Desenho de  Wendy MacNaughton
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POR EM 19/01/2012 ÀS 02:22 PM

E com o evocado vem o mistério das associações

publicado em

Depois de ler e reler os livros que o meu velho conhecido Pedro Nava deixou para mim antes de ter se colocado a salvo dos tormentos da memória, sinto que regresso de muito longe e de muito tempo atrás. E penso comigo: se o mundo mudou e ninguém mais liga para essas coisas, não tem importância — elas vivem em mim

Pedro Nava

Escrevi aqui na Bula sobre a Belo Horizonte dos escritores modernistas e, por isso, muitas pessoas ficaram curiosas em relação a Pedro Nava, pouco conhecido atualmente. Nada de novo no front: Nava, autor de seis magníficos livros de memórias, louvado pelos colegas escritores até, creio, o final da década de 80, foi depois esquecido pelos intelectuais brasileiros e parece não despertar muito interesse naqueles que poderiam divulgar a sua literatura. (Da mesma forma, perguntaram-me sobre R., citada nos meus textos, principalmente se ela seria a origem da minha inspiração. Imagino que sim — é como dizem os franceses sobre a motivação dos nossos atos: cherchez la femme. Posso também dizer que... Bem, vocês sabem. Ou não sabem?) Portanto, vamos ao Nava (não como crítico literário, que não o sou, mas como “pedro-navista” de carteirinha). 

Em junho de 1903, nasceu, na mineira Juiz de Fora, um “pobre homem do Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais”, como ele escreveu no primeiro livro de suas memórias, “Baú de Ossos”, usando uma fórmula de Eça de Queirós (“Eu sou um pobre homem da Póvoa do Varzim”), depois também utilizada por Otto Lara Resende (“Eu sou um pobre menino do Matola, de São João del Rei”) — aliás, como a inveja é o pecado dos escritores frustrados, eu gostaria de poder dizer que sou um pobre homem de São Sebastião do Alemão (Palmeiras de Goiás, cidade da minha família materna), ou que sou um pobre homem de Itaberahy (Itaberaí, claro, onde nasceu meu pai), mas fico apenas na vontade não realizada, pois nasci nesta mui nobre, mui leal, benemérita, heróica, invicta e boa cidade de Goiânia. 


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POR EM 02/01/2012 ÀS 04:31 PM

Nenhum Brasil existe e Minas não há mais

publicado em

Dos meus vícios (há tantos!), talvez o menos condenável seja a leitura de cartas. Pois estou com sorte para cultivar minhas manias: a Companhia das Letras acaba de publicar “O Rio É Tão Longe”, coletânea de cartas de Otto Lara Resende para Fernando Sabino (e também relançou “Bom Dia Para Nascer”, agora com 74 crônicas a mais do que na primeira edição). As cartas de Otto podem ser lidas em conjunto com as cartas do próprio Fernando, publicadas pela Record em 2002 (“Cartas na Mesa”). É o que venho fazendo e o que me motivou a pensar nos velhos escritores mineiros — dos quais também há tantos.

(Parênteses imediatos para uma das minhas costumeiras digressões: sou não apenas leitor, mas também escritor constante de cartas. Desde que conheci R., há quase seis anos, enchi-a de cartas. Ah, a propósito e sem propósito: por conta dos meus textos anteriores aqui na “Bula”, recebi várias mensagens nas quais os leitores perguntam quem seria R. Respondo: R. é alfa e ômega.)

Otto, prolífico no que escrevia aos amigos, dizia-se “o último cidadão que ainda se dedica a este gênero obsoleto que é o epistolar”. Já Fernando Sabino, com apenas 22 anos, lamentava a passagem do tempo: “Sim, é verdade que um tempo nosso se encerrou. Somos homens, não somos mais meninos do Trianon, meninos do Viaduto, dos porres, das placas de rua, de cadeados, até mesmo de vitrines de chapelaria. No fundo, se a gente pensar bem, triste tentativa de sentir de novo um tempo que passou, nada mais” (Otto, Fernando e seus amigos trocavam placas de identificação de casas e cadeados de portões). E os dois fofocavam, contavam histórias, lamentavam, riam, choravam, amavam e odiavam nas cartas — essa facúndia escrita lança dúvidas sobre o alegado comedimento mineiro. Sobretudo, eles, tomados de irresistível “cacoethes scribendi” desde a infância, comentavam livros, e é essa compulsão literária que me espanta nos mineiros de então. Por isso, busco-os nas coletâneas de cartas, romances e livros de memórias que deixaram.


