A última entrevista de Nelson Rodrigues
Entrevista de Nelson Rodrigues, concedida em outubro de 1980, ao jornalista Tom Murphy, do jornal “Latin American Daily Post”. O dramaturgo morreria dois meses depois

Tom Murphy
Fui recebido por um homem pálido, até mais alto do que eu imaginava, de calça azul mal ajustada pelos largos e famosos suspensórios; um homem lento no andar e na fala. Lento de dar pena. Anos depois conheci Alfredo Machado, dono e cabeça da Editora Record, a quem relatei a experiência daquele dia: “Entrevistei o Nelson Rodrigues dois meses antes da morte dele; ele já estava doente, muito mal mesmo”. O grande mentor de tantos escritores brasileiros riu: “Nelson estava muito mal sempre”. Naquele ensolarado outubro de 1980, tive o privilégio de conversar durante uma hora e pouco — sentado, como tantos de seus personagens, diante da simples mesa de cozinha — com Nelson Rodrigues. O cenário era bem Nelson: um apartamento escuro e assombroso na beira da alegre praia carioca do Leme, um cheiro leve, não do mar, mas de desinfetante. Na época eu trabalhava para o “Latin American Daily Post”, jornal de língua inglesa, que publicou a entrevista dias depois. Foi só em dezembro que eu soube da real dimensão da doença de Nelson, quando ele deu entrada num hospital. No mesmo mês, dia 21, ele morreu, aos 68 anos.
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O aparecimento de Otto Maria Carpeaux no jornalismo carioca despertou viva curiosidade. Apresentado em grande estilo, por Álvaro Lins, num rodapé do “Correio da Manhã”, como um scholar que muita coisa nos poderia ensinar e que, apesar de sua recente mudança para o Brasil, já estava quase em condições de escrever seus artigos diretamente em português, todo mundo quis ler e conhecer o ensaísta austríaco que escolhera o Brasil para exilar-se, depois dos tristes acontecimentos que se desenrolam em sua pátria.
Eis o homem. O homem que em menos de 20 anos, com sua prosa, seu estilo, sua literatura — sem os favores profissionais da medicina, que pode dar saúde mas ainda não deu gênio (cf. alguns prêmios Nobel), conquistou o Brasil, Portugal, a Alemanha, a Itália, os Estados Unidos, o mundo, não?
No distante ano de 1978, Woody Allen, mesmo sem comparecer a cerimônia, conseguiu a proeza de impedir a Academia de Hollywood de fazer a desfaçatez de premiar o farsante George Lucas com os Oscar de Melhor Filme, Roteiro e Direção. De quebra garantiu para a melhor de suas musas, Diane Keaton, o prêmio de Melhor Atriz. Seu “Annie Hall” foi o grande vencedor da noite. Também foi feliz em 1987, quando “Hannah e Suas Irmãs” levou as estatuetas de Melhor Ator Coadjuvante para Michael Caine, Melhor Atriz Coadjuvante para Dianne Wiest e Melhor Roteiro Original para o próprio Allen. Depois desses anos gloriosos, volta e meia ele era lembrado, como em 2005, quando “Match Point” concorreu ao Prêmio de Roteiro Original, mas sem o impacto de antes. Contudo, na cerimônia do Oscar desse ano o seu “Meia-noite em Paris” é um azarão. Concorre a quatro estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção Artística. Dificilmente leva nas categorias principais, mas o fato é que o sucesso de público e crítica do filme recuperou seu prestigio em Hollywood. Para tentarmos compreender o “Fenômeno Woody Allen” propomos uma entrevista com o escritor, médico e filósofo Flávio Paranhos, um dos maiores especialistas brasileiros na obra desse pequeno grande cineasta.
