revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Bom dia! Meu filho de 18 anos, que, para falar a verdade, até agora não se interessou muito pela leitura, me pediu o livro “Europa na Guerra — 1939-1945”. Está querendo saber mais sobre a Segunda Guer ...

    5 horas atrás por Andréa Cristina Menezes Pires Corrêa sobre Livros para entender a Segunda Guerra Mundial
  • Amanhã, dia 02/09, lançamento da obra completa de Pio Vargas, na UBE-GO. Organização de Carlos Willian Leite, prefácio de Ademir Luiz. ...

    1 dia atrás por Carlos Augusto Silva
  • Ah, sei. Anhanguera fez tudo isso e também estuprou as índias e ainda por cima ganhou uma rodovia com seu nome. Nossa, grande representante do Brasil nós temos. ...

    2 dias atrás por Michelle Lima da Silva sobre Anhangüera: herói ou vilão?
  • "Agarre-se às pequenas coisas, tudo bem, mas seja mais seletivo. "Avatar" não!"
    Rapaz, se você quer se AGARRAR a conceitos veiculados pelo cinema, pobre de você. Além de odiar o citado Woody Allen, di ...

    2 dias atrás por Daniel sobre Por que Avatar é idiota

últimas no twitter

parceiros

  • Tawitter

  • twitter rank

  • Marconi Leal

  • Filosofia Ciência & Vida

sugestões de livros

  • Centopeia de Neon

sugestões de filmes

  • http://bit.ly/bE40kL

  • Lola Montes

  • Europa 51

  • No Limiar da Vida

livros

POR EM 21/04/2010 ÀS 03:20 PM

Pauta de esquerda trava entrevista de general

publicado em

Geneton Moraes Neto e o general Leonidas Pires GonçalvesGeneton Moraes Neto é um entrevistador nada ortodoxo. Mas não conseguiu arrancar grandes confissões do general Leonidas Pires Gonçalves, de 89 anos, ministro do Exército no governo de José Sarney, na entrevista concedida ao canal Globo News. A ênfase do militar não o intimidou, mas a maioria das perguntas do jornalista parecia escrita por um militante da esquerda. Quando Geneton inquiriu sobre torturas e mortes de esquerdistas, Leonidas citou as mortes de inocentes, civis e militares, mas o jornalista não se interessou pelo assunto. O que é espantoso, pois, perspicaz, Geneton poderia ter obtido alguma informação nova a respeito. Não aproveitou a “deixa”, digamos assim. Porque só estava interessado nos mortos da esquerda. A esquerda também matou, e não necessariamente em confronto. O caso de Márcio Toledo Leite, não citado pelo general e por Geneton, é exemplar. Integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Márcio comunicou aos aliados que iria abandonar a guerrilha, mas não sairia do Brasil. Apresentado como “traidor”, sem ter traído ninguém, Márcio foi assassinado pelos companheiros, liderados por Carlos Eugênio Sarmento da Paz, o Clemente. A confissão é do próprio Carlos Eugênio, hoje músico no Rio de Janeiro, nas memórias “Viagem à Luta Armada” (Civilização Brasileira, 228 páginas, 1996). O esquerdista Toledo Leite é outro Herzog, mas, como foi executado pela esquerda, Geneton e outros intelectuais de esquerda evitam citá-lo.  A entrevista, anunciada com estardalhaço, não trouxe grandes revelações. Se tivesse consultado com mais atenção alguns livros, que poderiam subsidiá-lo na elaboração da pauta, Geneton certamente teria contribuído, de modo mais decisivo, para elucidar algumas questões nebulosas. Teve uma chance rara, mas não a aproveitou muito bem. Porque, como a maioria dos jornalistas, tratou o general Leonidas com preconceito. Não estou defendendo que deveria tratá-lo como servo, sem contestá-lo, e sim que deveria ter aproveitado a oportunidade para uma entrevista mais rica em informações inéditas. 


