Autor: Karen Curi

Tudo tem validade, até mesmo o amor

Tudo tem validade, até mesmo o amor

Fim de ano. Chegou aquela hora de mexer nos armários, desencaixotar saudades, separar o que te cabe e o que já não cabe mais. Aquilo que em uma época te fez bem, feliz, ainda mais bonita, e hoje, te aperta, entristece, pesa mais de uma tonelada. Olha, não se aflija por isso não, pelo que um dia foi luz e acabou se transformando em sombra. Acontece com você, comigo, com todo mundo. É que tudo nessa vida tem um prazo de validade, e não poderia ser diferente com o amor.

Neste Natal já sei o que vou pedir: Você

Neste Natal já sei o que vou pedir: Você

Pode chegar… Me dá a tua mão. Entrelaça os teus dedos nos meus, me segura com firmeza e suavidade, desse jeito que eu sei que você sabe. Enrosca os braços na minha cintura e olha bem pra cá, na minha imensidão verde oliva. Não tira os teus olhos dos meus, eu te peço, mesmo sem nada pronunciar e tudo dizer. Se por ventura sentir medo da maré que vem de mim, não se apequene, agarre-se nos meus cabelos, orelhas, ombros, o que você encontrar pela frente. Escute somente as minhas risadas férvidas e meus apelos de que você venha comigo.

O amor é cego e não deve andar sozinho

O amor é cego e não deve andar sozinho

Ah o amor… Ele chega sem avisar, sem cerimônia, abrindo as portas e janelas, deixando o sol entrar, o mofo sair. Vem, pode vir, liga o rádio, vem varrendo a sala, trazendo flores aqui pra dentro. Pinta as paredes do coração em tons alegres com essa felicidade juvenil, enquanto o cheiro de casa nova e pão quentinho se espalham aqui dentro. Aquele lugar frio, obscuro, abandonado, que já foi sinônimo de ranço e solidão — quem diria — se transformou em pousada em frente à praia! O sorriso, todo mundo diz, parece que está carimbado no rosto. Até suspeito que, mesmo em sono profundo, ele é pertinente e espaçoso. O respirar virou suspiro e a cabeça foi parar nas nuvens, em Marte, nas estrelas… Em você.

1865
E se toda guerra fosse de travesseiros? E o choro fosse só de alegria?

E se toda guerra fosse de travesseiros? E o choro fosse só de alegria?

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão… Porque eram feitas de milhões de marshmallows! E quando chovia, elas despejavam confetes de chocolate colorido, que iam tingindo casas, carros, avenidas inteiras e quem mais passasse por ali, sem pressa, naquele dilúvio açucarado. De boca aberta é mais gostoso ficar, como debaixo de um balão cheio de doces, à espera daquele que vai furar a bexiga e regar todos os pequenos com guloseimas! E que sejam pequenos, grandes, vovô e vovó, tios e primos, cachorro, gato, papagaio. Todo mundo junto numa festa só, dentro de um balão mágico, ou numa nave espacial!

Atenção: vendo coração por preço de banana

Atenção: vendo coração por preço de banana

O que mais se vê por aí são amores sem amor, como aqueles de posse, donos um do outro tipo sequestrador e vítima, amordaçada e obediente. Um manda, o outro acata. São “felizes” assim nessa relação de sequestro, mesmo com a certeza de que esse contentamento tem prazo de validade. Existe também o amor de expectativa, onde uma vez superada, voa como mariposa pairando de flor em flor. Em outra categoria estão os amores pífios e baratos. Dão feito chuchu na serra, e de tão ordinários, não chagam a valer nem 1,99. Sobrevivem por interesse, sem paixão, alguns se mantêm vivos apenas por gratidão.

Quando não puder mais caminhar, ajoelhe. E tente outra vez

Quando não puder mais caminhar, ajoelhe. E tente outra vez

Tente outra vez. Mesmo que você tenha se perdido, e perdido as forças para seguir o seu caminho. Mesmo quando o ar já não entra nos pulmões, e na escuridão, seus olhos não consigam enxergar sequer um fio de luz. Tente outra vez. Quando as mãos começarem a sangrar, e os pés machucados, em carne viva, não aguentarem mais o calor da terra. Tente outra vez. Quando não resistir mais à dor de um ombro dilacerado, um coração estilhaçado, um corpo triturado. Tente outra vez. E se não suportar mais caminhar, ajoelhe. Engatinhe, rasteje. Mas não desista!