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TÚLIO MOREIRA ROCHA
EM 15/01/2010 ÀS 11:03 AM
Montagem ligeira, cenas de ação com inúmeros acontecimentos simultâneos, trilha sonora em consonância com momentos alternados de humor e tensão. Essas são as primeiras impressões transmitidas pelo cineasta Guy Ritchie em sua esperada versão para as telonas do famoso personagem Sherlock Holmes, criado por Arthur Conan Doyle em 1887. Interpretado por um desbocado Robert Downey Jr., Sherlock Holmes faz jus aos novos tempos e se aventura contra a paranoia coletiva desencadeada por uma seita de lunáticos. Sempre acompanhado do parceiro John Watson (o galã Jude Law em papel inusitado), o detetive combate vilões gananciosos com mania de dominação como se tivesse sido treinado na mesma agência de espionagem de Jason Bourne, apesar de caminhar pelas ruas da sombria e desajeitada Londres do século 19. A agilidade e as artimanhas do velho fazem inveja a qualquer Ethan Hunt e James Bond de nosso tempo.
"Sherlock Holmes" é um filme construído em cima da importância dos detalhes e dos contrastes. A personalidade do herói principal é fascinante: ele vai do tipo mais beberrão para o investigador centrado e prestativo, de acordo com as exigências da ocasião. Atento aos mínimos detalhes (matéria-prima de seu trabalho, de acordo com o próprio), Sherlock é um preciso investigador de imagens — sem necessitar de ferramentas como zoom ou cenas congeladas. Nada escapa ao alcance de seus olhos. Exatamente por isso, Ritchie consegue obter bons resultados do uso de foco subjetivo, da câmera lenta e da repetição de imagens — recursos justificados pelo talento afinado de seu protagonista.
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FLÁVIO PARANHOS
EM 14/01/2010 ÀS 02:23 PM
Quase apanhei de minha esposa e filhas, quando souberam que eu chamei as pessoas que gostaram de "Avatar" de submentais. O que não me deixou surpreso, já que são mulheres, portanto cabeças de vento por excelência. Cabeças de vento dão desconto pra tudo em nome do “gracinha” ou “que bonitinho”. O exemplo clássico é um poodle irritantemente latidor, merecedor de uma laringectomia sem anestesia. Se for “bonitinho”, “gracinha”, está perdoado.
Quem melhor expressou em palavras a imbecilidade de "Avatar" foi Luiz Felipe Pondé, o melhor colunista da Folha de São Paulo (alguém que vai além da mera sinceridade, suspeito é que tem prazer em ser desagradável mesmo). Ele o fez em duas colunas, “O romantismo idiota de Avatar” e “Viva o Brasil capitalista!”. Esta segunda não fala do filme, mas serve bem ao propósito.
A ideia central de “O romantismo idiota de Avatar” é a incoerência da natureza selvagem como “bonitinha”. Em “Viva o Brasil capitalista!” Pondé comenta um livro (“Guia politicamente incorreto da história do Brasil”, Leandro Narloch, Ed. Leya) em que confronta a moda intelectual pseudoesquerdista do momento, pela qual os portugueses teriam sido “invasores”, quando na verdade foram “libertadores” de nossa condição primitiva (“nossa” como se fosse possível falar em “brasileiro” desconsiderando a mistura portuguesa). Quando duas culturas trombam de frente, vence a mais avançada. E “mais avançada” é bom, a despeito do que pensem primitivistas teóricos (primitivistas teóricos sabem tudo sobre culturas primitivas, de dentro de suas fartas bibliotecas com ar-condicionado e o Google, que ninguém é de ferro). Se há algo que brasileiros devemos lamentar é que os portugueses, e não os ingleses, nos tenham achado primeiro (e olha que sou descendente direto de portugueses, da cidade de Mira, pra ser específico). Nada, nada, falaríamos uma língua mais inteligente e universal.
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FLÁVIO PARANHOS
EM 11/01/2010 ÀS 04:17 PM
Esse título seria a tradução mais próxima de “Whatever works”, último filme de Woody Allen. Há outras possibilidades, como “O que funcionar”, “Qualquer coisa que funcionar”, ou, simplesmente, “Qualquer coisa”. Se eu fosse o tradutor oficial de filmes no Brasil eu escolheria esse, que é curto e fiel ao espírito do filme. Mas não. Seria pedir demais um título decente para um filme de Woody aqui no Brasil. Com exceção de “Crimes e pecados”, melhor até do que o original “Crimes and misdemeanors”, o histórico é horrível. “Annie Hall” virou “Noivo neurótico, noiva nervosa” e “Love and death” virou “A última noite de Boris Gruschencko”, para citar dois dos exemplos mais desastrosos.