leia mais...
POR EM 06/04/2010 ÀS 09:50 AM

Involução de Fidel Castro pode ter fuzilado 20 mil pessoas

publicado em

Fidel Castro

A jornalista Flávia Marreiro, da “Folha de S. Paulo”, publicou reportagem de uma página, no dia 21 de março, com o título de “‘Paredón’ cubano vitimou ao menos 3.820”. A base de sua informação é o projeto Cuba Archive. Como sabe que o número é subestimado, o jornal acrescenta no subtítulo: “Dependendo da fonte, porém, fuzilamentos na ilha desde a instauração do regime castrista podem ter chegado à casa dos 17 mil”.  Os donos do principado de Cuba, Fidel Castro e Raúl “Picolé de Chuchu” Castro, certamente agradecem aos coordenadores do Cuba Archive (www.cubaarchive.org) pelo número subestimado. (Consta que as mortes foram documentadas, mas Fidel, temendo o julgamento da história, mandou queimar os arquivos. O ditador teve tempo de verificar o que aconteceu com Hitler e Stálin depois da abertura dos arquivos.) Organizado por uma associação de cubanos e americanos, o Cuba Archive não fez um trabalho desonesto, escondendo dados. Trabalhou com documentos possíveis, porque o governo da dinastia Castro se recusa a liberar documentos do que fez e faz. Fidel admite, no máximo, que manteve 20 mil cubanos nas masmorras e matou “alguns” contra-revolucionários. Marifeli Stable-Pérez, do Inter-American Dialogue, de Washington, diz que “o Cuba Archive é um bom esforço”, mas as cifras não são concretas, “porque a principal fonte é Havana, que não presta contas”. A repórter não diz, mas, após a queda do regime, a reconstituição da história dos fuzilamentos possivelmente vai levar anos, porque terá de ser feita família por família, por conta dos escassos documentos. A polícia secreta cubana, além de destruir as provas, os documentos, tem se empenhado, sistematicamente, em apagar a história dos fuzilados. As pessoas são “apagadas”, assim como o castrismo faz com as fotografias dos líderes revolucionários que caíram em desgraça. Por saber da incompletude dos dados do Cuba Archive — e, insisto, inconsistência não por manipulação, e sim por falta de documentos precisos —, a “Folha” cita outras fontes para aferir o número de executados pelo regime cubano. 


leia mais...
POR EM 01/04/2010 ÀS 11:02 AM

Poeta brasileiro quase ganhou Nobel de Literatura

publicado em

Antônio OlintoApesar dos provincianismos, como elogios excessivos, produto do “amiguismo”, a nulidades literárias como José Sarney (“muito bom escritor”) e Paulo Coelho (“um grande escritor”), o livro “Antônio Olinto: 90 Anos de Paixão — Memórias Póstumas de um Imortal” (Editora de Cultura, 317 páginas), de João Lins de Albuquerque, contém histórias magníficas. João Lins esclarece que não se trata de uma biografia, nem, digo eu, de memórias clássicas. Trata-se de uma longa entrevista, com informações às vezes repetidas e ligeiramente contraditórias. Mas isto não importa, pois a obra é mesmo do balacobaco.

O sueco Arthur Lundkvist, da Academia Nobel sueca, contou a Olinto que, leitor da poesia de Jorge de Lima, decidiu visitá-lo no Rio de Janeiro. Conversaram longamente e, em 1950, Lundkvist — “que sabia de cor alguns poemas negros de Jorge de Lima” — revelou ao escritor e diplomata Olinto: “De volta a Estocolmo, conversei com vários acadêmicos e chegamos à conclusão de que poderíamos dar o Prêmio Nobel a Jorge de Lima no fim dos anos 50”. O autor de “Invenção de Orfeu” deveria receber o Nobel em 1957 ou 1958, mas morreu em 1953 (na página 282, Olinto cita, erradamente, 1952 como data da morte). Em 1958, durante um Congresso de Escritores, Olinto levou o escritor Graham Greene, autor do excelente romance “O Poder e a Glória”, para almoçar com Roberto Marinho, na redação de “O Globo”. Ao saber que o jornal havia sido fundado pelo pai de Marinho, Greene disse: “Ah! É um jornal de família? Tudo o que é de família é sempre bom! Jornais que são vendidos para muitos donos acabam perdendo seu vigor histórico, sua força editorial!”


leia mais...
POR EM 28/03/2010 ÀS 11:50 AM

Chá das Cinco Com o Vampiro

publicado em

Chá das Cinco Com o Vampiro

“Chá das Cinco Com o Vampiro” (Objetiva, 285 páginas), de Miguel Sanches Neto, é um roman à clef da pesada (seria quase um bildungsroman?). Seu projeto, se há um, é desmitificar o escritor minimalista Dalton Trevisan, conhecido como Vampiro de Curitiba, por conta de sua reclusão salingeriana (a diferença é que publica). Sanches escreve bem e com muita graça, sem porra-louquice.

