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POR EM 24/10/2011 ÀS 04:39 PM

Geração zero à esquerda

publicado em

Nova coletânea de contos realça o sabor estragado da criação literária brasileira, onde a forma é o clérigo e o conteúdo, o coroinha molestado sob a batina de uma literatura superficial. Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem

Bonitinha, mas ordinária. A expressão criada por Nelson Rodrigues nunca me soou tão sensata. No país da virilha que cobre a roupa, esse mero acessório, ou tapa-sexo, ou tapa-hipocrisia, a literatura segue o mesmo caminho: expõe-se até o último pelo pubiano, perturba a atenção do leitor com sua casca porque o miolo é podre ou, pior, oco. Naturalmente, esse campo dilemático do que é bom ou ruim, o quanto de consciência e inconsciência de si existe numa criação artística, não se encerra na literatura brasileira; ele é tão minado, perigoso, decisivo como a escolha de uma palavra, quanto a superestima de alguns escritores sobre seu próprio trabalho e se espalha insidiosamente como uma erva daninha pela literatura mundial. Todos podem escrever, alguns talentosos e/ou afortunados podem ser publicados, mas quantos são realmente bons? E como encontrá-los, quando são diamantes miúdos perdidos em pedras de carvão do tamanho da inépcia cultural de quem se considera escritor porque (acha que) sabe contar uma história? De quem se considera escritor porque monta uma cadeia de frases mal-escritas publicadas tão somente pela condescendência de um amigo influente? Depois de organizar e publicar duas controversas coletâneas de contos da chamada “Geração 90”, o mesmo grupo que surgiu fazendo “a nova literatura brasileira” na última década do século XX, o escritor (ou agitador de opiniões) Nelson de Oliveira acaba de fechar a trilogia de ficcionistas nacionais com o recente volume “Geração Zero Zero” (Língua Geral, 408 páginas).


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POR EM 21/10/2011 ÀS 12:13 PM

Livro diz que Lee Oswald não matou John Kennedy

publicado em

O livro “A Maldição de Edgar” (Record, 396 páginas), de Marc Dugain, apresenta a versão de que o presidente americano John Kennedy foi assassinado por um complô que envolveu a CIA, exilados anticastristas e a Máfia. “Lee Harvey Oswald, preso e executado em Dallas, nunca matou Kennedy. Nunca participou ativamente de sua eliminação física. Esse cara estava sendo preparado como cobertura há longos meses”, escreve Dugain, baseado em supostos documentos deixados por Clyde Tolson, o segundo homem do FBI e amante de J. Edgar Hoover (o escritor Truman Capote a dupla de “Johnny and Clyde”). O FBI sabia que havia uma conspirata para matar Kennedy, mas nada fez, porque Hoover, além de considerar o presidente degenerado e fraco, não o tolerava porque tentou retirá-lo do comando da polícia federal norte-americana. Dugain afirma que o objetivo maior era reduzir a força de Bob Kennedy, o secretário (ministro) de Justiça de John, depois, em 1968, também assassinado.

Dugain, seguindo a exposição de Tolson, diz que, quando voltou da União Soviética, Lee Oswald estava careca e, surpreendentemente, parecia menor. O escritor frisa que a União Soviética não tinha interesse em matar Kennedy, que, sempre que pressionado, atendia os líderes soviéticos. Relata que a CIA mantinha um programa de hipnose e que o trabalho de limpeza do crime contra Kennedy foi feito pela agência de espionagem. A Máfia não saberia fazer esse trabalho, avalia o Tolson de Dugain. 