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POR EM 15/12/2011 ÀS 07:56 PM

Meus encontros com Kafka

publicado em
O ensaísta, crítico literário e jornalista Otto Maria Carpeaux relata seu encontro com Franz Kafka, em 1921, na cidade de Berlim
 

“Kauka.”
“Como é o nome?”
“KAUKA!”
“Muito prazer.”

Esse diálogo, que certamente não é dos mais espirituosos, foi meu primeiro encontro com Franz Kafka. Ao ser apresentado a ele, não entendi o nome. Entendi Kauka em vez de Kafka. Foi um equívoco.

Hoje, o “Kauka” daquele distante ano de 1921 é um dos escritores mais lidos, mais estudados e – infelizmente – mais imitados do mundo. Mas só Deus sabe quantos são os equívocos que formam essa glória. O romancista de “O Processo” é, para alguns, o satírico que zombou da burocracia austríaca; e para outros o profeta das contradições e do fim apocalíptico da sociedade burguesa; e para mais outros o porta-voz da angústia religiosa desta época; e para mais outros o inapelável juiz da fraqueza moral do gênero humano e do nosso tempo; e para mais outros um exemplo interessante do Complexo de Édipo, etc., etc., etc. Tudo, em torno de Kafka, é equívoco. Equívoco também foi aquele meu primeiro encontro com “Kauka”.

Foi em 1921, em Berlim. Embora só contando os anos do século, eu já tinha passado por duras experiências de guerra e revolução. Estudante universitário, agora, que sonhava com uma carreira literária. Berlim, naqueles anos do primeiro pós-guerra, foi um centro de vanguardas: expressionismo, dadaísmo, os primeiros pintores abstracionistas, simpatizantes do comunismo e fundadores de seitas religiosas e vegetarianas, uma boêmia na qual os jovens austríacos desempenhavam papel grande e barulhento – e alguns grandes escritores de verdade: Döblin, Arnold Zweig, Werfel. No Café Românico, centro da boêmia, esses homens feitos ocupavam mesas especiais, de que ninguém ousava aproximar-se sem ser especialmente convidado; o que não aconteceu nunca. Olhávamos para lá com inveja, escutando para apanhar, talvez, um pedaço de conversa. Rara foi a oportunidade de um convite para as tardes de domingo, no apartamento de um ou outro daqueles escritores, no bairro boêmio, mas elegante, do Bayrischer Platz, hoje um montão de ruínas. E numa dessas tardes cheguei a conhecer pessoalmente Franz Kafka. 


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POR EM 13/10/2011 ÀS 01:27 PM

O dedo de Tolstói

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A esmagadora maioria dos escritores nasce derivada de um ou dois fatos marcantes, que lhes forjam a inescapável necessidade de partilhá-los. O mais é consequência da experiência diária e da própria liturgia do ato de escrever; de resto, motivações acessórias ao ofício. Liev Nikolaievitch Tolstói não foge a essa regra. Analisando sua bibliografia, constatamos que, a priori, sua obra se encontra cindida em três eventos marcantes: seu ingresso no Exército Czarista, participando inclusive dos combates encarniçados da batalha de Sebastopol, o testemunho do suicídio da princesa Anna Stepánovna, na estação da estrada de ferro de Iásnaia Poliana e sua conversão aos evangelhos na forma de um cristianismo puro e anti-clerical.

Dissecando sua robusta produção literária, podemos identificar esse movimento pendular, oscilando de um fato a outro e, com o passar dos anos, adquirindo um caráter messiânico, panfletário e libertário. Talvez a exceção fique com “O que é Arte”, um libelo metapoético onde ele desanca a intelligentzia da época, Nietzche à frente; e “A Felicidade Conjugal”, uma novela retratando os conflitos conjugais, que deixaria as feministas de hoje de cílios em pé. Mas isso é uma outra história. Como consequência direta de sua vida na caserna, Tolstói escreve os “Sebastopolskii Rasskazi” (Contos de Sebastopol), retratando os horrores no front de Sebastopol. “Guerra e Paz”, a despeito do enorme sucesso, pode ser catalogado como um rico e minucioso tratado sobre os humores de um país em pleno campo de batalha (a invasão Napoleônica de 1812). Como relembrança da cena fatal do suicídio de uma mulher adúltera, surgiu “Anna Kariênina”, com a voz narrativa afirmando-se na voz de um Deus justo e vingador: a mim compete a vingança e a retribuição. Derivando do período de pregação e exortação religiosa, temos “Ressureição”, ‘A Morte de Ivan Ilitch” e “Padre Sérgio”, uma tróica contundente a gritar ao homem sua falibilidade e sua podridão.


