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EBERTH VÊNCIO
EM 03/02/2012 ÀS 01:41 PM
Tamburello... Narcisa tem sobrenome de curva assassina e — graças às vinte e três cirurgias plásticas realizadas com o famoso cirurgião anabolizado Doutor Roliúde — cultivou um corpo também curvilíneo, moldado com vários emiéles de silicone, lipoesculturas que deixariam Michelangelo estupefato e as massagens do Gustavão.
Atenta às tendências consumistas do mercado, às avalanches de lixo dos realiti-chous e às irrelevâncias do viver, aliada ainda a minha evidente falta de criatividade e do que escrever, a Revista Bula escalou este cronista para permanecer 24 horas (sem direito a pedir para sair...) ao lado da mulher rica Narcisa Tamburello (Nota: antes de se casar com o senil e milionário Comendador Apolinário, Narcisa sonhava em ser modelo, escritora, atriz, cantora, bailarina, apresentadora de televisão ou famosa).
Eu preferia ter sido escalado para Alcatraz, Carandiru, As Curvas da Estrada de Santos, ou mesmo para o Congresso Nacional. Mas, como os dois primeiros já estão desativados, Roberto Carlos não abre mão dos direitos autorais, o Congresso é muito perigoso, e eu precisava de dinheiro para comprar meus antidepressivos, aceitei encarar mais esta pedreira. Se eu fui capaz de ler o livro do Eique Batista até o final, por que não poderia enfrentar uma realiti-crônica com aquela socialiate? Então, com vocês, um meu dia desperdiçado ao lado mulher rica Narcisa Tamburello.
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DENISE ROSSI
EM 02/02/2012 ÀS 10:16 AM
Crer ou não crer eis a questão? Meu amigo, até mesmo a descrença é uma forma de crença. Quando instalamos nossas bases em terrenos instáveis como o da fé, estamos enveredando por um caminho muitas vezes obscuro, que, em muitos casos, não tarda em flertar com o fundamentalismo. Esteja ele voltado ao teísmo ou ao ateísmo.
Nasci em família espírita (não confundir com as religiões afro-brasileiras). Aos 14 anos impliquei com minha mãe que queria que eu fizesse primeira comunhão. E fiz. No catecismo, não concordava com nada do que a professora dizia, mas não a aborrecia. Chegou o dia da cerimônia e carreguei toda feliz a minha vela e confessei ao padre, muito envergonhada, os meus pecados de moça pura. Eu queria ser aceita no meu grupo social de maioria católica. Foi quando percebi que a religião era uma forma de sociabilização.
Um pouco mais adiante, me converti ao Universalismo Estelar. Uma religião que eu mesma inventei. Sou fundadora, pastora e única fiel. Infelizmente, dileto leitor, mesmo que você se interesse por essa religião, o único dogma que ela carrega é permanecer para sempre individualizada em mim. Não haverá outros fiéis que não eu mesma. A espiritualidade é algo muito singular.
No Universalismo Estelar não há outra compreensão do mundo que não o pensar e a lógica. Evidências empíricas são muito bem vindas, mas nunca analisadas de forma derradeira. Há sempre mais a aprender. Sentada em meu altar, envolta por livros, um dia me deparei com a causalidade. A relação entre causa e efeito e tudo o que envolve a sua inteligibilidade. Desde então, adotei certas posturas quanto às visões ateístas e teístas.
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EBERTH VÊNCIO
EM 27/01/2012 ÀS 12:17 PM
Confesso que não vou muito ao cinema. E não o faço por vários motivos, dentre os quais, o frio que eu sinto dentro das salas de projeção (meu corpo magricelo não suporta o ar congelante) e a pipoca cara à beça (por acaso, utilizam milho transgênico importado dos esteites ou manteiga de leite de cabras montesas dos Alpes suíços?).
A alta tecnologia provoca em mim outro entrave gravíssimo: os filmesem três-dê. Bastacolocar os óculos na cara para começar a vertigem, mãos frias e a sudorese. São reações físico-emocionais de um careta, sem dúvida. Cruéis, meus filhos riem de mim.