 

Aos 84 anos, Trevisan reagiu com fúria ao saber do romance e chamou Sanches de “filho espiritual de Caim”, “traveca de araponga louca de meia-noite” e “hiena papuda”. Vi uma fotografia de Sanches. Não parece papudo nem Sancho Pança. Talvez tenha o gogó mais pronunciado do que o de outros homens. Mas, “hiena papuda”, é exagero produzido pelo ódio. Depois de certa idade, não se tem mais tempo para ter raiva — tem-se ódio, que é raiva transformada em pedra e que se leva para o túmulo (raiva é ódio provisório). O livro, presente do velho amigo Vassil Oliveira, é tão interessante que, começada a leitura, não queremos mais parar. O que buscamos? Escândalos? Talvez. Ou, quem sabe, um sentido para a obra de Trevisan, que, embora sabendo importante, não me apetece. Trevisan parece ter uma vida insossa, mas sua imaginação voa mais alto do que o cotidiano sem importância.

 

A crítica a Trevisan é direta: “O que destrói uma pessoa, qualquer pessoa, por mais reservada que seja, é a vaidade. No fundo, estamos sempre querendo ser aceitos. Esperando a aprovação dos outros. E fingimos indiferença ao mundo, ou mesmo ódio, até certo ponto. Há uma hora em que nos rendemos”. Será que Trevisan cabe na modelagem traçada pelo costureiro de palavras Sanches? Os indivíduos não são diferentes? Seu livro resulta do fato de, aparentemente, ter sido humilhado pelo mestre? Não sabemos, ou não sabemos inteiramente. Sanches é corajoso, pois, como adotamos o modo de vida americano, por qualquer motivo se processa e se exige indenização no Brasil.


leia mais...
POR EM 22/03/2010 ÀS 03:41 PM

Tanto Faz: um clássico dos anos 80

publicado em

Reinaldo MoraesUm exercício de liberdade, na forma e no conteúdo. Assim pode ser definido o romance “Tanto Faz”, de Reinaldo Moraes, lançado em 1981 pela mítica coleção Cantadas Literárias, da Editora Brasiliense.

O economista Ricardo de Mello consegue uma passagem para Paris, e mais importante — uma bolsa. Vem daí a plena liberdade do protagonista de “Tanto Faz”: ele escolhe avacalhar com a pesquisa para a qual está sendo pago e torrar tudo numa pretensa vida de dandy na capital francesa.

Ricardo não está à procura de nada no país estrangeiro: não é seu passado que ele deseja restaurar, não acredita piamente que a Cidade Luz lhe despertará a veia artística, não crê que possa se encontrar por lá. Nada disso. Está ali apenas para curtir.

Embora a ação ocorra na década de 70, o romance não aborda a conturbada época de tensão política e social senão de raspão, preferindo se dedicar ao desbunde. Ricardo faz um balanço bem realista de sua posição sobre os conflitos de 68: “a gente ficou de fora da briga. A nossa adesão à esquerda era só teórica e emocional; picas de práxis”. Até mesmo a idéia mítica de um Rio de Janeiro dourado da bossa nova, dos mineiros ensinando aos nativos o que era ser carioca, do cinema novo — tudo isso é desmentido por uma personagem: “Esse nem eu conheço. O Rio que a classe média vive agora é o Rio dos assaltos e das longas filas nos postos de gasolina”.


