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POR EM 13/05/2012 ÀS 06:18 PM

A última entrevista de Nelson Rodrigues

publicado em

Entrevista de Nelson Rodrigues, concedida em outubro de 1980, ao jornalista Tom Murphy, do jornal “Latin American Daily Post”. O dramaturgo morreria dois meses depois

 Nel­son Rodrigues

Tom Murphy

Fui recebido por um homem pálido, até mais alto do que eu imaginava, de calça azul mal ajustada pelos largos e famosos suspensórios; um homem lento no andar e na fala. Lento de dar pena. Anos depois conheci Alfredo Machado, dono e cabeça da Editora Record, a quem relatei a experiência daquele dia: “Entrevistei o Nel­son Rodrigues dois meses antes da morte dele; ele já estava doente, muito mal mesmo”. O grande mentor de tantos escritores brasileiros riu: “Nelson estava muito mal sempre”. Naquele ensolarado outubro de 1980, tive o privilégio de conversar durante uma hora e pouco — sentado, como tantos de seus personagens, diante da simples mesa de cozinha — com Nelson Rodrigues. O cenário era bem Nelson: um apartamento escuro e assombroso na beira da alegre praia carioca do Leme, um cheiro leve, não do mar, mas de desinfetante. Na época eu trabalhava para o “Latin American Daily Post”, jornal de língua inglesa, que publicou a entrevista dias depois. Foi só em dezembro que eu soube da real dimensão da doença de Nelson, quando ele deu entrada num hospital. No mesmo mês, dia 21, ele morreu, aos 68 anos. 


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POR EM 23/04/2012 ÀS 10:41 AM

A última entrevista de Clarice Lispector

publicado em
Uma rara entrevista de Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura. Depois de gravada, Clarice pediu que a entrevista só fosse divulgada após sua morte. Foi ao ar dez meses depois. Clarice morreu em dezembro de 1977, aos 57 anos

 
Júlio Lerner
 

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”... Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”... Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la. São quatro e quinze da tarde e disponho de apenas meia hora. Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio. Estou correndo e antes mesmo de vê-la a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista. Eu odeio a TV brasileira! Só meia hora para ouvir Clarice. O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha. Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio. Estou desconcertado, atinjo o saguão dos estúdios e a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio do vaivém dos cenários desmontados, de diversos equipamentos e de técnicos que falam alto, no meio de um grande alvoroço.


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POR EM 09/03/2012 ÀS 04:02 PM

A primeira entrevista, no Brasil, de Otto Maria Carpeaux

publicado em

Em comemoração aos 112 anos de nascimento de Otto Maria Carpeaux, republicamos uma rara entrevista sua, a primeira no Brasil, concedida ao jornalista e escritor Homero Senna, em maio de 1949

O aparecimento de Otto Maria Carpeaux no jornalismo carioca despertou viva curiosidade. Apresentado em grande estilo, por Álvaro Lins, num rodapé do “Correio da Manhã”, como um scholar que muita coisa nos poderia ensinar e que, apesar de sua recente mudança para o Brasil, já estava quase em condições de escrever seus artigos diretamente em português, todo mundo quis ler e conhecer o ensaísta austríaco que escolhera o Brasil para exilar-se, depois dos tristes acontecimentos que se desenrolam em sua pátria.

E  como quase sempre acontece — não demorou que, a propósito do novo crítico, que a anexação da Áustria à Alemanha fez emigrar para o Brasil, se formassem correntes distintas. Seus artigos passaram a ser lidos então com maior interesse ainda, tanto pelos fãs como pelos que estavam ansiosos de jogar alguma água naquela fervura de citações, de ideias e nomes novos. Depois vieram os livros, veio o processo de naturalização, e Carpeaux — que conhece hoje, melhor do que muitos, a literatura brasileira — passou a ser um elemento dessa literatura, encontradiço nas rodas literárias do Rio e — com impressionante assiduidade — nas páginas dos suplementos. Seus artigos, escritos de início em francês, logo passaram a ser redigidos diretamente em português, língua conforme nos confessou — já consegue pensar. E é inegável que, do ponto de vista da correção da linguagem, escreve melhor do que muita gente nossa. Nisso teve grande importância seu amigo Aurélio Buarque de Holanda, que o tirou de várias entaladelas e aos poucos lhe foi apontando os escolhos que era preciso evitar, nas águas nem sempre límpidas desta chamada "última flor do Lácio".