Há outros transtornos pouco relevantes que também me afugentam, como o medo de tropeçar no escuro e me estatelar no chão carpetado. Prefiro não arriscar, então sofro com a bexiga cheia. Ser obrigado a comentar o filme através de cochichos ao pé do ouvido, para não incomodar as outras pessoas, é outro grave desafio. Na sala de casa a verbalização é livre. Além do mais, quem fica com o controle remoto nas mãos sou eu. Porém, verdadeiramente, o que mais me repele dos cinemas é o risco de cair em ciladas.com, como aquela do Bruno Mazzeo em 2011. Em quarenta e seis anos de vida, somente duas ocasiões eu presenciei a saída de pessoas de uma sala de cinema, antes que o filme chegasse ao fim. Na primeira vez, fui eu próprio o protagonista, juntamente com um colega da escola. Apesar de moleques, penetramos (Sem duplo sentido, por favor! Não sou Marcelo Madureira! Não sou Hubert! Não sou um casseta! Não quero cansá-los!) num filme pornográfico do antigo Cine Casablanca, no centro da cidade.
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MENALTON BRAFF
EM 26/01/2012 ÀS 12:32 PM
Às vezes vale a pena pensar sobre a vida. Não sobre o que temos ou não consumido, tampouco a respeito do que fizemos ou deixamos de fazer. São aspectos factuais que, mais do que ajudar em uma reflexão mais profunda, tornam-se barreiras ao pensamento abstrato, aquele onde vamos encontrar as verdadeiras significações. Chegamos quase à Ideia de Platão, mas aí já o terreno é extremamente perigoso e podemos nos enredar.
Tentar entender o que é a felicidade talvez seja um dos caminhos para se chegar ao sentido da vida. É um assunto para o qual não há dona de álbum de pensamentos que não tenha uma resposta pronta: A felicidade não existe. Existem momentos felizes. Essa é uma verdade chocantemente inócua, pois não chega a pensar o que seja a felicidade como também não esclarece o que são tais momentos felizes. Pois bem,
O assunto me ocorre ao me lembrar de que vivemos em uma sociedade excessivamente consumista, sociedade em que a maioria considera-se feliz se pode comprar. Assim é o capitalismo: entranha-se em nossa consciência essa aparência de verdade fazendo parecer que os interesses de alguns sejam verdades inquestionáveis. O que é bom para mim tem de ser bom para todos. Isso tem o nome de ideologia, palavra tão surrada quão pouco entendida. E haja propaganda para que a máquina continue girando. Não sou contra o consumo, declaro desde já, mas contra o consumismo. Erigir o consumo de bens materiais (principalmente) como o bem supremo de um ser humano é tirar-lhe toda a humanidade, é reificação.
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EBERTH VÊNCIO
EM 20/01/2012 ÀS 10:53 AM
“Engulam: os Estados Unidos mandaram o homem à lua, e nós enviamos o nosso homem para falar com o Obama!”. Foi com estas palavras, sentado em sua cadeira reclinável de tecido puído, com os pés cruzados sobre a mesa, os cantos da boca espumando como um cão raivoso, que o editor da Revista Bula provocava um concorrente da imprensa, vangloriando-se pela entrevista que Obama concedera a mim em Nova Iorque.
Quando a gente conta, o povo nem acredita: “Como assim, você e o... Obama?!”. Como diria Katilaine Suellen (cujo nome no érre-ge é Maria Aparecida da Silva), estriper da gaiola de número 3 do Buraco Azul Entretenimentos: “A vida é feita de contatos, tigrão. Relacionamento é tudo. Com uma agendinha azul nas mãos se vai longe, gracinha”. É de fazer muitos deputados federais tremerem nas bases.