“Tudo pode dar certo”, o título escolhido por algum moron brasileiro, provavelmente fã de coisas do tipo “Avatar” (aliás, uma experiência interessante é assistir “Whatever works” seis vezes seguidas e logo depois “Avatar”, uma vez só, claro, e mesmo assim levantando pra ir ao banheiro várias vezes, sem prejuízo da compreensão da estorinha submental) não tem nada a ver com o espírito do filme. De fato, não consigo imaginar um título mais distante do espírito do filme. E, afinal, qual é o espírito do filme? “Whatever works” trata de uma obsessão de Woody já identificada em suas piadas stand-up da década de 1960 e também em seus primeiros filmes, mas mais escancaradas a partir de “Annie Hall” e “Manhattan”, a saber, a absoluta falta de sentido de nossa existência, que, associada a absoluta indiferença de um universo sem Deus (Woody não é judeu, é ateu), só nos deixa duas saídas: o suicídio ou nos agarrarmos às pequenas coisas (como em “Manhattan”), enfim, a... whatever works. “Manhattan”, por sinal, foi a primeira vez em que ele apresentou sua versão de casal improvável pela idade mas que acaba dando certo (Mariel Hemingway com 17 lindos aninhos e ele próprio, com 42). Depois, vira-e-mexe, aparecia algo do tipo, até que fez isso na própria vida pessoal, trocando Mia Farrow por Soon-Yi.
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ENIO VIEIRA
EM 11/01/2010 ÀS 11:15 AM
Guimarães Rosa disse, na célebre entrevista a Günter Lorenz, que o personagem Riobaldo “é apenas o Brasil”. O jagunço seria, nos termos atuais, uma alegoria nacional, fragmento em que se pode alcançar o todo da nação. Agora, em fast foward, surge a tentativa alegórica do filme “Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto. Mais uma vez o grão que tenta condensar o universo de um ser chamado "brasileiro". É a busca constante da cultura brasileira, às voltas com a identidade, que, para Riobaldo, nunca chegava ao fim, pois o homem não está pronto jamais. “As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando”, diz Rosa.
O filme de Fábio Barreto pretende reconstituir os “anos de aprendizagem” de um tipo social, do nascimento ao primeiro grande salto. Um todo acabado, o homem completo, ao contrário de Riobaldo. O fim é obviamente a posse como Presidente da República em 2003, com o alerta de que o personagem só chegou lá, no topo do poder nacional, porque teimou muito. Ele nunca desistiu, insiste o filme, assim como brandiam as campanhas publicitárias do início do governo Lula e da recente batalha contra a crise internacional. O clã Barreto soube criar mais um produto do brasileiro que é, antes de tudo, um persistente. Mas a nação desse filme não existe mais, ficou na lembrança nostálgica de um tempo que se procura recuperar.
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ENIO VIEIRA
EM 07/01/2010 ÀS 01:53 PM
Alain Badiou nota que o século XX teve a “paixão pelo Real”. Trata-se da busca pelas coisas autênticas, experiência verdadeira. Essa concepção leva em conta o tema da ideologia, o artifício pelo qual se encobre a realidade. Se o capitalismo carrega uma série de promessas de felicidade futura (nunca no presente) e fantasias, a “paixão pelo Real” é o motivo para desmascarar esses semblantes. E a tarefa do desmascaramento ocorreu na política por meio da violência e nas artes pelo “faça o novo” das vanguardas.
Nessa busca pelo Real, pelo autêntico, a política e as artes recorreram às armas da demolição. Só a depuração poderia levar ao que existe de mais verdadeiro — mesmo que esse verdadeiro fosse também uma ilusão. Não é por acaso que os anos 1960 assistem à formação de guerrilhas de esquerda contra governos conservadores (quando não ditatoriais) e de vanguardas que resultam nas instalações das artes plásticas. Foi o último momento de radicalidade em favor da mudança social e artística.
Livros, filmes recentes e séries de televisão têm se voltado para esse último período de experimentação. Mas é interessante ver um filme como o alemão “Complexo Baader Meinhof”, de Uli Edel. A intenção é recontar a experiência do grupo RFA, liderado por Andreas Baader, Ulrike Meinhof e Gudrun Ensslin e que sacudiu a Alemanha na virada dos anos 1960 para os 1970. Era guerrilha urbana para despir as máscaras do capitalismo (bombas em supermercados) e combater o expansionismo dos Estados Unidos.
