Autor: Marcelo Franco

É o tempo, estúpido: ainda ontem eu tinha 20 anos

É o tempo, estúpido: ainda ontem eu tinha 20 anos

O negócio é o seguinte: praticamente não me abalo da minha casa para ir a cinemas, mas acabei, quase por acidente, numa sala escura vendo “O Filme da Minha Vida”, dirigido por Selton Mello. Festa estranha com gente esquisita. Tudo o que costuma me afastar dessa atividade estava lá para ser enfrentado, gente falando ao telefone, comendo sanduíches gigantescos e tirando os sapatos, mas, reconheço, valeu o esforço. Fui, vi e venci. Venci principalmente o meu preconceito contra filmes brasileiros.

4054
Orgia perpétua

Orgia perpétua

Ali pelo oitavo chope, chegamos à conclusão de que todos os problemas eram insolúveis. Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty. Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra. Ultima Thule. Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta. Amava o Grande Irmão.

1376
No princípio, Deus criou os livros

No princípio, Deus criou os livros

“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” Em matéria de abertura, meus crentes leitores, a Bíblia continua imbatível: quem a escreveu tinha um poder de síntese magnífico — é o “Vim, vi, venci” dos inícios de livros. Os incipit (plural sem variação, caro corretor) — como são chamados esses inícios de livros — dão muitas vezes o tom do livro. Creio mesmo já ter lido que existe um jogo de adivinhação de autores a partir dos seus incipit — se non è vero, è ben trovato.

1814
Leio, logo tusso (carpe diem)

Leio, logo tusso (carpe diem)

Não sou moreno alto, bonito e sensual, mas garanto a vocês que leio. Vivo entre livros e papéis e tenho a casa hoje totalmente colonizada por livros — para ler todos, rogo para que exista em mim o gene da longevidade de Matusalém. “Leio, ergo sum” é o meu moto, e a minha baleia branca será sempre o próximo livro a ser lido. Posso não entender o que leio, mas venho tentando.

1616
Mississippi: eu, Faulkner e Jack Daniel’s

Mississippi: eu, Faulkner e Jack Daniel’s

Leio e releio Faulkner constantemente, é faina para a vida toda. Se vocês não seguem essa dieta, estão perdendo um dos pontos altos da humanidade (Faulkner, aquedutos romanos, decisões da Suprema Corte americana, Capela Sistina, suítes de Bach para violoncelo, filmes de Sergio Leone, Ava Gardner, dribles do Garrincha, essas coisas): o homem vivia meio encharcado no seu estranho Deep South e ainda assim nos deixou uns três ou quatro romances que estão entre os melhores já escritos.

1617
Sobre Dórias e Grafites

Sobre Dórias e Grafites

Corre uma discussão sobre grafites, o que infelizmente desviou a minha atenção de assuntos mais importantes, como o diplomata que vai participar do BBB. Bem, nenhum homem é uma ilha, já se sabe, e por isso larguei a “História da Arte”, de Gombrich, que lia pela terceira vez, e apliquei as minhas células cinzentas ao caso. Vejamos. Acho grafite algo medonho. Grafite feio, aliás, é coisa mais comum no Brasil do que febre amarela e bócio. Naturalmente, portanto, aplaudi a ordem do Dória de tratorar a coisa toda em São Paulo.

2398