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  • Braz,tamanha flatulência, capaz de incendiar o planeta como se este fosse uma cósmica fossa ou cloaca, é de fazer pessoas muito amigas das vacas e suar carnes diminuírem seu apetite carnívoro. Chegamo ...

    8 horas atrás por Brasigois Felicio sobre O arroto e a flatulência no aquecimento global
  • Braz, acrescento ao seu comentário a máxima nelsonrodrigueana: "Se todos conhecessem a vida sexual uns dos outros ninguém se cumprimentaria na rua". Rss ...

    8 horas atrás por Brasigois Felicio sobre Então é assim o fim de um grande amor?
  • Obrigado, Eduardo, mas me permita teimar. 'Whatever works' não é 'tudo pode dar certo' de jeito nenhum, e muito menos a essência do filme. A essência do filme é a essência da filosofia woodyalleniana, ...

    8 horas atrás por Flávio paranhos

  • pois é(berth). bom. bem bom. bem bolado. praticubumprugurundum, já que estamos em baticuns de fevereiro. também gostei. nelsonrodrigueano mesmo, e muito dentro da realidade conjugal de muita gente. u ...

    9 horas atrás por braz sobre Então é assim o fim de um grande amor?

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    7 horas atrás
  • @tiagozanoli Embora tenha perdido o preconceito, mas é difícil achar tantas sacadas em um só livro. Meu exemplar ficou crivado de grifos.
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POR EM 08/02/2010 ÀS 05:24 PM

O arroto e a flatulência no aquecimento global

publicado em

Que negócio é esse — vinha-me perguntando — de sempre responsabilizar apenas ao boi pela emissão de gás metano (CH4), via arroto e flatulência — pois é, o peido —, no seu processo de ruminação? Humana curiosidade. De passagem, dando-se asas à imaginação desocupada, e posto que o gás metano é um tremendo explosivo, vislumbre-se uma flatulência global, coletiva e simultânea, e aí no meio alguém que, inadvertidamente, acenda um isqueiro para o seu cigarro. Bummm! Lá se vai a humanidade, com o estrondo de uma explosão nuclear, com o impacto e o gigantesco cogumelo da bomba atômica detonada no deserto de bélicas experiências. A bomba cômica que seria — o grande peido —, não fosse trágica. Eleve-se isso ao quadrado e teremos a bomba cósmica. 

Dirão que essa idéia flatulenta aqui soa como coisa de gente desocupada, que não se leva a sério, nem por isso virem dizer que temos titica na cabeça, embora concordes em que a mente desocupada é oficina do diabo, contudo sabendo que muitas mentes “seriamente” ocupadas se ocupam do próprio diabo, pois então se ocupam do mal. Se os homens realmente se levassem a sério, o mundo não seria o que é. Mas imagine-se a cena, só para se ter uma idéia da coisa: a flatulência coletiva, momentaneamente concentrada, um palito de fósforo e a espetacular explosão que se segue — similar ao big-bang de cósmica nebulosa —, e ali o fuliginoso e sulfuroso cogumelo da humana fedentina. Donde se deduz que o homem — esse boneco inflado, cheio de poses —, é mesmo um saco de ossos e tripas. Uma coisa cheia de vento, ou de gases, como queiram. 


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POR EM 08/02/2010 ÀS 05:05 PM

À espera do milagre

publicado em

Somos um povo sonhador. Estamos sempre sonhando com algum milagre, com algum “meu tio da América”, como no filme de Alain Resnais. E isso vem de muito longe, de muito antes de 1385, quando cada português pensou que merecia pelo menos um marquesado.  

Meu compadre Adamastor, o gigante mais bem informado a respeito de sonhos, afirmou outro dia ser herança do cristianismo. Desde cedo, dizia ele, estamos ouvindo frases feitas e bonitas, muito feitas e ainda mais bonitas, histórias exemplares, hagiografias, enfim, toda sorte de textos de nossa formação cristã e ocidental, que nos induzem a estar sempre à espera de um milagre. Ah, os milagres! Que mal fizeram a esta humanidade portuguesa e brasileira! Quem espera sempre alcança, a esperança é a última que morre e outras frases reforçando nossa crença de que algo além de nossa força e de nosso esforço vai acontecer dando solução a nossos problemas. Quantas e quantas vezes “quem espera” não alcança nada, pois esperando não sai do lugar! E a esperança pode ser verde, mas murcha e seca e morre, contrariando o ditado popular. 