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POR EM 02/03/2012 ÀS 03:08 PM

A última entrevista de Guimarães Rosa

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Uma preciosidade histórica da língua portuguesa: a entrevista realizada pelo escritor e jornalista português Arnaldo Saraiva, em 24 de novembro de 1966. Guimarães Rosa morreria menos de um ano depois de tê-la concedido

Eis o homem. O homem que em menos de 20 anos, com sua prosa, seu estilo, sua literatura — sem os favores profissionais da medicina, que pode dar saúde mas ainda não deu gênio (cf. alguns prêmios Nobel), conquistou o Brasil, Portugal, a Alemanha, a Itália, os Estados Unidos, o mundo, não?

Repara no corpo: mau grado as ligeiras ameaças de obesidade, parece atleta, cavaleiro que foi, ou de bandeirante, que da língua é. Vê como está sobriamente elegante, distinto, sorridente, calmo, aristocrata, como convém a um embaixador (ou não estivéssemos num salão do Itamarati). Mas nada da pose ou dos gestos artificiais com que outros tentam iludir a mediocridade. Quem esperou quase quarenta anos para publicar o primeiro livro, ou quem avançou sozinho pelos grandes sertões da língua, não precisa ter pressa nem pedir emprestado um corpo, uma casaca, máscaras.

Lá está o lacinho (ou gravata-borboleta, meu chapa?) simetricamente impecável, fazendo pendant com os óculos claros, tão claros que ainda esclarecem mais os olhos sempre inquiridores, atentos. E é curioso como um mineiro de Cordisburgo, a dois passos (brasileiros) da Ita­­bira de Drum­mond, gosta, ao contrário deste (à primeira vista), de falar, de con­tar, de ser ouvido. Até nisso parece grande o seu amor à língua. Mal me sentei, já ele me começou a falar de Portugal e de escritores portugueses...


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POR EM 23/02/2012 ÀS 06:03 PM

Outro Oscar para Woody Allen?

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O escritor e filósofo Flávio Paranhos afirma que Woody Allen é o maior artista que já existiu e que, filosoficamente, é superior a Dostoiévski

No distante ano de 1978, Woody Allen, mesmo sem comparecer a cerimônia, conseguiu a proeza de impedir a Academia de Hollywood de fazer a desfaçatez de premiar o farsante George Lucas com os Oscar de Melhor Filme, Roteiro e Direção. De quebra garantiu para a melhor de suas musas, Diane Keaton, o prêmio de Melhor Atriz. Seu “Annie Hall” foi o grande vencedor da noite. Também foi feliz em 1987, quando “Hannah e Suas Irmãs” levou as estatuetas de Melhor Ator Coadjuvante para Michael Caine, Melhor Atriz Coadjuvante para Dianne Wiest e Melhor Roteiro Original para o próprio Allen. Depois desses anos gloriosos, volta e meia ele era lembrado, como em 2005, quando “Match Point” concorreu ao Prêmio de Roteiro Original, mas sem o impacto de antes. Contudo, na cerimônia do Oscar desse ano o seu “Meia-noite em Paris” é um azarão. Concorre a quatro estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção Artística. Dificilmente leva nas categorias principais, mas o fato é que o sucesso de público e crítica do filme recuperou seu prestigio em Hollywood. Para tentarmos compreender o “Fenômeno Woody Allen” propomos uma entrevista com o escritor, médico e filósofo Flávio Paranhos, um dos maiores especialistas brasileiros na obra desse pequeno grande cineasta. 