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POR EM 30/09/2011 ÀS 03:21 PM

E esse tal de Saramago aí, é bom?

publicado em

José SaramagoJosé Saramago é do tipo que se alguém perguntar “você gosta de Saramago?”, as respostas serão dividas entre “Claro, ele é genial, um dos maiores escritores que eu já li na minha vida” e “Óbvio que não, comunista, ateu, sou mais o Lobo Antunes”. Não pertenço a nenhum dos dois grupos. Faço parte de um terceiro, bem raro, dos leitores que procuram a sensatez (sem modéstia alguma). Os que não gostam da obra de Saramago quase sempre alegam os mesmos motivos, ou usam argumentos assemelhados: não tenho como gostar de um escritor irregular, que apoiava ditaduras, que foi forjado por intelectuais de esquerda, que só ganhou o Nobel por causa de pressão e todo aquele blá, blá corriqueiro. Tenho percebido que na maioria das vezes, os que se dizem anti-saramaguianos usam os clássicos argumentos ad hominem para descredibilizar a obra. Acho isso de uma baixeza terrível, idiossincrasia de pessoa pretensamente cult. Mas se um leitor de bom senso for analisar o conjunto da obra do escritor lusitano, vai chegar a conclusões altamente positivas.

Os críticos de Saramago apontam um fator que é relevante: a irregularidade. Talvez essa seja uma das raras acusações que faça sentido. Faz sentido porque é o que se comprova de fato. Por exemplo: na publicação de “Terra do Pecado” (1947) Saramago escreve no estilo naturalista-realista, enquanto as tendências literárias da época estão flertando com o neorrealismo; seu primeiro romance passa merecidamente, despercebido. Ele escreve com uma linguagem que é da metade de século XIX, escreve um romance péssimo sendo obscurecido por Alves Redol, Vergílio de Ferreira e Soeiro Pereira Gomes. Ou ainda quando, depois de um grande hiato literário, ele resolve escrever poesia e publica “Os Poemas Possíveis” (1966), mais uma vez com um estilo anacrônico ao que havia de literariamente moderno, mais uma vez sendo passado para trás por outros escritores que eram “melhores” do que ele. Dessa vez foram Herberto Hélder e Cesariny. Admito isso, ele foi irregular. Escreveu coisa ruim, sim. Temos que admitir.


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POR EM 11/09/2011 ÀS 02:43 PM

Como escrever uma carta a um desafeto

publicado em

Caro Sammy,

Aquela putinha esteve aqui esta noite; você sabe, Sammy, a pequena sebenta com o corpo maravilhoso e a mente de um retardado. Entregou-me certos alegados textos supostamente escritos por você. Além do mais, afirmou que o homem da foice está vindo ceifá-lo. Sob circunstâncias normais, eu chamaria esta de uma situação trágica. Mas tendo lido a bílis que os seus manuscritos contêm, deixe-me falar para o mundo em geral e dizer imediatamente que a sua partida é uma sorte para todo mundo. Você não sabe escrever, Sammy. Sugiro que se concentre na tarefa de colocar sua alma idiota em ordem nestes últimos dias antes de deixar um mundo que vai suspirar aliviado com a sua partida. Gostaria honestamente de poder dizer que detesto vê-lo partir. Gostaria também que, como eu, você pudesse legar à posteridade algo como um monumento aos seus dias sobre a terra. Mas como isto é tão obviamente impossível, deixe-me o aconselhar a não guardar rancor nestes seus dias finais. O destino foi realmente ingrato com você. Como o resto do mundo, suponho que você também esteja contente de que muito em breve tudo estará acabado e a mancha de tinta que você deixou nunca será examinada de um ponto de vista mais amplo. Falo em nome de todos os homens sensíveis e civilizados quando o conclamo a queimar esta massa de esterco literário e depois se manter afastado de caneta e tinta. Se tiver uma máquina de escrever, o mesmo vale par ela; porque até a datilografia deste manuscrito é uma desgraça. Se, no entanto, persistir no seu lamentável desejo de escrever, de modo algum me envie a josta que você compôs. Descobri pelo menos que você é engraçado. Não deliberadamente, é claro.