Não duvido de meu compadre, mas me lembro daquele rei D. João I, de Portugal, o Mestre de Avis, que, depois de 1385, levantado o cerco de Lisboa, danou-se a conceder títulos de marquês, conde, visconde a antigos mesteirais (barbeiros, tanoeiros, celeiros e tantos outros eiros). Desde então, nós, mais ou menos portugueses, e plebeus, estamos sempre à espera de algum rei que nos conceda um feudo, com castelo, gado, plantações e servos. Em suma, esperamos um milagre.


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POR EM 08/02/2010 ÀS 04:46 PM

Então é assim o fim de um grande amor?

publicado em

Quando o Alcebíades levantou a camisa, mostrando os arranhões na barriga, exibindo-os como se fosse um salvo conduto, um troféu, a cabeça de um alce ou rinoceronte, eu fiquei mais que desentendido.

“— Mas, Alcebíades, rapaz, você é um juiz de Direito da maior envergadura... Como é que pode uma coisa destas?!”, arrisquei.

Pois foi assim mesmo que aconteceu. O Alcebíades, amigo de infância, ou melhor, um colega nos longínquos tempos de escola (“diz-me com quem tu andas e direi quem tu és...”, ameaça o texto bíblico), sempre fora uma pessoa esquentada, um encrenqueiro, um adolescente assíduo nas diretorias das várias escolas particulares pelas quais peregrinou durante a sua carreira estudantil. Apesar da longa jornada, do esforço financeiro dos pais (leia-se “dar tudo que o dinheiro possa comprar”), do empenho de professores, e dos hematomas pelo corpo, ele nunca aprendeu a perder.

“— Não aguentei: catei ela pelos cabelos, abri a porta e a atirei pra fora de casa, no hall do apartamento!”. Fiquei só imaginando a foto do Alcebíades nos jornais, tentando se livrar da acusação de violência doméstica, encarando os rigores da Lei Maria da Penha, concebida para proteger mulheres de valentões como o meu amigo, ou melhor, ex-colega, o hoje juiz Alcebíades, freqüentador assíduo da maçonaria e das colunas sociais.


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POR EM 04/02/2010 ÀS 03:05 PM

Esquerda esporte clube

publicado em

(O diálogo abaixo é obra de ficção e qualquer semelhança com pessoas ou situações será mera provocação) 

Num domingo ensolarado, dois amigos vão ao estádio. Ênio, sabendo que Flávio deixara de torcer pelo Flamengo desde que esse time garfara a Copa do Brasil de 1990 do Goiás de forma indescritivelmente descarada, convence finalmente o amigo ranzinza e teimoso a assistir a uma partida de futebol. Ênio tinha uma teoria. Para ele, Flávio mentia pra si próprio. Ênio apostava que, novamente diante de seu time de coração, e no meio da torcida, Flávio se trairia.

— Eu não acredito que você deixou de torcer pelo Flamengo.

— E pelo Goiás também.

— Também?! Mas sua birra com o Mengo não é justamente porque ele garfou a Copa do Brasil do Goiás?

— Isso em 90. Em 97 o Goiás entregou o jogo pro Corinthians, que estava prestes a cair pra segundona, em pleno Serra Dourada. Foi quando meus olhos se abriram de uma vez por todas, e inclui “campeonato de futebol honesto” na mesma categoria de “Coelho da Páscoa” e “Papai Noel”.


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POR EM 02/02/2010 ÀS 01:56 PM

Esquerdistas, esquerdóides, mamadores e inocentes úteis

publicado em

Chavez e Ahmadinejad Estou internado em minha biblioteca, disposto a terminar coisas que estão pela metade, mas, como não deixei de ler jornais (acabo de sair de um auto-ostracismo, há pouco tempo voltei a assinar jornais), infelizmente tenho conhecimento de notícias escabrosas que me fazem aumentar o crescente desgosto com o ser humano.
           
Sou um ex-esquerdista. Já acreditei no socialismo. Não mais. E não por causa da queda do muro de Berlim. Meu desgosto é mais recente, vem do primeiro governo Lula. À época, cheguei a pensar em me filiar ao PT, mas fui demovido da idéia por um professor que é uma mãe e que usou a mesma tática que meu pai, quando eu, criança, lhe pedi que me matriculasse num curso de violino: “Espere um pouco, daqui a uns seis meses, se você ainda quiser, eu te matriculo.” Claro, meu pai sabia que minha intenção não duraria nem dois, quanto mais seis. Dito e feito. A história da música perdeu a oportunidade de ter o embaraçoso verbete “pior violinista do mundo”.


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POR EM 01/02/2010 ÀS 11:12 AM

O Twitter e o Soneto

publicado em

Twitter e Soneto apresentam algumas coincidências que vão muito além da aparência inicial: ambos são substantivos paroxítonos que definem um modo formal de exposição do discurso e são dotados de três sílabas gramaticais ou duas sílabas métricas.

Soneto é uma composição poética megavelha, vetusta mesmo. Segundo os “paleontólogos literários”, essa forma poética teve início na idade média, ali pelo final do século 12, início do 13. A autoria do primeiro soneto é controvertida e se divide entre três poetas sicilianos. O termo Soneto vem do provençal (o idioma dos trovadores medievais) sonet, que quer dizer som, melodia, canção. Em pouco tempo virou coqueluche e se tornou a forma preferida dos poetas. Encantou Dante, Petrarca, Camões e Shakespeare. O nosso sonetista mais notável foi certamente Olavo Bilac, aquele do “Ora, direis, ouvir estrelas, certo perdeste o censo e eu vos direi no entanto”... Drummond escreveu sonetos, Bandeira Escreveu Sonetos, Gullar escreveu pelo menos um, que eu sei. O Twitter, como o Soneto, vem de uma referência ao som. Derivou da palavra homófona Tweeter (que se escreve diferente mas tem o mesmo som), que quer dizer caixa minúscula de sons agudos, de alta frequência (acima de 5000 Hz). Portanto, Twitter é, como o soneto, uma forma de comunicação, só que ultramoderna. Trata-se de uma rede de comunicação em que os assuntos da hora são tricotados entre os usuários em tempo real. Mas sua semelhança convicta com o Soneto, além das que já mencionamos, está no seu aspecto formal. O soneto, de ordinário, comporta no máximo 140 sílabas poéticas. Igualmente, o Twitter comporta no máximo 140 caracteres. É muita coincidência, não?


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POR EM 29/01/2010 ÀS 09:28 AM

O Ponto G e outras letras do alfabeto

publicado em

Não sei por que cargas d’água o assunto Ponto G voltou à baila na mídia nos últimos dias. Mistérios subliminares da comunicação e marketing. Tanta coisa mais relevante com que nos preocuparmos, como o fracasso de Copenhagen, o filme do Lula, a tragédia do Haiti e o flagelo da dengue no Brasil, mas leigos e “especialistas em Ponto G” teorizam a respeito do mesmo.

“— Onde fica, afinal, o Ponto G?! Ora, é fácil: entre os Pontos F e H”. A piada é tão batida quanto a dificuldade que o ser humano tem em lidar com a própria sexualidade. É como se diz: fazer sexo é uma necessidade básica, fisiológica. O duro é sair de uma transa melhor do que quando se entrou nela.

Somente após o advento da pílula anticoncepcional e da minissaia nos anos 60 (combinação tão explosiva, como o tição e a pólvora, ou Pelé e a bola), a sociedade principiou a quebrar os tabus e as cabeças dos estudiosos, gente interessada no emaranhado psicológico em que estamos metidos. As disfunções sexuais se constituem umas das mais frequentes queixas em consultórios médicos, principalmente ginecológicos. Quando uma mulher está infeliz, ou conta isto pro ginecologista, ou inventa um sintoma e sai peregrinando pelas clínicas até que algum profissional cuidadoso se toque que a doença não é física, mas mental (psicossomática).


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POR EM 23/01/2010 ÀS 11:03 AM

Pensar é muito perigoso

publicado em

Revista BulaUm amigo, dos poucos que me restam, outro dia me disse que, tentando ser irônico, eu não consigo passar do sarcasmo. E o sarcasmo é grosso, pesado, ele acrescentou, com a certeza de quem acaba de inventar a roda. Meu caro, a grossura e o sarcasmo, se você ainda não percebeu, estão aí a nossa volta para ver quem quiser.