Nova Iorque é realmente uma metrópole incrível, por mais que ativistas antiamericanos queimem bandeiras ianques e jurem o contrário. Ela cheira à modernidade. Multidões entopem as calçadas falando dialetos do mundo inteiro. Uma mescla de cultura, alta tecnologia e consumismo desmedido. “O que mais te impressionou em Nova Iorque?”, foi a segunda pergunta que me fez o editor quando retornei ao Brasil (a primeira foi: “sobrou algum dólar, meu chapa?”). Há tempos eu ansiava conhecer Nova Iorque, única cidade estadunidense que apetecia o meu apetite turístico. Cético não curto diversão e fantasia. Portanto, cassinos e disneilandias jamais frequentaram a minha lista de destinos prováveis. Para subir na vida é necessário nascer rico, usar uma escada ou participar de algum esquema mensalão. Tem um jeito muito mais custoso no qual se depende muito da sorte: trabalhar duro. Então, quebrando alguns porquinhos de porcelana e vendendo rifas honestas para os amigos e familiares durante todo o ano de 2011, a Revista Bula conseguiu arrematar um pacote de três noites, a ser pago em doze parcelas, para este abnegado cronista.
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EBERTH VÊNCIO
EM 13/01/2012 ÀS 11:24 AM
“Que fase...” É o comentário corrente que tenho ouvido dos companheiros de peladinhas aos sábados. Não. Não tenho frequentando os fuleiros churrascos vespertinos baratos à beira da piscina lotada de “universitárias desinibas”. Nunca fui muito afeito aos prostíbulos e não será agora, aterrorizado pela Crise dos Quarenta, que o farei.
Quando digo “peladinhas”, refiro-me ao clássico futebol praticado com os amigos nas tardes de sábado. Com o avanço da idade, o corpo já não acompanha, em tempo hábil, os comandos da mente. Daí os maus tratos à bola, as furadas bisonhas na zaga, as padeiradas na meia cancha, e os incríveis gols perdidos embaixo das traves. Sobrevivendo com a fama de craque do passado, insisto em enervar os peladeiros com os meus dribles incompreensíveis.
Falando em “fase ruim”, parece que atravessamos um dos períodos mais obscuros da história brasileira, no tocante aos valores, a dar o devido crédito a quem de fato o merece. Estarei me tornando um crítico deveras implicante ou estamos mesmo vivendo uma era de quase completa inversão de valores éticos e morais no país? Por exemplo, enquanto pipocavam fogos de artifício no céu chuvoso por conta das farras do reveiom, e motoristas absolutamente embriagados choferavam pelas ruas da capital sem serem importunados pelos paladinos da lei (excesso de espírito natalino, preguiça, negligência da autoridade de trânsito ou “ordens superiores”?!), um episódio grotesco ocorria num dos mais importantes hospitais públicos da cidade.
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MENALTON BRAFF
EM 12/01/2012 ÀS 04:40 PM
Não chega a ser um assombro ler que os membros do júri do Nobel, em 1961 esnobaram J.R.R. Tolkien. Me parece que o verbo esnobar não cabe no caso, por sua forte carga pejorativa. O que encontro nos jornais, e onde mais encontraria? É que CS Lewis tentou indicar seu colega ao Prêmio Nobel de Literatura, provocando reação contrária dos outros membros do júri. A razão apresentada, "o resultado não se comparava às ficções de boa qualidade", não me parece fora de propósito, muito menos ofensivo. Quando alguém resolve escrever, precisa fazer algumas opções. E a propósito transcrevo trecho encontrado no facebook de Matheus Arcaro: “A alta literatura faz o leitor tropeçar. E não é todo mundo que está preparado para cair. Por isso os best sellers são best sellers: porque dizem o que o leitor espera. O leitor menos preparado chama isso de ‘identificação com a obra. ‘Puxa vida, este autor diz exatamente o que eu penso.’ Não percebe que o prazer da leitura é justamente fechar o círculo’.” Não me parece que recusar alguém por falta de qualidade seja o mesmo que esnobar.
Ora, não há como negar que em literatura se têm duas categorias básicas: alta literatura e literatura digestiva. A primeira é arte; a segunda entretenimento. A primeira vende pouco, pois são poucos seus leitores; a segunda tem um caráter marcadamente comercial e consegue atingir o grande público. Não faço aqui apologia nem de uma nem de outra. Isso é apenas juízo de realidade, não de valor.
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MENALTON BRAFF
EM 07/01/2012 ÀS 03:54 PM
Esta história das sanguessugas tem provocado discussões homéricas e acho que é bom, é saudável que se exercite um pouco esta coisa que se chama cidadania. Não importa que os conceitos sejam muitas vezes primários, que os resultados sejam viciados por visões tortas do mundo. O que vale, mesmo, é o exercício. Sem ele, jamais passaremos de multidão a povo.