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POR EM 25/05/2011 ÀS 06:45 PM

Clara Averbuck: atiradora de elite

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“Não faço as coisas para aparecer, eu apareço porque fiz as coisas”

Clara AverbuckEscritora, letrista, vocalista, blogueira, iconoclasta e polemista, Clara Averbuck é uma espécie de anti-heroína da internet brasileira. Começou a escrever em 1998, para o lendário “CardosOnline”, o primeiro mailzine brasileiro. Tornou-se autora de quatro livros: “Máquina de Pinball”, “Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante”, “Vida de Gato” e “Nossa Senhora da Pequena Morte”. Em 2003, “Máquina de Pinball” ganhou uma adaptação para o teatro e em 2007 Murilo Salles dirigiu o filme “Nome Próprio”, inspirado em sua vida e obra. Em entrevista a Revista Bula, Clara Averbuck não poupa palavras ou pessoas: fala sobre carreira, livros, preferências, idiossincrasias e, atiradora de elite que é, distribui alfinetadas. Sobre o fato de ser vista mais como celebridade de internet do que como escritora que se tornou célebre, tem uma resposta precisa: “Só queria que uma galera aí entendesse que eu não faço as coisas para aparecer, eu apareço porque fiz as coisas”. Atualmente, é redatora do Portal R7 e faz um programa diário com Alessandra Siedschlag, do blog "Te Dou Um Dado?". Participam da entrevista o escritor e doutor em História Ademir Luiz, o escritor e pós-doutor em literatura 
Ewerton Freitas e o poeta e jornalista Carlos Willian Leite. 

 


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POR EM 13/03/2011 ÀS 11:40 AM

“Goethe, o Brasileiro”

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O escritor e pesquisador alemão Sylk Schneider, autor de “Viagem de Goethe ao Brasil”, fala da relação, quase obsessão, entre o canônico poeta alemão e o “país grandioso” 

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) é visto como o maior poeta da língua alemã. Stefan Zweig, que viveu 100 anos mais tarde, assim o definiu: “Goethe... o homem que a Alemanha, que a Europa vê como o mais sábio dos sábios, o mais maduro e esclarecido espírito do século 19...”. Goethe não foi só poeta, dramaturgo, diretor de teatro, ministro e homem de Estado. Goethe atuou em várias áreas do saber humano. Ao lado de suas poesias, dramas e prosa, é autor de tratados tão distintos como arte, mineralogia, botânica, ótica, granito, Aristóteles, Júlio César, arquitetura alemã, arte da Antiguidade. Sua biografia é amplamente conhecida graças aos seus minuciosos diários e milhares de documentos particulares arquivados na Anna-Amalia-Bibliothek de Weimar, cidade onde viveu a maior parte de sua vida. Há porém um detalhe na vida deste homem que, mesmo entre os seus admiradores alemães, é pouco conhecido. Goethe foi um grande admirador do Brasil. O primeiro registro em seu diário sobre o Brasil encontra-se no dia 8 de dezembro de 1802 e o último em 31 de setembro de 1831. São pequenas anotações mas que dão ao estudioso informações sobre o vasto campo de interesse de Goethe sobre o Brasil bem como o seu diversificado contato com outros cientistas e naturalistas que, na época, estudavam a flora, a fauna e as riquezas geológicas do país que na Europa, na época de Goethe, ainda eram desconhecidas. Tão acentuado foi o interesse de Goethe pelo Brasil que outros naturalistas, referindo-se a ele, chamavam-no de “Goethe, o Brasileiro”.


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POR EM 11/11/2010 ÀS 12:53 PM

Questionário Proust: Luiz Marcondes

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Luiz MarcondesNasci no início da década de 70 numa quinta-feira chuvosa. Dizem, eu não me lembro de nada. Eram tempos muito loucos! Depois cresci e tal, aquele roteiro normal mesmo, sabe? Fui até pra escola. Matei aula em alguns dos melhores colégios de São Paulo, fui expulso de outros tantos. Eu falava demais, escrevia demais e tirava notas boas demais pra um moleque que zoava tanto e só andava em “más companhias”. Uma verdadeira anomalia.