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POR EM 12/09/2011 ÀS 04:43 PM

Sartre: o messias da filosofia

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O filósofo francês viveu no mundo da fantasia, escravizou Simone de Beauvoir, mentiu sobre a União Soviética e sobre Cuba e era amado pelos estudantes

O francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), o gnomo obsceno, talvez tenha sido o filósofo mais comentado e, até, lido do século 20. O que você vai ler neste texto é tão duro — sobre o baixinho mais feio do que briga entre Anderson Silva e Chael Sonnen — que dou duas dicas: há uma ampla biografia, “Sartre”, de Annie Cohen-Solal (L&PM), em português, que tem uma interpretação menos ácida e mais equilibrada do companheiro de Simone “Castor” de Beauvoir, e há “Passado Imperfeito — Um Olhar Crítico Sobre a Intelectualidade Francesa no Pós-Guerra” (Nova Fronteira, 2008), do historiador britânico Tony Judt. Há um “problema” para leitores preguiçosos: o livro de Cohen-Solal tem 693 páginas. Não há índice de nomes, o que é ruim numa biografia em que se cita muita gente (como o brasileiro Jorge Amado). O livro de Judt, com 478 páginas, é pau puro, e Sartre sai muito mal, com Albert Camus revalorizado. O filósofo de “O Ser e o Nada” não é, porém, o único a ser examinado neste livro esplêndido, seriíssimo.

Se você nunca leu o palavroso Sartre — e não está disposto a ler mais —, a biografia de Cohen-Solal faz um balanço quase exaustivo de suas obras. Creio que é o melhor inventário sobre a obra e a vida do escritor-filósofo, pelo menos em português. Com pouca acidez, insisto, mas, às vezes, sem condescendência. Mas, claro, é um trabalho a favor.


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POR EM 16/07/2011 ÀS 10:17 AM

Woody Allen deveria filmar também em Lisboa

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Este não é um texto sobre Woody Allen. É um ensaio/tributo a Lisboa. Mais: é um passeio pela história do Fado e seus mitos

Já me disseram que há um ditado que nos lembra que conhecer o mundo sem ir a Sintra não seria realmente conhecer o mundo. Bem, não há como discordar, mas acredito que pecado maior é ir a Lisboa e não ouvir fado.

Estamos em Lisboa já há alguns dias, R. e eu, e ainda não ouvimos fado. Ou antes: ainda não fomos a uma casa de fado, pois já ouvimos fadistas na rua e também a música, quase sempre de Amália Rodrigues, que sai das lojas de discos (percebo que escrevi “discos” em vez de “CDs”: muitas vezes, palavras entregam a idade). E há uma mendiga cega na Rua Augusta que sempre está cantando e balançando seu copo para recolher moedas; seu lamento, do qual não entendo nada, fere de um modo pungente meu coração. (Não sei se R. também se sente assim, preciso perguntá-la sobre isso — aliás, noto agora, me parece que ela ainda não reparou na mendiga, o que pode significar que os vinhos que tenho bebido talvez estejam fazendo com que eu transforme coisas banais em situações memoráveis. Passarei um dia sem vinho para conferir. Se não encontrar a velhinha novamente, com certeza ficarei não apenas um, mas muitos dias sem beber.) Iremos, claro, ouvir a música na fonte. Antes da aula prática de fado, porém, faço minhas pesquisas e descubro coisas do balacobaco (uma curiosidade: a palavra balacobaco tem uma certa ligação com o samba; qual seria, se é que existe, a palavra equivalente para o fado?). O fado tem, como todos os tipos de música, seus mistérios; por exemplo, não há concordância sequer em relação a sua origem. Para alguns, ele vem da música dos invasores árabes; para outros, ele descende dos cantos dos trovadores; há ainda quem o queira fruto das canções dos marinheiros portugueses que correram o mundo. Muita gente, contudo, crê que o fado, vejam só, viria da nossa música, da modinha e do lundu, influência brasileira (e africana) que teria chegado a Lisboa com o retorno da Família Real, em 1821, do Brasil, onde ela aportara, em 1808, fugida das tropas napoleônicas.


