A morte de Sócrates e do futebol arte
Pode-se colecionar um bocado de decepções nessa vida. No sexo, amor, amizade, família, carreira, religião, política... Muitas vezes, de onde (ou de quem) menos se espera, brota o desapontamento, a desilusão. C’est la vie, mon cheri.
Uma das mais marcantes decepções que sofri foi acompanhar a derrocada da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. “Ih... Vai falar de futebol, meu chapa?!”. Vou sim. Quero dizer, mais ou menos.
E então: pouquíssimos torcedores brasileiros acreditavam, mas o Brasil foi liquidado pela esquadra azurra comandada pelo atacante Paolo Rossi. O sujeito meteu três gols em Waldir Perez.
Muitos de vocês vão torcer o nariz e propalar: “Ora, futebol é apenas um jogo, rapá...”. Concordo. Mas, à época da tragédia no Estádio Sarriá, eu contava 17 anos de idade, ou seja, além de um monte de espinhas no rosto (e calos nas mãos), eu curtia dores de cotovelo, às escondidas, ouvindo na vitrola a coletânea de vinil do meu pai, que tocava baladas melosas como “Your song”, de Elton John; e “Raindrops keep falling on my head”, de B. J. Thomas. Alto lá, leitores gays! Não se animem tanto assim! Não sou gay, mas também não sou homofóbico. Continuamos amiguinhos?! Então, tá. Voltemos ao texto e a Espanha. Já-já eu chego ao Sócrates.
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Naqueles dias, o que se ouvia, o que se constatava, e o que a imprensa não-comprada (ou seria não-vendida?!) noticiava em seus jornais diários é que faltavam médicos, remédios, luvas, sabões, tomografia, investimentos, gestão e vergonha das autoridades. Sobravam sofrimento e indignação.
Li algumas vezes, desde quando foi escrito, há uns dois meses, o texto da notável Carolina Mendes sobre Deus. Resolvi desenvolver uma espécie de réplica e encaminhar ao aceite da Revista Bula sobre o tema, não para debater a existência ou não de Deus — algo, diga-se, bem diferente do que discutir a existência ou não de vacas voando, mesmo para quem não crê “at all”. Escrevo para afirmá-la, a existência.
Senão, vejamos: enfurnado no casulo materno, fruto-resultado da invasão truculenta de um espermatozóide sobre o óvulo da fêmea, o ovo cresce em seu sono desavisado. Ele jamais concebe que há um mundo pulsante lá fora, assim como aquele cordão gelatinoso que o prende pelo abdômen, e com o qual se equilibra pelo hiperespaço líquido-uterino. Ele boia, brinca, zomba da gravidade, como um astronauta. “O mundo é escuridão”, ele pensa, supondo que já saiba tudo.
Há diversos paradoxos para se enumerar nesta vida. Por exemplo: a dicotomia entre deus e o diabo, a peleja entre o bem e o mal, conforme magistralmente mostrado na prosa do escritor médico Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. Uau! Que livro!
Começou com a Clara Averbuck, uns 10 dias atrás, comentando que um sujeito afirmou que "mulher bonita não tem que ser inteligente".
Os Países Bálticos constituem uma região do nordeste da Europa cujos países integrantes são a Estônia, a Letônia e a Lituânia. Quem nasce na Estônia é estoniano; na Letônia, letoniano; na Lituânia, lituano, e em Cachorro Sentado-Go, cachorro sentado (ou cadela sentada).
Tenho o couro e a alma demasiadamente marcados pelo braseiro da música. O título acima foi pinçado de “Negro amor”, a versão brasileira setentista de Péricles Cavalcante e Caetano Veloso para “It’s all over now, Baby Blue”, de Bob Dylan. Àqueles que não conhecem a canção, recomendo que o façam, em especial, pela beleza constrangedora da letra. Será verdade que, em termos musicais, já não se fazem mais poetas como antigamente?
A sociedade brasileira parece decididamente inclinada ao aleijão, à monstruosidade. E não é de uma simples deformidade que, pelo viés do politicamente correto, se possa chamar de “diversamente capacitado”. Não. O poder dominante está permeado pelo “aleijão incapacitante”, sem rodeios. Aleijão, no apelido terminológico, é teratologia. O Brasil é um país teratológico que, com uma frequência muito elevada, se deixa contaminar por ideias monstruosas.
Começarei pela música. E partirei da seguinte provocação: quando John Cage sobe ritualisticamente ao palco, senta-se ao piano e, compenetrado, “executa” 4’33” — estará fazendo arte? Esclarecimento: Cage é um dos maiores nomes da música erudita no século XX, e suas mãos sequer tocam o instrumento. Silêncio... expectativa... E nada. Terá tido ele um surto de asno? A acreditar em alguns fãs de música clássica, sim. Não digo que não tenham razão, mas não entendo do assunto para descer a lenha. Passaria por ridículo se o fizesse. Nesse terreno, o que eu acho é só o que eu acho, nada mais. Para mim 4’33” não possui valor artístico algum, como alguem pode dizer que Waltércio Caldas também não tem. Música me parece ser a “Nona Sinfonia”, de Beethoven, que aliás Stravinsky acusou de mal feita e cheia de concessões. Não entendo do assunto, definitivamente, porque acho que o russo é que não vale uma pitada de fumo, apesar de ser quem ele é. E daí? E daí que minha opinião sobre o assunto é a de um asno. Ou seja: não sei explicar por que não gosto.