Escritora, letrista, vocalista, blogueira, iconoclasta e polemista, Clara Averbuck é uma espécie de anti-heroína da internet brasileira. Começou a escrever em 1998, para o lendário “CardosOnline”, o primeiro mailzine brasileiro. Tornou-se autora de quatro livros: “Máquina de Pinball”, “Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante”, “Vida de Gato” e “Nossa Senhora da Pequena Morte”. Em 2003, “Máquina de Pinball” ganhou uma adaptação para o teatro e em 2007 Murilo Salles dirigiu o filme “Nome Próprio”, inspirado em sua vida e obra. Em entrevista a Revista Bula, Clara Averbuck não poupa palavras ou pessoas: fala sobre carreira, livros, preferências, idiossincrasias e, atiradora de elite que é, distribui alfinetadas. Sobre o fato de ser vista mais como celebridade de internet do que como escritora que se tornou célebre, tem uma resposta precisa: “Só queria que uma galera aí entendesse que eu não faço as coisas para aparecer, eu apareço porque fiz as coisas”. Atualmente, é redatora do Portal R7 e faz um programa diário com Alessandra Siedschlag, do blog "Te Dou Um Dado?". Participam da entrevista o escritor e doutor em História Ademir Luiz, o escritor e pós-doutor em literatura
Ewerton Freitas e o poeta e jornalista Carlos Willian Leite.
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) é visto como o maior poeta da língua alemã. Stefan Zweig, que viveu 100 anos mais tarde, assim o definiu: “Goethe... o homem que a Alemanha, que a Europa vê como o mais sábio dos sábios, o mais maduro e esclarecido espírito do século 19...”. Goethe não foi só poeta, dramaturgo, diretor de teatro, ministro e homem de Estado. Goethe atuou em várias áreas do saber humano. Ao lado de suas poesias, dramas e prosa, é autor de tratados tão distintos como arte, mineralogia, botânica, ótica, granito, Aristóteles, Júlio César, arquitetura alemã, arte da Antiguidade. Sua biografia é amplamente conhecida graças aos seus minuciosos diários e milhares de documentos particulares arquivados na Anna-Amalia-Bibliothek de Weimar, cidade onde viveu a maior parte de sua vida. Há porém um detalhe na vida deste homem que, mesmo entre os seus admiradores alemães, é pouco conhecido. Goethe foi um grande admirador do Brasil. O primeiro registro em seu diário sobre o Brasil encontra-se no dia 8 de dezembro de 1802 e o último em 31 de setembro de 1831. São pequenas anotações mas que dão ao estudioso informações sobre o vasto campo de interesse de Goethe sobre o Brasil bem como o seu diversificado contato com outros cientistas e naturalistas que, na época, estudavam a flora, a fauna e as riquezas geológicas do país que na Europa, na época de Goethe, ainda eram desconhecidas. Tão acentuado foi o interesse de Goethe pelo Brasil que outros naturalistas, referindo-se a ele, chamavam-no de “Goethe, o Brasileiro”.
Nasci no início da década de 70 numa quinta-feira chuvosa. Dizem, eu não me lembro de nada. Eram tempos muito loucos! Depois cresci e tal, aquele roteiro normal mesmo, sabe? Fui até pra escola. Matei aula em alguns dos melhores colégios de São Paulo, fui expulso de outros tantos. Eu falava demais, escrevia demais e tirava notas boas demais pra um moleque que zoava tanto e só andava em “más companhias”. Uma verdadeira anomalia.
Arquiteto e escritor, Halley Margon V. Jr., de 54 anos, nasceu em Catalão, Goiás. Morou em Londres e há duas décadas mora no Rio de Janeiro. Admirador do diretor de cinema Stanley Kubrick e leitor de Faulkner, James Joyce, Guimarães Rosa e Dashiell Hammett, Halley Margon desponta como um dos nomes promissores da literatura brasileira. Seu livro de estreia, “Paisagem Com Cavalo” (Editora 7 Letras), recebeu menção honrosa do Prêmio Sesc de 2009, o mais importante prêmio literário, para livros inéditos, do Brasil. Em entrevista, concedida por e-mail, fala sobre livros, filmes, crítica literária, editoras, arquitetura, jornalismo cultural, sua opção ideológica pela esquerda, e sobre seu romance, que será lançado em Goiânia, na quarta-feira, 3, às 19 horas, na Livraria Saraiva, no Shopping Flamboyant.
Na Inglaterra vitoriana havia um divertimento de salão chamado “Confissões”, no qual os participantes respondiam a uma série de perguntas pessoais. Em homenagem ao autor de “Em Busca do Tempo Perdido”, que gostava do jogo, a brincadeira é conhecida hoje pelo nome de “Questionário Proust”. A Revista Bula fez algumas adaptações e convidou personalidades da internet para responder o questionário. Nesta edição, quem responde é o publicitário Dino Cantelli, 25 anos, criador do blog Tio Dino e uma das lendas do Twitter Brasileiro.