Desenho de  Wendy MacNaughton
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POR EM 19/12/2011 ÀS 02:39 PM

A enfermeira histérica e a nação infantiloide

publicado em

O estado patriarcal deste início de século XXI transformou o homem moderno numa massa uniforme de insegurança. O isolamento predominante nas grandes metrópoles modificou o caráter social do ser humano, despertando uma carência afetiva que precisa ser alimentada no mingau ralo dos substitutivos emocionais. A internet e os animais de estimação acabaram assumindo o papel de companheiros matrimoniais. Não é de se espantar a onda de indignação que varreu a grande rede após a divulgação de imagens de uma enfermeira espancando até a morte um cachorro da raça Yorkshire, em Formosa, no Estado de Goiás, na sexta-feira, 16.

O filósofo Janer Cristaldo abordou a estranha relação entre homens e animais no livro “O Paraíso Sexual Democrata”, uma ácida análise da social democracia na Europa e especificamente na Suécia. Ele cita a legislação alemã como um exemplo de desvirtuação proporcionada pelo politicamente correto no estado de bem-estar social. “A lei dispõe que um cão pastor necessita de 12 m² para habitar, enquanto um imigrante necessita de apenas 8 m²”. Citando o zoólogo Desmond Morris, o livro toca no ponto central do drama infantiloide vivenciado pela população dos países desenvolvidos e em ascensão econômica: “Afeto todos têm a oferecer, o problema é recebê-lo. O cão aceita incondicionalmente toda ou qualquer manifestação afetiva, sadia ou neurótica, expressada em pontapés ou afagos. Daí seu status”. A quebra dos laços sociais alçou os animais de estimação à categoria de senhores absolutos. Não se aprende mais lições de vida com iguais, mas com cachorros e gatos, como atestam best-sellers como “Marley & Eu” e a incontável soma de genéricos da mesma lavra que tomaram de assalto as prateleiras das livrarias nos últimos anos. Cães e gatos muitas vezes recebem uma fatia maior do orçamento familiar do que os próprios filhos, isso quando eles não são completamente substituídos pelos seres de cauda. 


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POR EM 16/12/2011 ÀS 02:21 PM

Pipere on culus de allis, refrigerium est*

publicado em

Era um homem sem estudos, mas não era um sem vergonha. Antigamente, funcionava assim mesmo: a maioria das pessoas sofria, tinha um interesse medular, nevrálgico, irremovível em manter a dignidade e a própria honra. Hoje em dia, de dólar na cueca pra baixo, há todo tipo de canalhice. 

Conservador e apegado aos ditames de outrora, ele acreditava piamente que o trabalho enobrecia o homem. Então, trabalhava. Mesmo aposentado, trabalhava. Queria não depender dos filhos, dos genros, das noras, dos netos, das merrecas do INSS e das esmolas do governo. De tal forma que preferia não mendigar as tais bolsas assistencialistas. Já estava decidido a trabalhar enquanto suportasse. Se possível, até morrer. 

Pobre estuda pouco, vocês sabem. Então ele estudou o tempo suficiente só para aprender a desenhar o nome e reconhecer os numerais. O básico da aritmética, das operações de somar e subtrair, ele também deu um jeito de aprender, que era pra contar dinheiro corretamente e evitar que alguém lhe passasse a perna. 

Certo dia, um político candidato bateu palmas no portão da sua casa, sorriu até dar cãibra no rosto, filou café, pediu votos à família e ofereceu emprego fixo pra ele no Posto de Saúde do bairro, perto do terminal de ônibus. “Salário mínimo. Nunca antes na história deste país o salário mínimo esteve tão valorizado. Quase 300 dólares. E é contrato especial, meu chapa. Tenho os canais. Sou amigo do prefeito, da Primeira Dama, do Chefe de Gabinete, do Secretário da Saúde, do...”, ele se gabava e babava. 


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POR EM 13/12/2011 ÀS 11:29 PM

Tio Vânia, de Tchékhov, pelo Grupo Galpão

publicado em

No último final de semana arranquei-me de casa, finalmente. Já fui muito saideiro, mas tenho ficado cada vez mais neurótico pra isso. Não é só o trânsito infernal de Goiânia, nem o risco de assalto (que, diga-se, nunca me aconteceu aqui ou alhures). Não é só a falta de educação das pessoas na rua, nos shoppings, nas salas de cinema, salas de concertos, teatros. Não é apenas por causa de minha neurastenia progressiva. É preguiça mesmo. Caprichei em meu Home Theater e em minhas coleções de filmes, peças de teatro filmadas, concertos, etc. Daí fico em casa mesmo.

