bourne sustenta que Lula é uma estrela internacional, mas admite que teve “dificuldade em convencer editores” a publicar seu livro no exterior. O livro não é inteiramente ruim, mas, apesar de recolher algumas críticas, aproxima-se de uma hagiografia.


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POR EM 04/02/2010 ÀS 04:45 PM

O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov

publicado em

O Mestre e MargaridaO romance “O Mestre e Margarida” (Alfaguara, 456 páginas), do escritor, dramaturgo e libretista ucraniano Mikhail Bulgákov, ganha sua primeira tradução patropi direta do russo — um trabalho de mestre de Zoia Prestes. A versão anterior (Nova Fronteira/Abril Cultural), a partir do inglês, é de Mário Salviano Silva. Neste texto, falo mais da tragédia do autor, narrada no excelente “O Diabo Solto em Moscou — A Vida do Senhor Bulgákov” (Edusp, 582 páginas), de Homero Freitas de Andrade. Há também traduções de contos e novelas a partir do original russo.

Bulgákov, que cedo trocou a medicina pela literatura e pelo teatro, morreu em 1940, com quase 49 anos, de complicações renais. Muito possivelmente, seu quadro agravou-se devido às pressões do regime stalinista, que o proibira de publicar livros e trabalhar com o teatro. “A partir de 1926, não conseguiu publicar nenhuma das suas obras de ficção, nem mesmo as que mais prezava”, conta Boris Schnaiderman. Sua obra só foi publicada integralmente depois da glasnost de Mikhail Gorbachev. Porque Bulgákov não aceitou o cabresto do stalinismo. Curiosamente, sua prosa era lida e apreciada por Stálin. Uma vez, em desespero, escreveu uma longa carta para o ditador pedindo emprego, pois os teatros e as editoras o censuravam e o vetavam. Stálin ligou para Bulgákov e disse: “Nós recebemos sua carta. Li com os camaradas. O sr. vai obter uma resposta favorável... Será que realmente devemos deixá-lo partir para o estrangeiro? Nós o aborrecemos tanto assim?”. Desconcertado, o escritor respondeu: “Pensei muito nos últimos tempos se um escritor russo poderia viver fora de sua terra. E me parece que não”. Conseguiu emprego num teatro, mas ficou sob vigilância expressa.


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POR EM 29/01/2010 ÀS 03:21 PM

O boom da mídia

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Emboscada no Forte BraggInicialmente publicado em capítulos na revista americana “Rolling Stone” em 1996, o livro narra uma história ficcional de fortes manipulações de imagem por um programa de televisão, que investigava  um “escândalo” no exército dos Estados Unidos. O enredo até pode ter sido inventado, mas suas características de detalhes são tão imensas que o leitor  consegue visualizar-se sentado em seu sofá assistindo o programa “Dia & Noite”.  Não foi à toa que Wolfe tornou-se o “pai” do New Journalism ou o criador do Jornalismo Literário (estilo de jornalismo que utiliza técnicas narrativas da literatura para abordar fatos informativos). Ele não apenas conta uma história, mas relata-a. Faz isto com uma imensidade de detalhes e com tanta naturalidade que aquele que lê torna-se envolvido na trama e passa a olhar os fatos do ponto de vista dos personagens.
           