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ADEMIR LUIZ
EM 30/12/2009 ÀS 01:39 PM
Não sei qual foi o melhor filme brasileiro de 2009, mas, com certeza, o pior foi o melodrama “Do Começo ao Fim”. Não era para ser assim. A história dos dois meio-irmãos que vivem paixão homossexual prometia ser dramática e polêmica. O thriller era bem editado e instigante, chamou atenção. Intelectuais, cinéfilos, cults, libertários, bichos-grilos ficaram ansiosos para assisti-lo. Resultado: decepção.
O filme de Aluízio Abranches peca, sobretudo, em dois aspectos. O primeiro é a representação da família. Papai, mamãe e filhinhos são irritantemente felizes. Reunidos à mesa, parecem a Família Do, Re, Mi de tão risonhos e superficiais. As crianças, Francisco e Thomás (Tontom!!??), parecem que vivem em um comercial de margarina. O casal interpretado por Fábio Assunção e Julia Lemmertz são figuras pálidas, bidimensionais. A agregada vivida pela Louise Cardoso jamais se justifica na ação, poderia não existir que ninguém notaria. O ex-marido argentino de Julia Lemmertz, fazendo o gênero amante latino, é um clichê ambulante. Não é culpa dos interpretes, via de regra bons atores, mas do roteiro pobre. Aparentemente, Abranches quis mostrar a bonança antes da tempestade, mas se esqueceu de que, como ensinou o mestre Tolstói, no início de “Anna Karenina”, “Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira". A família que retratou acabou pasteurizada “do começo ao fim” do filme, apesar dos desbobramentos pretensamente dramaticos que viria nos dois terços finais no longa. O segundo problema está nos fracos interpretes de Francisco e Tontom (!!??) na fase adulta, os canastrões Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos. Não transmitem nenhuma dimensão aos personagens. A tão prometida paixão avassaladora entre eles é patética. Parece mais um amorzinho de comédia romântica da Sessão da Tarde. A direção de cena os prejudica. Parece de teatro infantil amador, de tão toscamente coreografada. O maior exemplo da imperícia do diretor está na cena chave em que os meio-irmãos revelam seu amor, até então reprimido, após a morte da mãe. Não há diálogo, simplesmente fazem um stripe tease desajeitado, acompanhado por uma música melosa. Risível.
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ADEMIR LUIZ
EM 26/12/2009 ÀS 03:02 PM
Alguns personagens se fundiram de tal forma a personalidade de seus interpretes que nenhum outro ator pode ousar encarná-los sem ficar ridículo ou parecer um farsante. O vagabundo Carlitos só pode ser feito por Chaplin. Zé do Caixão só pode ser feito por José Mojica Marins. Os gêmeos Rambo e Rocky só podem ser feitos por Stallone. Por outro lado, a história do cinema está repleta de personagens que foram encarnados por diferentes atores de forma marcante. 007 é um caso exemplar. O James Bond canônico é Sean Connery. Ele criou a persona cinematográfica do espião. Não apenas interpretou-o muito bem, mas tornou-se o próprio Bond, James Bond. Contudo, todos seus interpretes, do pouco expressivo George Lazenby ao brucutu Daniel Craig, possuem seus defensores. Pessoalmente, considero Timothy Dalton, protagonista de “007 Marcado Para Morte” (1987) e “007 Permissão Para Matar” (1989), um ótimo Bond. Foi, até agora, o único ator que fez o papel conforme descrito nos livros de Ian Fleming. Mesmo assim é difícil imaginar que Connery foi superado. Sua interpretação perece ser definitiva. Esse é o ponto. Existem interpretações definitivas? E quando se trata de um personagem histórico? O erudito teórico e roteirista de cinema Jean-Claude Carrière escreveu em seu livro “A Linguagem Secreta do Cinema” que: “enquanto o tempo flui inexoravelmente, um dia teremos filmes greco-romanos, assírios e pré-colombianos. Qualquer período, quer tenha ocorrido antes ou depois da efetiva invenção do cinema, vai tender a se fundir com outros períodos (excetos para os eruditos, que provavelmente serão poucos e esparsos, isolados, talvez maltratados). E na mente coletiva, que pela preguiça e pela falta de imaginação, diferencia muito pouco as coisas, Marco Antônio vai ter as feições de Marlon Brando, seguindo-se a surpresa de ver outro filme em que as mesmas feições são dadas a Napoleão, de forma que alguns se maravilharão com a semelhança entre os dois grandes homens”. Mas Napoleão pode ter dono? Marco Antônio pode ter dono? E Richard Burton? Cleópatra é Elizabeth Taylor? Quem é César?
