revista bula

compartilhe



últimos comentários

  • Sou maranhense, e nao entendo..
    A familia Sarney está no poder por aqui há muito tempo. Quando finalmente na última eleição para vereador conseguimos desfazer a oligarquia elegendo Jackson Lago eles d ...

    21 horas atrás por k. sobre Leitura de “Honoráveis Bandidos” sugere a pergunta: por que Arruda está preso?
  • É o utilitarismo, meu caro.

    Abraço!
    www.formigueirocomunista.com/sss ...

    2 dias atrás por André HP sobre A invenção da roda
  • Assisti a'O púlcaro búlgaro no teatro do Colégio Marista ontem. Excelente. Pena que o teatro estivesse vazio. Hoje (sábado) haverá a segunda e última apresentação. Quem não foi, que vá. ...

    2 dias atrás por Flávio Paranhos
  • Obrigado pelo comentário, Liana. ...

    4 dias atrás por eberth vencio

últimas no twitter

  • Imagens gigantes e gratuitas... http://www.morguefile.com/
    2 horas atrás
  • Para aficionados por piercing: http://bit.ly/dpo6Hq
    2 horas atrás
  • Again: como eram os sites mais famosos do mundo quando foram lançados... http://bit.ly/UQxNn
    2 horas atrás
  • Eis o link: Lista com os 100 melhores blogs de (ou sobre) fotografia...http://bit.ly/lqpw
    2 horas atrás
  • Os homens mais ricos do mundo online (segundo a BBC) http://bit.ly/d3eyHy
    2 horas atrás

parceiros

  • Tawitter

  • twitter rank

  • Marconi Leal

sugestões de livros

  • Centopeia de Neon

sugestões de filmes

  • http://bit.ly/bE40kL

  • Lola Montes

  • Europa 51

  • No Limiar da Vida

livros

POR EM 26/01/2010 ÀS 12:08 PM

Espectros de Bolaño

publicado em

Roberto BolañoO corpo de um desaparecido permanece no intervalo entre os vivos e os mortos. Sem a presença material, não pode ser definida sua morte. A ausência, por sua vez, não garante que ainda está vivo. Derrida nota que é essa a condição do fantasma, ideal para pensar a modernidade depois de tudo e o tempo fora dos eixos. Na América Latina, o sujeito que sumiu durante as ditaduras militares é o espectro político que ronda e assusta as sociedades dos países ainda reticentes em acertar as contas com o passado. Nem vivo, nem morto, ele vaga pelas narrativas com uma vitalidade sem igual.

O romance “Estrela Distante”, do chileno Roberto Bolaño, se organiza em torno de desaparecimentos. Corpos que sumiram no Chile após o 11 de setembro de 1973, poemas feitos por um piloto com a fumaça de um avião de acrobacias, exilados que perdem sua identidade ao mudar para outros países, poetas chilenos de quem ninguém mais se lembra (a não ser o narrador). Este narrador vasculha vidas e mortes, porém reconstituiu tudo com incerteza. “A partir daqui, meu relato se alimentará basicamente de conjecturas”, diz o narrador na página 25, para em seguida detalhar histórias por mais 118 páginas. Bolaño escreve as memórias de um poeta do interior do sul do Chile,  por volta de 1971 e 1972. Nunca se sabe ao certo. Ele faz parte de um grupo de pessoas que freqüentam uma oficina para escritores. Lá, conhece o personagem Alberto Ruiz-Tagle, que assume o nome de Carlos Wieder para escrever famosos poemas com a fumaça de avião. O livro é a tentativa de capturar algo dessa figura fantasmática que se tornou mais inapreensível, sobretudo ao começar a prestar serviços à ditadura de Pinochet. Uma das passagens mais assombrosas é aquela que liga Alberto ao desaparecimento das irmãs Garmendia.


leia mais...
POR EM 20/01/2010 ÀS 10:06 AM

Historiador denuncia a indústria do Holocausto

publicado em

Tachado de opositor ideológico de Israel, Norman Finkelstein sustenta que o Holocausto nazista foi “recriado” para defender Estado judeu e enriquecer instituições judaicas

 Norman G. Finkelstein

Antes de apresentar os argumentos do polêmico livro “A Indústria do Holocausto — Reflexões Sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus” (Editora Record, 156 páginas), de Norman G. Finkelstein, professor da Universidade de Nova York e doutor por Princeton, algumas palavras sobre o autor. Em duas resenhas para a “Folha de S. Paulo”, o jornalista Marcos Guterman busca desqualificar Finkelstein como historiador. No primeiro texto, diz que Finkelstein é “crítico histérico e raso da instrumentalização do Holocausto pelos judeus”. O segundo texto é uma resenha, publicada em fevereiro de 2001.