Mas, como disse, nesse último final de semana, saí. E não me arrependi. Fui conferir a montagem do grupo mineiro Galpão para “Tio Vânia”, de Anton Tchékhov. Tinha dois bons motivos. O Galpão. E Tchékhov, que considero filosoficamente superior a Dostoiévski, Tolstói e Turgueniev juntos. (Não estou com vontade de fundamentar essa afirmação aparentemente leviana, de forma que você, que começa a espumar pelos cantos da boca, contenha-se, porque de nada adiantará). Há ainda um terceiro motivo. Woody Allen. Isso mesmo, sou tão fanático (portanto não isento), que consigo ver chifre em cabeça de cavalo. Explico-me. Um dos melhores filmes de Woody é “Hannah e Suas Irmãs”. Foi sucesso de público e crítica (“sucesso” para um filme de Woody é fracasso para um de Spielberg, de forma que devemos guardar as devidas proporções), mas ele mesmo o deplora. Por quê? “Hannah” é de inspiração declaradamente tchekohviana. Pra começo de conversa, não por acaso as irmãs são três. Mas é outra peça do médico russo que vale discutir aqui.


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POR EM 13/12/2011 ÀS 10:13 PM

Chaves do inferno

publicado em
Roberto Gómez Bolaños, apelidado, num exagero quase perdoável, de “Pequeno Shakespeare”, é o criador de uma das mais sutis, brilhantes e temíveis representações do inferno em qualquer das artes: o seriado “Chaves”
 
Sartre escreveu em sua famosa peça “Entre Quatro Paredes”, de 1945, que “o inferno são os outros”. Não existe uma definição universalmente aceita sobre o conceito de in­ferno na tradição teológica oci­dental. Segundo o historiador Jean Delumeau, no livro “Entrevistas Sobre o Fim dos Tempos”, o catolicismo tradicional, apoiando-se em Santo Agostinho, apregoava a “existência de um lugar de sofrimento eterno para aqueles que tiverem praticado um mal considerável nessa vida e dele jamais se tenha arrependido”. Essa noção, um tanto incongruente com a imagem de um Deus misericordioso, não prosperou fora do imaginário po­pular, sendo substituída pela so­lução do Purgatório, desenvolvida no século II, sobretudo, por Orígenas. Nin­guém mais estaria condenado para sempre, embora, excetuando-se os santos, todos tivessem que passar por um período variável de purificação, com a garantia da salvação ao final. Santo Irineu discordava. Para ele, “os pecadores confirmados, obstinados, se apartaram de Deus, também se apartaram da vida”. Portanto, após o julgamento final, os condenados seriam simplesmente apagados da existência. A polêmica continuou pelos séculos dos séculos, com novos debatedores: Tomás de Aquino, Lutero, Joaquim de Fiore. Na literatura, Dante e Milton criaram visões poderosas do inferno. O trio de condenados de Sartre, os cenobitas sadosmasoquistas de Clive Barker e os pecadores amaldiçoados de Roberto Bolaños são recriações contemporâneas perturbadoras. Sim, Roberto Bolaños. Não, não se trata do falecido ficcionista chileno Roberto Bolaño (1953–2003), autor do calhamaço “2666”. O Bolaños com S é um artista infinitamente superior. Refiro-me ao ator, escritor e diretor mexicano Roberto Gómez Bolaños, apelidado, num exagero quase perdoável, de Chespirito, ou “Pequeno Shakespeare” à mexicana. Ele é o criador de uma das mais sutis, brilhantes e temíveis representações do inferno em qualquer das artes: o seriado “Chaves”. Se, conforme ensinou Baudelaire, “a maior artimanha do demônio é convencer-nos de que ele não existe”, podemos concluir que esse mesmo demônio não iria apresentar seus domínios por meio de estereótipos: escuridão, chamas, tridentes, lava. Em “Chaves”, verdadeiramente, “o inferno são os outros”.
 

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POR EM 12/12/2011 ÀS 02:01 PM

Anoitecendo

publicado em

Mais de duas horas aqui sentados neste barranco de rio sem qualquer sinal de vida, qualquer mensagem, as boias ali à toa na superfície da água, nos encaramos desistentes. As promessas não se cumpriam, apesar de nossa paciente insistência. O sol, estilhaçado e frio, cai sobre o remanso de onde esperávamos alguma notícia. É um momento meio triste, pois o dia definha irreversível e com alguma lentidão: morrente. 

Sabe o quê, a gente, pra não perder a viagem, ainda pode nadar um pouco. E as roupas começam a voar para cima dos arbustos. Mas eu não sei nadar muito bem, alega meu amigo para justificar sua relutância em se jogar na água. Mesmo assim, já está pelado, a pele branca arrepiando-se com a brisa que desce das copas escuras, então arroja seu corpo de pele branca na direção da água e levanta um turbilhão de pingos que aproveitam os restos do dia para brilhar no espaço antes de se misturar novamente ao sorvedouro. A água é quase sempre uma alegria do corpo: o prazer despudorado. 