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TÚLIO MOREIRA ROCHA
EM 23/12/2009 ÀS 04:04 PM
Criar muitas expectativas em torno de um filme por causa da obra pregressa de seu diretor ou dos números grandiloquentes que envolvem orçamento e campanha de divulgação é sempre uma aposta incerta. "Avatar " é um caso neutro: se o resultado final não justifica todo o burburinho provocado nos meses que antecederam seu lançamento, passa longe de ser um fiasco ou uma decepção histórica. O primeiro longa dirigido por James Cameron após o sucesso duvidoso de "Titanic "(1997) cumpre seu objetivo principal: tornar-se um marco para a aplicação de efeitos digitais no cinema, ainda que propiciado por um argumento já batido e por personagens infinitamente menos carismáticos que o Exterminador ou os Aliens dos filmes anteriores do cineasta.
As qualidades que transformaram James Cameron em referência para filmes de ficção científica e ação são percebidas já nos primeiros minutos de projeção de "Avatar". A história é apresentada sem rodeios. Planos abertos mostram a grandeza do universo pensado para o filme: o mundo de Pandora é um deleite visual que servirá de palco para os conflitos entre seres humanos, e entre seres humanos e alienígenas. Cobiça, dúvidas existenciais e hostilidade permeiam o ambiente militar, que lembra os melhores momentos de "Aliens, o Resgate" (1986). Como em muitos longas do diretor, há personagens que se movimentam entre o bem e o mal e há aqueles que permanecem convictos em algum desses lados. Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-fuzileiro naval que precisa conviver com a cadeira de rodas e com as comparações frequentes com o irmão gêmeo, uma das mentes por trás do programa Avatar. Enquanto Jake se destacava por sua força física e postura em combate, o irmão era o gênio que experimentaria a conexão com um corpo Na'vi, a espécie humanóide de Pandora. Após a morte do cientista, os acionistas do programa decidem aproveitar a compatibilidade do código genético de Jake e o remanejam para as testes com o avatar.
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TÚLIO MOREIRA ROCHA
EM 15/12/2009 ÀS 03:24 PM
Um dos aspectos realmente democráticos do mundo contemporâneo é a possibilidade de compartilharmos interesses distintos. É claro que ainda há a cobrança da tia do interior (“Quando vai se casar?”) ou do amigo da faculdade que você reencontra décadas depois (“E aí, subiu na vida?”), mas é fato que podemos trilhar o caminho da segurança financeira e emocional e usufruir as vantagens de não dever nada a ninguém. “500 Dias com Ela” (“500 Days of Summer”, 2009) começa expondo as consequências dessa liberdade na vida das pessoas. As escolhas implicam em experiências e aprendizados, e nem sempre sabemos lidar com isso de uma maneira menos adversa.
Um split screen retrata duas infâncias bastante diferentes. Enquanto o garoto Tom cresce idealizando o amor romântico e imaginando o momento em que conheceria sua alma gêmea, aquela pessoa que o completaria e o entenderia de todas as formas, Summer demonstra vocação para a independência sentimental e vontade de acumular relacionamentos sem muito compromisso. É essa dualidade que permeia todo o filme. Mesmo quando a tela não está notoriamente dividida, percebemos as sutilezas de personalidades díspares que, formando um par tão improvável, subsidiam todo o conflito que será apresentado.
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ADEMIR LUIZ
EM 11/12/2009 ÀS 01:33 PM
Já dizia o grande filósofo, guru, menestrel e pegador Oswaldo Montenegro: “Se o planeta explodir, eu quero que seja em plena manhã de domingo e que eu possa assistir”. Um dos filmes de maior sucesso da temporada trata exatamente disso: a possibilidade do mundo acabar em um final de semana, possibilitando que alguns privilegiados possam tranquilamente apreciar o espetáculo de sons, luzes e cores; enquanto o circo pega fogo. Trata-se do besteirol “2012”, dirigido pelo especialista em demolições planetárias Roland Emmerich, responsável por outros quase fins do mundo como “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”.
O filme é tecnicamente impecável, claro. O que não passa de obrigação, considerando seu obsceno orçamento. Nunca o Armageddon foi tão grandioso, eletrizante e, vá lá, bonito de se ver. Em “2012”, elevaram à enésima potência os maremotos de “Mar em Fúria”, os terremotos de “Superman, o Filme”, as explosões vulcânicas de “O Inferno de Dante” etc, etc, etc. As cenas da destruição da Capela Sistina e da Basílica de São Pedro, de tão bem feitas, só não são comoventes porque são apelativas. Assistindo-as não sentimos que algum dia podemos realmente perder essas obras-primas do engenho humano. Assim como não sentimos que podemos, finalmente, nos livrar da kitsch estátua que chamam de Cristo Redentor. Em todo caso, o apuro técnico é tão deslumbrante que simplesmente esquecemos que bilhões de pessoas estão morrendo na nossa frente. Parece ser essa a intenção: pasteurizar o fim dos tempos. Poucas gotas de sangue aparecem na tela.
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