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POR EM 20/01/2012 ÀS 10:53 AM

Até Obama se rende ao sucesso de Michel Teló

publicado em

“Engulam: os Estados Unidos mandaram o homem à lua, e nós enviamos o nosso homem para falar com o Obama!”. Foi com estas palavras, sentado em sua cadeira reclinável de tecido puído, com os pés cruzados sobre a mesa, os cantos da boca espumando como um cão raivoso, que o editor da Revista Bula provocava um concorrente da imprensa, vangloriando-se pela entrevista que Obama concedera a mim em Nova Iorque. 

Quando a gente conta, o povo nem acredita: “Como assim, você e o... Obama?!”. Como diria Katilaine Suellen (cujo nome no érre-ge é Maria Aparecida da Silva), estriper da gaiola de número 3 do Buraco Azul Entretenimentos: “A vida é feita de contatos, tigrão. Relacionamento é tudo. Com uma agendinha azul nas mãos se vai longe, gracinha”. É de fazer muitos deputados federais tremerem nas bases. 

Nova Iorque é realmente uma metrópole incrível, por mais que ativistas antiamericanos queimem bandeiras ianques e jurem o contrário. Ela cheira à modernidade. Multidões entopem as calçadas falando dialetos do mundo inteiro. Uma mescla de cultura, alta tecnologia e consumismo desmedido. “O que mais te impressionou em Nova Iorque?”, foi a segunda pergunta que me fez o editor quando retornei ao Brasil (a primeira foi: “sobrou algum dólar, meu chapa?”). Há tempos eu ansiava conhecer Nova Iorque, única cidade estadunidense que apetecia o meu apetite turístico. Cético não curto diversão e fantasia. Portanto, cassinos e disneilandias jamais frequentaram a minha lista de destinos prováveis. Para subir na vida é necessário nascer rico, usar uma escada ou participar de algum esquema mensalão. Tem um jeito muito mais custoso no qual se depende muito da sorte: trabalhar duro. Então, quebrando alguns porquinhos de porcelana e vendendo rifas honestas para os amigos e familiares durante todo o ano de 2011, a Revista Bula conseguiu arrematar um pacote de três noites, a ser pago em doze parcelas, para este abnegado cronista. 


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POR EM 13/01/2012 ÀS 11:24 AM

gentefajuta.com.br

publicado em

“Que fase...” É o comentário corrente que tenho ouvido dos companheiros de peladinhas aos sábados. Não. Não tenho frequentando os fuleiros churrascos vespertinos baratos à beira da piscina lotada de “universitárias desinibas”. Nunca fui muito afeito aos prostíbulos e não será agora, aterrorizado pela Crise dos Quarenta, que o farei. 

Quando digo “peladinhas”, refiro-me ao clássico futebol praticado com os amigos nas tardes de sábado. Com o avanço da idade, o corpo já não acompanha, em tempo hábil, os comandos da mente. Daí os maus tratos à bola, as furadas bisonhas na zaga, as padeiradas na meia cancha, e os incríveis gols perdidos embaixo das traves. Sobrevivendo com a fama de craque do passado, insisto em enervar os peladeiros com os meus dribles incompreensíveis. 

Falando em “fase ruim”, parece que atravessamos um dos períodos mais obscuros da história brasileira, no tocante aos valores, a dar o devido crédito a quem de fato o merece. Estarei me tornando um crítico deveras implicante ou estamos mesmo vivendo uma era de quase completa inversão de valores éticos e morais no país? Por exemplo, enquanto pipocavam fogos de artifício no céu chuvoso por conta das farras do reveiom, e motoristas absolutamente embriagados choferavam pelas ruas da capital sem serem importunados pelos paladinos da lei (excesso de espírito natalino, preguiça, negligência da autoridade de trânsito ou “ordens superiores”?!), um episódio grotesco ocorria num dos mais importantes hospitais públicos da cidade.  