Nesse texto, Guterman ataca, quase no estilo de cruzado de Finkelstein: “A ausência quase completa de documentos específicos do genocídio, grande parte deles destruída pelos nazistas para tentar apagar o episódio da historia, é a base da negação do Holocausto e um dos trunfos de ‘A Indústria do Holocausto’, de Norman Finkelstein”. Guterman escreve que o polemista é visto como “anti-sionista de poucos recursos acadêmicos”. 

A questão-chave pouco ou nada tem a ver com os “parcos” recursos acadêmicos de Finkelstein, e sim com ideologias diferentes. Finkelstein é um intelectual de esquerda, muito próximo do séquito de Noam Chomsky. O leitor do livro ‘A Indústria do Holocausto’, se consultá-lo com rigor, certamente substituirá a palavra “histérico” por “exagerado” ou extremado. Nem tudo que é radical é histérico, assim como nem tudo que é moderado não é histérico. 

Mesmo que não se concorde com as idéias de Finkelstein — e esclareço, desde já, que tenho respeito pela causa judaica —, é interessante passear por sua exposição, não raro apressada e excessiva, sobre o que considera “a indústria do Holocausto”. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, as organizações judaicas dos Estados Unidos, as mais poderosas do mundo — sempre com o apoio de publicações como “New York Times” e “Washinton Post”, os dois jornais mais conhecidos do país, além de revistas, como “Time” e “Newsweek” —, deixaram, por assim dizer, o Holocausto no armário. A tese de Finkelstein: “Elas ‘esqueceram’ o holocausto nazista porque a Alemanha — Alemanha Ocidental, em 1949 — tornou-se um aliado crucial do pós-guerra americano no confronto dos EUA com a União Soviética. Vasculhar o passado não seria útil; na verdade, era um complicador. (...) Lembrar o Holocausto nazista era etiquetado como causa comunista”. As associações judaicas chegaram a fazer vistas grossas à entrada de nazistas nos Estados Unidos. 

A partir de junho de 1967, com a guerra árabe-israelense, na versão de Finkelstein, “o Holocausto tornou-se uma fixação na vida dos judeus americanos. De sua fundação em 1948 até a guerra de junho de 1967, Israel não figurou como foco no planejamento estratégico americano. (...) Para assegurar seus interesses no Oriente Médio, o governo Eisenhower apoiou tanto Israel quanto as nações árabes, contudo favorecendo os árabes”. Finkelstein acrescenta: “A indústria do Holocausto só se difundiu depois da dominação militar esmagadora e do florescente e exagerado triunfalismo entre os israelenses”.


leia mais...
POR EM 18/01/2010 ÀS 08:02 PM

O flerte de Luis Buñuel com o stalinismo

publicado em

Los Anos Rojos de Luis Buñuel“Los Anos Rojos de Luis Buñuel”(Cátedra, 420 páginas), de Román Gubern e P. Hammond, provoca polêmica na Espanha. O livro prova que, ao contrário do que sempre disse, o cineasta filiou-se ao Partido Comunista Espanhol (PCE) em 1931. Não só. Buñuel se pôs, durante algum tempo, a serviço do brutal stalinismo soviético.

O jornal “El Mundo” fez uma pequena entrevista com Román Gubern, que traduzo a seguir.

Como surgiu a ideia de narrar “os anos vermelhos” de Buñuel?

A origem está no surgimento da carta de Buñuel a [André] Breton, de 6 de maio de 1932, na qual informava de sua filiação ao PCE — informação que sempre havia negado.


leia mais...
POR EM 18/01/2010 ÀS 09:17 AM

Cultura de massa vira “cult” em prosa de cubano

publicado em

Cabrera InfanteO que sabemos da Irlanda tem a ver com seus escritores notáveis, como Jonathan Swift, Wilde, Yeats, Shaw, Joyce e, recentemente, John Banville. Os políticos são lembrados, se são, apenas por especialistas em política internacional.