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POR EM 04/07/2011 ÀS 07:32 PM

Eterna meia-noite em Paris

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Este não é apenas um texto sobre o novo filme de Woody Allen. É um ensaio sobre Paris. Um guia literário de uma época. Um grande passeio pela Paris dos intelectuais, das histórias, dos escritores e artistas que ficaram gravados no inconsciente coletivo do mundo 

Todos os que escreveram sobre o último filme de Woody Allen, “Meia-noite em Paris”, captaram bem a sua essência (e o próprio Dr. Flávio Paranhos, woody-allenista da linha de frente, já deu o seu aval ao filme). Agradeçamos aos santos padroeiros do cinema por Woody Allen não ser adepto do hermetismo cinematográfico, esse mal que lota cineclubes e esvazia cinemas: em “Meia-noite em Paris” claramente entendemos que ele questiona se haveria uma idade de ouro melhor do que os tempos atuais em que vivemos. O protagonista do filme volta, por conta de uma mágica qualquer, à Paris dos anos 1920 e passa a conviver com Scott e Zelda Fitzgerald, Hemingway, Gertrude Stein, Picasso, Dalí, Buñuel, Man Ray, Cole Porter. Vê Josephine Baker se exibindo no Bricktop's e dança com Djuna Barnes numa festa, o que lhe permite uma ótima piada: “Aquela era Djuna Barnes? Não me impressiona que ela quisesse liderar” (outras boas piadas acontecem quando ele antecipa o roteiro de “O Anjo Exterminador” para Luis Buñuel, que não o entende — “Por que as pessoas ficam presas na casa?” —, e quando cita uma frase do próprio Hemingway para o escritor, “Acredito que toda a literatura americana nasce com ‘As Aventuras de Huckleberry Finn’”, mas Hemingway, em resposta, apenas lhe pergunta se ele gosta de boxe). Contudo, a mulher por quem Gil Pender, o personagem interpretado por Owen Wilson, se apaixona naqueles roaring twenties, prefere a belle époque, e de novo, por causa de uma espécie de magia, eles recuam ainda mais no tempo e sentam-se a uma mesa no Moulin Rouge com Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin. Woody Allen parece concluir que não há uma época de ouro e que é preciso viver da melhor maneira possível o presente; o filme é assim uma apologia do “ubi sunt?” e do “carpe diem”.


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POR EM 30/01/2011 ÀS 12:07 PM

Tréplica: Pelé nunca pretendeu ser santo, aliás ser Senna

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PeléMeu ensaio Senna Não é Pelé produziu reações diversas. Vários leitores concordaram com meu raciocínio, outros discordaram parcialmente, muitos ficaram indignados, houve quem suscitasse a possibilidade de que Senna teria praticado conjunções carnais com membros do “sexo feminino” de minha família, um amigo próximo acusou-me de desonestidade intelectual, dois cavalheiros mais exaltados mandaram mensagens eletrônicas me ameaçando de morte etc, etc, etc. Em sua maioria, como imaginei, as reações foram passionais. Infelizmente, afinal, não há possibilidade de debate civilizado quando um dos lados está vermelho, arrancando os cabelos, rasgando as roupas e batendo contra o peito. Como diz a tradição: apelou perdeu, playboy! 
 
Porém, dentre os discordantes, houve notáveis exceções. Por exemplo: Renan do Couto e Joubert Barbosa procuraram responder meus argumentos com outros argumentos, não com xingamentos vazios. Rodrigo Duarte Oliveira escreveu que “um texto pode acrescentar muito ao leitor. Porém, o texto do senhor Ademir, apenas nos acrescenta informações sobre a sua personalidade, o seu apelo a autopromoção”. Um primor de elegância e minimalismo, quase irrespondível. Renato Pujol questionou-me educadamente, acrescentando ao final uma tirada impagável: “abraço de uma viúva passional agarrada ao seu lencinho”. Hilário!