leia mais...
POR EM 20/03/2010 ÀS 11:03 AM

Livro resgata história da maior seleção brasileira de futebol

publicado em

As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os TemposEm 1970, menino, vi a Copa de Pelé numa televisão preto e branco na casa do vizinho João Borges (na época poucas pessoas tinham aparelho de tevê). Chuviscos, a bola e os jogadores se confundiam. Mas as imagens da televisão, mais do que o jogo em si, mesmerizavam adultos e crianças. Todos pareciam ter os olhos vidrados, contemplando a tevê como se fosse um quadro de Van Gogh. Resultado: por conta de Pelé, de suas diabruras, tornei-me torcedor do Santos. A Copa de 70 vai completar 40 anos, mas não há a respeito da grande seleção de Gérson, Jairzinho (imagine: na época, eu avaliava que era melhor do que Pelé), Rivellino, Clodoaldo, Tostão e Pelé um livro equivalente à excelente biografia “Estrela Solitária — Um Brasileiro Chamado Garrincha” (Companhia das Letras, 536 páginas), de Ruy Castro. Há obras episódicas, algumas sobre jogadores, mas não uma obra detalhada. O jornalista Milton Leite, embora não tenha a pretensão de escrever a obra “definitiva” sobre a Copa de 70, produziu um livro que explica razoavelmente bem o sucesso da seleção de João Saldanha e Zagallo. “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” (Contexto, 223 páginas) apresenta histórias e análises pertinentes. Uma decisão oportuna foi a inclusão da seleção de 1982, a do técnico Telê Santana, como uma das melhores, embora não tenha ganhado a copa. Com justiça, Leite diz que “a seleção que conquistou em definitivo a Taça Jules Rimet entrou para a história como o melhor time já montado na história dos mundiais”. Não tinha Garrincha e Vavá, mas tinha Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho e Rivellino.


leia mais...
POR EM 13/03/2010 ÀS 09:56 PM

Leitura de “Honoráveis Bandidos” sugere a pergunta: por que Arruda está preso?

publicado em

Honoráveis Bandidos — Um Retrato do Brasil na Era SarneyInstigado por leitores, mais de 50, li “Honoráveis Bandidos — Um Retrato do Brasil na Era Sarney” (Geração Editorial, 207 páginas), do jornalista Palmério Dória, com apoio de Mylton Severiano.

Pode ser que esteja enganado, mas o sucesso do livro possivelmente se deve mais à graça como o autor trata do assunto, a corrupção em altas escala e esfera, do que às denúncias em si.

No lugar de formação de quadrilha, Dória fala em “formação de família” (citando Ruy Castro). Aran, a pedido de Dória, escreveu um epitáfio para José Sarney: “Aqui jaz o dono do mar, do bar, da venda, da televisão, do jornal, do mausoléu, da rua, da avenida, do Estado...”.

O jornalista diz que, “no centro histórico de São Luís, dois do povo conversam:

— Qual é a pior coisa do Maranhão?

— A família Sarney.

— Qual a melhor coisa do Maranhão?

— Ser da família Sarney”.


leia mais...
POR EM 13/03/2010 ÀS 09:39 PM

Salvem os bifes

publicado em

J. M. Coetzee O escritor sul-africano J. M. Coetzee, prêmio Nobel de Literatura de 2003, é um exímio criador de personagens. Em sua rica galeria figuram desde sua recriação de Dostoiévski, em “O Mestre de São Petersburgo”, até David Lurie, o intelectual caído em desgraça de “Desonra”. Talvez a mais célebre dentre todas seja a protagonista do romance “Elizabeth Costello”, de 2003. Mas não foi nessa obra que ocorreu sua estreia. A primeira aparição conhecida de Costello deu-se na novela “A Vida dos Animais”, de 1999.

Na verdade, “A Vida dos Animais” não é exatamente uma novela. Ou por outra, não é apenas uma novela. Trata-se da publicação conjunta de duas palestras e de quatro ensaios sobre estas palestras. Explico: quando Coetzee foi convidado a ministrar duas conferências no tradicional encontro acadêmico de Tanner Lectures, promovido pela universidade norte-americana de Princeton, optou por desenvolver uma narrativa ao invés de discorrer sobre algum problema filosófico, político ou ético, como é o mais comum nesses ciclos de debate. Inegavelmente, pouco ortodoxo. Mas o que de fato quebrou o protocolo acadêmico do encontro foi o tema escolhido pelo orador: os direitos dos animais. A surpresa motivou quatro intelectuais a produzirem comentários sobre suas reflexões acerca da saudável “descompostura” de Coetzee. Os pontos de vista são os mais diversos. Escreveram uma bióloga, uma crítica literária, uma historiadora da religião e um estudioso da zooética. A soma desses seis textos, mais a competente introdução escrita por Amy Gutman, forma o conjunto do livro. Ou seja: uma novela que já vem com parte de sua fortuna crítica acoplada. Não sei se é pós-moderno, pois nem sei se isto que chamam de pós-modernidade realmente existe, mas, sem dúvida, é original.