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POR EM 12/01/2012 ÀS 04:40 PM

Esnobar ou não eis a questão

publicado em

Não chega a ser um assombro ler que os membros do júri do Nobel, em 1961 esnobaram J.R.R. Tolkien. Me parece que o verbo esnobar não cabe no caso, por sua forte carga pejorativa. O que encontro nos jornais, e onde mais encontraria? É que CS Lewis tentou indicar seu colega ao Prêmio Nobel de Literatura, provocando reação contrária dos outros membros do júri. A razão apresentada, "o resultado não se comparava às ficções de boa qualidade", não me parece fora de propósito, muito menos ofensivo. Quando alguém resolve escrever, precisa fazer algumas opções. E a propósito transcrevo trecho encontrado no facebook de Matheus Arcaro: “A alta literatura faz o leitor tropeçar. E não é todo mundo que está preparado para cair. Por isso os best sellers são best sellers: porque dizem o que o leitor espera. O leitor menos preparado chama isso de ‘identificação com a obra. ‘Puxa vida, este autor diz exatamente o que eu penso.’ Não percebe que o prazer da leitura é justamente fechar o círculo’.” Não me parece que recusar alguém por falta de qualidade seja o mesmo que esnobar.

Ora, não há como negar que em literatura se têm duas categorias básicas: alta literatura e literatura digestiva. A primeira é arte; a segunda entretenimento. A primeira vende pouco, pois são poucos seus leitores; a segunda tem um caráter marcadamente comercial e consegue atingir o grande público. Não faço aqui apologia nem de uma nem de outra. Isso é apenas juízo de realidade, não de valor. 


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POR EM 07/01/2012 ÀS 03:54 PM

Farinha do mesmo saco

publicado em

Esta história das sanguessugas tem provocado discussões homéricas e acho que é bom, é saudável que se exercite um pouco esta coisa que se chama cidadania. Não importa que os conceitos sejam muitas vezes primários, que os resultados sejam viciados por visões tortas do mundo. O que vale, mesmo, é o exercício. Sem ele, jamais passaremos de multidão a povo. 

O Adamastor, homo morbide politicus, não para mais de discutir. A tônica do que se ouve sobre o assunto é sempre a mesma: políticos são todos corruptos. 

Entrei numa dessas discussões no bar do Zégeraldo para tirar meu amigo de uma enrascada. Ele havia dito o que pensava e isso é sempre perigoso, pois ele pensa. 

Valendo-me da maiêutica (parto, em grego, método socrático), perguntei ao oponente mais exaltado do Adamastor, se político tem família (pai, mãe, irmãos) e ele disse que sim, claro. E que tal a família de um político?, voltei a perguntar. Um olhar gelado de desconfiança me cobriu. Ora, nada de especial com a família de um político. 

Os outros começaram a coçar os braços, principais órgãos do pensamento em algumas situações. Voltei à carga, querendo saber se ele conhecia algum político, algum vereador, que fosse. Disse-me com orgulho que ao lado da casa dele morava um. Então perguntei se era possível notar algum sinal particular em seu vizinho. Não, nada de especial. Pelo contrário, um homem bem comum. Olhando assim para ele, revelou o adversário do Adamastor, ninguém imagina que se trata de um vereador. Igual a nós. 


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POR EM 07/01/2012 ÀS 03:32 PM

Mas eu também sou "dono de casa"

publicado em

Sempre que vejo propagandas de eletrodomésticos, de produtos para casa, como de sabão em pó, por exemplo, me revolto pela presença quase que exclusiva da mulher no ambiente do lar e por elas serem sempre o alvo único e inconteste de todo e qualquer produto.

É ela quem lava os pratos, quem lava e passa as roupas, faz a comida... Enfim, tudo relacionado à casa é a mulher quem faz, enquanto cuida dos filhos e, claro, dos maridos, quase sempre inúteis já que, afinal, "trabalham". 

Isso quando as propagandas não beiram o absurdo (ou mesmo ultrapassam), com homens absolutamente tapados e incapazes que não conseguem sequer trocar aquela pedrinha que dá cheiro e supostamente limpa a privada. É preciso gritar para a "desocupada" que "apenas" cuida da casa para que tudo se resolva. A incapacidade do homem é gritante. E ofensiva.