Soltei os braços puxando o rio para trás, com a velocidade de quem quer chegar: o fingimento dos músculos. A cabeça ora afundava ora emergia acima da correnteza, os pés em movimentos rápidos, um ritmo só. Atravessei o remanso e o sorvedouro, e de lá, do outro lado, aonde o mato vem molhar os pés, grito para meu amigo que não tente a mesma reta. O caminho mais longo pode ser o mais seguro. Volto na mesma velocidade pela parte mais funda do rio, atravesso a correnteza e subo a uma pedra escura em função de plataforma. Do alto, aonde cheguei em poucos segundos, solto um berro de vitória: guerreiro. Então me jogo novamente no rio.   


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POR EM 09/12/2011 ÀS 12:23 PM

A morte de Sócrates e do futebol arte

publicado em

Pode-se colecionar um bocado de decepções nessa vida. No sexo, amor, amizade, família, carreira, religião, política... Muitas vezes, de onde (ou de quem) menos se espera, brota o desapontamento, a desilusão. C’est la vie, mon cheri. 

Uma das mais marcantes decepções que sofri foi acompanhar a derrocada da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. “Ih... Vai falar de futebol, meu chapa?!”. Vou sim. Quero dizer, mais ou menos. 

E então: pouquíssimos torcedores brasileiros acreditavam, mas o Brasil foi liquidado pela esquadra azurra comandada pelo atacante Paolo Rossi. O sujeito meteu três gols em Waldir Perez. 

Muitos de vocês vão torcer o nariz e propalar: “Ora, futebol é apenas um jogo, rapá...”. Concordo. Mas, à época da tragédia no Estádio Sarriá, eu contava 17 anos de idade, ou seja, além de um monte de espinhas no rosto (e calos nas mãos), eu curtia dores de cotovelo, às escondidas, ouvindo na vitrola a coletânea de vinil do meu pai, que tocava baladas melosas como “Your song”, de Elton John; e “Raindrops keep falling on my head”, de B. J. Thomas. Alto lá, leitores gays! Não se animem tanto assim! Não sou gay, mas também não sou homofóbico. Continuamos amiguinhos?! Então, tá. Voltemos ao texto e a Espanha. Já-já eu chego ao Sócrates. 


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POR EM 02/12/2011 ÀS 01:10 PM

Acima de tudo, falta um bocado de vergonha

publicado em

Naqueles dias, o que se ouvia, o que se constatava, e o que a imprensa não-comprada (ou seria não-vendida?!) noticiava em seus jornais diários é que faltavam médicos, remédios, luvas, sabões, tomografia, investimentos, gestão e vergonha das autoridades. Sobravam sofrimento e indignação. 

Mesmo assim, ela pediu à enfermeira um pouco mais de água fresca para terminar de dar banho no rapaz. O quarto era quente, sem ventilação, apresentava manchas de mofo no teto, ferrugem no mobiliário, resultado de infiltrações antigas no telhado e da falta de manutenção. 

Afinal, era uma enfermaria de um hospital do SUS. E vocês sabem o quão irrisórios sempre foram e são os investimentos governamentais na área da saúde pública. Quantos burocratas adoecidos e parlamentares pitimbados procuram os hospitais públicos a fim de serem cuidados? Só serve se for no Einstein ou no Sírio Libanês, gracinha. 

Você já permaneceu em pé num caótico pronto-socorro, durante horas a fio, esperando o atendimento médico a um ente querido? Meu chapa, isto se trata de uma indignidade, uma afronta, uma situação absolutamente inaceitável, a não ser que se esteja vivendo num cenário de guerra ou de desordem social plena (anarquia). Portanto, o raciocínio dos gestores públicos é, ao mesmo tempo, paradoxal e espúrio. Porque sem saúde somos quase nada. Ou seja, primariamente, todos os governos deveriam focar os seus investimentos na saúde e no bem estar do cidadão. Se sobrar dinheiro proveniente dos escorchantes impostos arrecadados (e sempre sobra grana para se torrar com alguma propaganda estatal e bandalheiras), investe-se em todo o resto. 


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POR EM 28/11/2011 ÀS 11:48 AM

Se Deus não existia, Carolina o criou

publicado em

Li algumas vezes, desde quando foi escrito, há uns dois meses, o texto da notável Carolina Mendes sobre Deus. Resolvi desenvolver uma espécie de réplica e encaminhar ao aceite da Revista Bula sobre o tema, não para debater a existência ou não de Deus — algo, diga-se, bem diferente do que discutir a existência ou não de vacas voando, mesmo para quem não crê “at all”. Escrevo para afirmá-la, a existência. 