leia mais...
POR EM 07/03/2010 ÀS 06:58 PM

A Billie Holiday dos trópicos

publicado em

Elza SoaresFico tentado a fornecer um guia de leitura do livro “Elza Soares — Cantando Para Não Enlouquecer” (Planeta, 383 páginas), do escritor José Louzeiro. No guia, privilegiaria os capítulos que discutem diretamente a artista e menos sua vida. Mas, se fizesse isto, contribuiria para privar o leitor de entender, de modo mais amplo, como uma favelada, sem nenhuma estrutura, se tornou uma cantora magnífica — espécie de Billie Holiday, pelo menos em sofrimento, dos trópicos.

Aos 12 anos, Elza Soares foi obrigada a se casar com Lourdes (Alaúrdes) Antônio Soares, de 22 anos. O pai, Avelino Gomes, acreditava que havia sido estuprada. Homem simplório e violento, Alaúrdes passou a estuprá-la, sim, mas depois do casamento.

Aos 13 anos, Elza Soares foi mãe. Com Alaúrdes teve cinco filhos, João Carlos, Dilma, Gilson, Gerson e Edmundo. Este morreu de fome. Gerson foi entregue para um casal adotar. No lugar de cuidar da casa, a criança preferia soltar pipa, carregando o bebê numa cesta de vime. Como não queria continuar apenas como “parideira”, arranjou emprego numa fábrica de sabão. Uma vez, como não aceitava seu progresso material e cultural, Alaúrdes atirou na mulher.


leia mais...
POR EM 05/03/2010 ÀS 06:12 PM

Os trapalhões

publicado em

Os Espiões“Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer.” É assim, com ar deprimente, que começa “Os Espiões”, novo romance de Luis Fernando Veríssimo (Alfaguara, 142 páginas). Escrito de forma simples, direta, muitas vezes redundante e com algumas passagens repetitivas, o livro conta a história de um funcionário de uma pequena editora, mal-humorado e de ressaca nas segundas-feiras, com alguma boa-vontade nos dias restantes. Ele recebe exatamente numa terça-feira, em seu resquício de mau humor e dores de cabeça, o primeiro capítulo de um misterioso original com remetente de uma pequena e desconhecida cidade: Frondosa. É Ariadne quem assina o texto ausente de vírgulas, com graves erros gramaticais, texto este que desperta a curiosidade, o fascínio e até uma certa admiração exagerada — antes por parte do editor e depois de seus amigos e conhecidos de bar, porque tudo o que a misteriosa escritora quer com o romance é vingar-se do marido ciumento que, diz ela, matou seu amante. 

Tanto o protagonista, o deslumbrado narrador, quanto seus amigos de bar, vão aos poucos sendo envolvidos pela imagem ao mesmo tempo interessante e irritante de Ariadne. Ela não só pretende mandar o livro em partes, esquiva e secretamente, como também suicidar-se quando o livro estiver pronto. Seria dramática e bela, poética até, se não fosse tão forçada e novelesca a personalidade desse quase-fantasma com fome de vingança. Depois de fatos sondados, ligações familiares descobertas através de nomes conhecidos, os personagens não mais têm curiosidade sobre seu objeto de mistério, mas real atração e um tanto de pena dele. Chega a ser quase cafona o modo como todos os amigos se reúnem, deslocando-se, desdobrando-se, alterando o próprio cotidiano, para, heroicamente, salvar Ariadne das mãos do marido que praticamente a deixa trancada dentro de casa. 


leia mais...
 < 1 2 3 4 5 6 >  Último ›
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio