Autor: Karen Curi

Ele: a chave. Ela: a fechadura

Ele: a chave. Ela: a fechadura

Ele veio com a força de um tornado levando as folhas secas que cobriam o quintal do coração dela. Foi o verão que chegou antes da hora com seu sol queimando o corpo todo, fazendo ela derreter. Colorido, com cheiro de maresia, os dias eram tão grudados quanto corpo melado de suor. Mal podiam esperar o amanhecer e já estavam entranhados um no outro, respirando das suas bocas. Ele era dela, ela era dele. Eram um só. O tempo todo. As mãos sempre entrelaçadas, beijos intermináveis que só admitiam dar lugar aos sorrisos bobos e olhares úmidos.

Não jogue pérolas aos porcos

Não jogue pérolas aos porcos

Mais um ano de eleição. Mais promessas, mais injúrias. Novos rostos, antigos. Novas ofensas, antigas. Sujeiras criando raiz por debaixo dos panos, ruas imundas, jingles insuportáveis martelando o compasso brega no mais profundo do tímpano. É, meu amigo. Quatro anos passaram tão rápido feito bala perdida. Vejo cidadãos enlouquecidos levantando bandeiras, aclamando candidatos aos gritos, defendendo fervorosamente e cegamente um competidor e um partido. Venho acompanhando os debates políticos e a cada round assombrosamente consigo me surpreender com o ser humano.

Príncipes são chatos

Príncipes são chatos

E são mesmo. Perfeitinhos demais. Príncipes não se atrasam, trazem flores e estão sempre impecáveis. São românticos, melosos, querem dormir de conchinha. O sapo não! O sapo é aquele cara que não vai na academia, o cabelo está desarrumado, a barba por fazer. Vai chegar atrasado com um sorriso irresistível, te levar pra tomar um chopp, contar casos e te fazer rir a noite inteira! Príncipes têm sempre um elogio na manga. Reparam na cor do esmalte, se o vestido é novo, se você pintou o cabelo. Os sapos não querem saber de nada disso! Eles vão te achar linda com os olhos remelentos pela manhã e fazer graça do murundum dos seus cabelos.

Como saber a hora de partir?

Como saber a hora de partir?

Chega um instante em que você tem que decidir o seu destino. Permaneço no meu querido sofá rasgado que já tem a forma do meu corpo? Ou pego a mochila, umas mudas de roupa, e saio de fininho antes do amanhecer? Todos passam por momentos de decisão onde um passo pode levar tanto para a glória, quanto para a beira de um abismo. A sensação que tenho é que quanto mais amadurecemos, mais precisamos tomar as rédeas da nossa vida. Quando somos crianças sempre existem alguém que decide por nós; o que vamos comer, aonde ir, o que vestir… Com o passar do tempo o fato de ser pessoa começa a nos cobrar decisões.

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Faça tudo comigo. Mas não minta para mim

Faça tudo comigo. Mas não minta para mim

Faça tudo comigo. Me xingue, me bata, me empurre. Mas não minta para mim. Bote o dedo na minha cara, me acuse, me humilhe, me chame do que quiser. Mas não minta para mim. Me ignore, finja não me ver, não me ouvir, não me dê a mínima. Mas não minta para mim.

A vida é mesmo uma roda gigante

A vida é mesmo uma roda gigante

Você já parou para pensar em como a vida é cheia de altos e baixos, frio na barriga, mãos suando, quedas, subidas, medos, esperança, lágrimas, sorrisos, angústias, encantamento? A vida é como uma sinfonia de Beethoven, com acordes melancólicos e românticos seguidos de estrondosas notas que exalam paixão e fúria. É possível dizer que se assemelha a um poema de Neruda, cheio de pesares e uma saudade tão doída que umedece os olhos. Ao mesmo tempo que clama um amor doce e carnal, a figura da sua mulher perfeita que o torna rei e mendigo de si próprio.

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