Em Cuba, com o tempo, não vai ser diferente. Daqui a 50 anos, ou menos, Fidel Castro certamente vai figurar no rodapé da história cristalizado como o ditador sanguinário que tornou seu país um dos mais esfomeados do mundo (esfomeados de tudo: comida, bens de consumo e, sobretudo, liberdade). O Stálin cubano conseguiu a proeza de socializar a fome e excluir a liberdade de todos os cantos da ilha. Impunemente.

Se Fidel será esquecido, exceto por seus crimes e pela fortuna que guardou nos bancos europeus (calculada em 1 bilhão de dólares), imitando os ditadores africanos e outros, a literatura de Cuba será eternamente lembrada por conta de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Guillermo Cabrera Infante. Em 1992, Cabrera Infante, entrevistado por “O Globo”, disse que os mais importantes escritores cubanos do século 20 são Lezama Lima, Virgílio Piñera e Alejo Carpentier. “Mas quem mais teve influência sobre mim foi um escritor pouco conhecido, Lino Novas Calvo, um extraordinário contista, que descobri quando começava a escrever, em 1947. Calvo não é o escritor mais importante de Cuba, mas certamente foi a minha maior influência.” (Note-se que João de Minas influenciou escritores importantes do Brasil, embora não tenha sido autor do primeiro time.) Na mesma entrevista, Cabrera Infante diz que Machado de Assis é “o grande escritor de ficção ibero-americana do século 19. ‘Macunaíma’, de Mário de Andrade, é um livro realmente divertidíssimo”.


leia mais...
POR EM 14/01/2010 ÀS 10:59 AM

Traumas argentinos

publicado em

Duas Vezes JunhoUm recruta do exército argentino encontra um caderno anotações aberto em seu local de trabalho, uma prisão. As primeiras palavras do diário dão o tom do ambiente: “A partir de que idade se pode comesar a torturar uma criança?”. A frase com o erro de ortografia (começar com “s”) chama a atenção do narrador e joga luz naquele universo em que não só as palavras estão deformadas. O tempo da narrativa é a Argentina de junho de 1978, em plena euforia da Copa do Mundo, que foi capitalizada por uma das ditaduras mais carniceiras e neoliberais da História da América Latina.

O início do romance “Duas vezes junho” (2002), de Martín Kohan, coloca o leitor dentro do universo de brutalidade e de silêncios. Não se trata de saber apenas como se tortura uma criança, mas como é possível contar uma história dessas. O autor adota o ponto de vista do torturador dos porões, sem no entanto buscar o revisionismo histórico para justificar ideologias de direita e criminalizar quem foi torturado. A escrita de Kohan mergulha na escuridão de quem usa a violência para supostamente controlar a “desordem” e acaba recorrendo às mais bárbaras violações. Os capítulos são todos bem curtos e construídos na forma de contraponto, intercalando, por exemplo, uma conversa entre os soldados e as precauções que devem ser tomadas para não matar a prisioneira que acabou de dar a luz a uma criança. Este bebê é o motivo da pergunta inicial, sobre a idade em que se pode começar a violar uma pessoa. O estado de saúde da torturada leva o narrador a procurar por Buenos Aires seu superior para saber os próximos procedimentos: deveriam matá-la ou mantê-la viva. O dia dessa bsuca é o de um jogo da Copa do Mundo de Futebol de 1978.


leia mais...
POR EM 13/01/2010 ÀS 10:08 AM

Clarice Lispector descartou influência de Virginia Woolf e Sartre

publicado em

Clarice,“Clarice,” (Cosacnaify, 648 páginas), de Benjamin Moser, é uma biografia do balacobaco. Clarice Lispector, a mulher e a escritora, sai maior. Ou com a estatura devida. Apesar da simpatia confessa do pesquisador americano, não se trata de hagiografia. Uma das vantagens da biografia é que Moser recolhe as melhores interpretações (esquecendo algumas) da obra da autora e oferece ao leitor as próprias leituras, quase sempre pertinentes e originais. Ele escarafuncha a vida e, paralelamente, a obra. Muitas vezes, o envolvimento com a obra é muito superior à apreensão da vida de Clarice.