A começar pelo título, a história é realmente uma verdadeira “emboscada”. Três jovens soldados americanos (‘Jimmy’ Lowe, ‘Ziggy’ Ziggefoos e Flory) pertencentes ao posto militar situado no Forte Bragg (estado da Carolina do Norte, sul dos Estados Unidos) são acusados de terem assassinado um rapaz (Randy Valentine), companheiro de batalhão, pelo fato de este ser homossexual. Mas a emboscada a que se refere o autor não é com relação ao garoto morto, mas sim, aos três vivos: estes são monitorados por semanas por câmeras escondidas no bar aonde costumavam ir. Os produtores do programa “Dia & Noite” assistiam tudo ao vivo da sala de emissora. Esperavam a hora em que eles comentassem o “assunto”. Wolfe demonstra que não há limites para uma grande emissora quando a pauta pode render “explosões” futuras na sociedade. Para conseguir um resultado promissor, um canal de tv não é só capaz de grampear lugares e fazer escutas, mas também de utilizar “iscas” para a sua “armadilha”. No livro, após terem captado falas expressivas (e incriminativas, a princípio), até uma streaper é contratada para “ajudar” os soldados em suas “confissões”. A  famosa apresentadora do programa, Mary Cary Brokenboroug, também surpreende os rapazes com a sua presença no trailer, para onde eles foram atraídos.


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POR EM 26/01/2010 ÀS 07:25 PM

As diatribes de Cabrera Infante contra Alejo Carpentier

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Guillermo Cabrera InfanteQuem quiser entender a literatura de James Joyce deve ler a biografia “James Joyce”, de Richard Ellmann, e, talvez, “Homem Comum Enfim”, de Anthony Burgess. Para entender o romance “Três Tristes Tigres” (José Olympio, 517 páginas, tradução de Luís Carlos Cabral), de Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), pelo menos para rir com mais proveito de algumas histórias, deve-se ler os artigos e ensaios de “Mea Cuba” (Companhia das Letras, 518 páginas, tradução de Josely Vianna Baptista) — um guia não-guia de acesso aos “segredos” cubanos —, do mesmo autor.

“Três Tristes Tigres” (TTT) é um mergulho na cultura cubana, e não só. Além de remexer na música, no cinema, Cabrera Infante parodia escritores de quem gosta e de quem não gosta, como pessoa, mas aprecia a obra, apesar de ironizar o estilo às vezes pomposo de um e outro. Algumas de suas “vítimas” são Lezama Lima (que avalia como o maior poeta cubano), Alejo Carpentier (talentoso e embromador) e o contista Lino Novás Calvo (supostamente grande influência no estilo poroso de Cabrera Infante). Lendo “Mea Cuba”, inteligente e divertido, aprende-se mais sobre Cuba e seus autores, pelos quais, mesmo quando irônico, o autor era apaixonado. Cabrera Infante escreve a sério — divertindo-se e nos divertindo, à farta. Lino Novás não gostou de ter seu estilo, seus nomes (dos personagens) e sua prosa parodiados em “Três Tristes Tigres”. Cabrera Infante diz que a paródia foi um elogio e, a julgar pelo que escreve em “Mea Cuba”, tem razão. “La Luna Nona”, volume de contos, “é uma obra-prima do gênero, e quando um dia for escrita a história definitiva do conto na América se verá que Lino Novás está entre seus mestres: Horacio Quiroga, Borges, Felisberto Hernández, Juan Rulfo, Virgilio Piñera, Adolfo Bioy Casares. (...) Lino Novás foi o primeiro a saber adaptar as técnicas narrativas americanas a uma escritura verdadeiramente cubana — e além do mais, habanera. Em seus contos ouve-se falar de Havana pela primeira vez em alta-fidelidade. Sobretudo a Havana dos subúrbios”. Cabrera Infante faz o mesmo em “TTT”, mas não exatamente sobre os subúrbios. “Lino Novás Calvo se transformou em meu escritor cubano favorito, e até a chegada de William Faulkner e de Borges, em meu escritor favorito entre todos.”


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POR EM 26/01/2010 ÀS 12:08 PM

Espectros de Bolaño

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Roberto BolañoO corpo de um desaparecido permanece no intervalo entre os vivos e os mortos. Sem a presença material, não pode ser definida sua morte. A ausência, por sua vez, não garante que ainda está vivo. Derrida nota que é essa a condição do fantasma, ideal para pensar a modernidade depois de tudo e o tempo fora dos eixos. Na América Latina, o sujeito que sumiu durante as ditaduras militares é o espectro político que ronda e assusta as sociedades dos países ainda reticentes em acertar as contas com o passado. Nem vivo, nem morto, ele vaga pelas narrativas com uma vitalidade sem igual.