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POR EM 11/01/2011 ÀS 03:50 PM

Acerca da arte

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Saturno devorando o próprio filhoDesde há algum tempo deixei de ler Arnaldo Jabor. Pelo mesmo motivo que não leio Diogo Mainardi e até mesmo o brilhante João Ubaldo Ribeiro — tornaram-se monotemáticos, e, como tais, monótonos. Os deslizes morais do governo Lula se transformaram em fortes e irresistíveis lâmpadas acesas para os escritores-mariposas (ou seja lá que inseto for que se sente atraído por luz). Não é que eu faça parte do grupo que perdoa o mensalão e similares. De jeito nenhum. O PT acabou pra mim. Existe tanto quanto o PSDB de FHC ou o PP de Maluf. Coloco-os na mesmíssima cumbuca, não faço a mais microscópica diferença entre eles. Mas estou me desviando. 

Não lia mais Jabor há algum tempo, mas li sua coluna no jornal “O Popular”, que fala sobre a última Bienal de SP. A obra de arte deve ser exaltante, defende ele, criticando as instalações com pretensas mensagens sócio-políticas. Diz Jabor: “A sensação dominante que tive foi de ruínas ou de despejos da civilização. Os trabalhos repetem os mesmos códigos e repertórios: terra arrasada, materiais brutos e sujos, desarmonia, assimetria, uma vergonha de ser “arte”, vergonha de provocar sentimentos de prazer”. [Grifo meu] 

Isso me fez lembrar de Slavoj Zizek, um filósofo cuja obra gosto muito de ler, embora dele discordando várias vezes. Zizek, a cujo livro “Lacrima Rerum — Ensaios Sobre Cinema” recorri em duas colunas minhas na revista “Filosofia Ciência & Vida”, a pretexto de analisar filmes do diretor polonês Krzysztof Kieslowski, tem um estilo direto, objetivo (a não ser quando entra em terreno lacaniano) que muito me agrada. Mas desvio-me novamente. Enfim, eis do que me lembrei, quando li Jabor: “Supostamente, apreciamos a arte tradicional, espera-se que ela traga prazer estético, ao contrário da arte moderna, que causa desprazer; a arte moderna, por definição, fere. Nesse sentido exato, a arte moderna é sublime: causa prazer-na-dor, produz seus efeitos por meio do próprio fracasso, na medida em que se refere às Coisas impossíveis. Em contraste, parece que a beleza e o equilíbrio harmonioso são cada vez mais do domínio das ciências (...)” (“A Visão em Paralaxe”, Boitempo, p. 200). 


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POR EM 06/07/2010 ÀS 05:37 PM

Rebelde que Stálin matou renasce como poeta

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Isolado por Stálin no campo de Versonej, Ossip Mandelstam morreu, de fome, aos 47 anos

Ossip Mandelstam Durante anos, na União Soviética, dizer o nome de Óssip Mandelstam (1891-1938) publicamente era uma ofensa grave ao “guia genial dos povos”, Stálin. Aquele que o citasse podia ser preso ou, mesmo, assassinado. A polícia política fez uma varredura cultural e limpou o nome do escritor russo Mandelstam (nascido em Varsóvia) — que o político Nicolai Ivânovitch Bukhárin amava e, enquanto pôde, protegia — dos livros de história de literatura russa ou qualquer outra. Na União Soviética, “ninguém” sabia, ou podia saber, sobre o escritor Mandelstam. Era terminantemente proibido. Seus livros, como os de Boris Pasternak, não eram editados. 

Mandelstam era um poeta de formação clássica, não engajado politicamente. Num dos melhores estudos da Revolução Russa de 1917, “A Tragédia de um Povo: A Revolução Russa — 1891-1924” (Record, 1106 páginas), o historiador inglês Orlando Figes diz que Maksimilian Voloshin, Mandelstam e Andréi Biéli (ou Belyi) “mostravam-se ambivalentes quanto à violência revolucionária; entendiam-na como uma força justa e primitiva, mas revelavam horror diante de tamanha crueza selvagem” (página 503). Figes conta, na página 746, que Máximo Górki ajudou Mandelstam.  Há um belo livro no mercado, que poderia ter sido chamado de “O Livro Negro do Comunismo — Cultura”, mas o autor Boris Schnaiderman (um dos mais qualificados tradutores do russo), ucraniano nascido em 1917 e que mora no Brasil desde os 8 anos, não o permitiria. Por isso, o título é outro: “Os Escombros e o Mito — A Cultura e o Fim da Soviética” (Companhia das Letras, 306 páginas). 


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