Deus existe, sim. Por isso, aviso que este texto vai ficar, além de óbvio, repetitivo. Parafraseando o velho hit pós-Beatle do Paul, Deus vive e deixa morrer. Mas Deus não é só uma questão de autoridade, de onipresença ou de onisciência. Antes de tudo, Deus é uma questão discursiva. Poderia dizer que o Verbo se fez carne e habitou entre nós, mas, para ser menos pseudoexegeta, vou dizer apenas que Deus é discurso. 

No momento em que Carolina Mendes falou em Deus, se ele não existisse, passaria a existir. Carolina o criaria naquele momento. Nesse sentido, age o poder mágico da palavra: tudo de que se fala, de que se tem notícia, passa a existir, material ou imaterialmente. O verbo (ou Verbo) tudo cria. Nada pode existir, para o homem, sem o Verbo, em suas mais variadas formas: falada, gestualizada, semiótica... 

Ainda assim, Deus existe como existe uma vaca alada? Não. Por quê? Simples: todos podem imaginar e ter certeza de como seria uma vaca voando, mesmo que nunca tenham visto alguma cometendo tal façanha. O mistério da imagem de Deus, claro, é mais complexo: a visualização mais comum, no Ocidente, é aquela de um senhor de barbas brancas sentado em um trono, em algum lugar lá em cima.  


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POR EM 28/11/2011 ÀS 10:38 AM

O que eu fiz de tão errado pra ter nascido?

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Senão, vejamos: enfurnado no casulo materno, fruto-resultado da invasão truculenta de um espermatozóide sobre o óvulo da fêmea, o ovo cresce em seu sono desavisado. Ele jamais concebe que há um mundo pulsante lá fora, assim como aquele cordão gelatinoso que o prende pelo abdômen, e com o qual se equilibra pelo hiperespaço líquido-uterino. Ele boia, brinca, zomba da gravidade, como um astronauta. “O mundo é escuridão”, ele pensa, supondo que já saiba tudo. 

Como um tumor, ele cresce, insidiosamente. Eu lamento dizer, mas, há sim diversas similaridades chocantes entre o feto e um tumor. Ambos são parasitas. Ambos se locupletam da seiva de outro ser, sugando-lhe até o quimba, furtando substratos nutritivos de forma lenta, contínua e impiedosa. 

Pregado à placenta, tal e qual um tumor entranhando na carne, o pequeno ser cresce no seu mundinho solitário que tem cara de galáxia (sonhando se vai longe). Ruídos distantes e palpitações repentinas fazem-no especular, lucubrar que possa haver um algo mais além da escuridão. “Mas o quê?!”. Percebam a miséria: desde os primórdios, o homem sonha acordado abastecido pela ignorância. 

Deitado eternamente em berço esplêndido, o feto canta um hino a si mesmo, mas comete um primeiro grande equívoco: “a paz é para sempre”. Durante nove meses o organismo cresce, embora o pensamento permaneça primitivo, ingênuo e simplista. Acomodado em seu leito úmido, mergulhado na quentura do esconderijo uterino, o feto se convence que é uma espécie de deus. Contudo, feito tissunami, advém o parto, um dos mais cruéis e dramáticos fenômenos da natureza. Finalmente, o seu mundo desaba.  


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POR EM 18/11/2011 ÀS 12:28 PM

Se não for dirigir, beba todas!

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Há diversos paradoxos para se enumerar nesta vida. Por exemplo: a dicotomia entre deus e o diabo, a peleja entre o bem e o mal, conforme magistralmente mostrado na prosa do escritor médico Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. Uau! Que livro! 

Pois então. Não somente as autoridades advertem, mas, as próprias cervejarias recomendam (forçadas pelo tacape da lei), ao final de suas belas peças publicitárias repletas de garotões sem barriga e mulheres jovens saradas: “Se beber, não dirija”. 

No fundo, no fundo, os telespectadores ficam imaginando que, ao tomarem cervejas das marcas xis ou ipissilone, ficarão tão felizes e atraentes quanto aquelas personagens sorridentes da telinha. Pior que, às vezes, a metamorfose alcoólica prevalece e nos tapeia. Feiosos viram galãs. Barangas transformam-se em princesas. Tudo não passa de ilusão e fantasia. É fato: ninguém sai melhor depois de um porre. 

Gosto de ouvir o doutor televisivo Elsimar Coutinho em suas palestras e entrevistas, por causa da inteligência, sarcasmo, bom humor, cultura vasta e coragem ao defender os seus pontos de vista quase sempre polêmicos. Não é incomum que ele seja criticado (e invejado) por seus pares de jaleco, devido ao falatório, à verborragia, opiniões nem sempre referendadas pela comunidade científica. 


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