Autor: Karen Curi

Quando não puder mais caminhar, ajoelhe. E tente outra vez

Quando não puder mais caminhar, ajoelhe. E tente outra vez

Tente outra vez. Mesmo que você tenha se perdido, e perdido as forças para seguir o seu caminho. Mesmo quando o ar já não entra nos pulmões, e na escuridão, seus olhos não consigam enxergar sequer um fio de luz. Tente outra vez. Quando as mãos começarem a sangrar, e os pés machucados, em carne viva, não aguentarem mais o calor da terra. Tente outra vez. Quando não resistir mais à dor de um ombro dilacerado, um coração estilhaçado, um corpo triturado. Tente outra vez. E se não suportar mais caminhar, ajoelhe. Engatinhe, rasteje. Mas não desista!

Não me aguento mais. Vou embora. O último que sair apaga a luz

Não me aguento mais. Vou embora. O último que sair apaga a luz

Chega. Cansei de mim. Faz tempo que venho me aturando, fingindo que a minha presença não me incomoda. Só que agora, realmente, não dá mais. Não suporto meus passos sempre apurados, minhas passadas largas e aquela pisada torta. Ando muito rápido, vivo numa maratona interna competindo comigo mesma, quando poderia, pelo menos uma vez ou outra, me sentar no banco da praça e ver a banda passar.

Quem manda nisso tudo aqui sou eu!

Quem manda nisso tudo aqui sou eu!

Você está caminhando na sua própria romaria. Um pé depois do outro. Tropeça. Cai. Levanta. De olho na estrada, nos carros, nas formas das nuvens. Dias de sol, por vezes nublado, e as fases da lua acompanhando os seus ciclos mais íntimos. Esse é o lado A da vida; o previsível, a rotina — segura, porém monótona. Os sapatos tão moldados aos pés já se acostumaram com a andança automática. É como um roteiro sem clímax.

Ele: a chave. Ela: a fechadura

Ele: a chave. Ela: a fechadura

Ele veio com a força de um tornado levando as folhas secas que cobriam o quintal do coração dela. Foi o verão que chegou antes da hora com seu sol queimando o corpo todo, fazendo ela derreter. Colorido, com cheiro de maresia, os dias eram tão grudados quanto corpo melado de suor. Mal podiam esperar o amanhecer e já estavam entranhados um no outro, respirando das suas bocas. Ele era dela, ela era dele. Eram um só. O tempo todo. As mãos sempre entrelaçadas, beijos intermináveis que só admitiam dar lugar aos sorrisos bobos e olhares úmidos.

Não jogue pérolas aos porcos

Não jogue pérolas aos porcos

Mais um ano de eleição. Mais promessas, mais injúrias. Novos rostos, antigos. Novas ofensas, antigas. Sujeiras criando raiz por debaixo dos panos, ruas imundas, jingles insuportáveis martelando o compasso brega no mais profundo do tímpano. É, meu amigo. Quatro anos passaram tão rápido feito bala perdida. Vejo cidadãos enlouquecidos levantando bandeiras, aclamando candidatos aos gritos, defendendo fervorosamente e cegamente um competidor e um partido. Venho acompanhando os debates políticos e a cada round assombrosamente consigo me surpreender com o ser humano.

Príncipes são chatos

Príncipes são chatos

E são mesmo. Perfeitinhos demais. Príncipes não se atrasam, trazem flores e estão sempre impecáveis. São românticos, melosos, querem dormir de conchinha. O sapo não! O sapo é aquele cara que não vai na academia, o cabelo está desarrumado, a barba por fazer. Vai chegar atrasado com um sorriso irresistível, te levar pra tomar um chopp, contar casos e te fazer rir a noite inteira! Príncipes têm sempre um elogio na manga. Reparam na cor do esmalte, se o vestido é novo, se você pintou o cabelo. Os sapos não querem saber de nada disso! Eles vão te achar linda com os olhos remelentos pela manhã e fazer graça do murundum dos seus cabelos.

Como saber a hora de partir?

Como saber a hora de partir?

Chega um instante em que você tem que decidir o seu destino. Permaneço no meu querido sofá rasgado que já tem a forma do meu corpo? Ou pego a mochila, umas mudas de roupa, e saio de fininho antes do amanhecer? Todos passam por momentos de decisão onde um passo pode levar tanto para a glória, quanto para a beira de um abismo. A sensação que tenho é que quanto mais amadurecemos, mais precisamos tomar as rédeas da nossa vida. Quando somos crianças sempre existem alguém que decide por nós; o que vamos comer, aonde ir, o que vestir… Com o passar do tempo o fato de ser pessoa começa a nos cobrar decisões.