Eles chegam em casa do trabalho e encontram mulheres "donas do lar" que, além de tudo, preparam seu jantar e o das crianças, sempre com um sorriso no rosto,  com cheirinho "especial" na casa, roupa lavada...


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POR EM 06/01/2012 ÀS 03:13 PM

Oração de um homem gentil

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Como eu já suspeitava, repercutiram mal, entre alguns leitores, os textos que eu escrevi a respeito do Natal e do Ano Novo. Neste Natal, vá se lascar! e Coisas que não fiz neste ano e, com certeza, não farei no próximo. Terrorismo da palavra, creiam. Ou falta de paciência com o consumismo. Ou simples falta de inspiração do que escrever. 

Acostumados a levarem as suas vidas e as dos outros muito a sério, a se prenderem mais às linhas do que às entrelinhas, alguns leitores declararam-se abismados, preocupados ou mesmo indignados com tamanha grosseria nas minhas agudas crônicas natalinas. “Tanto rancor não lhe cai bem, meu chapa”, diagnosticou um amigo não-médico, sem recomendar um padre, um chá, uma pílula ou um livro sequer. 

Portanto, na minha tarefa impertinente de levar a dúvida onde houver a fé, quase sempre desagradando gregos, troianos e paroquianos, concebi uma paródia (os mal humorados haverão de considerar uma blasfêmia), uma vez que a inspiração minguou, a Rita levou o meu sorriso e meu nome foi parar no Serasa. Vocês nem imaginam: tirar o nome da gente de listas negras é uma tarefa inglória. Rogo, portanto, aos gregos e aos troianos, aos flamenguistas e aos corintianos, aos puritanos e aos que tomam sais de lítio duas vezes ao dia por tempo indeterminado que perdoem os meus excessos, assim como fez Jesus à cantora Madonna. Afinal, Natal é época de perdão. 


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POR EM 06/01/2012 ÀS 11:37 AM

Papelaria paraíso

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Há um mês tenho matutado incessantemente sobre para onde vamos após a morte. Essa ideia me acomete apenas quando morrem pessoas jovens próximas do meu entorno, que deixam em nós que ficamos uma sensação de fome lá no fundo do estômago. Não desdenho os demais mortos no mundo, mas só esse vazio me faz revisitar uma convicção que há muito já está cimentada em mim.

Estou certa de que, após a morte, não há nada. Na verdade, mais do que acreditar nela, eu torço humilde e silenciosa e fervorosamente para que ela se confirme quando chegar a minha vez.

Oxalá as expressões "dormir o sono eterno" e "descansar em paz" sejam as mais literais que a lingüística* já produziu.

Falo isso só de mim, da minha morte, seja ela precoce, inusitada, chocante, instantânea, ou apenas uma passagem serena de uma velhinha centenária que não arrancará lágrimas de ninguém porque deixará para trás o sentimento de dever mais que cumprido. Quando chegar, que a morte seja a última coisa que me aconteça. Infelizmente, a nossa é a morte mais fácil que a vida nos obrigará a enfrentar. Antes dela nos assombram muitas que precisamos carregar conosco até o fim, e algumas me deixam envergonhada com tanta torcida egoísta. 


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POR EM 29/12/2011 ÀS 01:00 PM

Coisas que não fiz neste ano e, com certeza, não farei no próximo

publicado em

Parar com esta mania chata de fazer listas.

Cumprir nem metade do planejamento estratégico.

Deixar de escrever pra Revista Bula.

Amar o próximo como a mim mesmo. Eu não faria uma sacanagem desta com o próximo.

Conjugar o verbo amar com a mesma naturalidade que faço com o verbo comer.

Aprender a tocar sax. Nesta idade, não tenho mais fôlego para tanto. Quem sabe, uma gaita ou um apito de caçar marrecos.

Caçar marrecos. Atirar num pássaro. Manter algum deles preso numa gaiola.