Arturo Bandini


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POR EM 09/09/2011 ÀS 03:07 PM

"Percival Everett é uma das pérolas escondidas da literatura norte-americana"

publicado em

Percival Everett Alberto Manguel é um crítico da estirpe de Harold Bloom, talvez com uma paixão menos militante. Embora conheça as principais teorias literárias, prefere, como Bloom, ler diretamente os livros que comenta. Há analistas que sabem tudo o que disseram teóricos e críticos mas não são leitores devotados de literatura. Pode-se dizer que alguns comentários de Manguel, argentino radicado na França e ex-secretário de Jorge Luis Borges (lia para o escritor portenho), são superficiais, mas quase sempre são deliciosos e, não raro, detalhistas. Seus artigos para o excelente suplemento literário “Babélia”, do “El País”, contêm novidades sobre o mundo literário, mesmo quando explora assuntos batidos. Na edição de 20 de agosto, escreveu uma resenha, “Em busca do sucesso por meio de um romance vergonhoso”, sobre o escritor e professor universitário norte-americano Percival Everett, de 55 anos. Não adianta procurar suas obras nas livrarias e sebos brasileiros (o Estante Virtual vende uma obra em inglês). No site da Livraria Cultura, de São Paulo, o leitor pode encomendar seus romances, mas em inglês. Companhia das Letras, Cosac Naify e Record não publicaram um livro de sua autoria. Na Casa del Libro, de Madri, é encontrado apenas um romance: “X” (Blackie Books, 358 páginas), recém-lançado na Espanha (em inglês pode ser encontrado o mesmo livro, com o título de “Erasure”). A Livraria Bertrand, de Portugal, vende cinco livros do autor — nenhum em português. Everett é um escritor desconhecido, exceto dos acadêmicos e daqueles que leem quase tudo, como Manguel. Na sua resenha, Manguel faz primeiro uma denúncia e, em seguida, a crítica literária.


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POR EM 25/08/2011 ÀS 08:30 PM

Só Freud para livrar Mino de obsessão com Civita

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 “A Sombra do Silêncio” é uma espécie de tudo é verdade segundo dom Mino Carta, o aristocrata do rancor

Mino Carta

Há duas, ou mais, leituras do romance à clef “A Sombra do Silêncio” (Francis, 224 páginas), do jornalista Mino Carta. A primeira, que tem vigorado, é patrocinada pela revista “CartaCapital”, de propriedade de Mino Carta, que vê o romance como uma obra de gênio, ombreando, sabe-se lá, com alguma história de Henry James ou Flaubert. É uma leitura equivocada porque Mino não faz literatura — é memorialista que talvez tenha receio de ser processado (ele diz que um ex-ministro da ditadura, depois senador na democracia, era homossexual. O economista já faleceu), ou, o que é mais crível, não tenha paciência para a pesquisa. Então, usando a forma do romance — mas não fazendo romance, como querem seus críticos favoráveis, que sempre notam sua alta cultura, o diálogo fino com a pintura e a música —, pode, além de atacar seus adversários, políticos, empresários e jornalistas, tornar as histórias mais elásticas. “A Sombra do Silêncio” é, de algum modo, uma espécie de tudo é verdade segundo dom Mino Carta, o aristocrata do rancor, o homem que ensina que se deve comer peixe só com garfo, sem o uso de faca. O “Gattopardo” patropi que quer ser Tomasi di Lampedusa.   Na verdade, ao pretender contar a história de seu amor por Core Mio (Angélica, a paixão de uma vida), Mino Carta faz, mais uma vez, memorialismo à clef. Então, no lugar da primeira leitura, oponho a minha: a histórica, entre outras. Mercúcio Parla, alter ego de Mino Carta, tem o hábito de satirizar os intelectuais, ele próprio intelectual (dos bons, sério, íntegro), embora tentando se mostrar apenas como jornalista. Ele atribui a Alberti/Claudio Abramo o seguinte: “E os intelectuais? Servem o poder, querendo ou não, mesmo porque o primogênito vira coronel e um dos irmãos Intelectual. A família é a mesma”. Mercúcio/Mino contrapõe: “Mas nem todos nascem abastados...”. Abramo replica: “Estes sonham em subir na vida, quando não dá para virar coronel, vale a pena ser Intelectual”. E nós, jornalistas, servimos a quem? Ao poder, é claro.


