Autor: Karen Curi

Grande campanha pela vida: cada um cuida da sua

Grande campanha pela vida: cada um cuida da sua

Ninguém quer admitir fraqueza, demonstrar pobreza, nem assumir a normalidade. As pessoas precisam sentir que são extraordinárias, e, para isso, preferem mostrar a feiura do outro do que ressaltar a própria beleza. Como o macaco, que esconde o rabo, e ri do rabo do outro. Apagar as luzes é mais fácil do que fazer brilhar a própria luz. As pessoas estão cada dia mais competitivas, concorrendo incessantemente umas com as outras, disputando postos ilusórios e fugazes de quem é o mais bonito, o mais inteligente, rico, influente.

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Previsão para ser feliz: beba mais vinho e coma a sobremesa antes do almoço!

Previsão para ser feliz: beba mais vinho e coma a sobremesa antes do almoço!

Serei feliz todos os dias! Nada irá abalar o meu lado positivo, mesmo que meu saldo entre no negativo. Meu cabelo ficará milagrosamente domado e sedoso. Conseguirei seguir à risca a dieta e fazer exercícios físicos cinco dias por semana. Vou aumentar a minha lista de amigos e encontrar tempo para todos os cafés e chopes com os amigos que eu já tenho. Estarei presente nas reuniões de família, nas bodas, nos aniversários, nos batizados e nos almoços de domingo.

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Abrace, beije, perdoe e agradeça. Neste fim de ano não economize sentimentos

Abrace, beije, perdoe e agradeça. Neste fim de ano não economize sentimentos

Quanta gente se foi esse ano… Quantos anos se foram em um só dia. Quantas vidas se despediram em fração de segundo. Quantos segundos se tornaram eternos. Quanta gente. Gente de perto e gente de longe. Gente importante para o mundo e gente que foi o mundo da gente. Caminhos pela metade. Uns ainda engatinhando. Outros, no final do percurso. Estrada cheia de vida pela frente. Vida já cansada de tanta estrada. O adeus agendado. A partida num piscar de olhos. O abraço que guardamos.

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O Ministério da Saúde adverte: para viver bem é só ligar o foda-se!

O Ministério da Saúde adverte: para viver bem é só ligar o foda-se!

Já queimei o arroz, o couro cabeludo, os pés na areia quente, o corpo até dar bolhas. Já queimei foto do ex, o meu próprio filme, e a cabeça de tanto pensar. Queimei de ódio e de vergonha. Ah, queimei. Já saí sem hora para voltar, sem juízo, sem sutiã, sem perfume, celular, chave de casa, protetor solar. Já menti para a minha mãe quando disse que nunca fui a um baile funk, para o meu pai quando jurei que nunca tinha beijado, para o meu chefe quando supostamente adoeci na quarta-feira de cinzas.

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Não adianta fazer um retiro espiritual se você não acredita em nada disso

Não adianta fazer um retiro espiritual se você não acredita em nada disso

Às vezes virar a página não serve de nada. Não muda a história, não troca os personagens. De que adianta sair pelo mundo afora em busca de gente nova e novas bagagens, quando o voo certamente nos trará de volta ao nosso velho livro de bolso? Um livro recheado de memórias, um diário escrito sem pressa, preenchido pela metade, ou talvez nem isso. Ainda resta um punhado de folhas em branco, mas que, independente da nossa vontade, serão ocupadas com preces, lágrimas, rabiscos e risos.

Traição não dói. O que dói é saber que não satisfazemos o outro

Traição não dói. O que dói é saber que não satisfazemos o outro

Parte-se do princípio de que quando uma pessoa engana a outra é porque ela se sente superior e, portanto, está no seu “direito” de fazer o que bem entende. Julga que o seu parceiro é menor, mais frágil, dependente, e até mesmo incapaz de lidar com a verdade, seja ela a falta de amor ou o amor por outra pessoa, a necessidade de provar o novo ou o cansaço de uma relação sufocante e costumeira. Sobram justificativas para fundamentar por que as pessoas traem os seus companheiros.

Não me espere para o jantar. Fui gostar de quem gosta de mim e não volto tão cedo!

Não me espere para o jantar. Fui gostar de quem gosta de mim e não volto tão cedo!

Dei o fora de repente. Sem aviso prévio, sem fazer as malas. Saí como quem vai comprar cigarro e não volta mais. Tantas vezes a gente avisa que vai embora, ameaça, faz chantagem, mas por medo da solidão não consegue ir. Falta coragem. Prorrogamos a dor da despedida e a agonia que nos assalta só de pensar na abstinência do outro. Aceitamos menos amor, menos atenção, menos carinho, menos tesão, menos cuidado. A gente aceita ser menos, ou quase nada. Até que uma hora a gente cansa. E bate a porta sem dar uma palavra.

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