O romance “Estrela Distante”, do chileno Roberto Bolaño, se organiza em torno de desaparecimentos. Corpos que sumiram no Chile após o 11 de setembro de 1973, poemas feitos por um piloto com a fumaça de um avião de acrobacias, exilados que perdem sua identidade ao mudar para outros países, poetas chilenos de quem ninguém mais se lembra (a não ser o narrador). Este narrador vasculha vidas e mortes, porém reconstituiu tudo com incerteza. “A partir daqui, meu relato se alimentará basicamente de conjecturas”, diz o narrador na página 25, para em seguida detalhar histórias por mais 118 páginas. Bolaño escreve as memórias de um poeta do interior do sul do Chile,  por volta de 1971 e 1972. Nunca se sabe ao certo. Ele faz parte de um grupo de pessoas que freqüentam uma oficina para escritores. Lá, conhece o personagem Alberto Ruiz-Tagle, que assume o nome de Carlos Wieder para escrever famosos poemas com a fumaça de avião. O livro é a tentativa de capturar algo dessa figura fantasmática que se tornou mais inapreensível, sobretudo ao começar a prestar serviços à ditadura de Pinochet. Uma das passagens mais assombrosas é aquela que liga Alberto ao desaparecimento das irmãs Garmendia.


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POR EM 20/01/2010 ÀS 10:06 AM

Historiador denuncia a indústria do Holocausto

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Tachado de opositor ideológico de Israel, Norman Finkelstein sustenta que o Holocausto nazista foi “recriado” para defender Estado judeu e enriquecer instituições judaicas

 Norman G. Finkelstein

Antes de apresentar os argumentos do polêmico livro “A Indústria do Holocausto — Reflexões Sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus” (Editora Record, 156 páginas), de Norman G. Finkelstein, professor da Universidade de Nova York e doutor por Princeton, algumas palavras sobre o autor. Em duas resenhas para a “Folha de S. Paulo”, o jornalista Marcos Guterman busca desqualificar Finkelstein como historiador. No primeiro texto, diz que Finkelstein é “crítico histérico e raso da instrumentalização do Holocausto pelos judeus”. O segundo texto é uma resenha, publicada em fevereiro de 2001.

Nesse texto, Guterman ataca, quase no estilo de cruzado de Finkelstein: “A ausência quase completa de documentos específicos do genocídio, grande parte deles destruída pelos nazistas para tentar apagar o episódio da historia, é a base da negação do Holocausto e um dos trunfos de ‘A Indústria do Holocausto’, de Norman Finkelstein”. Guterman escreve que o polemista é visto como “anti-sionista de poucos recursos acadêmicos”. 

A questão-chave pouco ou nada tem a ver com os “parcos” recursos acadêmicos de Finkelstein, e sim com ideologias diferentes. Finkelstein é um intelectual de esquerda, muito próximo do séquito de Noam Chomsky. O leitor do livro ‘A Indústria do Holocausto’, se consultá-lo com rigor, certamente substituirá a palavra “histérico” por “exagerado” ou extremado. Nem tudo que é radical é histérico, assim como nem tudo que é moderado não é histérico. 

Mesmo que não se concorde com as idéias de Finkelstein — e esclareço, desde já, que tenho respeito pela causa judaica —, é interessante passear por sua exposição, não raro apressada e excessiva, sobre o que considera “a indústria do Holocausto”. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, as organizações judaicas dos Estados Unidos, as mais poderosas do mundo — sempre com o apoio de publicações como “New York Times” e “Washinton Post”, os dois jornais mais conhecidos do país, além de revistas, como “Time” e “Newsweek” —, deixaram, por assim dizer, o Holocausto no armário. A tese de Finkelstein: “Elas ‘esqueceram’ o holocausto nazista porque a Alemanha — Alemanha Ocidental, em 1949 — tornou-se um aliado crucial do pós-guerra americano no confronto dos EUA com a União Soviética. Vasculhar o passado não seria útil; na verdade, era um complicador. (...) Lembrar o Holocausto nazista era etiquetado como causa comunista”. As associações judaicas chegaram a fazer vistas grossas à entrada de nazistas nos Estados Unidos. 