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POR EM 17/08/2011 ÀS 10:05 PM

Mino Carta vai reescrever o Evangelho

publicado em

Mino CartaQuem diz que o ego do jor­na­lis­ta e pin­tor Mi­no Car­ta, di­re­tor de re­da­ção da re­vis­ta “Car­ta­Ca­pi­tal”, é hi­per­tro­fi­a­do não po­de dei­xar de ser cha­ma­do de aman­te de re­dun­dân­cias. Mi­no Car­ta se acha o mais pu­ro dos ho­mens e, por ex­ten­são, o me­lhor jor­na­lis­ta do Bra­sil, qui­çá do mun­do — de­pois de Clau­dio Abra­mo, di­ria o ita­li­a­no-bra­si­lei­ro. É o que so­bres­sai do ro­man­ce “O Cas­te­lo de Âm­bar” (Re­cord, 400 pá­gi­nas). Es­tra­nhís­si­mo ro­man à clef. Sus­ten­tar que “O Cas­te­lo de Âm­bar” é ro­man­ce tal­vez se­ja mais uma go­za­ção de Mi­no Car­ta.

“O Cas­te­lo de Âm­bar” é o an­ti­rro­man­ce, não no sen­ti­do li­te­rá­rio, ao mo­do de “Fin­ne­gans Wake”, de Ja­mes Joyce, ou de “Aque­la Con­fu­são Lou­ca da Via Me­ru­la­na”, de Car­lo Emi­lio Gad­da, e sim no as­pec­to mais cru: não há li­te­ra­tu­ra ne­nhu­ma no li­vro — só fa­tos, co­zi­dos, é ver­da­de, co­mo quer a ma­lí­cia do au­tor. Mas o jor­na­lis­mo li­te­rá­rio de Mi­no Car­ta é pas­sio­nal: apre­sen­ta a sua ver­são com ên­fa­se e a dos ou­tros, os “ini­mi­gos”, em es­pa­ço mí­ni­mo. O ro­man­ce se­ria li­te­ra­tu­ra ou fu­zi­la­ria? Talvez vendeta. Se “O Cas­te­lo de Âm­bar” é es­tra­nho, por­que Mi­no Car­ta ten­ta trans­for­mar a re­a­li­da­de em fic­ção, pa­ra que a re­a­li­da­de se tor­ne ao olho do lei­tor ain­da mais cho­can­te, os re­sul­ta­dos são pí­fios. Mui­ta gen­te cer­ta­men­te vai bus­car em al­gu­ma re­por­ta­gem ou re­se­nha os no­mes ver­da­dei­ros por trás dos per­so­na­gens. So­bre­tu­do jor­na­lis­tas. O lei­tor co­mum ten­de a se dis­tan­ci­ar de uma obra que, ten­tan­do ser fic­ção, não é mais do que um re­tra­to, ab­so­lu­ta­men­te res­sen­ti­do, da re­a­li­da­de.


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POR EM 03/08/2011 ÀS 01:48 PM

Salinger odiaria

publicado em

Salinger: Uma VidaJerome David Salinger odiaria a biografia escrita por Kenneth Slawenski. Em primeiro lugar, ela representa o culto ao escritor, algo de que Salinger sempre foi esquivo. Até aí, “tudo bem”. Nem se fosse escrita por Seymour Glass, ele ficaria satisfeito. Em segundo lugar, “Salinger: Uma Vida” representa uma tentativa maníaca de entender a ficção de Salinger sob a ótica autobiográfica. O resultado é que todo texto salingeriano existe para ser analisado sob a luz da existência do escritor.

 Esta opção altamente discutível do biógrafo compromete a apreciação da obra do escritor, resvalando muitas vezes na idolatria do fã. Não à toa, Slawenski é o criador do site Dead Caulfields. Parece que estamos lendo um blog dedicado a J. D. Salinger, o grande herói de Kenneth Slawenski.

 A questão então é ver o que Slawenski tem a nos oferecer. Como nenhuma de suas análises prima por algum insight maravilhoso, somos condenados a análises e mais análises biográficas de sua obra. A jovem Oona O'Neill trocou Salinger por Charles Chaplin? Lá está o intrépido Slawenski descobrindo como isto se reflete na ficção de Salinger: Chaplin é desprezado pelo personagem principal de um conto do qual ninguém mais tem lembrança. E assim durante as cerca de 380 páginas da biografia, que não conta com índice onomástico.  Tudo isto tem lá seu interesse, mas antes de contribuir para o conhecimento da obra de Salinger, termina por amesquinhá-la. Este problema está enraizado no fetiche pela realidade, tão afeito ao gosto contemporâneo. A ascensão das vendas de biografias e de filmes “baseados em fatos reais” comprova o fato.