Compreender a mente de uma mulher e como funciona uma torre de controle do tráfego aéreo de um aeroporto como o de Miami.

Simplesmente aceitar que as pessoas mentem mesmo, que tudo isto é normal, meu chapa.

Jogar moedas na mão de um pobre coitado. Lavar as mãos.

Molhar a mão de um guarda de trânsito. Prefiro a multa.


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POR EM 23/12/2011 ÀS 05:13 PM

Neste Natal, vá se lascar!

publicado em

Para início de conversa, eu espero que lhe seja sorteado como “amigo oculto” o nome daquela cunhada que você mais odeia. Sim, porque, cá entre nós, tem muita gente na família que você não suporta de jeito nenhum, não é mesmo? Aguenta só porque é parente, né verdade? 

O mais hilário para mim (e dramático para você) será que, nas negociações de bastidores, ninguém aceitará “trocar os papeizinhos”, pelo simples fato de a tal cunhada ser mesmo uma megera, uma das figurinhas mais impopulares no clã, uma criatura tão pouco palatável quanto você. Já vai pensando aí no vocabulário prolixo-falacioso (os elogios falsos) que vai vomitar na “grande revelação” (como se todos ainda não soubessem que você mente à beça...). 

Mesmo com sorrisos congelados nas caras, a maioria dos convivas vai lhe considerar um pouquinho mais hipócrita que o habitual. Poucas vezes se ouviu tamanha enganação. Quer saber o que mais? O seu outro “amigo oculto” vai lhe presentear com um CD de música erudita. Só pra contrariar as suas duvidosas preferências musicais que flutuam entre o fanque-poposudo e o téquino-brega-vagino-uterino. Outro ponto máximo da sua atuação naquela noite, do seu desvelo em metamorfosear, transmutar, parecer quem não se é, será o momento da oração ao redor da mesa, quando movidos pelo empurrãozinho de um ancião, todos forem convidados (praticamente intimados, diga-se) a darem as mãos formando uma grande corrente. Sem exagero: bem que poderiam enforcá-lo com a tal corrente... 


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POR EM 22/12/2011 ÀS 10:56 AM

Precisamos aprender a lição

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Há poucos dias fomos alvo de brincadeiras nos jornais do mundo todo, principalmente nos espanhóis. E mexeram justamente em nossa ferida, ou aquilo que a grande mídia elegeu como tal: o futebol. Numa das manchetes publicadas em Barcelona, lia-se o belo trocadilho “Deuses e Santos”. 

Bem, o fato de o Santos Futebol Clube, ou seja lá qual for seu nome completo, ter perdido para uma equipe espanhola, teria sido digerido com a maior facilidade, não fôssemos o “país do futebol”.  A mídia, sobretudo a grande mídia, que em um de seus segmentos vive à custa do esporte, cria uma expectativa, forjada à base da repetição (técnica de Goebbels?), que muitas vezes não encontra base na realidade. 

Primeiro, nos convencem de que o Santos é o Brasil. E não é. Depois vão formulando por vias indiretas o silogismo “Se o Brasil é o melhor do mundo (a premissa maior já é uma falácia) e o Santos é o Brasil (premissa menor é outra), (conclusão) o Santos é o melhor do mundo. Ora, com duas premissas falsas eles criam a tal da expectativa que só pode redundar na frustração dos torcedores, pois não acontece o que se espera. 

Mas deixando a lógica menor de lado, o fato é que perder para o Barcelona, como muita gente assinalou, não é desdouro nenhum. Concordo. Mas perder de 4 a zero, bem, amigos, aí já é mais difícil de engolir a pílula. Já me parece um caso de humilhação. E não vamos cair na besteira de pensar no Brasil de joelhos perante a Espanha. Calma lá. Isso é só o futebol. Se a competição tivesse como objeto o analfabetismo, o desemprego, o desenvolvimento das ciências, o nível da saúde pública e do desenvolvimento intelectual de seu povo, sei lá, se fosse algo mais sério, então seria o caso de nos preocuparmos.  


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