A partir de junho de 1967, com a guerra árabe-israelense, na versão de Finkelstein, “o Holocausto tornou-se uma fixação na vida dos judeus americanos. De sua fundação em 1948 até a guerra de junho de 1967, Israel não figurou como foco no planejamento estratégico americano. (...) Para assegurar seus interesses no Oriente Médio, o governo Eisenhower apoiou tanto Israel quanto as nações árabes, contudo favorecendo os árabes”. Finkelstein acrescenta: “A indústria do Holocausto só se difundiu depois da dominação militar esmagadora e do florescente e exagerado triunfalismo entre os israelenses”.


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POR EM 18/01/2010 ÀS 08:02 PM

O flerte de Luis Buñuel com o stalinismo

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Los Anos Rojos de Luis Buñuel“Los Anos Rojos de Luis Buñuel”(Cátedra, 420 páginas), de Román Gubern e P. Hammond, provoca polêmica na Espanha. O livro prova que, ao contrário do que sempre disse, o cineasta filiou-se ao Partido Comunista Espanhol (PCE) em 1931. Não só. Buñuel se pôs, durante algum tempo, a serviço do brutal stalinismo soviético.

O jornal “El Mundo” fez uma pequena entrevista com Román Gubern, que traduzo a seguir.

Como surgiu a ideia de narrar “os anos vermelhos” de Buñuel?

A origem está no surgimento da carta de Buñuel a [André] Breton, de 6 de maio de 1932, na qual informava de sua filiação ao PCE — informação que sempre havia negado.


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POR EM 18/01/2010 ÀS 09:17 AM

Cultura de massa vira “cult” em prosa de cubano

publicado em

Cabrera InfanteO que sabemos da Irlanda tem a ver com seus escritores notáveis, como Jonathan Swift, Wilde, Yeats, Shaw, Joyce e, recentemente, John Banville. Os políticos são lembrados, se são, apenas por especialistas em política internacional.

Em Cuba, com o tempo, não vai ser diferente. Daqui a 50 anos, ou menos, Fidel Castro certamente vai figurar no rodapé da história cristalizado como o ditador sanguinário que tornou seu país um dos mais esfomeados do mundo (esfomeados de tudo: comida, bens de consumo e, sobretudo, liberdade). O Stálin cubano conseguiu a proeza de socializar a fome e excluir a liberdade de todos os cantos da ilha. Impunemente.

Se Fidel será esquecido, exceto por seus crimes e pela fortuna que guardou nos bancos europeus (calculada em 1 bilhão de dólares), imitando os ditadores africanos e outros, a literatura de Cuba será eternamente lembrada por conta de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Guillermo Cabrera Infante. Em 1992, Cabrera Infante, entrevistado por “O Globo”, disse que os mais importantes escritores cubanos do século 20 são Lezama Lima, Virgílio Piñera e Alejo Carpentier. “Mas quem mais teve influência sobre mim foi um escritor pouco conhecido, Lino Novas Calvo, um extraordinário contista, que descobri quando começava a escrever, em 1947. Calvo não é o escritor mais importante de Cuba, mas certamente foi a minha maior influência.” (Note-se que João de Minas influenciou escritores importantes do Brasil, embora não tenha sido autor do primeiro time.) Na mesma entrevista, Cabrera Infante diz que Machado de Assis é “o grande escritor de ficção ibero-americana do século 19. ‘Macunaíma’, de Mário de Andrade, é um livro realmente divertidíssimo”.


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