O Adamastor, homo morbide politicus, não para mais de discutir. A tônica do que se ouve sobre o assunto é sempre a mesma: políticos são todos corruptos.
Entrei numa dessas discussões no bar do Zégeraldo para tirar meu amigo de uma enrascada. Ele havia dito o que pensava e isso é sempre perigoso, pois ele pensa.
Valendo-me da maiêutica (parto, em grego, método socrático), perguntei ao oponente mais exaltado do Adamastor, se político tem família (pai, mãe, irmãos) e ele disse que sim, claro. E que tal a família de um político?, voltei a perguntar. Um olhar gelado de desconfiança me cobriu. Ora, nada de especial com a família de um político.
Os outros começaram a coçar os braços, principais órgãos do pensamento em algumas situações. Voltei à carga, querendo saber se ele conhecia algum político, algum vereador, que fosse. Disse-me com orgulho que ao lado da casa dele morava um. Então perguntei se era possível notar algum sinal particular em seu vizinho. Não, nada de especial. Pelo contrário, um homem bem comum. Olhando assim para ele, revelou o adversário do Adamastor, ninguém imagina que se trata de um vereador. Igual a nós.
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RAPHAEL TSAVKKO
EM 07/01/2012 ÀS 03:32 PM
Sempre que vejo propagandas de eletrodomésticos, de produtos para casa, como de sabão em pó, por exemplo, me revolto pela presença quase que exclusiva da mulher no ambiente do lar e por elas serem sempre o alvo único e inconteste de todo e qualquer produto.
É ela quem lava os pratos, quem lava e passa as roupas, faz a comida... Enfim, tudo relacionado à casa é a mulher quem faz, enquanto cuida dos filhos e, claro, dos maridos, quase sempre inúteis já que, afinal, "trabalham".
Isso quando as propagandas não beiram o absurdo (ou mesmo ultrapassam), com homens absolutamente tapados e incapazes que não conseguem sequer trocar aquela pedrinha que dá cheiro e supostamente limpa a privada. É preciso gritar para a "desocupada" que "apenas" cuida da casa para que tudo se resolva. A incapacidade do homem é gritante. E ofensiva.
Eles chegam em casa do trabalho e encontram mulheres "donas do lar" que, além de tudo, preparam seu jantar e o das crianças, sempre com um sorriso no rosto, com cheirinho "especial" na casa, roupa lavada...
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EBERTH VÊNCIO
EM 06/01/2012 ÀS 03:13 PM
Como eu já suspeitava, repercutiram mal, entre alguns leitores, os textos que eu escrevi a respeito do Natal e do Ano Novo. Neste Natal, vá se lascar! e Coisas que não fiz neste ano e, com certeza, não farei no próximo. Terrorismo da palavra, creiam. Ou falta de paciência com o consumismo. Ou simples falta de inspiração do que escrever.
Acostumados a levarem as suas vidas e as dos outros muito a sério, a se prenderem mais às linhas do que às entrelinhas, alguns leitores declararam-se abismados, preocupados ou mesmo indignados com tamanha grosseria nas minhas agudas crônicas natalinas. “Tanto rancor não lhe cai bem, meu chapa”, diagnosticou um amigo não-médico, sem recomendar um padre, um chá, uma pílula ou um livro sequer.
Portanto, na minha tarefa impertinente de levar a dúvida onde houver a fé, quase sempre desagradando gregos, troianos e paroquianos, concebi uma paródia (os mal humorados haverão de considerar uma blasfêmia), uma vez que a inspiração minguou, a Rita levou o meu sorriso e meu nome foi parar no Serasa. Vocês nem imaginam: tirar o nome da gente de listas negras é uma tarefa inglória. Rogo, portanto, aos gregos e aos troianos, aos flamenguistas e aos corintianos, aos puritanos e aos que tomam sais de lítio duas vezes ao dia por tempo indeterminado que perdoem os meus excessos, assim como fez Jesus à cantora Madonna. Afinal, Natal é época de perdão.
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