Em 1919, quando tentava escapar das perseguições dos comunistas na Ucrânia, a mãe de Clarice, a judia Mania Lispector, foi estuprada e contraiu sífilis. Aparentemente para tentar se curar, ficou grávida e, na fuga pelo território ucraniano, nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, em 10 de dezembro de 1920 (na época, pensava-se que uma mulher doente, com certas doenças, poderia se curar se ficasse grávida. Recentemente, em busca de informações sobre a família Lispector, Moser visitou a Ucrânia e descobriu que a crença persiste entre as mulheres do povo). Chaya significa “vida” em hebraico. No Brasil, o nome foi trocado para Clarice. Os pais, Pinkhas (mudou o nome para Pedro) e Mania (virou Marieta), chegaram ao Brasil, em 1922, com as três filhas, Elisa (o nome era Leah), Tânia e Clarice. Moraram em Maceió, Recife (paixão de Clarice) e Rio de Janeiro.


leia mais...
POR EM 08/01/2010 ÀS 05:24 PM

O tempo em que Brizola foi o homem de Fidel no Brasil

publicado em

O dirigente cubano parece ter acreditado que Brizola era o Fidel do Brasil e enviou 1 milhão de dólares para sua guerrilha, que não ocorreu

Leonel Brizola, Fidel Castro, João Goulart e Darcy Ribeiro

Se a história do Egito é inesgotável — daí a permanência de uma indústria editorial que inventa e reinventa romancistas-historiadores-arqueólogos —, imagine a história recente brasileira, sobretudo a pós-64. Em 1987, José Wilson da Silva lançou um livro, “O Tenente Vermelho”, que conta, entre outras histórias, que “Fidel Castro entregou 1 milhão de dólares para os exilados brasileiros no Uruguai (Brizola, Jango e Darcy Ribeiro) financiarem movimentos de guerrilha no Brasil”. O livro de José Wilson é muito interessante, mas pessimamente editado pela Tchê!, o que certamente reduziu a sua repercussão. Treze 13 anos depois, a doutora em história pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg amplia o que José Wilson antecipou. No livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro” (Editora Mauad, 2001), de apenas 94 páginas, Denise produz um documento de grande valia, ainda que lacunar, pois Brizola e José Dirceu, por exemplo, não quiseram falar sobre suas relações com Cuba. Denise também não conseguiu fazer entrevistas em Cuba, porque a bolsa do CNPq “exclui qualquer possibilidade de viagem ao exterior”. De resto, o livro de Denise parece sugerir, mais do que um texto definitivo, uma obra em andamento. O leitor especializado certamente achará estranha a ausência, na bibliografia, dos livros “O Tenente Vermelho”, de José Wilson, e “A Revolução Impossível”, de Luís Mir.


leia mais...
POR EM 08/01/2010 ÀS 09:55 AM

Amuleto, de Roberto Bolaño

publicado em

Amuleto, de Roberto Bolaño Não é de espantar que o Brasil tenha descoberto Roberto Bolaño com quase dez anos de atraso em relação ao resto do mundo. Espantoso é que tenha descoberto.

Ao menos dessa vez, o mercado editorial tupiniquim acompanhou o prestígio crescente do escritor chileno — especialmente o entusiasmo europeu e norte-americano —, providenciando traduções de quase todas suas obras disponíveis. O trabalho, muito bem feito, está todo a cargo de Eduardo Brandão, que tem se revelado competente na tarefa. Lançado recentemente no país, “Amuleto” é um desdobramento de uma história presente em “Os Detetives Selvagens”, prêmio Rômulo Galegos de 1998 e uma das pedras basilares da complexa e multifacetada obra de Roberto Bolaño.