Só pra não viajar muito, veja o que vem acontecendo com as artes brasileiras, principalmente as ditas artes populares. A não ser que você seja fã do Tigrão e congêneres, então dou um tapa nesta máquina e vou dormir. Você já prestou atenção aos sambas-enredo? O Stanislaw, meu caro, o Stanislaw Ponte Preta foi um dos maiores profetas, não, poeta, não, eu disse profeta, deste país varonil. Seu “Samba do Crioulo Doido” deveria entrar como um dos livros do segundo testamento.

Dias atrás apareci em um evento, coisa que muito pouco tenho feito, e ouvi um ex-político, com a facilidade verbal que a maioria deles tem quando há público, afirmou que o povo brasileiro vai-se acanalhando. É um povo, são palavras dele, de chapéu na mão e sorriso calhorda, à espera das migalhas debaixo da mesa. E é claro que a mídia, sobretudo a eletrônica, que depende de índices de audiência para sobreviver, é claro que essa mídia não é inocente no caso. Os ratinhos da vida andam por aí, ditando gosto, lotando auditórios, olhando pra baixo.


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POR EM 22/01/2010 ÀS 10:08 AM

Uma vala comum

publicado em

Foto de Patrick Farrell A vida é complexa demais para ser compreendida numa só existência. Portanto, para os que não creem em reencarnações (espécie de “recall” espiritual) e na eternidade o baque pode ser medonho. Mas nem sempre é assim. O ceticismo também poupa mentes da idolatria e do fanatismo. É incrível: eu conheço alguns homens agnósticos que têm uma paz e uma serenidade de fazerem inveja.

Enquanto a “imensa nação rubro-negra” festeja a chegada do jogador de bola Vagner Love a Gávea, a também “imensa nação haitiana” padece sob os escombros de um dos maiores terremotos da história. Não se sabe ao certo quantos morreram por causa do abalo sísmico. Mórbidas especulações globais dão conta que acima de cem mil pessoas foram extintas pelos destroços de casas e prédios naquele país.

“E o que tem uma coisa a ver com a outra?” — algum flamenguista haverá de inquirir, imediatamente irritado com a estapafúrdia analogia. Olhando assim de relance, nada. A não ser o fato das duas situações fomentarem comoção pública, ainda que por motivos antagônicos. Quem nunca rimou amor e dor, os sentimentos mais viscerais que se tem notícia?! Agora, tocarmos a vida como se nada tivesse acontecido, como se a desgraça fosse um mero acidente de percurso envolvendo gente negra e pobre, mais uma calamidade afetando a ralé, é extremamente contraditório. O sentimento que me perturba é do poeta: “é impossível ser feliz sozinho”... 


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POR EM 18/01/2010 ÀS 07:22 PM

Instantes de inércia

publicado em

Acho inevitável e certamente saudável na arte o momento da paralisia. A inércia de um artista é seu ponto de crítica, onde ele se defronta com a dúvida e por isso mesmo (ou então às vezes) se mostrando maduro e cuidadoso com seu trabalho.

Um pintor, segurando seu pincel molhado de tinta, leva a mão à tela, mas vendo melhor uma sombra ou a falta dela, para: e nessa hora nasce toda uma questão de saber cuidar de sua obra, do que será melhor e do que pode arruinar um contraste, uma noção exata de profundidade entre as árvores do fundo e as cadeiras debaixo do sol. A dançarina, erguendo sua perna no palco, dando uma pirueta no ar, voltando-se graciosa e leve para os cantos do próprio corpo, corre para onde não deveria porque foi seguindo o ritmo de sua euforia mágica de passos, então para: e nessa hora nasce a dúvida de para onde e como dobrar-se de uma forma que não desafine a cadência anterior de seus movimentos ensaiados. O escritor, sob a chuva de ideias que jorra (ou pinga) em sua mente, sente a falta de uma palavra ou não sabe se deixa o vento abrir a cortina e revelar ao homem que sua mulher está com outro no quarto, e para: nessa hora ele enfrenta o mistério da própria criação e suas dificuldades, mesmo que esse mistério já esteja revelado, embora não num plano ainda alcançável; ele descobre que sua história pode ser maior do que ele, com uma cena invertida possível de alterar destinos, pessoas, o meio todo, e assim o fim.


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