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POR EM 23/06/2011 ÀS 04:36 PM

Como Funciona a Ficção

publicado em

James WoodSe a ficção fosse uma pedra preciosa, sua lapidação seria o cuidado técnico do escritor, acompanhada de uma revisão supervisionada por olhos de águia, cortes precisos feitos pela navalha da concisão e um ritmo geométrico — relação harmoniosa entre a forma e a durabilidade sonora da palavra (corpo) e a concavidade de seu contexto (leito). O leito da palavra é o não-lugar onde ela poderia ser eternizada por estar no lugar perfeito, conforme a harmonia narrativa onde foi depositada adequadamente. Um corpo depende do outro (uma palavra dependendo da próxima) e o leito depende da harmonia desses corpos. Então surge a ficção que encanta, a pedra brilhante adornando uma joia: o livro. Sendo um topázio amarelo, tende a criar a atmosfera amanteigada dos vestidos das damas de Jane Austen; um lápis-lazúli, o mistério marinho eivado de finas rugas peroladas dos tensos enredos de Ian McEwan; um rubi, a inocência ígnea dos lábios nervosos da Lo-Li-Ta de Nabokov. Colocadas sob variadas luzes, as pedras revelam brilhos e tons igualmente variados. Essas luzes são os diferentes olhares dos leitores sobre a joia-livro: todas as interpretações derramadas no leito da compreensão. O olho do leitor é luz sobre o livro, algumas vezes anestesicamente mais fraca, outras, cirurgicamente intensa e precisa. Quebre a pedra, estoure seu núcleo, separe os reagentes e veja o produto desmanchado: cada pedaço tem um formato, um tamanho, um papel na beleza do todo. Cada pedaço permitiu a existência do produto e foi um artifício, uma maneira, um caminho, consciente ou inconsciente, para o escritor, esse ser que cria e recria a partir da corrosão de suas pedras, ter sua joia.


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POR EM 23/06/2011 ÀS 01:52 PM

Triângulo Rosa — Um Homossexual no Campo de Concentração Nazista

publicado em

Triângulo Rosa — Um Homossexual no Campo de Concentração NazistaNo clássico “O Holocausto — História dos Judeus da Europa na Segunda Guerra Mundial” (Hucitec, 1022 páginas), do historiador inglês Martin Gilbert, há referências aos ciganos e homossexuais mortos nos campos de concentração e extermínio dos nazistas de Adolf Hitler, ainda que escassas. “Em pouco mais de quatro meses, mais de 30 mil pessoas tinham sido mortas em Mauthausen [campo de concentração alemão], ou tinham morrido de inanição e doença. Judeus e ciganos formaram os maiores grupos dos mortos, mas outros grupos também tinham sido selecionados pelos nazistas: homossexuais, testemunhas de Jeová, prisioneiros de guerra espanhóis”, revela Gilbert. “Dos assassinados” — Gilbert não está citando só Mauthausen —, entre 1939 e 1945, “cerca de um quarto de milhão eram ciganos, dezenas de milhares de homossexuais e dezenas de milhares de ‘deficientes mentais’.” É pouca informação, mas Gilbert pode alegar, com razão, que seu foco são os judeus. Por isso o livro “Triângulo Rosa — Um Homossexual no Campo de Concentração Nazista” (Mescla Editorial, 182 páginas, tradução de Angela Cristina Salgueiro Marques), de Jean-Luc Schwab e Rudolf Brazda (o texto é exclusivo de Schwab), tem grande importância. É o resgate da história do alemão (“tchecoslovaco, por ascendência”) Rudolf Brazda. Ainda vivo, com 98 anos, Brazda foi preso no campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, porque havia cometido o crime de ser homossexual. Não se pretendia tão-somente purificar a raça alemã. O governo nazista trabalhava para mudar comportamentos tidos como desviantes e, quando não conseguia, prendia ou matava as pessoas.


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