Autor: Fred Navarro

16 conselhos inúteis (e gratuitos)

16 conselhos inúteis (e gratuitos)

Preste atenção às fisionomias. Durante uma negociação, o olhar muitas vezes trai e desmente o discurso. O observador atento tira a média entre os dois e se aproxima das intenções do interlocutor. Suspeitar e desconfiar de alguém são as coisas mais fáceis do mundo; decifrar e compreender as pausas, olhares, tiques nervosos, parênteses e entrelinhas, isso dá trabalho.

A face oculta de Lolita

A face oculta de Lolita

Recusado por diversas editoras americanas, quando saiu em 1955 por uma editora francesa especializada em publicar livros em inglês, o escândalo foi de alta voltagem. Lolita, a personagem, transformou-se de imediato num símbolo da revolução de costumes em curso. O autor não conseguia compreender o sucesso, logo ele que escrevia textos sofisticados, burilados ao extremo, peças de teatro, ensaios críticos, traduções para o russo e uma biografia de Nikolai Gógol.

Tanto faz

Tanto faz

Quase na entrada da estação do metrô ouço a voz rouca e empostada que desafia a mesmice do início da noite: “A tristeza é a morte do assalto celestial”. No vão central da praça o dono da voz, um mendigo de meia-idade, age como se fosse um imperador romano que enlouqueceu no último ato. Dramático, o soberano dá passos lentos, faz paradas repentinas e, sem ninguém esperar, estufa o peito, ergue o queixo e repete, imponente: “É a morte do assalto celestial!”

Elogio do imobilismo

Elogio do imobilismo

Somos o mais filosófico dentre as centenas de povos do planeta. Poucos apreciam perder o tempo que desperdiçamos em meio a contradições intermináveis. Adoramos confundir lerdeza intelectual com sabedoria, e o infinito com o indefinido. Em consequência, adiamos a realização do possível, sem prazo de validade. Somos — quem sabe? — mais pacientes que japoneses, chineses, tibetanos, vietnamitas, tailandeses e demais povos orientais, juntos. Somos mais filosóficos que alemães, franceses, ingleses, austríacos e dinamarqueses. Precisamos de tempo e de sossego para pensar e adiar as decisões necessárias. Não gostamos de nos mexer, a não ser o inevitável, se possível apenas o mindinho.

Dresden, fevereiro de 1945: o inferno somos nós

Dresden, fevereiro de 1945: o inferno somos nós

No dia 13 de fevereiro de 1945, 70 anos atrás, às 22h09, teve início o teste sobre a capacidade letal do método convencional de assassinato em massa. Ao longo de doze horas e vinte e dois minutos, esquadrilhas em três ondas formadas por cerca de 3.600 aviões bombardearam Dresden. O escritor americano Kurt Vonnegut Jr. estava lá como prisioneiro de guerra e afirma que havia tendas da Cruz Vermelha espalhadas pela cidade, que não se via um tanque ou tropas nas ruas. Não era um ataque, era um massacre. No romance “Matadouro nº 5” (Slaughterhouse Five), ele recriou de forma dantesca e surreal aquele 13 de fevereiro e o horror dos dias seguintes.