Sobre escrever demais, uma história bem curiosa aconteceu comigo aos 10 anos de idade: a professora de Português chamou minha mãe pra reclamar que minhas redações eram muito longas e eu ia acabar com o caderno em poucas semanas. Não lhe passou rela cabeça que eu poderia me tornar um escritor. Pensando bem, nem pela minha. Diminui minha produção, constrangido.

Bem mais tarde, resolvi fazer faculdade de Publicidade porque uma amiga disse que eu “era criativo”. Eu era idiota, isso sim. Mas enfim, passei no vestibular e fiz ESPM, que, diziam na época, era uma das melhores instituições de ensino dessa cátedra e coisa e tal e tudo mais, mas, sei lá, nem sei se a faculdade era boa, porque eu tava sempre xavecando meninas (as moças de lá eram realmente muito lindas), aprendendo a tocar violão ou às vezes, lamentavelmente, bêbado. No fim, posso dizer que minha experiência acadêmica foi mesmo um total fracasso: não aprendi  a jogar truco!


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POR EM 02/11/2010 ÀS 06:45 PM

“Raduan Nassar é o maior escritor brasileiro vivo”

publicado em

Paisagem Com CavaloArquiteto e escritor, Halley Margon V. Jr., de 54 anos, nasceu em Catalão, Goiás. Morou em Londres e há duas décadas mora no Rio de Janeiro. Admirador do diretor de cinema Stanley Kubrick e leitor de Faulkner, James Joyce, Guimarães Rosa e Dashiell Hammett, Halley Margon desponta como um dos nomes promissores da literatura brasileira.  Seu livro de estreia, “Paisagem Com Cavalo” (Editora 7 Letras), recebeu menção honrosa do Prêmio Sesc de 2009, o mais importante prêmio literário, para livros inéditos, do Brasil. Em entrevista, concedida por e-mail, fala sobre livros, filmes, crítica literária, editoras, arquitetura, jornalismo cultural, sua opção ideológica pela esquerda, e sobre seu romance, que será lançado em Goiânia, na quarta-feira, 3, às 19 horas, na Livraria Saraiva, no Shopping Flamboyant. 

A prosa de Halley Margon V. Jr tem um quê de literatura inglesa ou, quem sabe, irlandesa — tem pouco a ver com a literatura brasileira, pelo menos a tradicional, e não é mais um filho, ao contrário do que alguns podem pensar, de Rubem Fonseca. Leitor infatigável dos autores que compuseram a literatura moderna — além de apaixonado por música erudita — e escritor obsessivo, sem a pressa do cometa, Halley faz uma literatura “sua”, malgrado as indefectíveis influências, como Beckett (com aquela sua zona de indefinição), Faulkner e Joyce. Ele escolheu um caminho e este não tem a ver com repetir o que já foi dito. Halley veio para ficar e tem outros romances no forno. 


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POR EM 28/07/2010 ÀS 03:12 PM

Tio Dino responde ao Questionário Proust

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Tio DinoNa Inglaterra vitoriana havia um divertimento de salão chamado “Confissões”, no qual os participantes respondiam a uma série de perguntas pessoais. Em homenagem ao autor de “Em Busca do Tempo Perdido”, que gostava do jogo, a brincadeira é conhecida hoje pelo nome de “Questionário Proust”. A Revista Bula fez algumas adaptações e convidou personalidades da internet para responder o questionário. Nesta edição, quem responde é o publicitário Dino Cantelli, 25 anos,  criador do blog Tio Dino e  uma das lendas do Twitter Brasileiro.

Tio Dino por Tio Dino


Gosto de pescar no valo, arrumar encrenca, tomar porre, falar mal dos outros, empurrar manco de escada, dar tranque em cego e cobiçar a mulher do próximo. Não pago o dízimo. Gosto de ir em casamentos e aniversário de penetra, velório de rico e janta de partido político.


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