Nesse romance, dois jovens poetas saem à caça de Cesárea Tinarejo, uma escritora desaparecida no deserto mexicano de Sonora. O livro é composto pelo diário de Garcia Madero, além de dezenas de depoimentos de coadjuvantes, dando vazão à criatividade e à originalidade de Bolaño no que se refere à sua capacidade prodigiosa de juntar imaginação e realidade em um relato qualificado por ele como uma carta de amor à sua geração. Um dos episódios se refere a Auxilio Lacouture, que estava no banheiro da Universidade Nacional Autônoma do México durante a invasão militar em setembro de 1968. Se em “Os Detetives”, a história já revela sua tensão, é em “Amuleto” que ela atinge a carga máxima.


leia mais...
POR EM 05/01/2010 ÀS 07:13 PM

Cuba era ‘dona’ da revolução brasileira

publicado em

O Apoio de Cuba À Luta Armada no Brasil No terceiro capítulo de “O Apoio de Cuba À Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro”, a historiadora Denise Rollemberg discute o apoio financeiro e logístico de Cuba à Ação Libertadora Nacional (ALN), ao Grupo da Ilha, à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ao Movimento Revolucionário — 8 de Outubro (MR-8). O incentivo se dá a partir de 1967, após o “fracasso” das Ligas Camponesas e do Fidel brasileiro, Leonel “El Ratón” Brizola. O ano de 1967, aponta Denise, “foi marcado tanto pela Conferência das OLAS, em julho e agosto, grito de guerra do projeto de exportação da revolução, quanto pela derrota do projeto de Che Guevara na Bolívia, em outubro”. O Fidel brasileiro passa a ser Carlos Marighella (“Vai, Carlos, vai ser Marighella na vida”, como dizia o poeta).

“A ALN foi a organização que mais enviou militantes para o treinamento. Em setembro de 1967, foi formada a primeira turma, chamada de I Exército da ALN, que treinou 16 militantes até julho de 1968, e, em seguida, formaram-se o II Exército (30 militantes treinados entre julho de 1968 e meados de 1969), o III (33 militantes treinados entre maio e dezembro de 1970) e o IV (13 militantes treinados entre fins de 1970 e julho de 1971)”, conta Denise. Outras organizações participaram dos treinamentos em Cuba.


leia mais...
POR EM 04/01/2010 ÀS 01:17 PM

Guerra e Paz: história além da história

publicado em

TolstóiRecentemente a “Revista Bula” publicou uma lista dos cem livros mais importantes de todos os tempos. Chamou de “A lista das listas”. Dentre injustiças ou polêmicas para uns ou outros, ninguém achou loucura que “Guerra e Paz”, de Tolstói, encabeçasse essa classificação. Quem leu o livro de Tolstói pode ter outro predileto. Tenho o meu, e não é o referido volume, mas não há como negar a plausibilidade do posto. À frente de Homero? Sim. De Dante? Sim. Proust? Ok. “Guerra e Paz” é incontestável.

Depois de percorrer as duas traduções brasileiras (Oscar Mendes e João Gaspar Simões), em um intervalo de mais de dez anos entre uma leitura e outra, rendo-me — mais do que quando da primeira visita na tradução de Oscar Mendes — ao encanto dessa obra-prima. Ernest Hemingway, em brincadeira inofensiva, disse: “Comecei devagar e derrotei o Sr. Turguêniev. Treinei e derrotei o Sr. De Maupassant. Lutei dois rounds difíceis com o Sr. Stendhal e fui ligeiramente melhor do que ele. Mas ninguém nunca vai me pôr num ringue com o Sr. Tolstói, a não ser que eu enlouqueça.” Essa obra recupera nos leitores atividade hoje em dia cada vez menos executada: a de acompanhar uma história, de vermos desenvolver ante nós enredo admirável, bem executado em linguagem intensa e viva. Sim, lê-se “Guerra e Paz” por diversos motivos, mas antes de tudo, queremos ler sua história e trama que se apresentam: saber do destino de Pedro, André, da própria Rússia. Mesmo conhecendo o final, os grandes feitos, queremos assistir a como eles serão contados, em que situação se encontrarão Maria e Natasha quando o exército francês sofrer com o inverno e suas tropas estiverem desordenadas na estrada para Smolensk, como reagirá Nicolau Rostov ao incêndio de Moscou, qual reação terá Napoleão ao tomar a capital deserta, abandonada pelo seu povo. Tolstói é um grande fabulador, e encanta tanto pelo que conta, como pelo modo através do qual o faz.


leia mais...
 < 1 2 3 4 5 6 >  Último ›
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2009 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — editorial@revistabula.com


renovatio